Oficina de Escrita Queer: Promovendo um espaço seguro e criativo para as pessoas se expressarem
Por: Samuel Henrico Sousa Silva
Criada para oferecer um ambiente seguro e acolhedor, a Oficina de Escrita Queer, que aconteceu dia quatro de maio de 2025 na Biblioteca Municipal de Ilha Solteira teve como objetivo incentivar pessoas, membros da comunidade LGBTQIA+, mulheres e pessoas negras, a explorarem suas histórias por meio da escrita criativa. O projeto propõe um espaço de escuta, partilha e produção literária livre de julgamentos, onde identidade e expressão caminham lado a lado.
Registro da Oficina, durante a explicação do professor Marcos sobre o que é Escrita Queer.
A iniciativa é coordenada por Marcos Cruz, professor de história no Instituto Federal de Ilha Solteira, que explica que a oficina nasceu da urgência de criar espaços onde comunidades minoritárias pudessem escrever sobre suas vivências de forma livre e legítima.
A escrita queer é uma abordagem literária e crítica que desafia normas heteronormativas e as expectativas tradicionais sobre gênero e sexualidade. Ela se manifesta em diferentes formas, desde a exploração de personagens e narrativas que fogem dos padrões, até a análise de textos que questionam as relações de poder e as construções sociais de gênero. “A ideia surgiu da necessidade de criar um espaço seguro, onde pessoas como um todo pudessem explorar suas narrativas sem censura, sem medo de julgamento”, afirma Marcos.
Realizada de forma horizontal e colaborativa, a oficina se estrutura como um espaço de troca. Técnicas de escrita são abordadas, mas o foco está na partilha de experiências, na escuta e no fortalecimento coletivo por meio da palavra. “Aqui, a gente não só escreve, mas compartilha vivências, cria laços”, acrescenta o coordenador.
Os encontros reúnem participantes com diferentes níveis de experiência, e os textos produzidos vão de crônicas e contos a poesias e relatos autobiográficos. A escrita torna-se, ao mesmo tempo, instrumento de expressão e resistência, permitindo que histórias queer ganhem visibilidade e legitimidade.
A oficina foi aberta a qualquer pessoa interessada em escrever, independentemente de formação prévia. Mais do que um curso, tratou-se de um espaço de pertencimento onde a escrita afirma existências, combate silenciamentos e constrói pontes afetivas.