NOME POPULAR
ajuru, ajururama, caraipé-vermelho, cascadura, cinzeiro, comandatuba, jacua, macucurana, manduguaçu, oiti-pardo, pau-cinza, pau-de-lixa, simbiúva, ubá, ubá-de-facho, uvá-de-facho (LORENZI, 1992) e guapuatá (MUNIZ, 2025)
NOME CIENTÍFICO
Hirtella hebeclada Moric. ex A. DC.
ETIMOLOGIA
O nome do gênero Hirtella deriva do latim hirtus, que significa “áspero” ou “peludo”, em referência à presença de tricomas em ramos e folhas. O epíteto específico hebeclada tem origem grega (hēbē = jovem; kládos = ramo), fazendo alusão aos ramos finos e delicados da espécie. Alguns nomes populares possuem origem indígena (Tupi-Guarani), relacionados ao uso tradicional, como, por exemplo, “guapuatá”, que, segundo Muniz, vem do Tupi-Guarani e significa “fruta de casca preta e semente dura como pedra”.
FAMÍLIA
Chrysobalanaceae
DESCRIÇÃO
Características morfológicas - Espécie arbórea de pequeno a médio porte, atingindo geralmente entre 6 e 12 metros de altura.
Tronco: retilíneo, com copa moderadamente densa.
Casca: pardo-acinzentada, relativamente lisa em indivíduos jovens, tornando-se levemente fissurada com o envelhecimento.
Folhas: simples, alternas, elípticas a oblongas, coriáceas a subcoriáceas, com margem inteira, ápice agudo a acuminado e nervação bem evidente. Superfície glabra ou pouco pubescente, principalmente na face inferior.
Flores: inflorescências em racemos ou panículas axilares ou terminais. Flores pequenas, hermafroditas, de coloração esbranquiçada a creme, com numerosos estames longos e evidentes.
Fruto: do tipo drupa, globoso a elipsoide, pequeno, com polpa pouco espessa e uma única semente envolvida por endocarpo lenhoso.
Semente: semente única, de tamanho relativamente grande em relação ao fruto, oblongo-elipsoide, com extremidades levemente afuniladas. Superfície externa irregular e rugosa, apresentando coloração amarelada a esverdeada, parcialmente recoberta por restos aderentes de polpa esbranquiçada e mucilaginosa, característica comum aos frutos da família Chrysobalanaceae.
Utilidade - A madeira é moderadamente pesada (densidade de 0,72 g/cm³), dura, com textura de média a grossa, grã direita, de baixa resistência ao ataque de organismos xilófagos, com alburne e cerne quase indistintos. É apropriada para estacas marinhas por resistir ao ataque de brocas marinhas, sendo também esparsamente empregada na construção naval e civil. A árvore apresenta características ornamentais, com potencial para o paisagismo em geral. Seus frutos são avidamente consumidos por diversas espécies de pássaros, o que a torna importante para o reflorestamento de áreas degradadas e de preservação permanente (LORENZI, 1992).
Informações ecológicas - Planta perenifólia, heliófita ou esciófita, característica da mata pluvial atlântica. Ocorre também de maneira esparsa em terrenos bem drenados da floresta semidecidual de altitude. Espécie de relevante importância ecológica, recomendada para projetos de restauração florestal, recomposição de áreas degradadas e enriquecimento de florestas secundárias. Apresenta potencial ornamental, devido à copa equilibrada e à floração discreta, além de valor faunístico, pois seus frutos são consumidos por diversas espécies de aves (LORENZI, 1992).
OCORRÊNCIA
Sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, nas florestas pluvial e latifoliada semidecidual (LORENZI, 1992).
SUCESSÃO ECOLÓGICA
Classificada como espécie secundária inicial a secundária tardia, tolerante ao sombreamento moderado e comum em estágios intermediários de regeneração florestal.
FRUTO COMESTÍVEL?
Sim. Segundo Muniz, o fruto é comestível, conforme registros de uso popular e etnobotânico, sendo consumido principalmente in natura em algumas regiões. Apesar disso, trata-se de um uso tradicional e local, com pouca documentação técnico-científica sobre valor nutricional e produção em escala, devendo o consumo ser restrito a frutos corretamente identificados e maduros.
ÉPOCA DE FRUTIFICAÇÃO
Os frutos amadurecem a partir de dezembro, prolongando-se até março.
ÉPOCA DE FLORAÇÃO
Geralmente entre setembro e outubro, podendo variar conforme as condições climáticas regionais.
DISPERSÃO DE FRUTOS E SEMENTES
A dispersão é zoocórica, realizada principalmente por aves frugívoras que se alimentam dos frutos e disseminam as sementes.
VETOR DE POLINIZAÇÃO
Polinização entomófila, realizada principalmente por insetos, com destaque para abelhas atraídas pelos estames numerosos e pelo néctar floral.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
LORENZI, Harri. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. v. 1. Nova Odessa, SP: Editora Plantarum, 1992. 352 p.
MUNIZ, Helton Josué Teodoro. Hirtella hebeclada. Projeto Colecionando Frutas: Frutas do Brasil. Disponível em: https://www.colecionandofrutas.com.br/hirtellahebeclada.htm. Acesso em: 17 dez. 2025.
Mapa de localização da espécie no campus da Unicamp / Campinas-SP (CAVALHERI, 2025)
Mapa de localização da espécie no campus da Unicamp / Campinas-SP (CAVALHERI, 2025)