"Liberdade, Respeito e Prosperidade, são nos dias de hoje valores e objectivos cada vez mais difíceis de manter."
25 de Abril de 1974.
Para milhões de Portugueses esse dia deve ter sido de constante ansiedade e interrogação.
Para alguns (bravos) Portugueses, a ansiedade até ouvir os acordes do “E depois do Adeus” deve ter sido tanta, que apenas com o desenrolar dos acontecimentos, foram transformando esse estado de espírito numa certeza, a certeza que já nada os poderia demover, já não voltariam atrás, Portugal não voltaria a ser como era.
Mas quem sou eu, para aqui estar a descrever aquilo que não senti e que vagamente me lembro. Uma lembrança ténue não sei se do dia (o que seria muito improvável), se dos dias, das ocasiões, ou até das eleições que se seguiram. Precisamente por isso resolvi escrever aqui umas palavras, para também eu dizer à nossa sociedade, que não deve esquecer os valores daqueles que ansiavam que Portugal fosse um País de liberdade, de respeito e de prosperidade.
Não vou aqui fazer uma reflexão do que foi o antes do 25 de Abril (que não conheci) ou o pós 25 de Abril. Vou apenas deixar algumas considerações sobre o antes, o depois e o agora.
Nós, os mais jovens certamente não sabemos como era viver naquela altura.
Era difícil. Os ordenados eram muito baixos, não havia a política do salário mínimo, trabalhava-se para o dia a dia. O País dependia fortemente da Agricultura, mas em termos industriais era uma insignificância. Liberdade de expressão era coisa apenas para os audazes. O grande problema do País era a guerra colonial, que mandava os jovens para o Ultramar, deixando tudo na incerteza se algum dia voltariam a casa para ver os seus familiares e amigos. Enfim muitas coisas más, ou para alguns, menos boas.
Mas também havia aspectos positivos. Pelo que ouço, “antes” havia segurança, havia respeito e havia ouro nos cofres do estado.
Sobre o “depois” do 25 de Abril, também muito haveria para dizer, começando pela instabilidade que o País sofreu, com as forças mais à esquerda a quererem impor um regime semelhante ao anterior, mas com ideologia contrária. Felizmente que os Portugueses conseguiram ultrapassar esses ímpetos de alguns. Como em todas as revoluções também por cá se fizeram coisas más, a propriedade foi saqueada, a pouca organização que existia foi destruída, entre muitas outras coisas. E também “lá se foi o nosso ouro”.
O Agora.
Estamos a viver uma das maiores crises financeiras e económicas que há memória. Talvez não consigamos escapar a uma crise social. Todos os dias temos notícias de fábricas que fecham, do desemprego que aumenta (são já mais de 500 mil) e os índices económicos continuam em baixo. São tudo expressões que se ouvem vezes e vezes sem conta.
Quase todos os dias ouvimos o Governo a vir em socorro deste ou daquele, minimizar o problema aqui, minimizar o problema acolá. Dizer que a crise não é culpa nossa, mas sim de toda esta Europa e de todo este mundo globalizado. Dizer que fez tudo o que se pode fazer. Enfim, limitar-se a tentar apagar o incêndio, sabendo que não tem o auto-tanque carregado de água, mas mesmo assim deslocando para lá a viatura para que as pessoas pensem que o incêndio vai ser rapidamente extinto. Mas as pessoas apercebem-se que o auto-tanque vem sem água. O Governo com a sua boa vontade e com a maior displicência diz às pessoas para o ajudarem, trazendo cada um de sua casa um balde com água para que assim o auto-tanque possa ter a água suficiente para debelar o incêndio.
“O Agora” está a ser muito difícil. Ainda hoje ouvi na rádio vários “Capitães de Abril”, em mais uma das minhas deslocações de casa para o trabalho, dizerem que os dias de hoje (o agora) estão longe daquilo que sonhavam para Portugal. Liberdade, Respeito e Prosperidade, são nos dias de hoje valores e objectivos cada vez mais difíceis de manter.
Mas não quero de forma alguma terminar este texto de uma forma pessimista. Acho que todos nós temos o dever de querer mais e melhor. E nestes momentos difíceis devemos unir esforços para ultrapassar toda esta crise.
Para terminar e sendo esta uma data a comemorar (apesar de tudo), quero deixar-vos o convite para ouvirem esta música que, confesso, muito me emociona quando a ouço.
http://www.dailymotion.com/video/x2i1lm_zeca-afonso-grandola-vila-morena-12_music
25 ABRIL, SEMPRE.