Link do episódio: #S01E09 - Nutrição é Ciência com @NutrindoDescobertas #OPodcastÉdelas
Salve Mamutinhes! Aqui é a Rebeca e no mês do Dia Internacional das Mulheres, temos duas convidadas muito especiais, as lindas do Nutrindo Descobertas, instagram liderado por Tarsila e Lethicia, que seguem divulgando a ciência da alimentação. Fazendo parte do movimento #OPodcastÉdelas no mês de março!
Rebeca: Então olá Lethícia e olá Tarsila, tudo bom com vocês?
Eu vou fazer aqui uma “minibiografia” da Tarsila e da Lethícia, Por que a gente tem que valorizar o CV (curriculum Vitae) certo?
Com certeza!
A Letícia é: “Nutricionista graduada pela Universidade Paulista (2017). Especialista em Nutrição Infantil pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP (2019). Possui experiência no atendimento ambulatorial em nutrição infantil, com enfoque em obesidade, dislipidemia, déficit de crescimento, dificuldades alimentares e suporte nutricional. Técnica em Alimentos pela ETEC (2013). Atualmente é aluna de mestrado em Medicina Translacional pela UNIFESP-EPM, aluna do curso técnico em química pela Escola Técnica Estadual Júlio de Mesquita e participa como nutricionista voluntária no Núcleo de Aconselhamento e Pesquisa Cri du Chat.”
-e a Tarsila: “Nutricionista pelo Centro Universitário São Camilo (2017). Especialista em Nutrição Infantil pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP (2019). Possui experiência no atendimento ambulatorial em nutrição infantil, com enfoque em obesidade, dislipidemia, déficit de crescimento, dificuldades alimentares e suporte nutricional. Formação anterior como Técnica em Nutrição e Dietética pelo SENAC (2013). Possui experiência prévia em pesquisa pela Faculdade de Saúde Pública da USP (2017). Atua atualmente na Nutrição Clínica com enfoque para o público Materno-Infantil, Consultoria em Aleitamento Materno, e participa como nutricionista voluntária no Núcleo de Aconselhamento e Pesquisa Cri du Chat. Possui interesse em Saúde Materno-Infantil, e Divulgação Científica. Tem atuado nestas áreas também dentro das mídias sociais.”
Olha só, a descrição que eu acho muito incrível aqui do perfil de vocês é:
“Nossa página é destinada a divulgação científica sobre Saúde, Alimentação e Nutrição. Buscamos trazer conteúdos acadêmicos com descontração, tranquilidade e leveza, mas sempre baseados em fontes confiáveis.”
que é uma das coisas mais maravilhosas do perfil de vocês, e a primeira pergunta que eu gostaria de falar com vocês, já que a gente vai conversar sobre divulgação científica, como surgiu essa ideia de fazer o perfil de vocês?
Rebecca: Como surgiu a ideia de fazer o perfil Nutrindo Descobertas?
Lethícia: Bem obrigada Rebeca. o nosso perfil surgiu basicamente de uma ideia “louca” da Tarsila. Em um belo dia eu estava tranquila em casa e ela falou “e se a gente criar uma página no Instagram, para divulgar a nutrição? A gente vê bastante pessoas fora da área da nutrição falando sobre a nutrição, como blogueiras, coachs, um monte de gente falando.” e então a gente pensou: “porque que a gente que é formada na área, não está também falando?”
Tarsila: Exatamente!
Lethícia: ”desse negócio da insatisfação que a gente teve que decidimos criar o nosso perfil.
Tarsila: E além disso, como a Lethícia falou Rebeca, a gente sempre via muitos posts de nutricionistas, voltados para consultório, como eu tenho uma página minha, a gente não via as fontes, toda a reflexão sobre a ciência por trás da nutrição. E então pensamos, nós como nutricionistas, por que não fazemos isso? por que não entramos na divulgação científica? Nunca tínhamos visto uma página sobre divulgação científica em nutrição, então queríamos fazer de uma maneira leve, tranquila, mas trazendo conhecimento.
Rebeca: Nossa! É o que a gente está precisando hoje! de nutrição eu vejo perfis focados em cursos ou exatamente o coach de dieta de emagrecimento e não sei o que. É tudo muito focado em esporte, emagrecimento ou desempenho. Mas não tem explicações, assim como vocês fizeram no perfil de vocês, sobre o sal do himaláia por exemplo. Por que inventaram esse rolê do sal do Himaláia que é simplesmente um sal que é minerado na índia lá do paquistão, e tem essa cor por que tem traços de outros metais, é isso! e aí inventaram que ele é um sal puro, sendo que não! tem até chumbo na composição dependendo de onde você minera. Tem essas questões também.
Tarsila: Exato!
Rebeca: e essa questão de ir além do emagrecimento, as pessoas enxergam o nutricionista como um funil, sabe? que vocês fazem só um tipo de trabalho, então, a minha ideia desse episódio de desvendar um pouco sobre a nutrição, que nutrição é ciência e falar do papel do nutricionista também como pesquisador.
Rebeca: Como é que se pesquisa na área da nutrição?"
Rebeca: Qual o papel de nutricionista como pesquisadore? Como se pesquisa nessa área?
Lethícia: O nutricionista como pesquisador ele é como um médico ou um físico que está fazendo uma pesquisa, ele é um cientista também. De qualquer forma ele vai estar alí, fazendo pesquisas, buscando informações que vão contribuir para a sociedade. Sempre buscamos fazer pesquisas que tragam algum benefício pra população e não só focado naquilo do emagrecimento ou de dietas da moda, que é o que mais tem hoje em dia. Mas estamos no mundo da pesquisa, pra gente desvendar outras coisas que possam ser benéficas não só para a população que eu estou estudando, mas também para população como um todo.
Tarsila: Dentro disso Rebeca, a gente tem muitas áreas de atuação, depois podemos falar mais sobre isso, mas dentro da pesquisa tem muita coisa a se fazer. Tem muitos nutricionistas pesquisadores que trabalham dentro de indústrias de alimentos, desenvolvendo produtos, ou dentro da farmacologia que ajuda a verificar se tem algum efeito colateral de alguns medicamentos vinculados a alimentação, já fizemos especialização dentro da UNIFESP juntas, e lá fizemos pesquisas com população que atendíamos, verificavamos toda a parte da nutrição clínica mesmo, fazendo medidas, fazendo questionários. A nutrição tem uma infinidade de áreas! A gente sempre fala que o emagrecimento é apenas uma vírgula.
Rebeca: Que legal! É importante você falar que se trata de uma área super ampla, se você for parar pra pensar, a alimentação de um povo num determinado local. Além de já ser super interdisciplinar também! Eu imagino que vocês tenham que conversar com várias outras áreas.
Tarsila: O nutricionista nunca está sozinho, a gente costuma sim fazer trabalho com outras áreas igual você falou, tem nutricionistas que estudam a alimentação na amazônia ou alimentação dos povos tradicionais, povos indígenas, a gente estuda as vezes comparando culturas, tanto socioeconômico ou entre países os estudos multicêntricos, e a gente relacionando antropologia, sociedade, poder econômico, por que é possível a nutricionista estar lá.
Rebeca: Uma das séries que eu acho mais importante no instagram de vocês é certamente esse tipo de conteúdo: Fato ou Mito? simplesmente fazer uma desmistificação de conceitos sobre alimentos! Minha questão é, de onde surgem as tendências, minha ideia não é falar só sobre essa questão do emagrecimento, que as vezes a gente foca muito, mas de onde surgem tendencias, por exemplo, hoje, o ovo faz bem hoje, o ovo faz mal amanhã? Pra mim o ovo, que sou dos anos 80 e 90, sempre ia e voltava em relação ao ovo. Eu nunca vou deixar de comer ovo, eu amo ovo, ovo é tudo de bom.
Tarsila: Você pode continuar comendo seu ovo tranquila!
Rebeca: a questão é, as pessoas não sabem sobre colesterol, ai o ovo tem aquelas propriedades lá do ovo, e ai as pessoas “ai o ovo, vamos fazer omelete só de clara” (que não é omelete), e começam a criar coisas em cima disso, e por que nao se entende o ovo e as propriedaddes boas que ele tem, e falamos “você não pode comer ovo, se você é alergico ou intolerante a ovo”. O gluten também, de repente o glútem…
Lethícia: de repente ele é o “vilão”
Rebeca: Vilão DO QUE? De quem é celíaco!
Lethícia: Sim exatamente! Uma coisa que você falou que eu achei muito interessante. As pessoas costumam dizer assim "aí, eu tenho colesterol”, eu digo “que bom não é? por que todo mundo tem! É muito bom que você tenha.
-todas riem-
Lethícia: e as pessoas acabam ficando sem noção das coisas, por que todo mundo tem colesterol. E essa questão da nossa página ter o fato ou mito é algo que eu acho um dos quadros mais legais! Eu aprendo muito! Inclusive os posts que a gente vai fazendo eu falo “nossa! que isso?” e tiramos essas tendências do que surge, conforme vemos a evolução. Todo dia tem uma dieta nova, todo dia tem um alimento vilão, todo dia tem alguma coisa sobre a alimentação. Recentemente foi aquele “chá sabor cookie”, que você pode tirar o seu cookie, e então tomar o chá no lugar! Olha que incrível (ironicamente)!
Rebeca: Ai que tristeza gente! Come o seu cookie se você quiser, tá tudo bem!
Lethícia: Nossa isso pode gerar tantas coisas em algumas pessoas que eu não sei nem por onde começar.
Rebeca: O que me deixou muito P da vida recentemente, são pessoas que não são da nutrição, falando que: “açúcar, é igual cocaína”, GENTE ISSO É UM ABSURDO! ABSURDO!
Lethícia: Detalhe, veio de uma confeiteira, tá? Essa é a chave que eu achei incrível, no caso, uma ex confeiteira falar que o açúcar é como se fosse cocaína.
Tarsila: E isso costuma acontecer muito como a gente estava falando da confeiteira, por que muitas pessoas “meio que decidem” na própria cabeça, ela tira de algum lugar aquilo, alguma fonte de Whatsapp, e decide que aquele alimento vai ser ruim e o outro vai ser bom, então ela faz um post polêmico, faz um stories, e isso chama muita atenção pra ela e ela usa isso pra se autopromover!
Rebeca: A polêmica rendeu, né?
Tarsila: Isso, por que quando a gente fala “olha, coma com equilíbrio”, “seja feliz”, a pessoa pensa, “nossa, mas, pra que? me passa alguma coisa supernova, alguma coisa que vai fazer muita diferença na minha vida, algo que seja inimaginável!"
Rebeca: As pessoas querem a receita mágica!
Tarsila: Isso! e isso é em todas as áreas da nutrição. por que as pessoas acham que não existe o equilíbrio, tem que ser alguma coisa extraordinária. Só que eu acho que muitas das pessoas usam o fato da população brasileira ter um baixo nível de educação, e ter baixo nível de conhecimento científico, para se autopromover. Você fala pra uma pessoa, “O colesterol é uma molécula de gordura que é produzida pelo nosso organismo, todo mundo tem colesterol, então, a pessoa já vai entender e não cair na ladainha de que não pode comer ovo porque tem colesterol.
Rebeca: Exato! e esse é nosso papel, vocês disseram que aprendem muito fazendo divulgação científica, gente, é um aprendizado todos os dias! Não só de “vou falar o que está na moda” mas também de “poxa, como posso passar esse conteúdo de uma maneira que vai ser, como vocês disseram, leve, descontraído, que a pessoa possa aprender alguma coisa, que é uma informação simples, uma coisa rápida, como “a gente produz colesterol, todo mundo tem colesterol” ou pessoas que falam: “toda gordura é ruim”, gente, existe um negócio chamado “vitamina lipossolúvel", Você só absorve essas vitaminas junto com gorduras, então se você não come gorduras como é que faz? você morre! Como a moça falou “ai eu tenho colesterol” Que bom que você tem né?
Lethícia: Graças a deus!
Tarsila: Exato! e esses dias, não sei se vocês viram, fizemos uma publicação no twitter, falando que uma senhora me abordou, perguntando qual o tipo de manteiga ela poderia comer sendo diabética, sendo que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Toda manteiga é igual, e ela não afeta diretamente a diabetes. Isso não afeta a glicemia. Então ela não teve uma base da ciência muito pequena assim de falar, “olha, a glicose é ‘isso’, olha a diabetes é ‘aquilo’, e a gordura é outra coisa que não tem nada a ver com o que a senhora tem”
Lethícia: Exato que essa questão que você tava falando né Rebeca, que a gente escreveu o post, da forma mais simples possível, onde todo mundo consiga entender. É a parte que a gente mais se preocupa com a nossa página, é isso! A gente quer passar a informação adiante, temos muita informação pra passar, só que precisamos pensar nesse lado, por que as pessoas precisam entender isso! por que não vai ser através de um grupo no whatsapp que ela vai ter a informação certa. e na grande maioria das vezes, tudo que se joga no whatsapp são fake news. então precisamos realmente, pensar, ter todo o cuidado com cada detalhe pra não acontecer como esse caso que a tarsila mencionou.
Rebeca: Sim, eu tenho uma sensação que isso também é um pouco de culpa do nosso sistema de saúde, às vezes do médico não ter tempo pra conversar com a paciente, ou às vezes ele pode até, passar uma informação, mas de novo, o paciente, por essas questões que a gente tem de ensino básico fica complicado. As vezes quando vou numa consulta eu esqueço o que o médico falou. As pessoas deveriam criar uma rotina de ir ao médico, e escrever as coisas que o médico falar, que pelo menos depois você pode tirar a dúvida com alguém, você pode procurar na internet, a informação está aí! certo?
Lethícia: Exatamente! e por exemplo, você citou essa questão dos médicos. Quando estávamos trabalhando na nossa especialização, vimos que realmente era muita informação. Atuávamos junto com médicos nutrólogos também, então era informação da pediatria, com a informação da nutrição. É muita coisa mesmo! E a gente percebia isso! a gente se limitava até de passar as orientações, pra ser um passo de cada vez. falávamos: “tudo bem, você conseguiu essa primeira etapa, depois a gente vai pra outra” e sempre anotávamos no prontuário, quais seriam as próximas medidas pra orientar para aquele paciente , pra ele não ficar tão atolado de coisas.
Tarsila: eu acho que uma das coisas que você falou (Rebeca), tem total sentido. Tem um problema no sistema de saúde, que é grave, que quanto mais você paga mais tempo você tem com um profissional da saúde. então quando você vai no sus, dificilmente você vai ter muito tempo, por ter uma fila muito grande. A gente que já trabalhou no SUS sabe como é, que às vezes, não é que façamos por mal, é uma fila muito grande. Mas também, temos a “medicalização” de tudo, então, o médico é detentor de todo o conhecimento, ele tem que falar de uma maneira muito rebuscada e a pessoa não necessariamente tem que entender. Então, quando fazemos divulgação científica, ou quando você senta com o paciente e se certifica que ele entendeu, de que ele está saindo dali com todas as informações que ele precisa, você está quase remando contra a corrente, por que o sistema meio que te leva a ser muito generalista, que você tem que dar conta de tudo, e que você tem que ser muito exato com aquele paciente com o mínimo de tempo possível. É um problema generalizado, mas, eu acho que uma coisa tem que suprir com a página é isso, de “quantas pessoas eu consigo atingir com um post muito bem feito, com fontes comprovando aquilo, que tanto a minha avó quando uma doutora em física consigam ler”
Rebeca: Pois é, e a gente tem agora tentado ocupar esse lugar nas redes sociais né porque o pessoal tem falado assim: “poxa as fake News vão que nem água” a gente tem que fazer o mesmo trabalho. Se a gente não tá disposto, né, a ir atrás de fazer o nosso trabalho, igual vocês que abriram esse perfil, a gente também abriu o Mamutes, de fazer divulgação científica, de falar as coisas um pouco mais leves, falar um pouco de ciência de uma maneira geral, a gente fala um pouco de tudo. Não só a gente exercita essa capacidade de tentar, também, chegar mais perto das pessoas, como tentar usar as redes sociais a nosso favor. Querendo ou não, existem poucas, assim, eu não vejo muito afinco em bloquear. Tem perfis, por exemplo, independentes que tentam, tipo: “olha, o seu site financia fake News, você vai continuar fazendo propaganda nesse site?” mas assim, uma iniciativa. O Twitter toma algumas iniciativas de falar “olha essa informação não é verdade” mas o Facebook e o Instagram não tem nenhuma, quando você fala alguma coisa de covid eles põem lá “veja aqui as informações da OMS” beleza, mas assim você não está fazendo nada para impedir, por exemplo, perfis de médicos a falarem do kit covid que não tem eficácia, sabe, essas coisas assim, então, as redes também deveriam tomar essas atitudes. A gente já faz nosso trabalho, mas não temos como ir contra empresas ou pessoas que disseminam a notícia falsa, não é que nem o filme do ET que você destrói a nave mãe e todas as outras navezinhas explodem.
Tarsila: Acho que tem tudo a ver isso que você falou, porque tem as pessoas que não têm realmente base científica e decidem falar do assunto, e, tem pessoas que têm formação mas usam o seu título para falar de assuntos que não deveriam falar igual de dizer que existe prevenção do Coronavírus, sendo que não. Então, tem esses dois tipos de charlatanismo, nas redes sociais principalmente.
Rebeca: Não é nem sempre charlatanismo. Eu acho que é uma questão de desonestidade intelectual de alguns profissionais, na minha opinião, estou falando na minha opinião.
A gente falou um pouco sobre vilões e tudo mais, porque assim, a gente entrou nessa pergunta de redes sociais porque nessa época que eu estava falando do ovo, isso gente era revista que você via na banca, tá? Hoje você abre o Instagram ou o YouTube, tá lá: “vídeo faça essa receita e faça 20 kg de fezes”, sabe?
Lethícia: Ah, eu já vi isso!
Rebeca: As redes sociais potencializaram essas dietas malucas, receitas milagrosas, né, porque todo mundo acha que na medicina, ou que na política, ou que na nutrição vai existir uma receita milagrosa que você vai tomar aquele comprimido que vai dar tudo certo. Isso é uma questão que acho que talvez se alguém virar para o povo brasileiro e falar assim: “calma que não existe isso!” As pessoas que eu conheço que tiveram o mesmo tipo de ensino básico que eu tive – eu fiz escola pública - não acreditam que comer uma bola de algodão vai resolver a vida delas, elas vão emagrecer como emagrecer fosse sinônimo de saúde sendo que não é.
Então, como as pessoas passam a acreditar nessas questões de dieta? É um negócio de compensação, desse negócio de receita milagrosa? Também é a mídia que influencia esse tipo de coisa?
Lethícia: Se a gente for parar para pensar, bem antes de termos acesso à internet pelo celular ou por computador, a gente sempre via em revista aquelas pessoas magras, geralmente com cabelão, muito bonitas, sem estrias, nem celulites, com uma aparência de boneca.
Rebeca: Com bastante filtro…
Lethícia: Exato! E embaixo dessa foto sempre tinha aquela manchete "venham descobrir a dieta da famosa tal que perdeu 20kg em 5 dias”. Então, é algo que está com a gente desde aquela época que a gente não tinha acesso a nada, e agora que a gente tem esse acesso, você imagina o tanto de coisas que chegam para as pessoas. Nós acabamos perdendo um pouco a mão nessa questão de filtrar o que realmente está sendo verídico e o que não está, como você mencionou essa questão do kit covid. A gente vê agora grande número de casos de pessoas que estão precisando entrar na fila de transplante de fígado pelo excesso de medicamentos que comprovadamente não fazem eficácia no tratamento da covide, e, elas estão nas filas porque viram nas redes sociais ou alguém divulgou para elas e elas não foram capazes de – ou não sei o que aconteceu ali – entender que: talvez não é assim, vamos pesquisar um pouco mais, tentar ser um pouco mais crítico com o que a gente vê, lemos ou ouvimos. O mesmo acontece com a questão dos corpos, né, a mídia sempre colocou para gente que temos que ser magras, altas, loiras, de preferência olhos claros e perfeitas, mesmo que a gente esteja carregando mil coisas nas costas, com problemas, isso e aquilo, e as pessoas querem isso porque é lindo de ver, mas não é a nossa realidade. Tem pessoas que são magras e tem estria, e tá tudo bem; Tem pessoas que são gordinhas e tem estrias e tá tudo bem também; tá tudo bem da mesma forma, a gente tem que entender que essas dietas malucas que surgem como - você mencionou- a de ingerir uma bola de algodão, vocês tem que pensar: como é que eu vou engolir uma bola de algodão e isso vai fazer com que eu emagreça? É um pouco fora do nosso padrão, fora da caixinha. A gente poderia pesquisar mais, procurar pessoas que possam entender mais sobre esse assunto e a gente conseguir enxergar de uma outra forma, sabe, de não é isso que eu quero para mim, não é esse o padrão que eu quero seguir, é algo que não existe na vida real, é algo que foi colocado ali, foi imposto pela sociedade e a gente tá acreditando. As pessoas estão tipo no mar, estão sendo levadas, entendeu, pela aquela onda ali. Não vai, não é o que condiz com a nossa realidade, cada um é cada um e temos que ver as pessoas dessa forma individual, não podemos generalizar tudo.
Rebeca: A mídia vende uma realidade que não só que não existe, mas assim, teve um tempo atrás acho que foi no Reino Unido proibiram filtros faciais para vender qualquer cosmético de rosto, porque se você tá botando um filtro para vender um creme para rugas, é enganação, certo, então isso é contra o código de defesa de consumidor de lá. Aqui, a gente às vezes, o Brasil, eu ouvi uma pesquisa um tempo atrás e o Brasil era o terceiro país que mais usava internet, alguma coisa assim. A gente usa muito internet mas acho que a gente precisa aprender a usar né, por exemplo, buscar a informação, informação por isso que quando estava construindo essa pauta com vocês eu coloquei assim “gente, vocês tem algumas dicas de lugares que a gente possa buscar informação?” depois a gente conversa mais sobre, mas é exatamente essa questão. Do kit covid eu ouvi de pessoas falando “minha mãe foi ao médico e o médico falou para ela tomar médico falou para ela tomar” se o médico falou para você tomar, você vai acreditar no médico, porque você tá dando para ele aquele voto de confiança de que ele estudou.
Lethícia: Ele tá sabendo que ele tá falando, né.
Rebeca: Exatamente! Quando isso não acontece por causa de uma visão política do médico ou por pura, sei lá, tem médicos que receitam remédio que a indústria farmacêutica não tá pagando para ele? Tem isso também. Se as pessoas têm esse tipo de conduta né, não tem como falar também que é só uma causa, todas essas causas aí que a gente já discutiu.
Tarsila: E com relação à alimentação, às dietas que você tinha perguntado, muitas das pessoas são inocentes que pensam que fulano de tal indicou essa dieta só porque ela tá afim e funciona para ela. Não!
Rebeca: Como se todas as pessoas fossem iguais, tivessem o mesmo metabolismo, o mesmo corpo.
Tarsila: Vamos pensar assim, tem uma blogueira X que decidiu indicar uma dieta. Aquela blogueira tem toda uma equipe por trás, que é paga, pessoas que ganham muito bem. Ela já fez cirurgia plástica, ela tem filtro só para ela, ganha na indústria farmacêutica, tem uma rede de dinheiros para poder indicar aquilo e tem muito médico que ganha de indústria farmacêutica para fazer as coisas, é antiético? É!
Rebeca: Ela tem um cozinheiro que cozinha para ela comida balanceada, perfeita, linda, pode passar horas na academia todos os dias da semana, não tem filho para criar ou se tem alguém cria por ela – não estou julgando a questão do filho, mas a pessoa tem uma rede de apoio. Aqui a gente tá em casa o tempo todo com essa questão da pandemia, eu tô tentando cozinhar quase todo dia, então domingo ou sábado eu cozinho um monte de coisa para a gente ir comendo, ai eu faço feira uma vez por semana - não tem como. E conheci uma menina que entrega feira da própria fazenda dela, então eu compro as coisas com ela. É difícil fazer comida todo dia né, não é fácil. O fast food é muito sedutor nesses aspectos.
A pergunta que eu queria entrar é exatamente isso, algumas pessoas perguntaram para a gente também. A pandemia balançou a vida das pessoas, um exemplo: eu almoçava fora de casa, bem, num lugar que tem uma comida muito gostosa, mas assim, eu ia lá, pegava toda a salada, todas as variedades, tinha uma alimentação muito variada nessa lugar, porque todas vez era uma coisa diferente e depois volta a trabalhar, tudo tranquilo. Então, a pandemia forçou as pessoas ou a pedirem entrega ou a cozinhar todo dia. Nessa questão do isolamento, as pessoas começaram a beber mais, a comer mais, não que comer mais seja ruim, mas aí a pessoa não dorme e aí dorme de dia e fica acordada à noite, virou tudo de ponta cabeça e tudo mais.
Então, como se ajeitar, sabe? Como entender como as coisas funcionam e procurar o melhor que é melhor para você? Óbvio que não tem como a gente falar uma resposta individual, porque não estou te contratando para ser minha nutricionista.
Lethícia: Certo. Eu acho que uma coisa que você mencionou, que aconteceu e que acho que às vezes acontece ainda, da gente trocar o dia pela noite nessa questão toda da pandemia, e é difícil porque ao mesmo tempo que somos bombardeados por fake news a gente também é bombardeado por informações que estão ocorrendo e são verdadeiras, como número de mortes, número de casos, e tudo isso mexe muito com a gente. Aqui em casa mesmo minha mãe baniu a televisão porque estava fazendo mal para ela, e uma coisa que a gente foi se conhecendo, né, nesse tempo de um ano já de pandemia. A gente se encontrou na nossa rotina dentro da pandemia. Uma coisa que a gente pode sugerir para as pessoas é isso: você tenta se encontrar na sua pandemia, né, aí dentro da sua casa, da forma que você tá vivendo. Tenta se encontrar ali para você manter uma rotina que seja boa para você, não tenta fazer o que o que fulano ou ciclano está fazendo, tenta ver o que é bom para você e vai seguindo aquilo. Essa questão da gente ter horários e ter alimentação balanceada funcionava muito bem quando tínhamos nossa rotina fora do mundo pandemia, e agora bagunçou tudo e para muita gente de uma forma que às vezes você pensa “será que eu vou conseguir voltar?” Consegue sim, só que você precisa ter essa questão de se encontrar no seu momento e após isso um passinho de cada vez você vai voltando com seus horários, no que tiver dentro da sua rotina atual. Por exemplo: eu não tô conseguindo acordar às sete horas da manhã. Eu nunca fui de acordar cedo, mas sempre que eu precisava eu acordava para ir trabalhar. Agora com a pandemia, eu não sei vocês, mas eu estou tão cansada que eu tenho vontade de acordar às dez, onze horas da manhã. Às vezes acontece de eu ter acordado dez e meia e tá bom, eu vou tomar meu café da manhã naquele horário e aí quando eu sentir fome eu vou pro almoço, sempre tentando manter as coisas que eu como normalmente. Pode ter uma salada, um iogurte na hora do café da manhã, seu pãozinho tranquilo, sem terrorismo com pão, tá bom, gente?! Ele é muito bom, pode comer.
Rebeca: É que virei padeira da quarentena, então aqui o pão é sério!
Lethícia: Se a gente morássemos próxima, eu ia pedir para me mandar um.
Rebeca: Eu estou com levain para doar aqui.
Letícia: É isso, você se encontrar, você se adaptar, não precisa fazer esse momento algo sofredor, pode fazer da melhor forma para você.
Tarsila: Acho que quando falamos de alimentação equilibrada ou voltar a estabelecer uma rotina, a gente tem que evitar o idealismo, tipo nossa quero acordar 7 horas da manhã, fazer tudo bonitinho, porque quanto maior a expectativa, maior o tombo. Então, bom você ter uma noção do possível dentro a tua rotina, se a pessoa nunca cozinhou na vida e está muito cansada, ela está tendo o dobro do trabalho estando em casa, não é o momento de querer virar mestre cuca. Então, é às vezes, é entender dentro das suas possibilidades o que pode ser feito, igual como você falou, olha conhecia uma menina aqui que tem uma feira que consigo comprar os produtos da fazenda dela , acho isso ótimo, já é um passo incrível, aí eu quero comprar mais frutas, quero comprar mais duas frutas no meu dia, ótimo! É um passo e já vai ajudar muito sua alimentação, mas não vai para essa coisa muito louca que você não vai conseguir implementar e que irá te frustrar. Pois, a gente já tem muita frustração no dia de hoje, não poder sair de casa já é uma grande frustração.
Rebeca: É, ou fazer essas dietas super mega hiper restritivas! Você vai conseguir fazer em uma semana e depois não vai conseguir mais, tipo não vale a pena, sei lá, você passar fome… Não vale a pena isso!
Lethícia: Você irá se frustrar muito!
Tarsila: A gente fala muito sobre uma nutrição que consiga manter, então a gente sempre precisa estar bem nutrido, ter uma boa relação com a comida e isso é pra sempre. A gente não quer emagrecer cinquenta quilos do dia para a noite para depois ter que passar por uma cirurgia ou ficar doente por causa disso. Então é melhor você ser feliz e ter uma boa alimentação por resto da sua vida, do que ficar tendo altos e baixos com ela sempre. Igual como em qualquer relacionamento, a gente quer ter um relacionamento bom para sempre, tranquilo do que ficar brigando, batendo porta, xingando. É a mesma coisa com a sua comida.
Rebeca: Acho legal. Ter um relacionamento bom com o que você se alimenta, eu acho que é uma grande dica para nortear quem está perdido aí. E evitar processados que é sempre bom!
Lethícia: Por favor!
Rebeca: Comer comida de verdade sempre é bom! Mas enfim, vamos desencanar um pouco do emagrecimento, por que é muita sacanagem para vocês que estudaram quatro anos para serem reduzidas a coach de emagrecimento, certo? Então, a nutrição é muito mais do que isso, eu queria que vocês falassem um pouquinho mais da área de atuação de vocês, perguntas em abertos da nutrição, gostamos de desafios.
Lethícia: A nutrição, cara, ela é grande! Eu confesso que quando entrei, eu pensei que ia ser uma coisa certeira, mas a nutrição é tão ampla, tem diversas áreas de atuação que a gente consegue atuar e não só no consultório de emagrecimento, mas a gente atua na linha de frente do Covid. E uma coisa que eu queria ressaltar até, não sei se vocês estão vendo, mas eu não vejo falarem da atuação da nutricionista nessa pandemia e a gente está ali. As pessoas acham que não, tem apenas médicos, fisioterapeutas e enfermeiros, mas não, nós estamos ali também, mantendo um quadro nutricional para o paciente se recuperar, ter massa muscular, ter massa magra ali tranquilo, nós estamos ali. Estamos também nas UBS, nas UPAS, em escolas, em indústrias alimentícias, em indústrias farmacêuticas, restaurantes.
Por exemplo, aquele restaurante self-service que você vai, tem uma nutricionista ali, então a nutrição é muito ampla!
Tarsila: A gente está também em vários cenários, como a Letícia falou, estamos muito por trás do pano, então nem sempre somos notadas, porque quando a pessoa vê o produto já está ali, então tem vários programas de saúde nacionais que o nutricionista está ali, regendo essa programa, tem gente por trás de mestrado e doutorado nas universidades, muitas das áreas a gente atua, estão vinculadas na saúde. Então como a Letícia falou, dentro da nutrição clínica, consultório ou hospital, a gente atua não só com a saúde daquela pessoa que quer, perder peso e essas coisas, mas a gente está desde a tuberculose, igual eu falei, no post que a gente postou no dia 23, que a gente fez um post sobre nutrição e tuberculose.
Rebeca: Eu vi e achei muito legal.
Tarsila: Isso, tem muita coisa, porque cada doença tem sua característica,então desde a pessoa ter um desconforto da pessoa se alimentar porque tem muita tosse, eu fiz alguns trabalhos como nutrição no HIV, então pessoas que são acometidas pelo vírus do HIV, se ela tem mais gasto calórico, se ela tem alguma coisa na saúde dela que a deixa mais debilitada, insuficiência renal.
Letícia: Só uma curiosidade, durante a faculdade, a gente estuda dieta terapia em cada doença, então são quatros anos para a gente poder infundir. Então a gente não pode generalizar tudo, precisa entender em um paciente oncológico, a quantidade proteica dela será diferente de um paciente que acabou de sair de uma cirurgia bariátrica. Então a gente precisa entender e ter essa noção, de que oferecer e quantidade do que irei oferecer para este paciente e para o outro. Então a gente tem um leque de atuação muito grande.
Tarsila: Nós ainda temos um viés aí, pois nós somos a nutrição clínica da pesquisa, aquela nutricionista que está dentro de uma indústria farmacêutica, uma nutricionista que algumas vezes está criando umas fórmulas infantis para crianças que não conseguem se alimentar dos peitos pela mãe que a amamentam, ela já tem outra visão e conhece outras coisas que a gente não conhece, mas a dieta terapia como a Letícia falou é umas das matérias mais extensa da faculdade, que dá mais pano para manga, pois cada coisinha daquele paciente irá mudar completamente o que você irá falar e fazer, por isso é muito individualizado. E tem muita coisa que dá para fazer, quando a gente senta para fazer o post, a gente vai longe, e aprende muito estudando para aquilo, e cada coisa muda, a ciência está sempre mudando. Há um tempo atrás, na minha página como nutricionista mesmo, estava falando sobre nutrição na trombose, falando sobre paciente com trombose e muda muito. Quando estava na faculdade, tinha uma recomendação de vitamina K para pacientes com trombose, agora já é outra. E isso é uma coisa que a blogueira nunca irá saber.
Rebeca: Isso são detalhes científicos, que pesquisou e descobriu, lendo esses efeitos;
Lethicia: Futuramente, iremos lançar uma série de postagem sobre a atuação da nutricionista, então a gente vai abordar várias atuações. Vem aí! Então só para vocês terem uma noção, a gente vai falar desde a nutrição na marinha até dentro do presídio, então é uma área imensa, olha quanta coisa podemos abordar aqui.
Tarsila: Alimentação dentro do avião, tem nutricionista especializado só para isso, alimentação para quem vai para a NASA, por exemplo, vai dentro das cabines espaciais.
Rebeca: Foguete tipo NASA. Tem tudo! Eu lembro que quando cuidei da minha mãe que teve câncer e fez quimioterapia, ela já faleceu infelizmente, mas nossa, nessa época que ela fez a quimioterapia, foi muito difícil achar coisas que ela podia comer, se você não come, teu corpo vai tirar energia de onde. E você está tomando remédio que praticamente está te matando, porque você precisa sobreviver, então nossa era muito difícil.
Lethícia: É um situação muito complicada, nos pacientes oncológicos, tudo muda o gosto e eles sentem muitas náuseas, ele acabam tendo feridas na boca, então a gente tem todo um manejo de um tratamento dietético para conseguir contornar todas essas situações e conseguir oferecer maior aporte que ele conseguir consumir naquele momento, sempre levando essas situações como você mencionou.
Rebeca: Se eu achava alguma coisa que ela comia, eu corria para fazer vários para ela comer, porque daqui a pouco iria enjoar e não iria conseguir comer mais, era muito doido.
Tarsila: Uma das coisa que a pessoa tem errado dessa vibe da nutrição para emagrecimento, é que a nutrição fala de conforto de alimento, de nutrir não só o corpo como também a mente. Então quando a gente fala sobre um paciente oncológico, ele já está debilitado, ele está em uma situação que está muito triste, a família está desesperada, então a gente quer trazer conforto, eu comecei uma especialização em oncologia e acabei saindo, pois era com adulto e eu tenho focado em gestante e crianças. Uma vez atendi um paciente e percebi que ele estava muito debilitado e provavelmente não iria sobreviver, a gente como profissão percebe sobre isso, na consulta, eu falei com a mãe dele e falei.. Olha pode fazer o que ele quer comer e dá para a senhora fazer, pode dar para ele comer que ele se sinta confortável. Em alguns pacientes oncológicos como a Letícia falou que abre feridas na boca, a gente manda fazer bochecho com chá de camomila, então a nutricionista vai além do que carboidratos, lipídios e proteínas, quanto dever ser e fim. Não é isso, a gente vai para muitas áreas, não só dentro da nutrição clínicas.
Rebeca: E a pergunta de um milhão de reais, por que vocês escolheram nutrição? Por que você escolheu fazer isso?
Lethícia: Acho que uma coisa que dá para dizer é que, como não foi amor á primeira vista, eu sempre quis fazer gastronomia, quando eu entrei no técnico em alimentos, eu já entrei com essa visão quero gastronomia, porque eu gostava bastante das aulas de análise sensorial que a gente fazia teste olfativo e gustativo, a gente provava e cheirava as coisas, chamava as pessoas para fazerem isso também e eu gostava desse envolvimento e tudo mais. Só que com o passar do tempo, junto com o técnico, fui me desiludindo, porque gastronomia era um curso caro na época, acho que hoje em dia é, então falei, isso não vai rolar. Então, eu fui percebendo que grande maioria dos meus professores fizeram engenharia de alimentos, que ainda é um curso que quero fazer, se deus quiser algum dia, 70 anos e estou lá formada.
Tarsila: Doida que quer ter 3 graduações.
Letícia: Nunca é tarde!
Rebecca: Nunca é tarde, eu comecei uma segunda graduação, mas eu larguei, eu gostaria de fazer gastronomia.
Lethicia: E aí, vi que a engenharia também era caro, aí eu falei eita e agora? Então, eu ainda tive muita pressão dos meus pais, não sei se isso acontece com uns adolescentes hoje em dia também que estão terminando ensino médio também, tendo a pressão da família que precisa escolher uma faculdade e algo assim.
Rebeca: Escolher uma faculdade que dê dinheiro, é isso que tua família quer.
Lethícia: Exatamente, mas naquela época era burrinho, não pensava...A gente entra na faculdade muito cedo e algumas vezes não tem noção de muita coisa, aí no último ano do meu técnico tive uma aula de nutrição, porque uma coisa que a gente queria comentar aqui. Eu sou formada em técnico em alimentos e a Tarsila em, nutrição dietética, sendo que tem uma grande diferença entre eles, pois o técnico em alimento é mais voltado para a parte industrial, então eu via muito a parte de armazenamento, transporte, temperatura dos alimentos, das embalagens, a gente via muita questão de microbiologia, a minha parte era voltada mais para a parte industrial e zero saúde, eu não vi nada de saúde, eu só fui ver na graduação. Enquanto no técnico em nutrição dietética, é mais voltada na pegada de saúde, questão de nutrientes e enfins. E quando vi a aula de nutrição, eu falei era isso, eu fui e falei era isso aí, eu confesso que não foi primeira opção como mencionei, mas hoje não me arrepende de ter escolhido e ter feito, eu gosto muito e tenho muito interesse na parte de pesquisa e docência.
Tarsila: Eu também não tive amor à primeira vista, na verdade como você Rebecca falou, quando a gente sai da escola, a gente tem essa pressão de família de fazer faculdade e aí, tem que ser um ótima faculdade e tem que dar dinheiro, então, até a gente quando lançou nosso logo novo, a gente fez uns dois post falando sobre isso, porque a gente fez faculdade dessa área. Eu, na verdade, fui criada uma parte da minha com meus avôs, e sempre fui muito apegada a eles, os dois já faleceram, mas a minha avó foi uma senhora que teve umas doenças ao longo da vida, e eu fui criada naquilo de cuidar da minha avó na saúde dela. Então pra mim, eu queria fazer muito faculdade em saúde, para mim era saúde e pronto, criança que era pensei vou para fisio, pois minha avó faz fisio e era fisioterapeuta. E nessa perdição meu pai falou, tua irmã fez técnico em secretariado, hoje em dia é formada em biomedicina nada a ver, mas ele falou porque você não faz técnico também, a gente fez o mesmo caminho de técnico, mas a Letícia fez de alimento e eu em nutrição dietética, e ali eu encontrei. Porque aí tinha a parte de gastronomia que eu amo, tinha a parte de cuidar dos outros e tinha área da saúde, então pensei, bom vai ser isso. Para mim foi um encontro, desde o técnico eu comecei a trabalhar na saúde da mulher e da criança para as gestantes e aí fui nisso. Aí tive experiência com pesquisa em iniciação científica, na USP com crianças com zika, lá em 2014, não me lembro muito bem. Trabalhei com zika, gosto muito dessa área, mas eu já pensei em largar nutrição em vários momentos com motivos, quando percebi que nossa área paga mal, o maior piso salarial é em Sergipe,então se quiser ganhar bem em nutrição, vai para Sergipe, em São Paulo paga mal. Mas vamos pensar em curso de graduação, mas como salário mínimo até paga bem , mas ouvi que as pessoas reduziram a nutricionista a coach de emagrecimento, ia ganhar mal, tinha muitos profissionais formados e pouca vaga, e pensei vou largar pois cansei. Mas no final, eu sempre acabo na nutrição, porque amo o que faço, mas às vezes tenho que lutar contra o sistema e falar não, eu faço isso divulgação científica, sabe o que é isso?
Rebeca: Não é fácil. Antes de vocês darem sugestões legais sobre a área, podemos falar sobre alguns perrengues da carreira, pois tem as coisa boas, mas também tem as coisa complicadas.
Tarsila: Essa parte é boa! Na verdade, a gente lançou uma caixinha de perguntas lá no Nutrindo Descobertas para nutricionistas técnicos em nutrição e estagiários para a gente perguntar o que as pessoas já tinham passados de perrengues nessa área e olha, só muitos e eu queria ler alguns que são muitos engraçados tipo kkkkkkring como sempre. Pois cada riso é uma lágrima, e aqui uma das meninas tinha comentado que ela lembra do estágio na área de nutrição e alimentação na cozinha e isso é real. A gente também fez uma pergunta lá no Nutrindo Descobertas se nutricionista tinha que fazer estágio obrigatório durante a graduação para se formar e a gente tem que passar por 3 a 4 áreas durante a graduação, tem um ano de estágio obrigatório então tem muita coisa.
Lethícia: Tem muito conteúdo, e assim, eu não sei como foi para Tarsila. Mas para mim, eu estudei na universidade Paulista e cada final de estágio tinha que fazer um relatório e apresentar o seu desenvolvimento e então ter um plano de ação que teríamos que implementar dentro da unidade que estivéssemos fazendo estágio. Então não é nada fácil gente, você pensa como que irei implementar uma coisa para criança de creche que tem 2 ou 3 aninhos, o que posso fazer, nesse momento que nossa criatividade flui, pois tem que deixar ela sair.
Tarsila: O mais legal que estávamos falando dos estágios e a primeira experiência muito importante para o graduando, eu lembro que eu tive experiência na iniciação científica e também por causa do técnico, mais uma das coisa que mais gostei foi no estágio de clínicas, fiz estágio com uma instituição de longo prazo para idosos que é vulgo o asilo,e a gente desenvolveu um protocolo para aplicação de suplementação nutricional em alguns pacientes. Então suplementar alguns pacientes que tinham lesão por pressão, quando a pessoa fica muito tempo acamado, então a gente chorava no estágio e corria, mas era muito bom, a gente aprendeu muito, para mim. Até tentei publicar um artigo com esse trabalho, mas não rolou, por causa de grupo. Mas tem mais perrengue se quiserem ouvir.
Rebeca: Você deu duas experiências bem legais, eu achei bem enriquecedor, aprendi várias coisas. Agora finalizando queria saber, quais sugestões você tem para quem pretende iniciar a carreira na sua área de conhecimento?
Lethicia: No meu ponto de vista, o que faltou para mim e que recomendo muito e sugiro muito para as pessoas, se vocês tiverem oportunidade de durante a graduação, façam estágio extracurricular. Porque a gente tem o obrigatório no último ano, mas no último ano você vai fazer tudo, vai fazer estágio, TCC, e algumas matérias também. Você não vai ter vida, então você não vai absorver tanto quanto quando você tiver começado já no segundo ano, então se tiver e puder fazer estágio extracurricular, faça. E vai ser muito bom para o teu futuro e experiência, vai ser enriquecedor.
Tarsila: Eu já falo algo diferente, porque eu fiz muitos estágios durante a graduação, passei por vários lugares sendo extracurricular e o curricular, e para mim foi muito enriquecedor, eu consegui fazer iniciação científico, o que foi ótimo, tem algumas pessoas que já fizeram monitoria durante a graduação, então aproveite a graduação. Procure uma boa faculdade, procure um bom currículo, olhe quais são as optativas e obrigatórias. Aproveita a faculdade e não só em festa, porque estamos em uma pandemia!
1. Pubmed e Cochrane: são bancos de artigos em saúde
2. Associação Brasileira em Nutrição (ASBRAN), APAN (Associação Paulistas de Alimentação e Nutrição)
3. Órgãos oficiais, tanto nacionais como internacionais, exemplos: Sociedade Brasileira de Pediatria, UNAIDS, IDF (Federação Internacional de Diabetes)...
Lattes ID Lethicia: http://lattes.cnpq.br/8121819289013575
Lattes ID da Tarsila: http://lattes.cnpq.br/2993463910006077
● Para aprender:
○ Rebeca: Perfil da Lorella Barbi @nutrilorella (nutrição voltada pra esporte)
○ ND: Observe os locais importantes, como PubMed e Cochrane e as Associação Brasileira em Nutrição, etc!
● Para descontrair:
○ Rebeca: Todos os perfil da Rita Lobo, o podcast, o Youtube e o Twitter dela!
○ ND: @meme.de.nutri vários perrengues, as indicações de podcasts estão no perfil @nutrindodescobertas!
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Música: Gabi
Pauta: Produção + Nutrindo descobertas!
Arte/edição: Produção