A CAÇADA
T1/E8
T1/E8
Andrew tinha acabado de soltar Paulo quando ouviu.
O rugido de motores. Vários. Vindo da direção do galpão.
Seu coração disparou.
— Merda. — Ele olhou para Paulo, que ainda estava no chão, tremendo, processando tudo. — Paulo, levanta. A gente precisa se mover. Agora.
— Eu não... eu não consigo... — A voz de Paulo saía entrecortada. Os pulsos estavam roxos das cordas, o rosto pálido. — Minhas pernas...
O som dos motores ficou mais alto. Mais próximo.
Andrew não pensou duas vezes. Pegou Paulo no colo como se pegasse uma criança — um braço sob os joelhos, outro nas costas.
— Segura em mim e fecha os olhos.
— Andrew, o que você vai...
— FECHA OS OLHOS!
E correu.
A primeira quadra foi tranquila. Andrew manteve a velocidade controlada — rápido o suficiente para ganhar distância, mas não tão rápido que...
— AAAHH! — Paulo gritou contra o ombro dele.
Andrew sentiu o corpo do amigo se retesar, as mãos agarrando sua camisa com força desesperada.
— O que foi?!
— MEU ROSTO! — Paulo berrou. — TÁ ARDENDO!
Andrew olhou de relance e viu. A pele das bochechas de Paulo estava vermelha, irritada. O atrito do ar. A duzentos e sessenta, duzentos e setenta quilômetros por hora, o vento batendo diretamente no rosto desprotegido estava machucando.
Merda. Eu não pensei nisso.
Ele reduziu a velocidade, mas então ouviu o rugido das motos dobrando a esquina atrás deles.
Três motos. Dois homens em cada uma. E atrás, uma van preta.
— ALI! — Alguém gritou. — É ELE!
O som de tiros rasgou a noite.
CRACK! CRACK! CRACK!
Andrew mergulhou atrás de um container enferrujado, protegendo Paulo com o próprio corpo. As balas ricochetearam no metal, arrancando faíscas.
— Eles tão atirando! — Paulo gritou, o pânico óbvio na voz. — Andrew, eles vão matar a gente!
— Não vão. — Andrew forçou confiança na voz. — Eu não vou deixar.
Mas no fundo, ele sabia. Estava em desvantagem. Sozinho, poderia correr, desviar, lutar. Mas com Paulo? Cada movimento tinha que ser calculado. Cada segundo importava.
E Paulo era frágil. Humano.
Uma bala perdida. Um erro de cálculo. E Andrew perderia seu melhor amigo.
Pensa, pensa, pensa...
Ele espiou pela borda do container. As motos estavam se espalhando, cercando a posição deles. A van parou mais atrás, e quatro homens saíram, todos armados.
Oito contra um.
Oito homens armados. Com munição. Sem piedade.
E Andrew carregando alguém.
— A gente não pode ficar aqui — ele murmurou. — Se a gente fica, eles cercam.
— E se a gente corre, eles atiram! — Paulo retrucou.
— Então eu corro rápido. — Andrew o ajustou nos braços. — Mas você vai ter que aguentar. Vai doer.
— Doer como?
— Muito. — Andrew não mentiu. — O vento. A velocidade. Seu corpo não foi feito pra isso. Mas é nossa única chance.
Paulo o encarou por um longo momento. Depois assentiu, cerrando os dentes.
— Então vai.
Andrew respirou fundo.
— Esconde o rosto no meu ombro. E segura como se sua vida dependesse disso. Porque depende.
Paulo enfiou o rosto contra o peito de Andrew, os braços apertando ao redor do pescoço dele.
Andrew saiu de trás do container como uma bala.
Ele acelerou para duzentos e noventa quilômetros por hora.
O mundo virou um borrão de cores e formas. Prédios passando como manchas escuras. O asfalto sumindo sob seus pés.
E Paulo gritou.
Não de medo. De dor.
O vento batia nele como marteladas. Mesmo protegido contra o peito de Andrew, o atrito aranhava a pele dos braços expostos. O ar entrava nos pulmões com tanta força que parecia estar sendo esfaqueado por dentro.
— ANDREW! — Ele tentou gritar, mas mal conseguiu formar a palavra. — EU NÃO... NÃO CONSIGO... RESPIRAR!
Merda!
Andrew reduziu para sessenta. Ainda rápido, mas suportável.
Atrás deles, as motos aceleraram, o rugido dos motores cortando a noite.
CRACK! CRACK! CRACK!
Mais tiros. Uma bala passou tão perto do ombro de Andrew que ele sentiu o deslocamento de ar.
Eles estavam mirando melhor agora.
Ele virou bruscamente à esquerda, entrando em um beco estreito. As paredes de concreto de cada lado mal davam espaço para ele passar. As motos teriam que desacelerar.
Mas quando olhou para trás, viu que duas delas entraram no beco mesmo assim. E não estavam desacelerando.
— Filhos da puta são loucos! — Andrew rosnou.
Correu mais rápido. Sessenta e cinco. Setenta.
Paulo gemeu contra seu peito, as unhas cravando na pele através da camisa.
O beco terminava em uma parede de tijolos. Sem saída.
Não tem problema.
Andrew pulou.
Três metros verticais. Seus pés tocaram o topo da parede, e ele continuou correndo, agora sobre os telhados baixos dos armazéns.
Atrás dele, as motos frearam bruscamente, os pneus cantando. Os motoqueiros olharam para cima, vendo Andrew desaparecendo sobre os telhados.
— ELE TÁ NOS TELHADOS! — Um deles gritou pelo rádio. — CERQUEM O QUARTEIRÃO!
Andrew pulou de telhado em telhado, cada aterrissagem fazendo as telhas estremeceram sob seus pés. Paulo estava pesado — não pelo peso físico, mas pela responsabilidade. Cada movimento tinha que ser suave. Cada pouso, controlado.
Um erro e Paulo escorregaria. Cairia. E de dez metros de altura...
Não pensa nisso.
Ele ouviu o rugido das motos na rua abaixo, circulando. Eles estavam tentando prever para onde ele ia.
Andrew parou no topo de um armazém de três andares, respirando pesado — não de cansaço físico, mas de estresse. Seu corpo aguentava. Mas sua mente estava no limite.
— Paulo — ele sussurrou. — Como você tá?
Silêncio.
Não.
— PAULO!
O amigo gemeu fraco.
— Eu... eu tô... tô tonto...
Andrew olhou para ele. O rosto de Paulo estava pálido, suado. Os olhos fechados. Os lábios levemente azulados.
Hiperventilação. Ele tá entrando em choque.
— Olha pra mim. — Andrew segurou o rosto dele. — OLHA PRA MIM!
Paulo abriu os olhos devagar. Estavam desfocados, perdidos.
— Você vai ficar bem. Tá ouvindo? Você vai ficar bem. Só... respira. Devagar. Comigo. Inspira...
Ele inspirou exageradamente.
— Expira...
Expirou.
Paulo tentou acompanhar. Trêmulo, irregular, mas tentou.
— Isso. Continua. Eu vou tirar a gente daqui.
Ele olhou ao redor. As motos estavam cercando o quarteirão. A van tinha parado na esquina, e mais homens estavam saindo.
Doze agora. Talvez quinze.
Quantos homens eles têm?
Andrew procurou uma rota de fuga. Norte estava bloqueado. Oeste também. Sul tinha a van. Leste...
Leste tinha o rio.
O Rio Jaguari passava pela borda da zona industrial. Não era largo — uns cinquenta metros — mas tinha correnteza. E do outro lado, mata densa.
Se conseguissem cruzar...
— Paulo, eu vou descer. E a gente vai ter que nadar.
— Nadar? — A voz saiu fraca. — Eu mal consigo... respirar...
— Eu sei. Mas é nossa única chance.
Andrew não esperou resposta. Correu até a borda do telhado e pulou.
Três andares. Dez metros de queda livre.
Aterrissou em pé, o impacto rachando o concreto sob seus pés.
E correu em direção ao rio.
As motos o viram.
— ALI! LADO LESTE!
Os motores rugiram, acelerando.
Andrew tinha duzentos metros até a margem do rio. As motos estavam a trezentos, mas eram rápidas.
Ele acelerou. Setenta. Oitenta.
Paulo gritou, o corpo se retesando de dor.
— Aguenta! — Andrew rugiu. — Só mais um pouco!
Cem metros.
As motos estavam ganhando terreno.
Cinquenta metros.
Ele ouviu o click de uma arma sendo engatilhada.
Vinte metros.
CRACK! CRACK! CRACK!
Uma bala passou raspando por sua perna. Outra acertou o chão à sua frente, arrancando faíscas do asfalto.
Dez metros.
A margem do rio apareceu — um barranco de três metros até a água escura.
Andrew não parou.
Pulou.
Eles caíram na água com um impacto violento.
O frio bateu como choque elétrico. Andrew manteve Paulo apertado contra si, a cabeça dele acima da água.
— RESPIRA! — Ele gritou.
Paulo tossiu, cuspindo água, ofegante.
A correnteza os puxou imediatamente. Andrew lutou contra ela, nadando com um braço só, o outro segurando Paulo.
Atrás deles, na margem, os motoqueiros frearam bruscamente.
— ELES PULARAM NO RIO!
— ATIREM!
CRACK! CRACK! CRACK!
As balas perfuraram a água ao redor deles. Andrew mergulhou, puxando Paulo junto, protegendo-o com o próprio corpo.
Ficaram submersos por dez segundos. Quinze. Vinte.
Quando subiu para respirar, já tinham se distanciado uns cinquenta metros. A correnteza tinha os levado.
— Continua atirando! — Paulo tossiu, agarrado ao ombro dele. — Eles não vão parar...
— Já tão longe demais. — Andrew nadou mais forte, rumo à margem oposta. — Não conseguem acertar.
E estava certo. Os tiros continuaram por mais alguns segundos, mas eram aleatórios, perdidos na escuridão.
Depois pararam.
Andrew nadou até a margem oposta e se arrastou para fora da água, ainda carregando Paulo. Desabou na grama molhada, ofegante.
Paulo rolou para o lado, tossindo violentamente, vomitando água.
— A gente... — Ele ofegou. — A gente conseguiu?
— Acho que sim. — Andrew se sentou, checando ao redor. A margem oposta estava escura. Vazia. — Eles não vão cruzar. Não a pé.
Ficaram ali por longos minutos, só respirando, recuperando.
Então Andrew ajudou Paulo a se levantar.
— Vem. A gente precisa se afastar mais. Caso eles tentem dar a volta.
Entraram na mata, caminhando devagar. Paulo mancava, apoiado no ombro de Andrew.
Duas horas.
Duas horas de fuga. Caminhando, se escondendo, desviando de estradas onde as motos poderiam estar procurando.
Eles estavam exaustos. Molhados. Feridos.
Mas vivos.
Andrew tinha guiado eles para o outro lado, dando a volta pelo lado norte. Precisavam saber se era seguro voltar.
Estavam caminhando se esgueirando para tentarem voltar para casa ou achar um local seguro e seco, quando a van preta estacionou a uns vinte metros deles, e eles rapidamente se esconderam atrás de uma pilha de tijolos de uma construção que tinha ali. As motos também chegaram e pararam juntas. Os homens circulavam, fumando, conversando.
E no centro de todos, Xavante.
Ele estava diferente agora. Não usava mais a balaclava.
Andrew ficou paralisado.
O rosto era... marcante. Pele morena, puxada. Traços indígenas inconfundíveis — maçãs do rosto altas, nariz forte, mandíbula quadrada. Os cabelos eram negros, lisos, caindo até os ombros. E no lado esquerdo do rosto, cortando da têmpora até o queixo, uma cicatriz irregular. Grossa. Antiga. Como se tivesse levado um corte profundo anos atrás e a pele tivesse cicatrizado errado.
Ele tinha a aparência de alguém que tinha visto o inferno. E voltado.
— Esse é o cara? — Paulo sussurrou ao lado de Andrew. — O líder?
— É ele.
Eles observaram em silêncio. Xavante gesticulava, dando ordens. Seus homens acenavam, obedientes.
Então o celular de Xavante tocou.
Ele atendeu, levando o aparelho ao ouvido.
— Sim?
Pausa.
Andrew ativou a super audição — algo que ainda estava aprendendo a controlar. O mundo ao redor ficou mais alto, cada som amplificado. O vento nas folhas. O gotejamento de água num cano. E a voz no telefone.
Uma voz masculina. Grave. Controlada. Perigosa.
"Aborte a missão."
Xavante franziu a testa.
— Abortar? Mas eles acabaram de escapar. Eu tenho doze homens aqui, podemos...
"Eu disse para abortar."
— Senhor, com todo respeito, pode ser que o garoto possa nos reconhecer. Ele pode identificar...
"O garoto não é problema seu. Deixe-os ir."
— Mas...
"Você tem outras ordens. Outras prioridades. Esses dois... não importam mais."
Silêncio do outro lado.
Xavante cerrou os punhos, mas sua voz saiu controlada:
— Sim, senhor. Vamos deixá-los.
A ligação foi cortada.
Xavante ficou parado ali por um longo momento, encarando o celular. Depois o guardou e virou para os homens.
— Recolham tudo. A gente vai embora.
— Mas chefe, eles podem ter ido...
— EU DISSE QUE A GENTE VAI EMBORA! — O grito ecoou na noite. Os homens recuaram, intimidados. — Arrumem as merdas e entrem nos veículos. Agora.
Eles obedeceram rapidamente. Em cinco minutos, tinham guardado tudo, entrado nas motos e na van.
Os motores ligaram. Os faróis cortaram a escuridão.
E então partiram.
O rugido dos motores foi sumindo ao longe. Até que só havia silêncio.
Andrew e Paulo ficaram escondidos por mais quinze minutos, só para garantir. Depois saíram devagar.
— Eles... desistiram? — Paulo perguntou, incrédulo.
— Parece que sim. — Andrew olhou na direção que os veículos tinham ido. — Alguém deu ordem pra parar.
— Quem?
— Não sei. — Mas Andrew gravou aquela voz na memória. Grave. Fria. Autoritária. — Mas quem quer que seja... é mais perigoso que o Xavante.
Paulo tremeu. Não pelo frio da roupa molhada. Mas pelo peso daquilo.
— A gente precisa contar pra meu pai.
— A gente precisa. — Andrew segurou o ombro dele. — Mas primeiro, vamos te levar pra casa. Sua mãe deve tá desesperada.
Eles caminharam pelas ruas vazias de Cosmópolis. O céu já começava a clarear no horizonte — quase três da manhã.
Quando chegaram perto da casa de Paulo, viram as luzes todas acesas. E na frente, um carro da polícia.
Roberto Carlos Farias estava na varanda, gesticulando freneticamente para dois policiais uniformizados.
— ... dezoito anos, cabelo preto, dirigindo um Gol preto! Ele não voltou pra casa, o celular tá desligado, e eu sei que algo aconteceu!
— PAI! — Paulo gritou.
Roberto virou bruscamente. Quando viu o filho — molhado, machucado, cambaleando apoiado em Andrew — seu rosto desmoronou entre alívio e horror.
— PAULO! — Ele correu, pulando os degraus. — MEU DEUS, MEU FILHO!
Abraçou Paulo com força, como se fosse desaparecer se soltasse.
— Onde você tava?! O que aconteceu?! Você tá ferido?!
— Pai, eu... — Paulo olhou para Andrew. — Teve... teve gente que tentou me sequestrar.
Roberto congelou.
— O quê?
— Eles me pegaram na rua. Me levaram pra um galpão. E... — Ele olhou para Andrew de novo. — Andrew me salvou.
Roberto soltou o filho e se virou para Andrew. Seus olhos — olhos de investigador, treinados para ler mentiras — vasculharam o rosto do garoto.
— Você salvou meu filho?
Andrew assentiu.
— Eu... eu ouvi ele gritar. Pelo telefone. Fui atrás dele.
— Sozinho?
— Eu não podia esperar.
Roberto o encarou por um longo momento. Depois puxou Andrew para um abraço rápido, mas forte.
— Obrigado. — A voz saiu rouca. — Obrigado por trazer meu filho de volta.
Quando se separaram, Roberto estava com lágrimas nos olhos. Mas também tinha algo mais.
Desconfiança.
Porque nenhum garoto de dezoito anos ia sozinho atrás de sequestradores. Nenhum garoto de dezoito anos sobrevivia a isso.
Mas ele não perguntou. Não naquela noite.
— Entrem. — Roberto gesticulou para a casa. — Marta vai fazer chá. E vocês vão me contar tudo.
Sentados na sala, enrolados em cobertores, Paulo e Andrew contaram a história.
Eles omitiram algumas partes. Como exatamente Andrew tinha derrubado seis homens armados. Como tinha carregado Paulo por quilômetros. Como tinha pulado de prédios e sobrevivido a tiros.
Mas contaram o suficiente.
Contaram sobre Xavante. Sobre a organização. Sobre a ameaça.
Roberto ouvia em silêncio, o rosto cada vez mais sombrio.
Quando terminaram, ele ficou calado por longos minutos. Apenas olhando para a xícara de café que esfriava nas suas mãos.
— Tentáculos — ele disse finalmente, baixo. — Eu sabia que eles existiam. Mas nunca pensei que fossem tão ousados.
— Quem são eles, pai? — Paulo perguntou.
— Uma organização criminosa. Internacional. Lavagem de dinheiro, tráfico, corrupção em alto nível. — Roberto suspirou. — Eu tava investigando há meses. Seguindo pistas. Achei que tinha sido cuidadoso.
— Eles sabiam — Andrew disse. — Eles te viram chegando perto demais.
— E usaram meu filho pra me parar. — Roberto fechou os olhos. — Eu vou encerrar a investigação. Amanhã mesmo. Vou arquivar tudo.
— Pai, não! — Paulo se levantou. — Você não pode...
— EU VOU SIM! — O grito fez a sala tremer. Roberto encarou o filho, os olhos vermelhos. — Eles te levaram, Paulo. Te sequestraram. Se quisessem, teriam te matado. E eu... — Sua voz quebrou. — Eu não vou arriscar sua vida de novo. Nunca mais.
Silêncio pesado.
Marta, que tinha ouvido tudo da cozinha, entrou e segurou o ombro do marido.
— Você fez o que tinha que fazer — ela disse suavemente. — agora vamos proteger nossa família.
Roberto assentiu, exausto.
Andrew se levantou.
— Eu preciso ir. Minha mãe deve tá preocupada.
— Espera. — Roberto também se levantou. — Andrew... eu não sei como você fez o que fez hoje. E eu não vou perguntar. Mas... — Ele estendeu a mão. — Obrigado. De verdade.
Andrew apertou a mão dele.
— Paulo é meu melhor amigo, eu vou sempre irei proteger meus amigos e minha família senhor Farias. Sempre.
E saiu na madrugada, caminhando de volta para casa.
Luíza estava sentada na sala, esperando. Quando ouviu a chave na porta, pulou do sofá.
— ANDREW! Onde você...
Ela parou ao vê-lo. Molhado. Sujo. Exausto.
— Mãe — ele disse simplesmente. — A gente precisa conversar.
E contou tudo.
Sobre Paulo. Sobre Xavante. Sobre a perseguição. Sobre a ordem de abortar a missão.
Quando terminou, Luíza estava pálida.
— Eles viram você. Viram o que você pode fazer.
— Eu não tive escolha. Paulo ia morrer.
— Eu sei. — Ela segurou o rosto dele. — Eu sei, meu filho. Você fez o certo. Mas agora... eles vão querer saber quem você é.
— Eles desistiram. Alguém mandou eles pararem.
— Por agora. — Os olhos dela estavam assustados. — Mas organizações assim? Elas não esquecem, Andrew. Elas só esperam.
Andrew engoliu em seco.
— O que a gente faz?
— A gente fica alerta. — Ela o puxou para um abraço. — E reza pra que eles não voltem.
Mas ambos sabiam.
A tempestade tinha apenas começado.
E Xavante — com aquela cicatriz no rosto e olhar de quem tinha visto o inferno — não era o tipo de homem que esquecia.
Um dia, ele voltaria.
E quando voltasse...
A guerra começaria de verdade.
FIM DO EPISÓDIO 8
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