Pioneiro da psicologia social, Solomon Asch foi responsável por uma série de experimentos realizados em 1951 no qual tratou de comprovar o poder da influência e da conformidade dentro do conjunto social. A ideia dele era simples, saber se uma pessoa seria capaz de ir contra seus princípios pelo simples fato desses princípios não serem compatíveis aos dos outros indivíduos ao seu redor. A infeliz resposta que teve foi sim. O ser humano é perfeitamente capaz de minimizar toda e qualquer informação que acredita ser correta devido ao exterior. Além disso, ele pode também ser treinado para que aquilo que o exterior afirma passe a ser o correto de certa maneira. Uma espécie de conversão forçada. Uma das cobaias de Asch, após o término do experimento, relatou: “Eles deviam estar certos. Afinal, sou o único que discorda”.
Após ler e conhecer esse experimento, não se demora a perceber as semelhanças entre o que ocorre nele e na vida cotidiana. Todas as vezes que um voluntário escolhia a resposta certa, porque via com seus próprios olhos que aquilo era o correto, as cobaias que responderam errado viravam para ele com olhares de desaprovação e até cochichavam uns com os outros sobre a “resposta tola”. Na rodada seguinte o participante optava por escolher a mesma resposta de todos, mesmo sabendo que é a errada, isso o faz receber acenos de concordância e sorrisos no lugar dos cruéis olhares de antes.
Desde muito pequenos, dentro das creches, das escolas, faculdade e trabalho, somos colocados em uma versão intensa e realista desse experimento. Uma ideia nos é colocada e temos de segui-la à risca, quando não o fazemos há punições psicológicas e físicas. Nos tornamos julgados ou agredidos por aquilo. Os dignos esquisitos ou fracassados que tanto são assunto na boca dos que seguem o padrão a mais tempo e já se conformaram em não ter uma formação própria. Seja algo bom ou ruim, a questão é o quanto uma pessoa abandona de si mesma a fim de não ser um excluído social.
Por fim, gostaria de encerrar com um exemplo disso ocorrendo em um início de socialização. Suponhamos um menino que gosta da cor rosa e a sua mãe, sabendo disso, compra um belo casaco cor-de-rosa para o primeiro dia de aula. Ao chegar na escola, todos os colegas se vestem de azul e fazem piadas maldosas a respeito de outro garoto que venho de camisa rosa para a aula. Uma professora, com pena, leva ele para sua sala e o garoto sai de lá com um belo casaco azul cobrindo a camisa. Todos o recebem com tapas nas costas e risadas. Como uma criança esperta, nosso suposto garoto exemplo não demorou a esconder o casaco cor-de-rosa que a mãe comprou na mochila. O qual nunca mais usou a não ser em casa ou para dormir, onde nenhum dos colegas de escola poderia vê-lo com ele.