Tudo começa em uma madrugada fria de agosto, no bairro do Butantã, quando Andrew desperta de um salto às 5h07 da manhã. Ele está encharcado de suor, com os olhos brilhando em um tom verde-esmeralda que ilumina a penumbra do quarto na República Suprema. Aquele brilho não é apenas um dom, mas o lembrete constante de uma guerra que, embora tenha terminado fisicamente há três meses em Cosmópolis, ainda ruge dentro de sua mente. Nos seus pesadelos, o vilão Xavante ainda ameaça sua mãe e as sombras da organização Tentáculos parecem nunca ter partido de fato. Andrew tenta silenciar a voz metálica que o assombra, dizendo que ele é incapaz de proteger qualquer pessoa, e caminha silenciosamente pela casa para não acordar os amigos, carregando o peso de ser o vigia de um grupo que ainda tenta se curar.
A rotina na República Suprema é um retrato de jovens tentando encontrar a normalidade em meio aos escombros psicológicos do passado. Andrew vive cercado por aqueles que estiveram no front com ele: Paulo, Marcelo, Marcus, Kira e Isadora. Enquanto o mundo ao redor segue seu curso frenético e urbano em São Paulo, eles lidam com o cotidiano de universitários e jovens adultos, mas com a consciência de que são diferentes. A narrativa nos mostra que o trauma não escolhe heróis; ele os molda. O pai de Andrew, Joseph, e sua mãe, Luíza, tentam reconstruir o que foi quebrado, casando-se novamente e buscando uma vida de paz, servindo como o porto seguro que Andrew tanto teme perder. O medo do protagonista não é da morte, mas da falha: a possibilidade de que o vilão Spectro ou novos inimigos surjam das sombras para destruir a frágil felicidade que sua família e amigos conquistaram.
Enquanto a história avança, percebemos que a paz que eles vivem é, na verdade, uma calmaria tensa. Andrew não consegue baixar a guarda, vigiando o horizonte como se esperasse o próximo ataque a qualquer segundo. Seus amigos, porém, trazem o equilíbrio necessário para que ele não se perca na própria escuridão. Isadora e Kira representam a força e a lucidez, lembrando que o controle do mundo está sempre em disputa, enquanto Marcelo e Paulo trazem a lealdade e o suporte emocional que mantêm o grupo unido. Eles não são apenas soldados; são uma família de sangue e de batalha que entende que o "despertar" de seus poderes foi apenas o primeiro passo de uma jornada muito mais profunda e perigosa.
O destino de todos converge para um momento decisivo em um terraço, sob o vento cortante da noite, enquanto uma festa barulhenta acontece nos andares de baixo. Longe da música e da alegria despreocupada das pessoas comuns, o grupo encara o futuro. A pergunta no ar é clara: se o mal voltar, eles estarão prontos? O silêncio que se segue não é de hesitação, mas de aceitação profunda. Andrew olha para cada um ali e percebe que eles não buscam a glória ou o título de deuses. Eles têm carreiras, sonhos e amores, mas carregam cicatrizes que os impedem de ignorar o perigo. É nesse instante que Marcelo resgata um nome que antes era apenas um delírio de infância: a Liga Suprema.
Ao aceitarem esse nome, eles não estão apenas formando um time, mas selando um compromisso de vida. O livro encerra com essa poderosa imagem de sentinelas urbanos. Eles descem do terraço para se misturar à multidão na festa, parecendo jovens comuns aos olhos de qualquer desconhecido, mas levando consigo a verdade que a cidade ignora. A guerra não os tornou invencíveis, mas deu a eles um amor tão grande pela paz que eles estão dispostos a lutar por ela sempre que for necessário. Andrew finalmente entende que seu despertar não foi apenas para o poder, mas para a responsabilidade de ser a luz que enfrentará a escuridão se ela ousar retornar.
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