Diversas são as definições destas duas palavras, de uma perspectiva geral, virtude lembraria pureza, bem-estar, e o vício recordaria contínuo mal. É belo e assustador ver o quão sábios somos em vangloriar e desmerecer dois opostos. Mais interessante ainda são nossas bases disto. Na visão de Sócrates e Platão, a virtude seria o conhecimento, tal como a ciência, enquanto que o vício ficaria a cargo da ignorância. Essa visão até que faz sentido. E quanto a Aristóteles? Para ele, virtude e vício nada mais eram, ou são, que equilíbrio de desequilíbrio.
Até aqui vemos argumentos bem construídos, é hora de desconstruí-los. Se procurarmos em um dicionário da língua portuguesa encontraremos a virtude com a definição de uma ação ou força moral e o vício como a degenerescência moral, um tipo de imperfeição. Unindo essas afirmações, poderia dizer que vício significa mal e que o mal é a ignorância causada pelo desequilíbrio moral. Tanto quanto posso dizer que a virtude é a pureza e o conhecimento conquistadas com o equilíbrio da força moral.
Olhando assim parece que tudo está bem construído. Interligado talvez. Uma afirmação completando outra sem dificuldade. Mas existe uma dificuldade sim. Se virtude e vício são dependentes de moral, logo, a relatividade que atinge a palavra moral atingirá também as definições de virtude e vício. Além do mais, se a virtude é pura, como pode se aplicar em alguém cruel historicamente? Se o vício é uma sequência que leva ao mal, como ficam as pessoas que possuem um vício em praticar hábitos saudáveis? Podemos usar as palavras moral e imoral nisso? Temo que não, mas isso não significa voltar à estaca zero. Estamos progredindo.
Todas as formas que vimos até agora mostraram a virtude como mocinha e o vício como vilão em uma roda de pensamentos e decisões. Seriam ambos as pontas bem e mal moral das nossas ações. Controláveis ou não. Supondo que sejam, sou então uma consequência da virtude e do vício. Um pouco do acréscimo de um, a ausência de outro e cria-se o ser humano. Uma criatura definida por mera indecisão, que pende para os dois lados e não é capaz de apontar um como seu guia.