NOME POPULAR
gravatá; bananinha-do-mato; gravatá; caraguatá; gravatá-da-praia; naná-de-raposa
NOME CIENTÍFICO
Bromelia antiacantha Bertol.
Sinonímia: Agallostachys commelinifolia (de Vriese) Beer; Bromelia commelinifolia de Vriese; Bromelia argentina Griseb. ex Mez
FAMÍLIA
Bromeliaceae
DESCRIÇÃO
Características morfológicas - Espécie nativa do Brasil, ocorrendo em campos, cerrados e bosques, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sul, mas com registro de ocorrência em diferentes partes do território brasileiro, o gravatá é uma bromélia terrestre, perene, estolonífera, acaule, de hábito ereto ou decumbente, podendo formar agrupamentos densos.
A planta é monocárpica, ou seja, floresce uma vez ao final de seu ciclo reprodutivo, produzindo frutos antes da renovação por brotações laterais. Apresenta porte herbáceo, geralmente com 40 a 90 cm de altura.
Suas folhas surgem em rosetas basais, são longas, lineares, canaliculadas, coriáceas e glabras, podendo alcançar cerca de 1,4 m de comprimento. As margens foliares possuem espinhos curvos, em forma de gancho, característica que torna a espécie bastante defensiva. Quando jovens, as folhas podem apresentar coloração avermelhada na base e verde no ápice.
As flores são violáceas, reunidas em inflorescência densa, do tipo racemo, formada no centro da roseta. A estrutura floral apresenta eixo grosso e brácteas vistosas, com tons brancos e avermelhados, conferindo grande valor ornamental à espécie.
Os frutos são bagas ovaladas, de casca amarela, levemente pilosa, com polpa suculenta, de sabor agridoce e com discreto amargor.
Utilidade - O gravatá pode ser utilizado como planta ornamental, principalmente em jardins de espécies nativas, áreas de restauração ecológica, bordaduras e composições paisagísticas de aspecto rústico. Devido às folhas armadas com espinhos, também pode ser empregado na formação de cercas-vivas defensivas.
Os frutos podem ser consumidos crus, especialmente na forma de sucos, ou aproveitados em preparações como geleias, doces, compotas e tortas. Apesar do potencial alimentício, seu consumo é mais regional e menos difundido que o de outras frutíferas brasileiras.
A frutificação corre de fevereiro a junho, com auge absoluto (pico) entre maio e julho. A espécie também possui importância ecológica, pois seus frutos podem servir de alimento para a fauna e suas touceiras oferecem abrigo para pequenos animais.
A espécie Bromelia antiacantha Bertol. é tradicionalmente utilizada na medicina popular, sobretudo na forma de xaropes preparados com os frutos, associados ao alívio de tosse e sintomas respiratórios. Estudos fitoquímicos indicam a presença de compostos fenólicos e flavonoides, além de atividades biológicas em extratos da espécie. Entretanto, seu uso medicinal deve ser tratado com cautela, pois há registros de efeitos citotóxicos e hemolíticos em estudos laboratoriais. Assim, "não se recomenda o uso terapêutico sem orientação profissional".
Descrição elaborada com base em Lorenzi, Lacerda e Bacher (2015, p. 170).
Os frutos maduros são comestíveis, porém podem causar leve ardência ou irritação na boca devido à presença de cristais de oxalato de cálcio e compostos naturais da polpa. Recomenda-se consumir com moderação, preferencialmente coado, diluído ou após preparo culinário. O consumo não é recomendado para gestantes, pessoas com sensibilidade oral ou histórico de cálculos renais por oxalato.
Maio a Julho
Dados Ecológicos
DISPERSÃO DE FRUTOS E SEMENTES
A dispersão é predominantemente zoocórica, realizada por animais atraídos pelos frutos carnosos e suculentos. Aves e pequenos mamíferos podem consumir os frutos e contribuir para a dispersão das sementes. A espécie também se propaga vegetativamente por rizomas e brotações laterais, formando touceiras.
VETOR DE POLINIZAÇÃO
A polinização é provavelmente ornitófila e entomófila, realizada por aves nectarívoras, como beija-flores, e também por insetos visitantes das flores. As brácteas coloridas e as flores vistosas favorecem a atração de polinizadores.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Lorenzi, Harri, Frutas no Brasil nativas e exóticas: (de consumo in natura) / Harri Lorenzi, Marcos Túlio Côrtes de Lacerda, Luis Benedito Bacher. -- Nova Odessa, SP : Editora Plantarum, 2015.