Link do episódio: #S01E08 - Entrevista com Letícia Gomes de Pontes
Salve Mamutinhes! Aqui é a Rebeca e na semana do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, temos uma convidada especial, a pesquisadora Letícia Gomes de Pontes!
Mini-bibliografia: Letícia Gomes de Pontes é bióloga, pesquisadora e cientista. Se interessa pelas áreas de análise de proteínas e sua correlação com as doenças tropicais, focando, especialmente, na busca de biomarcadores para que tenhamos diagnósticos mais rápidos e específicos. Atualmente desenvolve sua pesquisa de pós-doutorado no Laboratório de Imunologia Humana da Universidade do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP). Tem experiência em isolamento e caracterização de vesículas extracelulares, análise proteômica (shotgun / TMT) e bioinformática para diagnóstico. Ela foi pesquisadora visitante da Universidade de Zagreb (Croácia) no Laboratório de Proteômica Analítica. Ph.D. (2018) e Mestre (2015) pela Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP - Botucatu) no Programa de Doenças Tropicais, com ênfase em Bioquímica e Bacharelado / Biologia (2012) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP - Bauru ).
1) Ok, então vamos começar com a pergunta que todo mundo começa: E o que te fez se interessar por ciência e querer seguir carreira na área? Porque aqui e fora do Brasil as mulheres não são incentivadas a seguir carreira acadêmica. Ou a gente segue, mas chega lá no final e ficamos estagnadas em algum patamar em relação aos homens.
- Meu interesse pela ciência iniciou-se na sexta série. Minha escola montou um laboratório de química básica e nós tivemos a oportunidade de ter alguns animais para estudo comportamental. Como eu gostava muito de estar no laboratório e morava ao lado da escola, eu sempre tive mais responsabilidades com o laboratório e os animais, do que os outros alunos. Dentro de um mês, aquele laboratório se tornou o meu espaço preferido da escola e tudo ali virou uma paixão. No ensino médio eu tive que mudar de escola e não foi diferente. Junto com o professor de biologia da nova escola, nós iniciamos um grupo de estudos (aos sábados) para realização de experimentos de cristalização em resina.
- Desde o meu primeiro ano de graduação eu já compreendia a importância dos estudos acadêmicos desenvolvidos pelos professores em minha universidade. Então, como não via a hora de entrar em um laboratório e iniciar experimentos "de verdade”. Já no primeiro semestre, consegui o meu primeiro estágio visando obter uma bolsa de iniciação científica. Dentro de dois anos obtive minha bolsa técnica FAPESP e daí em diante foi uma sequência de acontecimentos levados a curiosidade lá da sexta série que me trouxe até o meu segundo pós-doutorado.
2) Que incrível Letícia! Pra quem não sabe a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) é uma das agências de fomento mais exigentes do Brasil! Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória até atingir a sua posição atual.
Minha trajetória acadêmica se iniciou na Faculdade de Medicina de Botucatu, onde tive oportunidade de realizar o meu mestrado e o meu doutorado. Passei em primeiro lugar na seleção de mestrado e isso foi um grande incentivo para acreditar na área que escolhi e na trajetória que almejava alcançar.
Na época do meu mestrado eu era iniciante na área de espectrometria de massas. Tinha em mente muita teoria e pouca prática. A Faculdade de Medicina, com certeza, era o lugar perfeito para encontrar diferentes perguntas biológicas (pacientes de diversas doenças) e se especializar na busca de biomarcadores em sangue (uma amostra complexa).
Enquanto que no meu doutorado, tive a oportunidade de ir um pouco mais além. Tive bolsa sanduíche para a Croácia. Onde além de amostras de sangue humano eu também pude trabalhar com amostras de sangue de animais com diversas doenças.
Por ter mestrado e doutorado na área de doenças tropicais e ser especialista em análises de sangue por espectrometria de massas com experiência dentro e fora do país, eu consegui um pós-doutorado no Instituto de Química da USP de São Carlos.
No meu primeiro pós-doutorado eu trabalhei junto com uma equipe especializada em desenvolver diagnósticos rápidos para diversas doenças. Meu foco de trabalho foi auxiliar e contribuir em um estudo pioneiro desenvolvido junto ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) para detecção de câncer de mama.
Os resultados experimentais trouxeram visibilidade ao meu trabalho e eu consegui outro pós-doutorado. Atualmente, realizo pós-doutorado no Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP de São Paulo.
Onde contribui em um projeto grande com a participação de vários pesquisadores para buscar de biomarcadores em crianças acometidas pelo vírus zika na gestação.
3) Para quem não lembra, em 2015 tivemos um surto do vírus da Zika, que é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue. E no mesmo ano o vírus foi isolado aqui no nordeste do Brasil e relacionado aos casos de microcefalia.
Na sua visão, qual é o papel da divulgação científica na sociedade? E como foi sua experiência com divulgação científica?
A divulgação científica tem um papel importante para que a população adquira conhecimento sobre ciência e conheça o quanto ela está presente em seu entorno. Uma das maneiras de ampliar este conhecimento é realizar atividades para divulgar a ciência.
Minha primeira experiência com divulgação científica foi quando recebi o convite para realizar webinários on line (ao vivo) para a Rede de Pesquisadores. A Rede de pesquisadores era um espaço aberto para palestras e discussões de novas abordagens tecnológicas da ciência e dificuldades apontadas na área por nossos seguidores.
Posteriormente foi convidado para administrar palestras para leigos em espectrometria de massa e cursos de divulgação científica para pesquisadores.
4) E isso é extremamente importante Letícia. Muitos pesquisadores se fecham em seus laboratórios! E alguns nem sabem por onde começar a divulgação científica. Pra mim, é um ensinamento todo dia! Mas você já sofreu algum tipo de preconceito pelo fato de ser mulher e aspirar à carreira científica? Em sua opinião, esse preconceito ainda é bastante notório atualmente?
Acredito que o primeiro preconceito que sofri, na minha vida, foi da minha própria família. Eles acreditavam que para seguir a carreira acadêmica você tinha que ser rico, que isso não era trabalho de verdade, que um dia eu ia ter que largar o meu hobbie e teria que trabalhar de verdade.
A verdade é que logo no início da carreira já tive que aprender a lidar com o preconceito e conviver com ele da melhor forma possível. Negar a existência do preconceito seria uma grande mentira.
Em nove anos na carreira científica vários fatos ocorreram e no momento que os fatos ocorrem acredito que eu nem possui maturidade suficiente para entender que eu estava sendo vítima de preconceito. Mas eu sofri sim e hoje sei que também sofri preconceito não apenas por homens pesquisadores, mas também por outras mulheres da área.
Acredito que esse acaba sendo um preconceito pouco discutido na mídia hoje, mas nós mulheres sofremos muito preconceito de outras mulheres dentro da academia.
5) Eu estava lendo sobre uma cientista indiana que largou a carreira dela nos EUA pra voltar pra Índia pela pressão. E ela descobriu que nos EUA, as mulheres eram mais unidas, que o preconceito com mulheres na Índia era mais velado. Exatamente por ter mulheres em posições de privilégio entre homens, o que faz com que elas compitam entre elas, ao invés de se ajudarem. O bom e velho patriarcado fazendo a gente lutar entre nós do que ficarmos umas ao lado das outras!
Você defendeu seu mestrado e doutorado em doenças tropicais, o que lhe atraiu para essa área?
O que me atraiu para a área de Doenças Tropicais foi a possibilidade de resolver problemas reais e concretos vividos por nosso país. Sempre quis fazer algo que me sentisse útil para a sociedade e que “em teoria” pudesse ter um retorno imediato. Infelizmente muitos de nossos estudos são experimentais e falta investimento para que se torne uma realidade na vida dos brasileiros. Contudo, mesmo assim, estamos dando passos reais para que nossos estudos um dia possam se tornar realidade no diagnóstico de algumas doenças importantes para nossa sociedade.
6) Eu acho muito insano que existe uma categoria de doenças negliceniadas e são exatamente doenças epidêmicas da América Latina e em alguns países africanos. Como se a ciência desenvolvida fora do eixo do hemisfério norte não fosse importante! E estou aqui pra falar que nossa pesquisa é importante SIM. Por isso me interessa que você explique um pouco sobre a sua linha de pesquisa de análise proteômica. Qual é a relação da Bioinformática com essa área? Nossos seguidores do insta se interessaram bastante pela parte de proteômica!
A bioinformática é extremamente importante para desvendarmos os resultados obtidos na espectrometria de massas. Os equipamentos de espectrometria de massas medem a massa e a carga das amostras complexas que injetamos nele, mas precisamos dos bancos de dados para entender e quantificar quais proteínas estão mais expressas em dada doença. Se soubermos quais proteínas estão mais expressas saberemos quais vias de sinalização aquele patógeno usa para sobreviver no hospedeiro e poderemos utilizar essa via para parar a doença ou para fazer um diagnóstico mais preciso.
Sem a bioinformática que temos hoje seria muito difícil analisar todos esses dados imensos a mão e erros seriam muito mais frequentes na análises.
7) E de forma mais prática: quanto tempo demora entre a idealização do experimento até chegar em resultados conclusivos?
A análise de massas não leva muito tempo, cada corrida demora em torno de 120 min. Em duas semanas geralmente, se você tem experiência com a técnica e protocolos pré-definidos e testados, você consegue fazer a preparação das amostras e a análise.
Mas para se ter resultados conclusivos leva tempo. Muitas vezes para que possamos montar um banco de amostras (ex. amostras dos pacientes doentes, amostras dos pacientes controle e amostras dos pacientes tratados) para análise de espectrometria de massas, pode levar até um ano.
E a análise dos dados não é nada fácil! Muitas vezes são 90 Gigabytes de dados para você fazer uma correlação consistente com os achados clínicos e achados da literatura. É necessário ter habilidade para obter bons resultados rapidamente.
Contudo, um bom trabalho com resultados robustos pode levar em torno de dois anos.
8) Nem é tanto tempo né, pensando no quanto tempo demora um doutorado no Brasil! E isso é incrível, nossa ciência mesmo neglicenciada pelo próprio país segue FORTE! E como você vê a ciência no Brasil?
Eu sempre tive muita esperança na ciência desenvolvida no Brasil. Nós fazemos muitos trabalhos de qualidade mesmo tendo pouco infraestrutura e pouco dinheiro para comprar de materiais.
Muitos jovens pesquisadores têm facilidade em partilhar conhecimentos e contribuir para que a área cresça no país em um ambiente mais equilibrado, harmonioso e menos competitivo.
Acredito que quanto mais pessoas se interessam pela minha área de trabalho, quanto mais pessoas eu ensino, mais a área cresce e se fortalece no país.
9) Com certeza! Como você já saiu pra fora do Brasil, você nota muita diferença entre a pesquisa desenvolvida no Brasil e no exterior? Se sim, quais?
A principal diferença que eu observei e que me incomodou por ser tão discrepante no Brasil, foi que no país que eu tive a oportunidade de conhecer (Croácia). Tanto faz se você é mestrando, doutorando e pós-doutorando em um projeto de pesquisa você ganha o mesmo salário independente dos títulos que você tenha (ex. mestrado, doutorado e pós doutorado). Independente de títulos, pesquisadores são contratados pela universidade para fazer pesquisa e todos ganham o mesmo. A universidade paga o piso salarial de pesquisador, que não é nada ruim.
Quando conversei com o meu supervisor sobre isso ele me respondeu o seguinte : “Todos nós aqui, temos as mesmas funções e trabalhamos a mesma quantidade de horas para que nosso projeto seja um sucesso. Então, não faz sentido recebermos salários com valores diferentes. Eu recebo o mesmo salário que os outros pesquisadores nesse projeto, mesmo sendo o chefe da pesquisa. As especializações (cursos, doutorado e pós-doutorado) foram uma opção pessoal de cada um perante a suas oportunidades, em sua trajetória. Entendo que são escolhas pessoais (ter mais títulos ou não) e com certeza essas escolhas ajudam na hora da seleção mas que essas “especializações” devem ser “doadas para o grupo” de bom grado. Gosto que todos trabalhem motivados e se todos ganham o mesmo salário evita disputas internas sobre o “poder”. Quero que todos entendam que aqui somos todos iguais e não existe ninguém melhor que ninguém. Todas as opiniões serão ouvidas e todos têm as mesmas oportunidades".
Realmente fiquei impressionada pela simplicidade e verdade em suas palavras. Se a profissão de pesquisador fosse regulamentada em todas as universidades, desde o mestrado e doutorado. Se já tivéssemos empregados com carteira assinada, cumprindo uma carga horária fixa e meta pré determinadas, desde o início, acredito que muitos problemas da academia hoje poderiam ser evitados.
10) Infelizmente isso não é muito comum, tem muita gente que por ego se coloca numa posição de superior, o que é muito triste né. E com o distanciamento tiveram várias interações diferenciadas. Teve gente que sumiu e se resguardou e teve gente que ficou doido... E pra vc? Como está sendo a produção de ciência em meio à pandemia? Poderia nos contar mais sobre o estudo em andamento em relação com o SARS-CoV-2?
Na pandemia, infelizmente, tudo se torna um pouco mais complicado. Os ambulatórios estão trabalhando com número reduzido de funcionários e com escala, para reduzir o número de pessoas nos prédios. Isso limita as coletas e os períodos de coleta. Dificultando a obtenção de um banco de amostras para uma análise robusta.
Contudo, não deixamos de realizar as produções científicas, mas temos que reinventar a forma de fazê-las. Sendo assim, passo muito mais tempo trabalhando na área de bioinformática, no meu computador do que realizando coletas e experimentos.
Minhas contribuições dentro de projetos em andamento em relação com o SARS-CoV-2 são apenas colaborações (pequenas contribuições). Eu não respondo a nenhum projeto como pesquisadora principal. Os pesquisadores têm resultados robustos, mas precisam de pessoas especializadas em determinadas áreas para realizar o processamento dos dados.
Vejo que a minha área de atuação não deixa de ser uma ferramenta útil para as demais áreas e as contribuições/colaborações são muito importantes. Fico muito feliz em ter a possibilidade de contribuir de forma tão ativa no estudo de outros especialistas.
11) Percebe-se que seus artigos englobam vários temas, eles variam bastante, pois alguns são pesquisa em um determinado animal como o búfalo, outros têm relação com o peixe-paulista para estudar o Covid-19.
Todos os estudos que realizei e que participei em forma de colaboração tem como ferramenta básica a análise de proteínas seja ela por espectrometria de massas ou por outras ferramentas que apresentam dados similares. Acredito que em minha carreira científica eu sempre foquei na ferramenta em si e em suas possibilidades de uso. Não me limitando a uma única pergunta biológica.
No Brasil, com todas as dificuldades que enfrentamos para se fazer ciência de qualidade, acredito que necessitamos de profissionais mais versáteis e que possam contribuir em diferentes perguntas biológicas. Principalmente as emergenciais!
12) Quais sugestões você tem para quem pretende iniciar a carreira na sua área de conhecimento?
1. Anote tudo que achar importante
2. Organize sua rotina de estudos
3. Invista (muito!) em networking
4. Não fique somente em sala de aula. Faça cursos e vá para os congressos. Busque sempre as novidades!
5. Tenha os pés no chão (e aposte no seu futuro)
Essa pauta foi feita a partir dos trabalhos principais da Letícia no seu CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/8116355457327399
Bili', Petra; Kule, Josipa; Galan, Asier; Gomes De Pontes, Leticia; Guillemin, Nicolas; Horvati', Anita; Festa Sabes, Amanda; Mrljak, Vladimir; Eckersall, Peter David. Proteomics in Veterinary Medicine and Animal Science: Neglected Scientific Opportunities with Immediate Impact. PROTEOMICS, v. 1, p. 1800047, 2018.
De Pontes, Leticia Gomes; Cavassan, Nayara Rodrigues Vieira; De Barros, Luciana Curtolo; Ferreira Junior, Rui Seabra; Barraviera, Benedito; Dos Santos, Lucilene Delazari. Plasma proteome of buffaloes. Proteomics Clinical Applications, v. 11, p. 1600138, 2017.
Pontes, Leticia Gomes De; Altei, Wanessa Fernanda ; Galan, Asier ; Bili', Petra ; Guillemin, Nicolas ; Kule, Josipa ; Horvati', Anita; Ribeiro, Lígia Nunes De Morais; Paula, Eneida De; Pereira, Virgínia Bodelão Richini; Lucheis, Simone Baldini; Mrljak, Vladimir; Eckersall, Peter David; Ferreira Jr, Rui Seabra; Santos, Lucilene Delazari Dos. Extracellular vesicles in infectious diseases caused by protozoan parasites in buffaloes. Journal Of Venomous Animals And Toxins Including Tropical Diseases, v. 26, p. 1, 2020.
Zebrafish studies on the vaccine candidate to COVID-19, the Spike protein: Production of antibody and adverse reaction DOI: 10.1101/2020.10.20.346262v1
Nicoliche, Caroline Y. N.; De Oliveira, Ricardo A. G.; Da Silva, Giulia S.; Ferreira, Larissa F.; Rodrigues, Ian L.; Faria, Ronaldo C.; Fazzio, Adalberto; Carrilho, Emanuel; Pontes, Letícia G.; Schleder, Gabriel Ravanhani; Lima, Renato Sousa. Converging Multidimensional Sensor and Machine Learning Towards High-Throughput and Biorecognition Element-Free Multidetermination of Extracellular Vesicle Biomarkers. ACS Sensors, v. 12, p. acssensors.0c00599, 2020.
Pra aprender:
○ Rebeca: @ciencia.brasileira no instagram e no twitter é @brasileiracienc é um perfil que fala sobre a qualidade dos artigos brasileiros, explicando as pesquisas que nós fazemos. Aliás, eu li sobre a Letícia por lá pela primeira vez!
○ Letícia: Àtila Iamarino @oatila desde os vídeos até o blog Rainha Vermelha, no ScienceBlogs!
Pra descontrair:
○ Rebeca: canal de uma amiga muito querida que chama comer história, tem vídeo no YT, instagram e twitter. A Carol conta as históras pro trás dos pratos e eu consegui fazer uma receita de panetone de 200 anos simplesmente maravilhosa!
https://www.youtube.com/c/comerhistoria/
○ Letícia: Canal Vegana Bacana
https://www.youtube.com/channel/UCWhLUa3U_AjMD_3hywo_L2w
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Pauta: Leticia/Produção
Arte/edição: Produção