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Em 1954, o piloto Brian Lister criou o primeiro modelo de corrida com o nome Lister, usando um motor MG em um projeto próprio. Durante o tempo a equipe obteve várias vitórias com modelos próprios equipados com motores MG, Bristol, Maserati, Jaguar e Chevrolet. Em 1986, após um período de inatividade a empresa retornou com o engenheiro Laurence Pearce, preparando modelos Jaguar XJS, construindo cerca de 90 desses carros. A produção do Lister Storm começou em 1993, e o modelo vinha equipado com o maior motor V12 colocado em um carro de rua após a Segunda Guerra Mundial, unidade essa derivada da usada pela Jaguar nos modelos XJR que disputaram as 24 Horas de Le Mans. No modelo de rua esse motor rendia 546 HP de potência e 582,7 lb-ft de torque, o que levou o modelo de 1664kg a ser o carro de quatro lugares mais rápido do mundo até o lançamento do Brabus Rocket.
Um dos raros exemplares do Storm de rua. Quatro foram fabricados e três existem até hoje.
Contudo, somente um motor potente não era suficiente. O carro foi construído em uma estrutura espacial feita de alumínio, que segundo a fábrica possui melhor absorção de impactos em caso de acidente em relação a fibra de carbono, apesar de propiciar de ser mais pesada e propiciar menor rigidez a estrutura. Segundo Laurence Pearce, esta estrutura começou a ser construída tomando as dimensões do motor como pontos de referência, sendo então o para-brisa posicionado, o que deu as posições onde deviam ficar as colunas A e B. A transmissão foi então acoplada ao motor, sendo esta uma unidade Getrags de 6 marchas (semelhante à encontrada no BMW 850Ci). O design da carroceria ficou a cargo de Mike Hughes, e o primeiro protótipo tinha um coeficiente de arrasto aerodinâmico de 0,35, algo não muito impressionante para este tipo de veículo, mas após alguns ajustes o veículo de série ficou com um Cd de 0,32. O ponto forte do veículo, no entanto, é seu interior, rico em couro e madeira, que pode acomodar confortavelmente 4 pessoas e uma boa quantidade de bagagem, fazendo dele um legítimo GT 2+2.
O interior luxuoso, incomum neste tipo de veículo. é o destaque do Storm.
O plano inicial do projeto era atender apenas à encomendas, de forma que todas as peças pudessem ser facilmente obtidas dos fornecedores e sem despender grandes quantidades de dinheiro com o projeto, implicando que a venda de apenas 3 ou 4 unidades já resultasse em lucro. E foi exatamente isso que aconteceu, com apenas quatro exemplares produzidos para uso nas ruas, dos quais três até hoje sobrevivem, e o outro foi transformado em carro de competição no ano de 1998, que chegou a ser de posse do brasileiro Alcides Diniz, participando das Mil Milhas Brasileiras em 2003 e 2004. O baixo número de modelos vendidos deveu-se principalmente ao seu alto preço de £219.750,00, cerca de 70.000 a mais que uma Ferrari 456GT na época.
O Lister Storm 1995 convertido em carro de corrida, utilizado pela equipe Capuava Racing nas Mil Milhas de Interlagos em 2004 e 2005.
O Storm em competições
Toda a fama do Storm, deve-se ao seu desempenho em competições, já que a grande maioria desses carros foi produzida visando o uso em competições automobilísticas. Com a ascensão das competições envolvendo carros GT após o fim do Grupo C, diversos fabricantes viram nas competições uma excelente vitrine para seus modelos. Em 1995, o Lister Storm GTS estreou nas 24 Horas de Le Mans na classe GT1, competindo com McLaren F1, Jaguar XJ220, Ferrari F40 e Porsche 911 GT2. Nessa primeira tentativa, Geoff Lees, Rupert Keegan e Dominic Chapell foram escolhidos como pilotos, e o resultado foi um decepcionante abandono na volta 40 devido a um problema de transmissão. Em 1996, um teste foi realizado nas 24 Horas de Daytona, que resultou em outra falha. Em Le Mans, finalmente o carro conseguiu completar uma prova, porém em uma desapontante 19ª colocação. Após esse resultado o time decidiu participar do BRP Global GT Series e falhou em terminar todas as provas que disputou.
O modelo Storm GTS, utilizado entre 1995 e 1996.
Em 1997, a Lister redesenhou o Storm com uma traseira mais comprida e aerodinâmica, visando um melhor desempenho para enfrentar os novos Mercedes-Benz CLK-GTR e Porsche 911 GT1. Esse modelo foi chamado Storm GTL, mas novamente o desempenho foi decepcionante, tendo como melhor resultado uma 4ª colocação na classe em Daytona.
A versão GTL representou uma evolução considerável em relação ao GTS, obtendo um sucesso moderado em competições.
Em 1998, uma nova falha em Daytona fez com que o time não conseguisse se classificar para Le Mans, decidindo então trabalhar num novo modelo que se encaixasse no regulamento da classe GT2 do FIA GT: o Storm GT. Após um mau começo de temporada, principalmente devido a falta de desenvolvimento do novo carro, finalmente o time começou a obter resultados, com um quarto lugar em Hockenheim, um terceiro em Zolder e um segundo em Donington, o que propiciou à equipe o quinto lugar no campeonato. Em 2000, o anuncio da retirado do Team Oreca eliminou a concorrência de um time de fábrica deixando a equipe apenas com a concorrência dos Viper GTS/R de equipes privadas. Confirmando as expectativas, a primeira etapa do campeonato em Valencia resultou em vitória. Mais quatro seguiram a essa, todas pela dupla Julian Bailey e Jamie Campbell-Walter, assim como 9 vitórias no Campeonato Inglês de GT, tanto pelo time de fábrica quanto pela equipe Cirtek Motorsport. Após esse título, a Lister veio como favorita em 2001 e, apesar de obter 4 vitórias na temporada, terminou o campeonato em terceiro, atrás das equipes Larbre Competition e Carsport Holland. Em 2002, mais três vitórias foram obtidas, o que resultou em um vice-campeonato, novamente atrás da Larbre Competition. No ano de 2003, além dos dois carros da equipe oficial, a equipe Creation Autosport também inscreveu-se no campeonato. A equipe de fábrica conseguiu apenas uma vitória, ficando novamente com o vice-campeonato e a Creation Autosport ficou na quarta colocação. Nesse momento a Lister mudou o foco de sua atenção para a categoria LMP1 de Le Mans, aparecendo somente em algumas corridas na temporada 2004, enquanto a Creation conseguiu apenas um oitavo lugar na classificação geral, decidindo também mover-se para os protótipos de Le Mans. O ano de 2005 viu uma pífia atuação do time de fábrica, que terminou o ano na décima colocação, decidindo finalmente abandonar a competição no FIA GT em prol do projeto Storm LMP.
Um Lister Storm GT pilotado por Jamie Campbell-Walter em 2003 em Goodwood.
Ficha técnica
Histórico de vitórias em competições
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Fontes: