Salve salve mamutinhes! Aqui é o Jéfte, a cota masculina da produção que vocês provavelmente conhecem dos nossos videozinhos no instagram! Estou aqui, invadindo o mamucast com o segundo episódio da produção, pra hoje conversar com o professor Celso, que é graduado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal de Viçosa (1992), mestre em Engenharia agrícola (eletrificação rural) pela Universidade Federal de Viçosa (1995) , doutor em Agronomia (Eficiência Energética) - Universidad Politécnica de Madrid (2001) e têm Livre Docência em Eletrificação Rural pela UNICAMP (2011).
Atualmente é professor associado da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Fontes Renováveis de Energia e Eficiência Energética, com ênfase em Energia na Agricultura, atuando principalmente nos temas de energia solar de alta temperatura, eficiência energética, eletrificação rural, consumo de energia e controle climático. Membro da Rede Ibero- Americana de Energia (REDIENE) e da Rede Energía Solar Térmica de Concentración para Iberoamérica (ESTCI - CYTED) e da Rede de Transporte Urbano Sustentável (RITMUS - CYTED) ….
Então professor, não era pra estarmos somente eu e você aqui hoje, nossa mamutinha da produção, a Gabriele Carvalho, não pode estar presente, mas ela e eu separamos algumas perguntas sobre suas pesquisas para te fazer, tudo bem?
Sua linha de pesquisa é principalmente sobre eficiência energética e sustentabilidade, nos conte, o que define “eficiência energética” e como são feitas as pesquisas nessa área? O que pode ser considerado uma fonte de energia eficiente e quais são os critérios levados em conta?
Celso: Primeira coisa quando a gente está falando de eficiência, seja em qualquer ponto, é a gente fazer mais ou pelo menos fazer a mesma coisa gastando menos de algo, no caso como a minha área de pesquisa tem a ver com energia, significa a gente realizar algum processo e para esse mesmo processo gastar menos energia do que a gente gastaria de uma forma convencional. Em termos de energia, toda vez que a gente fala de eficiência energética é como se a gente estivesse criando uma usina virtual: é só você pensar que hoje a gente tem uma capacidade de geração mas aí todo mundo compra mais equipamentos, surgem mais indústrias, a gente constrói mais casas, as pessoas casam, tem filho, vão comprando mais coisa para colocar na casa delas, então o consumo de energia está sempre crescendo, enquanto a economia cresce o consumo de energia está sempre crescendo. Se a gente não tivesse eficiência, toda vez que o consumo cresce você também tem que construir outras usinas, que são cada vez mais caras e mais difíceis de se fazer, cada vez mais aumentando o custo de energia. Se passarmos a adotar processos eficientes, a gente pelo menos retarda ou pode chegar até um ponto de um determinado espaço de tempo, dentro de uma temporalidade, não precisar construir novas usinas, porque você está economizando energia, está fazendo as mesmas coisas, mas gastando menos energia. Um exemplo muito concreto, que todo mundo viveu, foi a saída das lâmpadas incandescentes para as LED. Antes você comprava uma lâmpada para a sala da sua casa de 100 Watts, hoje você compra uma Lâmpada LED de 6 ou 15 Watts e a sua sala continua iluminada igual, só que antes você gastava 100 e agora 15.
Jéfte: Igual e às vezes até melhor!
Celso: Isso é um processo de eficiência energética. Claro que isso tem a ver com sustentabilidade, a gente não pode esquecer que tudo que nos cerca saiu de algum lugar desse planeta. Então, todo metal, todo plástico, toda madeira, tudo saiu de alguma coisa desse planeta. Toda vez que você está consumindo alguma coisa, você está conseguindo levar um pedacinho do planeta com você. Se a gente consegue ter resultados nas coisas que queremos fazer não gastando mais do planeta, então o planeta agradece e a gente agradece também.
Jéfte: No Facebook eu vi uma postagem que era assim: “Lembre-se, da próxima vez que você for jogar algo fora,-(aí tinha uma foto do planeta Terra)- não existe fora”. Eu acho muito legal esse tipo de reflexão.
Celso: E a gente tomar consciência de que tudo vem de algum pedacinho da Terra. A gente fala da mineração ilegal da Amazônia, legal, mas hoje eu vi uma reportagem sobre mineração de manganês e, para o que ser manganês? Para fazer ligas metálicas. Elas vão servir para? Nesse momento podem estar servindo nos circuitos eletrônicos que você está usando no seu celular. É uma cadeia e termina nos nossos processos realmente. O ouro é muito utilizado em eletrônica, a gente pensa muito nele em jóias, mas não, tanto que todos os metais que foram utilizados nas medalhas das Olimpíadas de Tóquio foram metais de reciclagem de equipamentos eletrônicos: ouro, prata e bronze. A gente fala “Ah, mas eu não compro jóia”, não, você tem a ver com a ação ilegal na Amazônia sim, faz parte você entender que é um processo que termina em você e que interessa a todos, não é um problemadas comunidades dos povos originários, é um problema de todos!
A energia solar concentrada também está muito presente na sua área de atuação. Você poderia nos explicar o que ela é e como se trabalha com ela atualmente?
Celso: Esse é um tema muito caro para mim, muito feliz, porque eu fiz algumas coisas que eu considero importante na minha carreira, estou querendo já pensar na minha aposentadoria e essa é uma contribuição que quero deixar para o Brasil, a inserção dessa fonte na nossa matriz energética.
Quando a gente está falando de energia solar concentrada, primeiro vamos entender o que é concentração solar: concentração solar é uma brincadeira que todo mundo algum momento da vida fez, porque todo mundo pegou uma lente de aumento e acendeu uma folhinha de papel, queimou uma formiguinha, queimou uma folha, então isso é concentração solar. O que a gente tá fazendo quando faz aquilo? Você pegou uma lente, toda a área daquela lente está recebendo do sol, sol a gente chama de radiação direta (dia de praia), você jamais conseguiria pegar uma lente de aumento e tentar concentrar num dia nublado ou chuvoso, não vai funcionar. Toda aquela luz que está incidindo na lente, se concentra naquele pontinho que a gente usa para fazer pegar fogo no papel: isso é concentração. Quando chegamos na distância focal correta, fica naquele pontinho, a temperatura aumenta muito e o papel pega fogo. Então, o que chamamos de concentração solar: usar uma técnica, lógico que não vamos usar lentes de aumento, em que usamos uma série de articulações de espelhos, em geral, e usamos os espelhos para concentrar energia em determinado ponto.
Eu trabalho principalmente, aqui em Pirassununga na faculdade de zootecnia e engenharia de alimentos da USP, com a tecnologia de Torre, que quer dizer que a gente tem a torre e lá no alto dessa torre temos um ponto que está no meio de um campo de espelhos e todos os espelhos vão refletir nesse ponto. Eu explico o seguinte: imagina que a gente está em uma sala de aula e todo mundo tem relógio, aí a luz do sol entra pela janela e você pega o reflexo do relógio, que é uma bolinha do reflexo do vidro do seu relógio. Se todo mundo da sala conseguisse colocar todas as bolinhas no mesmo lugar, uma sobrepondo a outra, isso teria o mesmo efeito da nossa lente de aumento, porque vai ser a área de cada relógio, concentrada em um mesmo pontinho, então conseguiríamos ter um ponto quente. Isso é muito antigo, Arquimedes já tinha descrito esse princípio, falava que poderia com os escudos da guarda grega, colocar fogo no navio que viesse invadir a Grécia. Tem uma série de coisas da mitologia mas, como que nós usamos isso? A gente faz esse campo de espelhos, constrói essa torre, coloca o equipamento lá em cima que a gente vai chamar de receptor e esse equipamento vai ser o lugar onde estará passando um fluido térmico. O que é um fluido térmico? Pode ser água, ar, um óleo, é um fluido no qual vamos pegar o calor e levar para outro lugar. O que a gente tem ali? Um ponto muito quente, se levarmos um fluido térmico por um ponto muito quente, podemos jogar isso numa turbina, podemos produzir vapor, e a partir daí gerar energia elétrica, temos uma usina térmica que não está queimando nada. Esse bloco de potência que seria o conjunto turbina e fluido térmico, tudo isso, é o mesmo que a gente encontra na usina de cana-de-açúcar, numa termelétrica a gás natural ou a carvão, a única coisa que muda é que em uma usina de concentração solar não queimamos nada, estamos usando energia do sol para obter esse calor, funciona como uma usina termelétrica cujo o combustível é sol.
Tem uma vantagem que nenhuma outra fonte renovável tem, que vantagem é essa? É que a gente pode armazenar calor e usar a energia que a gente armazenou em horários que não tem sol. O grande problema das fontes renováveis - estocásticas, como a gente chama-, é que você tem lá aquelas usinas eólicas maravilhosas no nordeste do país mas energia elétrica tem que ser gerada no momento em que a gente consome e, a gente acende a luz a qualquer hora, a gente liga a tv a qualquer hora, a gente usa o computador, o ar condicionado a qualquer hora, e está ventando exatamente naquela hora que a gente tá usando não? Não necessariamente. Está tendo sol exatamente naquela hora que eu tô usando? Não necessariamente. Essas são fontes que a gente não tem despachabilidade: existe um cara no sistema elétrico que é o operador nacional e, esse cara diz para uma determinada usina entrar ou não, nas usinas de fontes renováveis o operador não tem controle nenhum, elas colocam energia na rede na hora que elas estão gerando. Tem vantagens, não vou negar que elas tem uma série de vantagens, principalmente quando precisa economizar água nos reservatórios, mas elas não dão essa característica de segurança que o sistema elétrico precisa. Já na usina de energia solar concentrada, podemos armazenar calor. Armazenar calor todo mundo sabe porque todos temos uma garrafa térmica em casa e, quando temos uma garrafa térmica e faz café de manhã, estamos armazenando calor. Lógico que vamos armazenar uma grande quantidade de calor, mas é muito mais simples que ter baterias, que é um equipamento que contamina, muito difícil de construir, a gente não sabe exatamente o que fazer depois que termina a vida útil , então com concentração solar e com calor a gente consegue fazer as coisas de uma forma muito mais racional, podemos guardar esse calor e gerar energia à noite a partir da fonte solar.
Outra solução que eu falei seriam as usinas térmicas convencionais. Se ela é convencional, eu posso hibridizar, hora ela funciona com sol, hora ela funciona queimando alguma coisa: bagaço de cana, biodiesel e até mesmo gás natural ou carvão. O mesmo bloco de potência que eu fiz investimento tem a segurança de que pode funcionar as 24 horas do dia. É uma fonte que tem muito a ver com o Brasil, com o território e as linhas de economia e com os processos industriais, já que diferente de outras tecnologias, a gente pode desenvolver essa tecnologia dentro do países, fazendo com que o Brasil não seja dependente de outros países em fonte de energia e aí meu trabalho tem sido ultimamente nessa façanha de tentar construir e introduzir isso na mentalidade das pessoas que decidem o modelo energético nacional.
Como surgiu seu interesse para atuar nessa área? Foi complicado ser um aluno negro durante sua graduação e pós-graduação?
Celso: Como eu sou formado no comecinho dos anos 90, minha graduação no comecinho de 1992, a gente quase não tinha gente preta nas universidades brasileiras. Se hoje tem crescido, graças às cotas de ação afirmativa, no meu tempo era algo raro para raríssimo. Na minha turma que eu recordo, e era uma turma que tinha bastante gente, existiam 3 em 60, era bem populoso, mas o curso de engenharia agrícola não era muito concorrido na minha época na Universidade Federal de Viçosa, o que fazia que as notas de corte do vestibular fossem mais baixas. Não é comum também, ainda hoje, a gente encontrar gente preta nos cursos STEAM estão ligadas às ciências, áreas de exata porque são áreas mais áridas, são áreas em que as pessoas precisam desenvolver um pouco mais de raciocínio matemático e lógico e, o nosso ensino básico e fundamental é fraco nisso, principalmente no ensino público, a gente encontra pela própria Prova Brasil as deficiências na formação na área de ciências exatas na formação básica e fundamental nas escolas brasileiras. Tudo isso serve como um fator racista estrutural e daí vamos falar de racismo estrutural afastando as pessoas pretas dessas áreas de atuação, que não deixam de ser áreas bem remuneradas. O salário mínimo de um engenheiro, quando a pessoa que é contratada e tem a carteira assinada como engenheiro, é de 10 salários mínimos, hoje uma empresa tem que pagar algo em torno de R$ 10000 como primeiro salário. É diferente de se formar em pedagogia. Qual é o piso salarial dos professores no Brasil? R$ 3000, é diferente de você formar e outras profissões, como de técnico em enfermagem, que são profissões que vemos chegando mais gente preta. Isso também reforça uma posição estrutural de manter as pessoas pretas nos locais de trabalho que são exclusivamente profissões menos remuneradas.
Jéfte: Posso te dizer, que na minha sala, além de mim, eu conheço apenas 4 pessoas pretas e… é isso, eu estou em um curso considerado um dos cursos top de elite do Brasil - eu acho isso uma besteira, mas tudo bem - a engenharia química e temos cinco alunes pretes em uma sala com 40 pessoas.
Celso: E isso porque você está na época das cotas, isso já é uma evolução. Talvez quando eu me formei nos anos 90 não tivesse ninguém.Eu também me formei em uma universidade de elite, a Federal de Viçosa é uma universidade muito conceituada, o departamento que eu tive oportunidade de estudar é fantástico, até hoje eu tenho um relacionamento muito grande com os professores. Isso tem uma influência na posição em que você se coloca, tanto dentro dentro da universidade como na sua vida profissional, porque você fala aí “eu no meu tempo me lembro de 3”, mas quantos se consideram negros? Como olhamos para a gente e nos descobrimos negros? As pessoas não estão me vendo, mas eu sou um homem pardo de cabelos brancos e algumas pessoas poderiam dizer: “ah, você não é preto”, mas eu sou porque, primeiro, eu me considero e, segundo, a sociedade me trata assim. Se colocar nesse lugar não é fácil para muitos jovens, principalmente pros jovens, porque a ideia de branquitude oferece uma série de vantagens que você pensa fazer parte até que por um motivo ou outro, seja porque você é seguido no shopping ou porque alguém com o mesmo currículo que você consegue uma vaga de trabalho e você não consegue, você se depara com a sua negritude, não basta só a gente se reconhecer, às vezes a própria sociedade racista brasileira te impõe isso. Quanto antes a gente toma consciência do nosso local, da nossa corporalidade, da nossa ancestralidade, antes a gente consegue combater esses efeitos perniciosos que existem na sociedade racista.
Como isso influenciou na minha linha de pesquisa e carreira? Eu sempre pensei em trabalhar em algo que servisse para todos. Minha primeira iniciação científica foi em agrometeorologia, porque eu acreditava que não existe meteorologia daqui, meteorologia ou você pensa no global ou você não está falando de metrologia, porque as coisas não acontecem aqui localmente, o que acontece aqui - eu tô falando interior do Estado de São Paulo - é diretamente relacionado com o ciclo de chuva ou com a evapotranspiração que acontece na Floresta Amazônica, que por sua vez está relacionado com a temperatura do pacífico, que está relacionado com… Então não existe a gente falar de metrologia, mesmo sendo agrometeorologia, e falar de uma coisa que está restrita em uma fronteira. Essa questão de fronteiras é um absurdo! Quando eu migrei dessa área de meteorologia para a de energia, eu também pensei que energia também é um direito básico. É uma pergunta que eu faço para os meus alunos: Você acredita que todo brasileiro tem o direito de ter energia elétrica em casa? Se a resposta é sim, então a energia é um bem da sociedade, é para todos e, meu trabalho e opção por essa área veio muito baseado por acreditar nisso.
Você fez seu doutorado em Madrid e participou de vários projetos internacionais. Pode nos contar um pouco sobre essa experiência internacional?
Celso: Minha carreira se projetou muito internacionalmente. Eu tive essa honra de poder ser bolsista no final dos anos 90 e no começo dos anos 2000, fui bolsista da CAPES e fui fazer meu doutorado na Espanha. A Espanha é um país rico em termos culturais e a Universidade Politécnica de Madrid é um dos grandes centros de pesquisa da Europa, é uma universidade muito conceituada e lá eu tive oportunidade de ter acesso a várias estruturas de pesquisa, conhecer vários profissionais e vários pesquisadores que se formaram lá ou em colaboração com projetos que a gente participava. A partir daí eu comecei a desenvolver projetos junto à Comunidade Europeia e participar de algumas redes financiadas pelo SITED (23:14), que é o CNPQ da Ibero-América. Ibero-América é a América que reúne Espanha, Portugal e todos os países que falam português ou espanhol das Américas. Então, tem um o SITED que financia projetos de pesquisa e de colaboração e eu tive a oportunidade de participar de vários projetos e agora estou na minha quarta rede internacional de pesquisa. Isso foi muito legal porque tive projeto nos Estados Unidos
A oportunidade dada por essa bolsa de poder conhecer outras realidades também serviu para me identificar como homem preto e isso era muito marcado lá, tinha xenofobia muito explícita. Às vezes os brasileiros falam: “vou viver na Europa porque é melhor”. Gente, eu sempre falo: “você não consegue se imaginar vivendo como estrangeiro até que você está lá e vive como um”, e isso porque eu era estrangeiro legalizado, tinha todos os documentos, tinha uma bolsa, tinha dinheiro para me manter, tinha o meu salário porque eu já era professor universitário, tive oportunidade de ganhar alguns prêmios na universidade então tinha algumas regalias que normalmente não tinha lá e eu tinha colegas dentro da Universidade que não falavam comigo porque achavam - não pelo fato de eu ser brasileiro - quando eles olhavam para mim e viam uma aparência que remete ao norte da África, do Marrocos ou da Argélia, como um homem pardo. Isso foi uma surpresa para mim porque eu sou pardo por ser um mestiço mas as pessoas do norte da África tem a mesma cor que eu e a mesma feição, principalmente se eu deixar a barba crescer. As pessoas não falavam comigo porque me identificavam como marroqui e depois elas descobriram que eu era brasileiro e isso melhorava um pouquinho.
Eu cheguei a ouvir de uma professora da área de Inteligência Artificial - eu muito pioneiro nessa área de Inteligência Artificial, fiz uma parte do meu curso doutorado voltada para isso - : “nossa, é muito legal! Você fala as coisas do Brasil mas eu não tenho coragem de ir para lá não, só de pensar naqueles vídeos de normes naquelas aranhas…” e eu falei que não tinha isso aqui, que onde eu moro não tem isso e ela ficou cara feia porque ela estava certa enquanto europeia de que eu morava no meio do mato e que tinha que conviver com bichos horrorosos e isso não tinha jeito de tirar da cabeça dela. Esse tipo de coisa é o que a gente vai se deparando quando vai viver no exterior, é um cotidiano muito difícil. Você pensa em termos de liberdade e direitos mas, por exemplo, eu participei de um projeto e fiz uma viagem para o sul da França logo após o atentado do Charlie Hebdo e eles me pararam na porta do avião, me pararam na porta da estação de trem e me pararam na rua para pedir meus documentos, - só para mim - eu podia estar caminhando com um monte de gente mas eu era parado para pedir meus documentos e aí para não ficar uma situação constrangedora eles pediam os documento de quem estava acompanhando também mas com certeza o motivo de parar o grupo era porque eu estava presente. Tem um lado bom porque existem pessoas muito boas tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, mas a gente tem que ter consciência que não é um paraíso, o paraíso é aqui! eles estão loucos para vir para cá curtir nosso sol, da nossa comida maravilhosa e desse calor humano que a gente vive no Brasil. É só você pensar o que é ser criança fora do país e nunca ter comido brigadeiro e você pode ter certeza que as pessoas não vão ser muito felizes.
Jéfte: Eu tive uma professora de inglês que uma vez contou que quando ela viajava e chegava no hotel, a recepcionista ia com ela até o banheiro e ensinava ela abrir o chuveiro, como se ela não soubesse porque aqui a gente só toma banho de rio. Ela também foi visitar uma comunidade lá nos Estados Unidos e levou o brigadeiro para eles.
Recentemente, teve uma onda de ataques xenófobos aqui no Brasil por causa daquela matéria de Portugal que algumas crianças estão falando “brasileiro” por conta de que o YouTube de Portugal é muito voltado para o Brasil, porque aqui tem mais criadores de conteúdos do que lá, então as crianças acabam falando com sotaque brasileiro lá e os pais ficaram assustadíssimos, soltando um monte de comentário xenófobos sobre os brasileiros.
Celso: Porque a xenofobia, assim como o racismo ou qualquer forma de preconceito, nasce principalmente da ignorância. Ignorância no sentido lato da palavra: eu ignoro a relação do outro, eu ignoro o outro, a realidade do outro, ignoro o que ele pensa e atrás dessa ignorância vem todo o medo e o preconceito que vem sobre qualquer forma de ignorância. Você vai para um lugar desconhecido e tem uma porta fechada e alguém te diz: “Olha, aí pode não ter uma coisa tão legal, lá é diferente”. Você vai ficar com medo de abrir aquela porta. Então, todos esses processos, tirando o racismo intrínseco da sociedade brasileira que é diferente porque a gente teve mais de 300 anos escravidão e já dava tempo das pessoas já terem minimamente aprendido a não ter medo da gente não, precisa esconder a bolsa quando passa pela gente na rua, já deu tempo de ter aprendido. Essa xenofobia que acontece na Europa e fora do Brasil acontece por causa do medo do novo, não que isso justifique, de forma nenhuma, mas traz para gente uma noção de realidade da necessidade da gente tornar o mundo global não só com dinheiro, porque a única coisa que circula por todos os lugares do mundo de verdade o dinheiro as pessoas não. O processo de globalização deveria ser um processo de englobar também o conhecimento de todas as outras culturas, das formas de ser, das aparências físicas, da gente pegar o que tem de bom em cada cultura e poder aprender com ela, mas ele não era assim, serviu para enriquecer e concentrar renda e com isso o principal efeito ruim além de aumentar a pobreza é a xenofobia.
Então Professor, você está no grupo Green, também conhecido como Grupo de Pesquisa em Reciclagem, Eficiência Energética e Simulação Numérica, como surgiu essa iniciativa, e para quem está ouvindo e não conhece, qual o objetivo desse grupo?
Celso: Green é o grupo de pesquisa que eu coordeno. Eu sou o pesquisador principal do grupo e atuamos nas linhas de pesquisa que comentei na primeira pergunta, com o pessoal do Green, com estudantes de doutorado, mestrado, iniciação científica, divulgação, voluntários, outros grupos de pesquisa de outras universidades, que colaboram com a gente. Quando criamos um grupo de pesquisa na universidade, queremos compartilhar conhecimento, eu como coordenador para compartilhar conhecimento que eu adquiri ao longo dos anos e aprender com os mais jovens, eu aprendo muito porque o pessoal é curioso. A principal função do jovem é ser contestador e curioso, quando o jovem não é contestador e curioso é porque ele já é meio velho, então tem que ser contestador e curioso. Eu sempre aprendo muito com as pessoas que fazem parte do grupo, dos alunos que vão passando pelo grupo. A gente tem aí vários egressos, gente que já é professor universitário, gente que está trabalhando em empresa, gente está fazendo um monte de coisas por aí. O Green vai completar 20 anos e ele tem uma página, (usp.br/green), em que aparece os nossos links, projetos e equipe. A Pandemia afetou muito meus projetos de pesquisa, com os estudantes, porque os estudantes praticamente todos formaram, então eu fiquei praticamente sem equipe e para mim equipe é olho no olho, tem que ter confiança, apertar a mão, chamar para tomar um cafézinho. Como estamos impossibilitados desse tipo de interação, o Green deu uma paradinha, mas assim que voltarmos ao presencial: portas abertas.
Você poderia nos contar sobre os projetos em andamento do grupo? Como eles são desenvolvidos e em qual fase eles estão?
Celso: Eu estou com um projeto em andamento, estou construindo a torre solar via emenda parlamentar da deputada federal Sâmia Bomfim. A linha de pesquisa de energia geotérmica tem a importância pro país que eu expliquei aqui, a deputada também considerou o mesmo e destinou um recurso de emenda parlamentar para a gente terminar a construção da torre solar em Pirassununga. Eu já contei com o financiamento de R$ 12 milhões do FUNTEC, do BNDES, junto com mais R$ 1 milhão de programas de pesquisa e desenvolvimento da ANEEL, e agora mais R$ 800 mil. É um projetão, já temos investimentos na casa de R$14 milhões, e agora estamos na fase final de fazer operacional da planta, ao longo de quase dez anos de pesquisa, e a gente pretende entregar para o país a primeira torre solar de concentração e, a partir dessa torre desenvolver vários outros estudos.
Entre os estudos o que está mais me chamando atenção agora é a gaseificação de biomassa a partir de formação de biocombustível solar. Com o combustível solar falam muito do futuro, falam de hidrogênio e de muitas outras coisas. Para mim, quando a gente está falando do futuro, ele consiste em a gente aproveitar melhor a riqueza que nós temos no nosso país que fundamentalmente é a transformação de sol em biomassa. Para toda a massa verde que a gente tem no país, todo nosso potencial, é a natureza pegando a energia solar e transformando em milho, soja e tudo que vemos por aí. A gente pode usar essa energia solar para pegar esses resíduos, por exemplo o lixo orgânico, gaseificar, transformar em gás de síntese que no final do processo vai ter mais energia do que tinha no começo. Se faz isso injetando energia solar, esse acréscimo vem da captura da própria energia solar e esse gás eu posso usar numa usina a gás; gás de síntese pode ser transformado em hidrogênio; posso fazer um monte de coisas. O futuro é dar um destino extremamente rico para o que hoje jogamos fora através do uso de um fonte renovável de energia, e essa é a linha de pesquisa que eu vou começar assim que a torre estiver funcionando.
Nós sabemos que a simulação numérica é muito importante para várias áreas da engenharia e na indústria. Qual o papel dela nas suas pesquisas?
Celso: Total, porque quando estamos falando de concentração solar, estamos trabalhando com temperaturas de operação em torno de 600 °C. Quando a gente está trabalhando com coisas nesse nível de temperatura, não temos muita liberdade para errar porque toda vez que você erra em alguma coisa na escalação, você alguma coisa de equipamento, é um prejuízo danado. A gente faz primeiro o processo de simulação numérica, usamos trances (36:50), softwares específicos de termodinâmica e de engenharia para poder ter certeza, não que vai funcionar ou que vai responder porque nunca na prática funciona exatamente como na simulação, mas para ir diminuindo o grau de risco para a gente poder utilizar um determinado equipamento, uma peça, um determinado elemento sem correr o risco de destruí-lo no primeiro uso. A simulação numérica e a simulação que fazemos no Green é uma simulação voltada para isso, para a gente poder usar no processo de engenharia e diminuir os riscos de uso de determinado equipamento antes de colocar para queimar.
Hoje, a gente está vendo turismo espacial, essas cápsulas que vão, saem da atmosfera e voltam. Todo mundo sabe que esse negócio de voltar exige um processo de reaquecimento, porque tem um atrito muito grande daquele material com o ar e, aquilo chega numa temperatura muito alta. Quem viu as fotos dessa última, da SpaceX, viu que a cápsula está meio queimada e destruída por fora, eles nem mostram muito isso porque pode assustar os menos entendidos. A gente tem que testar isso. Como vamos testar mandando uma coisa para fora da atmosfera e voltando? Se utiliza um equipamento de concentração solar que é um forno solar. Com algumas plataformas solares na Espanha, na França, na Rússia e na Alemanha, nós conseguimos a partir do sol, numa área nem tão grande assim, até 2000 °C de temperatura, então a gente testa vários materiais que são utilizados em uso fora da atmosfera, ou para entrada, utilizando equipamentos de concentração solar que pode chegar a esse nível de temperatura sem um gasto de combustível e sem precisar de uma pressão elevada.
Uma pergunta que surgiu da produção, esses tipos de tecnologia de energias sustentáveis são aplicáveis para mais áreas além da agronomia? Por exemplo, uma pesquisa desenvolvida na sua área poderia servir como base para uma fonte de energia para satélites mais eficiente ou algo do gênero?
Celso: A única coisa que tem a ver com agricultura na minha linha de pesquisa atual é que a gente tem uma estratégia para a introdução dessa fonte no Brasil, - uma fonte de energia nova, que precisa fábrica e mais um monte de coisa, além de criar um mercado, daí o papel de uma política pública ser tão importante porque quem cria mercado são as grandes empresas e o governo - que é: utilizar plantas de pequeno porte, que é uma diferenciação do Green para o resto do mundo. No mundo inteiro talvez o Green e mais um outro grupo da África do Sul e um da Austrália que tem feito trabalhos com plantas de pequeno porte.
O que eu chamo de planta de pequeno porte? A gente tem uma fonte de energia solar que vai ter um ciclo térmico etc, mas isso não é para instalar em casa, não tem como você instalar uma torre do lado da sua casa, isso não é para uso residencial, ou você vai fazer plantas grandes para colocar no sistema elétrico nacional, ou você pode ter plantas pequenas distribuídas ao lado de industriais ou parques industriais, porque os parques vão demandar eletricidade e calor. Outra vantagem dessa fonte é a cogeração, como é uma usina térmica eu posso gerar eletricidade e calor juntos e é um processo que aumenta a eficiência. Esse processo de cogeração é um que podemos fazer ao lado de parques industriais.
O Brasil tem um mancha solar que começa no noroeste paulista, no cerrado, e vai até ao agreste nordestino. O que tem sob essa mancha solar? Todo o Cerrado brasileiro e toda a zona de expansão agrícola, então a gente percebe que essas agroindústrias novas que estão surgindo lá poderiam surgir com uma planta de concentração ao lado, sem que elas demandem energia da rede, exigindo um investimento muito grande, e aproveitando o próprio calor do sol, tendo um processo de plantas desde a usina de cana-de-açúcar até as usinas de produção de óleo de soja, que se adequaram com a Indústria 4.0 com alto grau de sustentabilidade. Nós estamos apostando nessa política de introdução da fonte no país primeiro.
Seguido a isso, teriam as plantas grandes, mas isso tem a ver só com agroindústria? Não, tem a ver com qualquer indústria química que você pensar, qual indústria que não demanda eletricidade e calor? Nenhuma! Todas vão precisar, então qualquer indústria poderia ter numa área do lado dela - digo do lado dela para poder fazer o aproveitamento de calor também - uma pequena planta solar, ou utilizando uma parte do telhado ou a área de cobertura. Quando falamos dessa fonte, não necessariamente estamos falando de processos agro, estamos falando muito mais de processos industriais, e estes se tornarem mais sustentáveis.
Quais os maiores avanços tecnológicos que surgiram nessa área? Qual seria o “santo graal” da área de eficiência energética que você espera surgir nos próximos anos?
Celso: O que eu acredito que deve surgir no futuro próximo são duas coisas, uma coisa é: eu tenho uma aluna que está indo para os Estados Unidos no começo de 2022 para trabalhar com uma das empresas mais importantes do Brasil na área de blockchain. À medida que a gente vai se tornando um prossumidor - o que é um prossumidor? É um consumidor que também é gerador. Todas as pessoas que têm um painel solar fotovoltaico em casa são geradoras de energia porque estão jogando energia na rede, e também são consumidoras. É isso que estamos chamando de prosumidor. Esse tipo de filosofia tende a crescer, seja através do uso de se gerar seu próprio hidrogênio, energia solar e diversas formas. Eu acredito que o futuro será diverso e que a diversidade surge para todas as áreas como uma vantagem. Nesse futuro diverso em que vamos ter vários tipos de prosumidor e esses processos de prosumidores vão precisar de validação e essa validação vai ser dada através de uma tecnologia blockchain. Esse é um ponto para ser bem generalista e não aplicar uma tecnologia específica, eu acho que blockchain sobre o mercado de energia é uma coisa que vai acontecer no futuro, apostaria minhas fichas nisso. O spoiler é que quando essa aluna voltar dos Estados Unidos a gente quer começar a desenvolver um pouco de blockchain na área de energia no Brasil.
O que poderia ter sido feito em políticas de sustentabilidade para evitar a crise energética que estamos e vamos enfrentar?
Celso: Poderia ter acreditado mais em energia solar concentrada. Poderia ter acreditado lá atrás quando a gente teve o primeiro leilão de energia solar em 2005/2006, - não vou precisar aqui a data porque tenho medo de errar. Nesse primeiro leilão, houve a possibilidade de plantas de concentração solar participarem e claro que essas plantas eram mais caras que as fotovoltaica na época, então faltou ali uma política pública para estimular mais o uso da fonte e se tivesse vingado já, estou falando de 15 anos atrás, talvez a gente tivesse uma outra realidade hoje em termos de ter uma maior manejabilidade e melhor manuseio dos nossos recursos hídricos. O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que não é novidade que ia ter seca esse ano, o sistema elétrico tem um modelo geral do sistema que faz previsão de até 2, 3 anos para frente, não é previsão de que vai chover amanhã mas é a previsão de que a temporada de 2022 vai ser uma temporada de seca e a de 2023 vai ser um pouco mais úmida. Os modelos trazem isso, eles têm essa potência de poder fazer uma certa previsibilidade, caberia ao gestor gerenciar o uso dos nossos mananciais: eu sei que vai faltar água, o que eu vou fazer? Vou economizar água. Aqui que entra o papel de todas as fontes renováveis e, que no Brasil a gente chama de renovável tudo que não é hídrico e térmico movido a combustível fóssil, nós poderíamos ter melhorado manejo com outras fontes e isso ia ajudar a gente chegar nesse momento na seca com mais água no reservatório. A gente não ia fazer chover, não ia fazer nada, ia simplesmente ter uma fonte mais diversificada e o objetivo de todas as outras fontes seria guardar a água no reservatório, então íamos chegar hoje com menos reservatórios em estado crítico. Isso sim poderia ter sido feito com pouco mais de planejamento e incentivo por fontes não convencionais. Esse é um dever de casa que desde o governo Temer não vem sendo cumprido, então o golpe foi um golpe na nossa economia, na nossa segurança energética, foi um golpe político e afetou tudo isso.
Jéfte: Para você ver como um golpe na democracia consegue golpear todas as outras bases da nossa sociedade.
Qual o papel des estudantes de engenharia na sustentabilidade? Como podemos contribuir para o futuro?
Celso: Vocês são o futuro porque vocês, principalmente vocês estão nas universidades de elite, nas universidades de ponta, vão ser os tomadores de decisões no futuro. Na hora que estou falando aqui de política governamental, eu brinco com meus alunos: “eu estou na melhor universidade da América Latina, não é possível que eu estou dando aula há 25 anos aqui e daqui não vai sair nenhum ministro nem um secretário de estado, nenhum presidente de uma grande empresa”. Vai caber a vocês fazer diferente do que a gente faz hoje.
O meu paraninfo de formatura em 1992 foi, na época, o deputado federal Paulo Delgado. Ele falou uma coisa que eu nunca esqueci no discurso dele de paraninfo que me tocou para vida inteira: “se você não concorda com uma coisa, quando chegar sua hora de fazer simplesmente faça diferente” e é isso que toca para vocês: fazer diferente. Ou você está de acordo com o jeito que a gente faz as coisas hoje e não incomoda ou com toda essa quantidade de informação que vocês têm façam diferente, e esse é o desafio de vocês. Eu falo para as pessoas que o desafio hoje não é mais produzir comida, produzir energia, não é esse o problema, a gente sabe como fazer. O problema que a gente enfrenta é que todos tenham aquele direito que a gente falou lá atrás: tenha o direito de comer bem, ter sua casa, ter energia… Esse é o problema! Os processos tecnológicos que vocês estudam nas universidades permitem resolver o básico do problema que a produção, agora a gente tem que resolver o complexo, que é a distribuição.
Jéfte: Para mim, se você é jovem e tem acesso à internet, olha para o mundo e não vê nada de errado com ele, tem alguma coisa errada com você.
Quais dicas você dá para quem quer iniciar carreira na sua área de formação? Alguma dica especial para jovens pretes?
Celso: Vamos começar pela área de formação.Gente, as carreiras da área de ciências exatas não são nenhum Bicho de Sete Cabeças. Como qualquer coisa na vida, - eu falo isso para os meus filhos - se você tem um desejo, desejo eu traduzo como trabalhar para. Eu desejo comer uma maçã, se eu não for ao supermercado comprar a maçã ela não vai aparecer na minha mão. Sonhar é diferente, eu posso sonhar com uma maçã de noite, acordo no outro dia e posso não fazer nada para conseguir a maçã, mas essa maçã também não vai aparecer para mim. Eu acho que a gente tem que trabalhar para.
Tem uma série de barreiras que os jovens pretes vão passar… Tem mesmo, não tem porque a gente mentir e dizer que elas não existem, elas existem na nossa vida. Como a gente se prepara para passar por essas barreiras? A gente se prepara reconhecendo em primeiro lugar que somos bons! Vocês sobrevivem numa sociedade racista, estão sobrevivendo o momento de um governo fascista, sobrevivendo ao genocídio da Juventude Negra, então, meu amigo, minha amiga, você é muito bom! Acredite nisso, você pode porque é seu direito e seu lugar.
As barreiras que você vai ter que vencer são todas as barreiras que tem aí, tem que fazer Enem, Fuvest, e aí trabalhar para. Trabalhar para é estudar, procurar recompor as minhas deficiências e principalmente fazer isso dentro de uma ideia de coletivo. A dica é: não se sinta só, compartilhe. Tem uma série de coletivos de pretes de todas as cores, para falar de colorismo. Então, participem, conversem, não se sintam só porque você não está só. Essa força coletiva ajuda a gente a passar por essas barreiras, seja por um cursinho popular, seja pela existência de alguém que te oriente ou te dê uma carona no dia de fazer a prova. Você não está sozinhe, você pode sim e você pode conseguir passar tudo isso.
Hoje eu estou participando, com a professora Adriane Alves, de um projeto de extensão da Universidade de São Paulo que tem exatamente essa ideia de reunir os coletivos do movimento negro que existem na Universidade em um diretório. Não reunir fisicamente, mas a gente ter um diretório de consulta no qual você que está de fora possa visualizar que esses coletivos existem, onde eles estão localizados e que trabalho fazem. Queremos ter essas informações concentradas num determinado lugar de uma rede social, de forma que as pessoas saibam em qual lugar buscar essas informações de uma forma simples e possam chegar aos coletivos e ali encontrar seu lugar e o apoio que precisa ou lutar juntos para mudar as coisas.
Lattes do professor Celso: http://lattes.cnpq.br/9135658563561513
Pra aprender:
Professor: Pele Negra, Máscaras Brancas - Frantz Fanon
Mamutes: Canal Física Preta no YouTube e @fisica.preta no Instagram
Alma Preta Jornalismo - Agência de jornalismo especializada na temática racial. Eles têm reportagens, análises, coberturas de eventos, podcast e artigos opinativos. Podem ser encontrados no site e no @almapretajornalismo
@aqualtunelab
Pra descontrair:
Professor: Cara gente branca (netflix)
Mamutes: Livro Lendários da Tracy Deonn - Livro de fantasia com protagonismo preto mas que também tem muita representatividade LGBTQIA+;
Memórias Póstumas de Brás Cubas do Machado de Assis;
Artista Harmonia Rosales - Faz releituras de obras substituindo as mulheres brancas por mulheres negras;
Consumir conteúdos de artista e influencers pretes o ano todo.
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