O sobrenome é Cheshire. Seus descendentes assim como o próprio Chesrhire podem apresentar diversas aparências distintas por meio de ilusões e fisiologia única que possuem. As proles de Cheshire ganham de seu pai um sino pequeno, preso ao corpo desde cedo. Ele fica mudo enquanto a mente está livre. Quando alguém tenta assumir o controle, o sino toca sozinho, curto e seco, e a influência se desfaz. Diante de perigos ocultos ou escolhas que levam à perda do próprio ser, ele desperta. Se balançado de propósito, ancora a consciência. Memórias ficam intactas e a identidade não desaparece. O sino só responde ao portador e existe para mantê-lo acordado e atento ao mundo diante dos devaneios do gato.
" Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve"
Não obedecem à ideia fixa de corpo, existindo porque decidem existir. Ossos mudam de densidade, órgãos trocam de lugar, o pulso some e retorna em meio a golpes de névoa e, quase sempre, estão intangíveis. O sorriso não depende do rosto e a consciência se espalha pela pele, pelos dentes, pelo ar ao redor, e nunca se concentra num ponto só. Sumir não exige esforço; permanecer, sim. Cada parte do corpo conhece o todo, mas não se prende eles, por isso podem se fragmentar. O corpo é um acordo entre vontade e presença, e dura exatamente o tempo que acharem interessante, ignorando regras físicas e conceitos de gravidade. Orbitam entre muitas feições, mas tem duas que realmente pertence a eles: uma felina e outra humana. Independente de qual escolham, sempre terão a agilidade e os atributos de um gato.
Eles não dependem do mundo real e podem criar personagens e objetos fictícios pelo cenário. Construções densas e muito bem detalhadas. Elas ocupam espaço, projetam sombra e alteram o ambiente. Quanto mais calmos estão, mais sólidas as ilusões se tornam. Além da forma visível, há a ilusão que atuam por dentro. Sensações plantadas que criam dúvidas suficientes para que o outro se perca sozinho. É um dom perigoso, usado com cuidado, porque uma vez solta, a ilusão também pode morder quem a criou.
Simplesmente, dobram o ponto onde estão. O corpo some de um lugar e surge em outro sem um intervalo perceptível. Em momentos raros, permanecem em mais de um ponto ao mesmo tempo, como uma presença esticada, consciente de tudo ao redor. Eles podem estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
O conhecimento não chega como pensamento, ele aparece pronto: os Cheshire não sabem explicar de onde vem, apenas reconhecem quando algo já foi sabido. Eles pressentem encontros, decisões e rupturas. O futuro não se mostra inteiro, mas deixa marcas, e eles sabem lê-las. Mas, às vezes, também gostam de apenas inventar histórias.
A névoa é um reflexo do estado interno, se espalha quando querem desaparecer ou observar sem serem tocados. Não é apenas visual: abafa sons, confunde direções e distorce tempo. Dentro dela, os filhos do Cheshire se movem com precisão. Todo ato que comandam é rodeado pelo elemento e cada prole tem sua cor característica. Assim como fornecido a Alice, podem usar a névoa para purificação de ferimentos ou cura, seja física ou emocional.
A lábia de um Cheshire não se limita à persuasão comum; trata-se de uma manipulação quase instintiva da comunicação e da percepção. Suas palavras carregam um peso sutil que confunde intenção e verdade, tornando mentiras incrivelmente difíceis de identificar, não por serem perfeitas, mas porque parecem plausíveis demais para qualquer um. Um Cheshire adapta o discurso ao seu ouvinte em tempo real, escolhendo termos, pausas e tons que ressoam emocionalmente. Eles imitam vozes, sons, sotaques e ritmos de fala com precisão, podendo reproduzir lembranças auditivas ou criar falsos ecos. Além disso, conseguem conduzir conversas para onde desejam, sem parecer que o fizeram, desviando perguntas, implantando dúvidas e oferecendo respostas que satisfazem sem nunca revelar tudo. Falar com um Cheshire raramente deixa certezas, apenas a sensação de que algo está faltando, mas não se sabe o que.
Os Caminhos Impossíveis surgem quando um Cheshire força a realidade a aceitar uma rota que nunca existiu, abrindo passagens em lugares improváveis como sombras, frestas, reflexos ou intervalos de movimento. Eles não são portais fixos, mas possibilidades temporárias. O Cheshire atua como guia e âncora: enquanto ele conduz, o caminho permanece estável e “natural” para quem o segue. Quando o Cheshire se afasta ou perde o foco, o caminho se desfaz, como se nunca tivesse existido, deixando apenas a sensação de ter sido levado exatamente onde se precisava chegar.
A Dimensão Cheshire existe entre frestas do real. Quando algo some, quando uma sombra chega antes do corpo, quando o sorriso permanece sem rosto. Ao ativá-la, o usuário não “entra” em outra dimensão: ele desencaixa. O mundo continua ali, mas perde a obrigação de obedecer às mesmas regras perto dele. Dentro desse estado, o espaço aceita contradições. Distância vira sugestão. Paredes permitem passagem se forem ignoradas com convicção suficiente. O tempo desacelera em fragmentos, nunca por completo, criando instantes suspensos onde decisões podem ser refeitas ou observadas de ângulos impossíveis. Nunca souberam para onde um Cheshire vai quando some, e aqui está a reposta. Existe um mundo entre as cortinas da realidade onde tudo está de ponta cabeça. Para chegar lá, somente acompanhado de um gato ao atravessar um espelho ou dar meia volta na sombra. A presença dos gatunos se torna instável. Partes dele podem surgir em pontos diferentes, um olhar num canto, a voz atrás, o corpo onde não estava antes. Quanto mais confortável ele está na Dimensão Cheshire, menos o mundo consegue afirmar onde eles realmente se encontram.