Al-khwarizmi
Al-khwarizmi
Representação imaginária moderna de al-Khwarizmi, destacando os títulos das suas obras fundamentais sobre álgebra e aritmética
Selo postal comemorativo emitido pela União Soviética em 1983, assinalando o 1200.º aniversário do nascimento de al-Khwarizmi.
Monumento dedicado a al-Khwarizmi na Cidade Universitária de Madrid, representando o sábio com os instrumentos da astronomia e os tratados que influenciaram o saber científico ocidental.
Monumento dedicado a al-Khwarizmi na sua região de origem (Khiva, atual Uzbequistão), perpetuando o seu legado histórico.
Sabe-se muito pouco da vida de Abu Abdullah Mohammed ben Musa al-Khwarizmi. Não se sabe ao certo quando nasceu, provavelmente por volta de 780 e terá morrido entre 830 e 850. O seu nome significa Mohammed, pai de Abdullah e filho de Moisés, de Khwarizmi. Tal fornece-nos a indicação de que ele, ou a sua família, era originário de Khowarezm, a região a sul do mar de Aral, na altura parte da Pérsia ocupada pelos Árabes, atualmente parte do Uzbequistão. Certo é que foi um dos primeiros matemáticos a trabalhar na Casa da Sabedoria, em Bagdade, durante o reinado do califa árabe al-Mamun (813-833). Al-Khwarizmi escreveu tratados sobre aritmética, álgebra, astronomia, geografia e sobre o calendário. É possível que tenha escrito um tratado sobre o astrolábio e outro sobre relógios de sol, mas estes dois últimos não chegaram aos nossos dias.
Tanto o tratado sobre a aritmética como o sobre a álgebra constituíram o ponto de partida para trabalhos posteriores e exerceram uma forte influência no desenvolvimento da matemática, principalmente da aritmética e da álgebra.
A versão original do pequeno tratado de aritmética de al-Khwarizmi encontra-se perdida, mas este chegou a Espanha e existem traduções, do século XII, para latim. No seu texto, al-Khwarizmi introduz os nove símbolos indianos para representar os algarismos e um círculo para representar o zero. Depois explica como escrever um número no sistema decimal de posição utilizando os 10 símbolos. Descreve as operações de cálculo (adição, subtração, divisão e multiplicação) segundo o método indiano e explica a extração da raiz quadrada. Depois do cálculo com números inteiros, trata o cálculo com frações. No entanto, expressa-as, tal como os Egípcios, como a soma de frações unitárias.
De acordo com Youschkevitch, existem três textos, em latim, do século XII, que podem ser traduções do tratado de aritmética de al-Khwarizmi:
O Liber Algorismi de pratica arismetrice (O Livro de Algorismi sobre a aritmética prática), escrito por João de Sevilha (ou de Toledo), um judeu espanhol convertido ao catolicismo que trabalhou em Toledo de 1135 a 1153.
O Liber Ysagogarum Alchorismi in artem astronomicam (Introdução de Algorismi sobre a arte da astronomia), do qual se conhecem várias cópias, uma datada de 1143. Não se sabe quem terá sido o seu autor: se o inglês Adelardo de Bath (que pertencia à escola de Toledo), ou Robert de Chester, também inglês.
Um texto sem título do século XIII que se encontra na Biblioteca da Universidade de Cambridge, publicado por Boncompagni em 1857 com o título Algoritmi de numero indorum e que se inicia com as palavras Dixit Algorismi (ou seja, Algorismi disse).
A palavra algorismi é, portanto, a versão latina do nome al-Khwarizmi, que derivou na palavra algoritmo.
O tratado de álgebra escrito por al-Khwarizmi data de cerca de 830 e tem o título Hisab al-jabr w'al-muqabala. Uma possível tradução seria O cálculo por completação (ou restauração) e redução.
Conforme aponta Albrecht Heeffer (2012), ao contrário de uma transmissão linear única, a Álgebra de al-Khwarizmi sobreviveu através de três traduções latinas distintas, preservadas em dezasseis manuscritos:
Robert de Chester (c. 1145), que traduziu a obra com o título Liber algebrae et almucabala (publicada mais tarde por Karpinski em 1915). É daqui que deriva o termo álgebra (a partir de al-jabr).
Gerard de Cremona (c. 1150).
Guglielmo de Lunis (c. 1250).
Tal como nas versões de aritmética, o que se tornou disponível no Ocidente medieval através destas traduções foi apenas a primeira parte do tratado de al-Khwarizmi (as secções sobre agrimensura e cálculo de heranças ficaram de fora). O texto completo da Álgebra só voltou a estar acessível no Ocidente com a edição crítica e tradução inglesa de Frederic Rosen, em 1831, baseada num manuscrito árabe de Oxford datado de 1342 (Heeffer, 2012).
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