Sheila – 3 anos
Vania – 25 anos
Ingestão de provável xenobiótico – 9:30
Hora de entrada no hospital – 12:30
Sintomas clínicos: náusea, vômito, diarreia, dor abdominal, hipotensão, cefaleia e fraqueza muscular
Colheu urina de ambas as vítimas enviado para análise química e cromatográfica
Identificado agente toxico carbamato, com maior concentração na Sheila(sintomas mais acentuados) e menor na Vania
Quantidade ingerida não atingiu DL50
Xenobiotico
O que é agente tóxico? Quais suas classificações e características?
Entende-se por agente tóxico ou toxicante a entidade química capaz de causar dano a um sistema biológico,alterando seriamente uma função ou levando-o à morte dependendo das condições de exposição.
Os agentes tóxicos agem no organismo conforme a sua toxicidade, de modo que diversos fatores contribuem para que a reação seja leve ou grave. Muitos agentes apresentam relação tecido/órgão-específica, sendo importante realizar a distinção de acordo com a fonte de exposição
A variabilidade da ação ocorre devido a fatores como dose, via, duração, frequência de exposição, sexo, idade e capacidade de biotransformação.
Os sistemas mais acometidos por contaminações são o sistema nervoso central (SNC), gastrointestinal, cardiovascular, renal e hematopoiético.
TIPOS
Gases.
Substâncias Químicas.
Substâncias Tóxicas à Pele.
Líquidos criogênicos.
Líquidos inflamáveis.
Oxidantes e perióxido orgânicos.
Substâncias tóxicas.
Substâncias corrosivas.
TOXICIDADE: Capacidade inerente de a substância química produzir efeito nocivo após interação com organismo.
• INTOXICAÇÃO: Conjunto de sinais e sintomas que evidenciam o efeito nocivo produzido pela interação entre agente químico e organismo
Diferencie agente tóxico e xenobiótico
Xenobióticos são compostos químicos estranhos ao organismo humano. Eles são produzidos pela indústria ou pela natureza, através de vegetais e fungos. Podem ser enquadrados em diversas categorias, como por exemplo, pesticidas agrícolas, inseticidas, plásticos, produtos de limpeza e fármacos. Nossa sociedade utiliza esses compostos regularmente, sob várias formas, inclusive como medicamentos e antibióticos.
Agente tóxico causa dano ao organismo. O xenobiótico não necessariamente.
Definir o que é DL50
Um parâmetro importante em toxicologia é a chamada dose letal 50 (DL50), definida como a quantidade de uma substância química que, quando administrada em uma única dose por via oral
é um metodo de avaliação
tem esse nome por que ela é fatal para 50 % dos organismos no qual foi administrado.
na hora da produção de remédio pra saber da toxidade dos produtos
Não existem substâncias químicas sem toxicidade. Não existem substâncias químicas seguras, que não tenham efeitos lesivos ao organismo, porém se forem tomadas algumas medidas de segurança, como a associação da utilização de equipamentos de proteção coletiva, de equipamentos de proteção individual, dos procedimentos operacionais seguros, além da limitação da dose e da exposição poderemos manipulá-las com segurança.
O profissional deve ter sempre em mente que somente deve utilizar em seus ensaios substâncias com efeitos irreversíveis quando absolutamente necessário. Neste caso os procedimentos operacionais devem estar disponíveis, a supervisão deve ser requerida e todo o processo deve ser realizado de forma a garantir que o material ou substância não contamine o ar respirado no ambiente de trabalho. Em relação a este aspecto deve ser lembrado que não basta o uso de capelas químicas, mas estas devem ser adequadas ao uso da substância em questão. É comum se encontrar químicos que desconhecem os vários padrões de exaustão e suas destinações. Quando são manipulados substâncias com efeitos crônicos ou de longo-prazo deve-se considerar a possibilidade de monitoração ambiental. Esta deve ser planejada sempre se considerando as rotinas de trabalho e não somente segundo padrões externos.
O que é intoxicação (aguda e crônica) e quais as fases de intoxicação aguda?
Intoxicação aguda:
• Manifestação clínica, através de sinais e sintomas, de efeito nocivo resultante da interação de uma substância química com um organismo vivo, e que se apresenta de forma súbita, alguns minutos ou algumas horas após a exposição ao agente químico, a qual é geralmente única e dentro de 24 horas.
somatória de efeitos: ocorre quando o dano causado é irreversível e, portanto, vai sendo aumentado a cada exposição, até atingir um nível detectável ou, então, quando o dano é reversível, mas o tempo entre cada exposição é insuficiente para que o organismo se recupere totalmente.
■ Intoxicação crônica:
Manifestação clínica, através de sinais e sintomas, do efeito nocivo resultante da interação de uma substância química com um organismo vivo, e que são resultantes de uma exposição crônica, ou seja, exposição a pequenas doses, durante vários meses ou anos.
INTOXICAÇÃO AGUDA (ÚNICA): decorre de uma única exposição ao agente, num período de tempo de 24 horas.
2. INTOXICAÇÃOAGUDA (REPETIDA): decorre de múltiplas exposições ao mesmo agente num período de tempo de 15 dias.
3. INTOXICAÇÃO CRÔNICA: decorre de exposição prolongada ao mesmo agente, de forma contínua ou intermitente, por mais de 15 dias.
4. INTOXICAÇÃO AGUDA SOBRE CRÔNICA: considerar os casos de exposição crônica que sofreram uma exposição aguda ao mesmo agente em determinado tempo
5. IGNORADA: casos em que são desconhecidos o tempo e a frequência das exposições.
Quais os sintomas clínicos de intoxicações gerais e os do carbamato.
Intoxicação aguda: febre, anorexia, hepatomegalia, melanose e arritmia cardíaca, que em casos mais graves, pode promover fa-lência cardíaca, irritação das mucosas do sistema digestório, perda sensorial do sistema nervoso periférico.
■ Intoxicação crônica: principais órgãos-alvo são a pele e o fígado, caracterizando um quadro de icterícia, hepatomegalia e, em casos mais graves, cirrose e ascite. O metal tem perfil carcinogênico, sendo associado ao câncer de pele e fígado, pulmões, rins e próstata.
Organofosfarados e carbamatos são ingredientes inseticidas comuns que inibem a atividade da colinesterase, causando manifestações muscarínicas agudas (p. ex., salivação, lacrimejamento, urina, diarreia, vômitos, broncorreia, broncospasmo, bradicardia, miose) e alguns sintomas nicotínicos incluindo fasciculações —musculares e fraqueza. Neuropatia pode se desenvolver dias ou semanas após a exposição. O diagnóstico é clínico e às vezes com teste da atropina, determinação dos níveis de acetilcolinesterase eritrocitaria ou ambos. Broncorreia e broncospasmo são tratados com altas doses tituladas de atropina. A toxicidade —muscular é tratada com pralidoxima IV.
Efeito tóxico: alteração biológica nociva.
• Efeito tóxico local: é o que ocorre no sítio do primeiro contato entre o organismo e o agente químico.
• Efeito tóxico sistêmico: é o que requer absorção e distribuição do agente químico para um sítio distante da sua via de penetração, onde produzirá o efeito nocivo.
• Efeito tóxico reversível e irreversível: além da dose, tempo e freqüência da exposição, é dependente da capacidade de regeneração do tecido do órgão ou sistema afetado.
Medidas gerais (conduta) e tratamento em caso de intoxicações agudas
As intoxicações agudas englobam acidentes com substâncias químicas diversas, animais peçonhentos e plantas tóxicas, sendo importante causa de morbidade e mortalidade em nossa população e de noƟĮ cação obrigatória no Brasil. Estes agravos consƟ tuem quadros clínicos extremamente peculiares de cada região do planeta, pois estão associados a animais ơ picos de um território, praguicidas empregados e permiƟ dos pelo poder público, uso de medicamentos habitualmente prescritos para patologias comuns ou produtos domésƟ cos comumente adquiridos. Assim, é fundamental o conhecimento das caracterísƟ cas epidemiológicas, demográĮ cas, até mesmo culturais, para um melhor diagnósƟ co eƟ ológico, que leva a uma terapêuƟ ca mais efeƟ va.
E por carbamato?
Terapia de suporte
Atropina para manifestações respiratórias
Descontaminação
Pralidoxima para manifestações neuromusculares
Terapia de suporte é a chave. Os pacientes devem ser monitorados cuidadosamente com relação à insuficiência respiratória devido à fraqueza dos músculos respiratórios.
Atropina é administrada em quantidade suficiente para aliviar o broncospasmo e broncorreia em vez de normalizar o tamanho da pupila ou frequência cardíaca. A dose inicial é de 2 a 5 mg IV (0,05 mg/kg para crianças); a dose pode ser dobrada a cada 3 a 5 minutos, conforme necessário. Gramas de atropina podem ser necessárias para pacientes gravemente intoxicados.
Descontaminação é atingida logo após a estabilização. O cuidador deve evitar a autocontaminação enquanto presta cuidados. Para exposição tópica, as roupas são removidas e a superfície do corpo é completamente lavada. Para ingestão em até 1 hora da apresentação, pode-se usar carvão ativado. O esvaziamento gástrico é normalmente evitado. Se feito, a traqueia é entubada antes para prevenir aspiração.
Pralidoxima (2-PAM) é administrada após atropina para aliviar sintomas neuromusculares. 2-PAM (1 a 2 g em adultos; 20-40 mg/kg em crianças) é administrada de 15 a 30 minutos IV após a exposição a organofosfarados ou carbamatos porque, frequentemente, não se sabe qual dos dois causou a intoxicação na hora do tratamento. Uma infusão pode ser usada após o bolus (8 mg/kg/h em adultos; 10-20 mg/kg/h em crianças).
Benzodiazepínicos são usados para convulsão. Diazepam profiláticopode ajuda a prevenir sequelas neurocognitivas após intoxicação grave ou moderada por organofosfarados.
As pessoas expostas a essas toxinas que estão longe de um hospital podem se aplicar baixas doses de atropina usando autoinjetores de atropina comercialmente preparados (2 mg para adultos e para crianças > 41 kg; 1 mg para crianças de 19 a 41 kg; 0,5 mg para crianças < 19 kg). Autoinjeção de diazepam, 10 mg, tem sido recomendada para pessoas expostas a ataques químicos por agentes nervosos.
Epidemiologia das intoxicações
De maneira geral costuma-se caracterizar como POPULAÇÃO EXPOSTA aos agrotóxicos os seguintes grupos populacionais em especial:
Trabalhadores do setor agropecuário (agricultores, agropecuaristas, veterinários): trabalhadores que fazem a preparação da calda, aplicadores de agrotóxicos nas lavouras (pulverizadores costais, com tração animal, com uso de tratores), a entrada na lavoura após pulverização para colheita, capina; a aplicação de agrotóxicos em animais de produção ou domésticos, pulverização aérea, entre outros.
Trabalhadores que fazem manejo florestal e manejo de ecossistemas hídricos;
Trabalhadores de madeireiras, desde o corte até o beneficiamento para comercialização.
Trabalhadores que atuam no controle de endemias e de zoonoses em saúde pública: pulverização de agrotóxicos para eliminação de focos de vetores tem exposição contínua durante longo tempo a diferentes agrotóxicos.
Trabalhadores de empresas desinsetizadoras: durante a preparação do agrotóxico e aplicação. Ambientes após desinsetização também pode ser responsáveis por intoxicações para aplicadores e frequentadores do local.
Trabalhadores de indústrias de agrotóxicos: operários de linha de produção, pessoal de manutenção, limpeza, lavanderia, profissionais de assistência técnica.
Trabalhadores do setor de transporte, armazenamento e comercialização de agrotóxicos: acidentes no transporte, armazenamento, embalagens inadequadas, entre outros.
Profissionais de jardinagem.
População de área rural: estão expostos os trabalhadores rurais, as famílias das unidades produtivas, e todo o entorno. Há o acesso facilitado ao agrotóxico, processo de pulverização, deriva de agrotóxico (quando o vento desvia o alvo e o agrotóxico acaba atingindo outros pontos não previstos de aplicação), lavagem de equipamentos, lavagem de roupas, pulverização aérea, contaminação ambiental do solo e água, entre outros.
População em geral: através do consumo de alimentos com resíduos de agrotóxicos; uso, abuso e acidentes com agrotóxicos de uso doméstico (inseticidas), uso de agrotóxicos de jardinagem amadora com os mesmos princípios ativos de agrotóxicos de uso agrícola.
Qual o papel do centro de controle de intoxicação?
Tem por objetivo principal prestar assessoria e orientação frente a acidentes tóxicos, em caráter de emergência e em regime de plantão permanente (24 horas/dia) a profissionais de saúde que viabilizam e otimizam o atendimento (diagnóstico e tratamento) de pacientes vitimados por exposições químicas em geral, incluídas as exposições por substâncias potencialmente tóxicas, contaminação por pesticidas agrícolas ou domésticos, substâncias químicas de uso doméstico ou industrial, plantas tóxicas, animais peçonhentos, medicamentos de uso humano ou animal, drogas lícitas e ilícitas ou qualquer outro agente potencialmente tóxico.
Presta informações específicas à comunidade leiga em relação à prevenção, primeiros socorros e medidas ou manobras que possam minimizar o efeito de qualquer exposição a um agente tóxico, até o atendimento de um profissional de saúde.
como é realizada a notificação?
Ela deve ser notificada semanalmente por meio da ficha de intoxicações exógenas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), por profissionais de saúde ou responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde que prestam assistência ao paciente, entre outras instituições.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786556901954/pageid/47
http://www1.rc.unesp.br/ib/ceis/mundoleveduras/2014/Xenobioticos%20e%20microbiota.pdf
https://www.scielo.br/j/qn/a/ZpvGkW9ZBgpwgn4m5cgXN9s/?format=pdf
https://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/virtual%20tour/hipertextos/up1/toxidade.html
https://saude.fortaleza.ce.gov.br/images/Manuais_saude/Guia_IJF_Intoxicacoes.pdf
https://saude.rs.gov.br/centro-de-informacoes-toxicologicas-cit#:~:text=Tem%20por%20objetivo%20principal%20prestar,exposi%C3%A7%C3%B5es%20qu%C3%ADmicas%20em%20geral%2C%20inclu%C3%ADdas