24/08/2021
Um receio que não posso deixar de questionar é se tal pessoas que se colocam à nossa frente fazem parte das ciências ou se são iludidos pela pseudociência. Vejo nesse exato momento que escrevo, uma live sobre a saúde mental, focada principalmente na ansiedade que se tornou tão comum que chega a ser dolorido. Nessa live o apresentador, cujo nome não vou expor por motivos de respeito, menciona sintomas de transtornos mentais de maneira genérica, a maioria deles sendo na realidade sintomas de distúrbios de sono e não de ansiedade e depressão. A depressão é envolta por desesperança, ou seja, o fato de buscar solução não é comum a depressão, tal como a ansiedade não se classifica com a mera frase “tristeza constante” e sim por uma série de sintomas físicos reais. Somos naturalmente ansiosos, a ansiedade é necessária para o equilíbrio emocional da nossa vida, contudo, a presença cotidiana dela pode se tornar a origem de dores de cabeça, dores estomacais, sensações de desmaio, pressão cardíaca, entre outros sintomas. Não estou negando a presença dos transtornos mentais no dia a dia dos brasileiros, uma vez que isso é mais que real, pois somos um dos países que mais consomem geradores químicos de dopamina e serotonina, o que nego é a forma genérica de expressão e apresentação de tais doenças tão sérias e tão menosprezadas.
Temos essa tendência humana desagradável que partir para a comunicação violenta involuntariamente, como forma de defesa e réplica, cobrando de outros o que foi cobrado de nós. Mas por que a comunicação não violenta é tão difícil? Nossa qualidade de vida e desenvolvimento pessoal refletem de maneira inevitável nas nossas ações, personalidades e atitudes. Se reconheço realmente, realmente, a necessidade de acolher o outro, crio empatia pelo próximo, automaticamente reconhecendo a interação humana de relações entre todos nós. A ciência nos denomina como seres gregários, criaturas que necessitam viver em bando, que necessitam da presença de outros membros da mesma espécie para formar vínculos benéficos e motivacionais que deem motivo para a mudança positiva.
Quanto às palestras, o envolvimento delas nisso é simples, PIC (Prática Integrativa Complementar). O que é isso? Yoga, acupuntura, automotivação, coisas que promovem o bem de maneira não científica, isto é, sem objeto fixo de estudo terapêutico, mas que promovem o bem-estar de uma maneira ainda não explicável às práticas de melhora da saúde mental. Seguindo essa linha de pensamento, temos palestrantes PIC, que complementam o conhecimento do senso comum e ressaltam assuntos vitais que promovam a reflexão filosófica de uma necessidade comum. Agora, existem extremos de todos os lados, e não é uma tarefa impossível citar ou mesmo encontrar palestrantes de pseudociências e anti-ciências. Ou seja, pessoas que promovem fatos não científicos, alegando serem científicos, recorrendo ao lado emocional do público leigo para convencer sem dados comprobatórios que eles alegam serem científicos, porém que não possuem embasamento em estudos replicáveis testados por outros símbolos da mesma área.
Chegamos ao verdadeiro ponto, o verdadeiro receio, a separação de casos e casos. Deixemos as pseudociências e anti-ciências de lado por um instante. Focando nas PIC, que se tornaram muito comuns no período da pandemia, essas práticas promovem um melhor equilíbrio entre a saúde física e a mental, apesar de não serem a chave da cura. É preciso ter cuidado com as informações recebidas, com as interpretações e o viés de cada palestrante na hora de expor um assunto que consciente ou inconscientemente leva parte de sua carga pessoal. Essa conscientização envolve muito da percepção, de não se deixar ser influenciado, ou meramente concordar sem saber, com o que é fornecido sem bibliografia exterior. Pergunte-se: Isso é o que eu concordo, ou tem um preconceito inconsciente aí? Parece fazer sentido, mas se eu replicar esses fatos, eles serão reais? Onde está a referência disso ou por que a referência disso só tem ligação direta com esse pesquisador e não outros?
As redes sociais se tornaram porta de entrada para a comunicação social aberta, a acessibilidade social à informação, no entanto, não para a filtragem de informação. Por exemplo, mostrando o caminho do Google comum ao em vez do Google Acadêmico. Isso nos leva a deter cada vez menos controle mental do que já temos. Em vez da busca do conhecimento, de suas entrelinhas e brechas, deixamos ao subconsciente a liberdade de nos guiarmos para onde bem entender, até que nos tornamos conscientes e de repente não sabemos mais em que ponto da vida nos colocamos. Não somos mais presentes em nós mesmos e quando o somos entramos em desespero pelo que deixamos acontecer e pelo medo da dificuldade que seria recuperar esse controle. A influência das redes sobre nós é visível desde a má alimentação até a os sorrisos e gargalhadas promovidos pelas mesmas. Chorar é tão necessário quanto rir e forçar a qualquer uma das duas atividades provoca crises de ansiedade, tirando o ar e roubando a capacidade de buscar apoio.
Você provavelmente já foi cobrado inúmeras vezes para ajudar o próximo e sua desculpa para evitar a tarefa provavelmente é a falta de recursos, para não dizer que não é ajudado por ninguém para querer retribuir. Essa forma de pensar é mais comum do que parece e pode ser desenvolvida por conta de criação ou desenvolvimento pessoas, a medida que se assimila e absorve o passado e como decide replicá-lo no futuro. Recebi o mal, darei o mal para me vingar ou recebi o mal, não darei o mal pois sei que é desagradável. Enxergamos a atitude de movimentar a rotina, minimamente que seja, em prol do outro sem um retorno contábil uma perda de tempo. Viciados em nosso tempo nos tornamos doentes e concentrados em transformar tal tempo em dinheiro nos tornamos arrogantes. Dentro da sociedade há retornos oferecidos como recompensa para bens, ex. só trabalho pelo meu salário, só estudo pelo meu diploma, só namoro pelo carinho afetivo e companhia, etc. Isso nos treinou como cães de estimação da civilização, sempre esperando um biscoito por uma boa ação e não agindo pelo simples motivo de ser o certo.
Evidentemente, sabemos o certo e errado, nos conceitos sociais. Sabemos da necessidade do exercício físico, da boa alimentação, da reserva de tempo pessoal, simplesmente acreditamos que tais ações são complexas e lentas demais para surtir efeito. Quero me acalmar agora! Melhor um cigarro relaxante do que ficar ofegante com exercícios de respiração no meio das pessoas. Tudo pela vergonha. Por que todos vão encarar e julgar se você se alongar e começar a respirar no meio do trabalho, mas ninguém vai ligar caso se levante e saia fumar um cigarro. Percebe? Nós fomos os causadores do problema e somos também o impedimento. Obcecados pelo que a sociedade considera comum e não pelo que necessitamos para viver bem e felizes.
As questões são muito mais complexas do que tenho tempo de abordar aqui, portanto, vou parar nessa parte e confiar que você caro leitor, irá sair agora e buscar por mais informações, dados, fatos e comprovações do que digo (em fontes confiáveis é claro) e verá com seus próprios olhos o quanto estamos ligados uns aos outros e o quanto necessitamos ligarmo-nos a nós mesmos e aos nossos corpos, cuidando de nós, para sermos capazes de cuidar dos outros.