Eletiva “Cultura, Futebol e Igualdade” leva alunos da Arno Hausser ao Museu do Futebol e Museu Afro Brasil em São Paulo
Marianne da Silva Vicente
No dia 27 de setembro de 2024, alunos da Escola Estadual Arno Hausser participaram de uma viagem cultural marcante aos Museus do Futebol e Afro Brasil, em São Paulo, como parte das atividades da eletiva "Cultura, Futebol e Igualdade". A iniciativa, liderada pelas professoras Geni Auad Cano e Milena Regina Coati Gorayb, tem como principal objetivo discutir o racismo no futebol e fomentar ações antirracistas por meio da educação.
Uma ideia que uniu paixões e propósitos
A criação da eletiva nasceu da vontade de trabalhar com o futebol em sala de aula, conectando a popularidade do esporte com questões sociais relevantes. “Sempre quis trabalhar com o tema futebol. Como não temos espaço adequado na escola, ficava relutante em colocar em prática. A parceria com a disciplina de Arte foi crucial para tirar a ideia do papel", compartilhou a professora Geni.
O ponto de partida foi a elaboração de uma ementa que conectasse esporte, cultura e igualdade racial. Após a aprovação da Diretoria de Ensino de Andradina, o projeto ganhou um grande impulso: uma viagem cultural que não só concretizou um sonho antigo das professoras, mas também proporcionou experiências transformadoras aos alunos.
Racismo e futebol: um olhar educativo
Os museus escolhidos para a visita não foram por acaso. O Museu do Futebol, com seu acervo interativo, se destacou pela abordagem direta sobre a desigualdade no esporte e o combate ao racismo. Já o Museu Afro Brasil trouxe à tona a riqueza e a diversidade da cultura afro-brasileira, bem como os desafios enfrentados por seus descendentes.
“As visitas foram fundamentais para aprofundar o debate sobre preconceito e religiosidade afro. Questões que antes eram vistas com preconceito começaram a ser refletidas de forma mais ampla”, destacou a professora Milena.
Os alunos também participaram de atividades dinâmicas que complementaram a experiência, como trilhas antirracistas, jogos e brincadeiras educativas, além de debates e leituras. Essas práticas ajudaram a fomentar a conscientização e a desconstrução de preconceitos.
Impacto e transformação
A experiência ultrapassou os limites das salas de aula. "Aquele pré-conceito ficou para trás. Aprender é um ato de libertação", afirmou Geni. Segundo ela, a vivência nos museus foi rica e essencial para os alunos compreenderem a complexidade do racismo e da diversidade cultural no Brasil.
Além disso, a eletiva teve um impacto significativo na comunidade escolar, envolvendo pais e filhos na causa antirracista. “Foi gratificante ver o engajamento de todos em um tema tão importante. O racismo está presente na vida de todos nós, e a educação tem o papel de refletir e desconstruir crenças e estereótipos”, completou Milena.
Continuidade do projeto
As professoras estão expandindo as atividades e o trabalho realizado, criando materiais didáticos e obras artísticas e promovendo mais debates sobre igualdade racial e esporte, que serão expostos na culminância da eletiva, que ocorrerá no dia 02/12 das 10h às 16h na E. E. Arno Hausser, em evento aberto ao público. Com a motivação e o sucesso alcançados, a eletiva "Cultura, Futebol e Igualdade" se torna um modelo de como o esporte pode ser um poderoso aliado na promoção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A viagem não foi apenas um passeio, mas uma aula viva de história, cidadania e respeito. Uma verdadeira lição de que a educação, assim como o futebol, tem o poder de unir e transformar.
Registros das visitas ao Museu Afro Brasil e ao Museu do Futebol, em São Paulo