Escola Arno Hausser lança segundo volume do livro “Uma Escola que escreve” discutindo a temática “Resistência não é Resiliência”
Marianne da Silva Vicente
A Escola Estadual Arno Hausser celebra o lançamento do segundo volume de seu livro, uma obra colaborativa que explora as camadas da diversidade e representatividade, com foco nos conceitos de resistência e resiliência. O projeto, que teve seu início em 2023 com um primeiro volume bem recebido, continua a promover diálogos profundos sobre a experiência humana, trazendo à tona as histórias de vida dos profissionais da escola.
Thiago Pereira dos Santos, professor da Sala de Leitura e organizador do projeto, compartilhou a motivação por trás da continuidade do livro: "A ideia de continuar o segundo volume surgiu porque o primeiro reverberou de forma muito positiva na escola. Tivemos bate-papos valiosos entre os próprios profissionais e também com os alunos, especialmente na disciplina de Projeto de Vida, em que aprenderam a valorizar as histórias de vida dos profissionais. Foi gratificante e positivo ver como os alunos passaram a enxergar as vulnerabilidades dos profissionais e a respeitá-los pelo seu poder de resiliência", disse Thiago.
Ele explica que a reação ao primeiro volume influenciou diretamente a criação do segundo. "Os profissionais se sentiram valorizados e motivados a escrever mais, usando a escrita como uma forma de terapia e de superação. Colocar suas histórias no papel foi uma maneira de ressignificar momentos difíceis da vida e seguir em frente", complementa.
O segundo volume aprofunda as discussões sobre resistência e resiliência, tratando-as como habilidades socioemocionais complementares e essenciais. "A resistência está relacionada à luta pessoal e à construção da identidade, enquanto a resiliência se conecta à capacidade de superar adversidades e crescer com as mudanças", disse Thiago. O livro aborda temas pesados e importantes, como luto, abuso doméstico e saúde mental, conectando essas questões ao propósito do projeto. "Falar sobre essas temáticas é falar sobre humanidade, resiliência, resistência e diversidade."
A pluralidade de vozes no livro é uma característica marcante, com contribuições de profissionais de diferentes áreas (professores, merendeiras, cuidadoras, agentes de organização escolar, mirins, auxiliares de limpeza) e até mesmo de profissionais que não estão mais na escola, como os que se aposentaram ou atuam agora em outra unidade escolar. "Esses profissionais convidados conviveram muito tempo conosco e têm muitas histórias para contar. Embora não estejam fisicamente na escola, eles continuam presentes em nossos corações", afirmou o organizador.
Além disso, o projeto se expandiu. Este ano, a escola também lançou uma edição com textos produzidos pelos alunos, fruto de um esforço coletivo ao longo do ano letivo. "Os professores atuaram como curadores e escolheram textos das mais diversas disciplinas para compor o acervo. Queremos fomentar o processo de escrita entre alunos e professores, reforçando a importância da leitura e da produção de textos como formas de expressão pessoal", destaca Thiago.
O lançamento do segundo volume reforça o compromisso da Escola Arno Hausser com uma educação que vai além do ensino mecânico, promovendo um ambiente de acolhimento e valorização do indivíduo. "Esperamos que este livro cause mais uma vez discussões produtivas entre os profissionais e os alunos, para que cada vez mais possamos valorizar o humano dentro da escola", finalizou Thiago.
O projeto segue com planos de ampliação, com a intenção de incluir mais vozes e histórias nos próximos volumes, continuando a promover a escrita e o diálogo sobre temas essenciais à formação pessoal e social
O lançamento da segunda edição do livro está previsto para dezembro.
A aluna Karolayne Barbosa entregando o prêmio ''Uma Escola Que Escreve'' para o agente de organização escolar Sérgio.