Neste quase fim de Verão, confesso que não tinha nada para comentar ou opinar, aqui na “Voz do Povo”. E como não havendo assunto eu sou daqueles que acha que mais vale ficar calado do que dizer baboseiras, quase que estive para dizer “passo”.
Mas, eis que sujem alguns acontecimentos dignos de comentários. Futebol, justiça e Nespereira.
Primeiro o futebol, ou melhor, a selecção Nacional e o seu Seleccionador Carlos Queiroz. Após a nossa digna prestação no campeonato do Mundo de futebol na África do Sul, eis que surge a notícia de um controle anti-doping que não correu no melhor ambiente. Antes disso, todos ficamos um pouco intrigados com “o pontapé de bicicleta” do Nani e o seu abandono do Mundial e como não podia deixar de ser os comentários que se seguiram. Mas lá engolimos…
A notícia veio depois de arrumarmos as malas e os jogadores irem gastar nas férias “lá fora” os prémios individuais de 100 mil euros a que tiveram direito.
Tinha havido um controle anti-doping na Selecção e não correu pelo melhor.
De início a notícia parecia mais uma. Mas com o desenvolver do assunto dia após dia, parece que o Seleccionador Nacional Carlos Queiroz, numa manhã em que acordou mal disposto, dirigiu-se aos médicos que iriam fazer o controle e concretamente ao responsável “ de uma forma talvez um pouco deselegante”, isto palavras suas na entrevista à SIC. E mais à frente relativamente ao Vice-Presidente da Federação a negação de ter afirmado num jornal tratar-se este da “cabeça de um Polvo”.
Tudo isto se passou afinal (pelo que veio nos jornais) de maneira diferente. A relutância em o Seleccionador Nacional (por motivos que não são claros) em que o controle anti-doping fosse efectuado às 8 horas da manhã, não poderia de forma alguma deixar de exprimir o seu desacordo, sabendo ele que esse tipo de controle era precisamente nesse horário, ao levantar dos atletas e antes do pequeno almoço. Nada mais do que isso. A partir do momento em que segundo ele “de uma forma talvez um pouco deselegante” diz que o médico deveria era ir tirar as amostras à **** da mãe dele, e por aí adiante, deixa de ter a razão e a postura que se lhe exige.
Um dirigente daquele género tem que assumir as suas responsabilidades e as suas declarações. Porque motivo não desmentiu as declarações dos médicos? Porque motivo diz que “se lhes dirigiu de uma forma talvez um pouco deselegante”?
Tudo parte dessa atitude. A justiça já decidiu. Eu já decidi. Por mim, boa viagem. Não tem lugar à frente da nossa Selecção.
Por falar em Justiça.
Já há sentença da novela “Casa Pia”. Independentemente dos anos que os recursos vão demorar, acho que ficou claro que há culpados. Tendo sido um dos casos mais complexos da justiça Portuguesa, sendo já um “case study”, todo este processo se alongou no tempo devido ao tipo de crimes em causa e devido aos acusados que na sua maioria dispunham de largos recursos financeiros. Eu sei que para se ser condenado deverá haver provas inequívocas em que se cometeu determinado crime. Deverão ser provados os factos e deverão ser ouvidas testemunhas. Tudo isto é muito justo.
Mas pensem no assunto, muitas das vítimas tinham entre 10 e 17 anos. Não tinham pais, estavam acantonados numa instituição grande e sem controle, onde os mais velhos é que ditavam as regras. Não tinham dinheiro nenhum para comprar nada de nada. Por outro lado viam alguns colegas que tinham dinheiro no bolso, compravam cigarros e roupa de marca e gabavam-se de andar em carros topo de gama. A pergunta lógica, “onde arranjaste dinheiro para isso” e na resposta rápida e crua, “fui dar o **”.
Por outro lado, “jet set”, dinheiro, festas, garotas, muitas garotas, até que um com ar de enjoado diz, “já estou farto de mais do mesmo. Experimentei noutro dia algo diferente e olha que até gostei…”
Provas, 10 ou 20 anos depois!
Para terminar. Nespereira.
Veio no último “Miradouro” (com uma péssima impressão) uma reportagem do repórter Carlos Oliveira sobre o descontentamento das obras no Largo da Feira. Também eu aqui nestes artigos já tinha exposto a situação (apesar de ter sido no dia das mentiras). Não é tarde para se comporem as coisas. No entanto é preciso vontade daqueles que tem o poder de as resolver. De todos aquelas deficiências a mais grave quanto a mim é a acessibilidade à Granja. A solução que for encontrada não poderá ser um arranjo. Terá que ser definitiva.
Tanto à Junta de Freguesia, como à Câmara Municipal, cabem as responsabilidades de resolver o problema, mas cabe a todos nós Nespereirenses, começar a “cobrar promessas”.