Nome: Katia
Idade: 42 anos
Estado civil: casada
Histórico familiar: câncer de mama (mãe 55 anos; irmã 58)
Realizou Papanicolau: normal
Possui pequeno nódulo no quadrante superior externo na mama direita
Diagnostico dos exames: lesão altamente sugestiva de neoplasia acometendo as duas mamas (BI-RADS V)
Biopsia de fragmento com agulha (BFA)
Mamotomia na mama esquerda
Medo do termino do casamento
Diagnostico: carcinoma ductal invasivo
Efeitos da quimioterapia (náusea, perda de cabelo e pelos)
Alguns genes são mutados, como BRCA1, BRCA2 e HER, levando ao câncer de mama de manifestações e intensidades distintas
1) Descreva a histologia e morfologia da mama
MORFOLOGIA
OQUE É: A mama é considerada um anexo da pele, O nome “seio” define o espaço compreendido entre as duas mamas;
LOCALIZAÇÃO: As mamas são localizadas no tórax e apresentam os seguintes limites:
-> superior: 2a costela;
-> inferior: 6a/7a costelas (prega inframamária);
-> lateral: linha axilar anterior/média;
-> medial: margem lateral do osso esterno;
-> posterior: contato com a camada profunda da fáscia superficial e o espaço retromamário, fáscia do músculo peitoral maior, serrátil anterior, oblíquo externo e porção proximal do reto abdominal.
*(O espaço retromamário, composto por tecido conjuntivo frouxo e situado entre a glândula mamária e a fáscia do peitoral maior, permite a retirada cirúrgica da mama sem tocar a fáscia do músculo peitoral maior. Cerca de 2/3 da mama repousam sobre as fáscias do músculo peitoral maior, e a porção lateral da mama tem contato com a fáscia do músculo serrátil anterior.)
PARTE EXTERNA:
->Mamilo: É uma pequena projeção que contem uma coleção de ductos provenientes das glândulas secretoras;
- >Aréola: Área pigmentada que circunda o mamilo, pode variar de tamanho e cor. A aréola possui glândulas sudoríparas (suor), para manter a temperatura da pele, glândulas sebáceas (sebo), para manter os mamilos lubrificados e limpos e o folículo piloso, localizado ao redor da aréola e forma pequenas proeminências chamadas de glândulas de Montgomery ;
->Pele: É composta por tecido de sustentação e revestimento que protege a glândula mamária.
PARTE INTERNA:
->Lobos – é o conjunto de vários lóbulos;
->Lóbulos - conjunto de vários alvéolos;
-> Alvéolos – unidade funcional da mama onde encontramos as células produtoras do leite;
->Ductos – são vaso s que conectam os alvéolos de um lóbulo até a ampola;
->Ampola ou seio lactífero – reservatório de leite;
->Ligamento de Cooper –tecido fibroso que promove a sustentação das glândulas mamárias
PESO:O peso das mamas é bastante variável e está diretamente relacionado à fase da vida da mulher. Não lactantes possuem mamas menores, com peso que va- ria de 150 a 250 g. Em lactantes, esse peso pode ultrapassar 500 g, podendo che- gar a 900 g. O peso da mama varia também conforme idade, características fí- sicas, peso corpóreo, estado nutricional e densidade mamária. A proporção de glândulas mamárias e tecido adiposo determina a densidade da mama. Mamas grandes têm maior quantidade de gordura, o que define sua forma.
TIPOS: Normal, plano e invertido; (VER FOTO)
CLASSIFICAÇÃO:
-Fibroglandular: Faixa etária comum - 15 a 30 anos (e mulheres nulíparas acima dos 30 anos de idade); Gestantes ou lactantes; Radiograficamente denso; Muito pouca gordura
-Fibroadiposa: Faixa etária comum - 30 a 50 anos; Mulheres jovens com três ou mais gestações; Densidade média, radiograficamente; 50% gordura e 50% fibroglandular
-Adiposa: Faixa etária comum - 50 anos ou mais; pós-menopausa; Densidade mínima, radiograficamente; Mamas de crianças e homens
PRODUÇÃO DE LEITE: Faz os alvéolos produzirem leite;Faz a mãe sentir-se relaxada e confortável;Os níveis sobem quando o bebê suga; Mais prolactina é produzida à noite; Suprime a ovulação
-ocitocina: REFLEXO DE EJEÇÃO OU DESCIDA DE LEITE! Contrai as células ao redor dos alvéolos e faz o leite descer pelos ductos até os seios lactíferos, onde ficará armazenado.
FORMAS DA MAMA:A. Plana. B. Discoide. C. Cônica. D. Pendular. (OLHAR IMAGEM)
VASCULARIZAÇÃO: A vascularização arterial da mama é realizada por um complexo de artérias, sendo as mais importantes a mamária interna e a torácica lateral, que jun-tas irrigam em torno de 90% da mama
O suprimento sanguíneo arterial é feito por:
-artéria mamária interna (ramos anteriores): irriga partes central e medial da mama (60%);
-artéria torácica lateral (ramo da segunda porção da artéria axilar): irriga parte superior e quadrante mais lateral (30%);
-artérias toracoacromial (ramos peitorais), intercostal posterior (2o, 3o e 4o espaços intercostais), artéria subescapular e toracodorsal: outras regiões da mama (10%).
-A artéria axilar e seus ramos são responsáveis pela irrigação de diversas estruturas e músculos do tórax e cintura escapular, e serão vistos adiante com mais detalhes
DRENAGEM VENOSA: A drenagem venosa mamária é dividida em sistema superficial e profundo. O sistema superficial situa-se logo abaixo da camada superficial da fáscia superficial. A drenagem superficial da maioria das veias localizadas medialmen- te no tecido subcutâneo drenam na veia mamária interna (cerca de 90%). Os outros vasos restantes próximos à região supraesternal drenam nas veias super ficiais da região do pescoço inferior.
-O sistema de drenagem venosa profunda da mama é dividido em três grupos: ramos perfurantes da veia torácica interna, tributárias da veia axilar e ramos perfurantes das veias intercostais posteriores; estas últimas se comunicam com as veias vertebrais. Esse sistema drena para a rede capilar pulmonar e para as veias vertebrais. Dessa forma, estabelecem as rotas para as metástases pulmonares e ósseas
-ramos perfurantes da veia torácica (mamária) interna: drenam a parte me- dial da mama; tributárias das veias axilares: drenam a parte lateral da mama; ramos perfurantes da veia intercostal posterior: drenam a parte mais central na mama.
DRENAGEM LINFÁTICA: A interrelação dos vasos linfáticos nas regiões superficial e profunda da glândula mamária é decorrente da invaginação do ectoderma no mesoderma. Por ser uma glândula superficial, os linfáticos da mama podem drenar para os linfáticos da mama e para a axila oposta. Outra rede importante para o proces- so metastático é a rede denominada de Gerota, que drena a região inferomedial da mama para os linfáticos abdominais, diafragmáticos e para o fígado.
-O sistema linfático mamário divide-se em plexos subepitelial, subareolar (de Sappey), subdérmicos, intradérmicos, intraparenquimatoso e fascial.
-O fluxo linfático corre do plexo superficial para o profundo e do subcutâ- neo profundo e intramamário para os linfonodos das cadeias axilar e mamária interna, através dos canais interlobulares, intercanaliculares e interductais. Es ses plexos comunicam-se com o plexo areolar e com o plexo que circunda a aréola.
-Estudos com linfocintilografia demonstram que os linfáticos profundos (parenquimatosos e retromamários) drenam preferencialmente para os linfo- nodos da cadeia da mamária interna. Já os superficiais drenam, em 95 a 97% das vezes, para o linfonodo sentinela axilar (primeiro a receber a drenagem lin- fática do tumor) localizado no nível I, e o restante para outras localizações.
-Os plexos linfáticos são: plexo cutâneo (localizado na derme);plexo subcutâneo (região subcutânea superficial)plexo fascial (fáscia do músculo peitoral maior); plexo glandular (glândula mamária); plexo subareolar (plexo de Sappey): comunicação do glandular com o subcutâneo.
-As drenagens linfáticas divididas em superficial e profunda são realizadas pelos vasos linfáticos eferentes mediais para os linfonodos da torácica interna e pelos vasos linfáticos eferentes laterais para os linfonodos axilares, subescapulares e, ocasionalmente, para linfonodos intercostais.
-Existe uma comunicação entre vasos eferentes mediais de cada mama que determina a anastomose intramamária e explica as metástases nas mamas opostas.
MAMA NO CICLO MENSTRUAL: Após a ovulação, sob a ação do estrogênio e aumento do nível de progesterona, a proliferação celular mamária aumenta, assim como o número de ácinos por lóbulo. estroma intralobular fica edemaciado até que ocorra a queda dos níveis hormonais, na menstruação, de estrogênio e progesterona, em que há regressão dos lóbulos e do edema.
NA GRAVIDEZ: A mama feminina só se torna completamente madura e funcional com o início da gravidez. Durante a gestação, há aumento progressivo dos lóbulos em número e em tamanho, consequentemente, no final da gravidez, a composição mamária está quase que em sua totalidade sendo feita por lóbulos, sendo eles separados por fina camada de estroma.
Ao término da gestação, ocorre a produção de colostro (rico em proteínas) pelas células luminais, este se modificará em leite materno (rico em gordura e calorias). Além de nutrição adequada, o leite materno fornece proteção contra infecções, alergias e doenças autoimunes. Todavia, algumas drogas e vírus podem ser passados através do leite materno. Ao fim da lactação, o estroma e epitélio mamário entram em remodelação; os lóbulos regridem, há apoptose de células epiteliais e o volume mamário, por consequência, diminui.
Formas da mama. A. Plana. B. Discoide. C. Cônica. D. Pendular.
Mamas divididas em quadrantes e prolongamento de Spencer.
HISTOLOGIA
NA INFÂNCIA: mama galactóforo e ductos galactóforo;
NA PUBERDADE: aumento no: tamanho das mamas, estrogeno, tec. adiposo, conj. denso; mamilos mais proeminentes
LOBULOS: Unidade secretora da mama; contorno circular; circundados por estroma interlobular; ácino
-estroma interlobular: tec. conjuntivo froxo; cresce na lactação
-ácinos: camada internas das celulas epiteliais ; camada externa da celulas mioepiteliais (contração e extrusão do leite)
-Há ainda dois tipos de estromas mamários; o interlobular, que consiste em denso tecido conjuntivo fibroso e tecido adiposo, enquanto o intralobular envolve os ácinos dos lóbulos, estes possuem respostas hormonais específicas e estão misturados com linfócitos.
NA LAMINA: A glândula mamária consiste em um conjunto de pequenas glândulas (unidades secretoras) com ductos independentes que se abrem no mamilo;
Alveolo mamário -> unidade secretora -> lóbulo -> lobo -> ducto lactífero -> seio lactífero -> mamilo;
Parênquima:
Inativa: apenas ductos lactíferos (revestidos por epitélio simples colunar ou cuboide) terminando em fundo cego;
Ativa (durante a gestação): desenvolvimento das células alveolares, formando os alvéolos mamários ao final de cada ducto lactífero;
Ativa (em lactação): unidades secretoras túbulo alveolares com alvéolos mamários produzindo leite ativamente. Os alvéolos mamários são rodeados por células mioepiteliais;
Estroma:
Imediatamente ao redor dos alvéolos mamários (região intralobular) há tecido conjuntivo propriamente dito frouxo contendo plasmócitos e mastócitos;
Na região interlobular há tecido conjuntivo propriamente dito denso não modelado, também contendo plasmócitos e mastócitos;
Tecido adiposo em toda a extensão da mama.
mama- mulher adulta
lobulos mamarios
Lamina
2) Oque é câncer de mama, sua epidemiologia e fatores de risco
OQUE É: multiplicação desenfreada das células da mama, processo que procria células anormais, as quais se diversificam formando o tumor.
As alterações dos feedbacks terapêuticos e assinaturas genéticas podem ser analisadas na heterogeneidade e variadas manifestações morfológicas. Com isso, pode ter grandes chances de cura se for diagnosticado e tratado precocemente (MAIRINK et al, 2020). O câncer de mama em seus aspectos de anormalidades proliferativas nos lóbulos e ductos da mama inclui carcinoma invasivo, hiperplasia, hiperplasia atípica e carcinoma in situ. Sendo um edema cutâneo similar à casca da laranja, podendo aparecer linfonodos palpáveis na axila.
EPIDEMIOLOGIA: O câncer de mama representa a principal causa de morte por câncer em mulheres brasileiras, e em nível mundial cede o lugar apenas para o câncer de pulmão, representando um grande problema de saúde pública em todo o mundo.
O Brasil tem acompanhado as altas taxas de incidência e mortalidade de câncer de mama dos países desenvolvidos, porém as medidas necessárias à prevenção, ao diagnóstico e ao controle da doença não têm sofrido o mesmo crescimento. Foi estimado, para o ano de 2010, aproximadamente 49.240 novos casos de câncer de mama, com risco de 49 casos a cada 100 mil mulheres, e uma sobrevida mundial de 61% após cinco anos. O câncer de mama é raro antes dos 35 anos, crescendo rápida e progressivamente com a idade sendo descoberto, principalmente, entre 40 e 60 anos. Há referência de que a doença vem atingindo um maior número de mulheres jovens.
FATORES DE RISCO:
-idade (+40 anos);
-sexo femino;
-h. familiar: primeiro grau (mãe, filha e irmã);
-nulipariedade (nunca teve filho);
-menacme longo (vida reprodutiva: menopausa tardia -> fica mais exposta a hormonio - estrogeno);
-multação no gene BRCA (1,2)
-Dieta rica em gordura;
-lesões pré-malignas;
-A principal influência ambiental é a exposição prévia às radiações ionizantes, sendo diretamente proporcional à dosagem da radiação e inversamente proporcional à idade da mulher na época da exposição
3)Qual a etiologia e como ocorre a fisiopatologia do câncer de mama (tipos)
Doença heterogênea; com diferenças biológicas e clínicas;
❖ Dividido em: esporádico e hereditário
-o Câncer de mama esporádico tem como fator de risco a exposição hormonal, em maioria ocorre em mulheres pós-
menopausa e são receptor estrogênio positivo.
-o Câncer hereditário é causa de 12% dos cânceres de mama, sendo a mutação do gene BRCA1 e BRCA2 prevalentes (de 30
a 90% de penetrância) nesse tipo de câncer.
CLASSIFICAÇÃO
❖ 95% adenocarcinomas
❖ Carcinoma Insitu (neoplasia limitada aos ductos e lóbulos pela membrana basal);
❖ Invasivos (Penetra da membrana para o estroma, potencialmente infiltra vasos,linfonodos e sítios distantes).
MASCULINA
-GINECOMASTIA: Aumento da mama masculina (uni ou bilateral), tendo o tecido conjuntivo colagenoso denso e epitelial papilar sofrido hiperplasia, comumente decorrente de desequilíbrio hormonal, sendo os estrógenos os principais hormônios desencadeadores da patologia.
• CARCINOMA: Ocorre em menos de 1% dos casos. Possui fatores de risco similares aos femininos (familiar de 1o grau acometido, função testicular diminuída – Síndrome de Klinefelter, obesidade, idade avançada, exposição à estrogênios exógenos radioterapia prévia). Nos homens, o carcinoma mamário mais comum são os papilíferos, geralmente se apresentam como massa subareolar palpável de 2 a 3 cm de tamanho (visto que o epitélio mamário masculino é limitado) e podem, com mais frequência, invadir as estruturas torácicas e ulcerar a pele. O prognóstico, metástases e tratamentos são similares para homens e mulheres em mesmos estágios de câncer.
4) Quais os métodos de diagnostico, prevenção e rastreamento
Programas de prevenção primária evitam o aparecimento de doenças, mas não são utilizados em relação ao câncer de mama devido às suas características biológicas e recursos tecnológicos disponíveis. O controle dessa doença se dá através da detecção precoce, na qual a lesão se restringe ao parênquima mamário, com um tamanho de no máximo três centímetros, permitindo o uso de recursos terapêuticos menos mutiladores e maior possibilidade de cura.
Os meios mais eficazes para a detecção precoce de câncer de mama são o exame clínico de mamas (ECM) e a mamografia, pois o autoexame de mamas (AEM) detecta a doença geralmente em estádio avançado, sendo responsável por cerca de 80% das descobertas de cânceres de mama. O AEM não tem efeito adverso e possibilita a participação da mulher no controle de sua saúde, devendo ser realizado mensalmente, entre o sétimo e o décimo dia após a menstruação, nos quais as mamas encontram-se indolores, menores e menos consistentes. Nos casos de climatério, histerectomia e amamentação, quando não há menstruação, deve-se realizar o exame mensalmente, sempre no mesmo dia, escolhido arbitrariamente. As desvantagens do AEM são o maior número de biópsias de lesões benignas, falsa sensação de segurança nos exames falso-negativos e impacto psicológico nos falso-positivos.
-O ECM faz parte do atendimento integral à mulher, devendo ser inserido no exame físico e ginecológico de todas as mulheres, independente da faixa etária, servindo de subsídio para exames complementares. A mamografia é um exame radiológico, de alto custo, dos tecidos moles das mamas, mais usado em mulheres com 35 anos ou mais, que permite a identificação de alterações não perceptíveis ao ECM, não substituindo o mesmo. A ultrassonografia é o exame de escolha para mulheres com menos de 35 anos de idade, sendo também utilizado para mamas densas, nódulos palpáveis com/ sem mamografia negativa, processos inflamatórios e grávidas com sintomas mamários
-O Instituto Nacional do Câncer (INCA) preconiza a realização do ECM anualmente, a partir dos 40 anos de idade; da mamografia, com intervalo máximo de dois anos, após os 50 anos; da combinação dos dois exames anualmente, a partir dos 35 anos, para os grupos com risco elevado; e a garantia de acesso ao diagnóstico, tratamento e seguimento para todas as mulheres com alteração nos exames realizados.
-A mamografia: está sempre em desenvolvimento para aprimorar o rastreio do câncer de mama, é o principal e mais eficiente método para realizar a detecção da doença precocemente. Cerca de ¼ dos casos de câncer de mama foram reduzidos por meio da mamografia, haja vista que essa ferramenta apresenta uma grande especificidade e sensibilidade na identificação dessa enfermidade (FERREIRA et al, 2021). Atualmente, a mamografia é recomendada, bienalmente, para mulheres de 50 a 69 anos (MIGOWSKI et al, 2018 ). Vale ressaltar que esse exame, quando em conjunto com uma terapia apropriada, pode reduzir, em aproximadamente ⅗, o número de mortes pelo câncer de mama (BARCELOS et al, 2020;-
-O autoexame permite que a mulher consiga identificar alterações no próprio seio, o que pode facilitar na identificação precoce da enfermidade (PENATE TAMAYO; DE LA TORRE SANTOS, 2018). Entretanto, atualmente, não há uma recomendação do Ministério da Saúde para a realização do autoexame, pois, provavelmente, os danos que esse método pode acarretar superam os benefícios. Os principais malefícios são a realização de intervenções sem necessidade, por conta dos diagnósticos falso-positivos, e a ocorrência de tumores não palpáveis, os quais não são detectados nesse exame, o que pode influenciar os pacientes a não buscarem ajuda médica;
-O exame clínico é um recurso acessível, realizado por profissionais da saúde e ainda utilizado no diagnóstico do câncer de mama, sendo considerado muito relevante para a identificação de alguns tipos específicos de tumores, mas, assim como o autoexame, apresenta limitações. Além disso, o exame clínico está propenso ao diagnóstico de tumores falso-positivos e falso-negativos, os quais podem ter como consequência intervenções desnecessárias ou, até mesmo, a não aplicação de um tratamento adequado;
-O ultrassom é considerado uma ferramenta complementar, ou seja, não é utilizado isoladamente para o rastreio do câncer de mama. Esse método, geralmente, é executado em mulheres que apresentam maior densidade no tecido mamário e em pacientes com menos de 40 anos;
-A ressonância magnética é mais sensível que a mamografia, porém tem uma especificidade variável. Esse método também não é muito acessível, devido aos altos custos, por isso, geralmente é recomendado como um exame complementar à mamografia para pacientes com um alto risco genético (FERREIRA et al, 2021) (MIGOWSKI et al, 2018 ). Por conta da alta sensibilidade, a ressonância magnética também é muito útil para identificar tumores ocultos que estão em estágio inicial, tumores multifocais e lesões adicionais que não são detectadas por outros métodos.
biopsia
Estágio Zero (0): o tumor não é invasivo e está restrito à mama;
Estágio I: o tumor da mama tem até 2 centímetros de diâmetro, não invade os linfonodos axilares, ou se o fizer, tem invasão máxima de 2 milímetros;
Estágio II: o tumor da mama possui até 5 centímetros de diâmetro e invasão de 0 a 3 linfonodos axilares ou tumor da mama acima de 5 centímetros de diâmetro que não invadem a parede muscular, a pele e os linfonodos;
Estádio III: qualquer tumor que acabar invadindo acima de 10 linfonodos axilares, tumor de até 5 centímetros de diâmetro que invada até 9 linfonodos axilares, ou tumor da mama que invada a parede torácica e/ou a pele, independente da invasão de linfonodos;
Estádio IV: o tumor da mama de qualquer tamanho, que invada órgãos a distância como ossos, pulmões, fígado e cérebro.
5) Como pode ser realizado o estadiamento do câncer de mama e seu tratamento (PROVA)
A positividade ou não dos receptores da superfície das células do tumor é capaz de predizer a sobrevida e a resposta às opções terapêuticas dirigidas a alvos específicos. O câncer de mama além do acometimento de gânglios axilares e da extensão ao tamanho, pode permitir a identificação dos pacientes através das características do tumor com grande ou pequena chance recidiva, ajudando assim o médico a decidir sobre a necessidade da quimioterapia adjuvant
Os principais sinais e sintomas de câncer de mama são nódulo na mama e/ou axila, dor mamária e alterações da pele que recobre a mama, como abaulamentos ou retrações com aspecto semelhante à casca de laranja(6). Os cânceres de mama localizam-se, principalmente, no quadrante superior externo, e em geral, as lesões são indolores, fixas e com bordas irregulares, acompanhadas de alterações da pele quando em estádio avançado.
As opções terapêuticas mais utilizadas para o tratamento locorregional do câncer de mama são a cirurgia e a radioterapia, enquanto que para o sistêmico são a quimioterapia, a hormonioterapia e a imunoterapia
Onde seu tratamento é realizado pelo Ministério Único da Saúde, através do Sistema Único de Saúde (SUS), como: serviços de cirurgia oncológica, oncologia clínica, radioterapia, hematologia e oncologia pediátrica. Ou seja, todo e qualquer ser humano com câncer tem direito ao diagnóstico, tratamentos e remédios pelo SUS
a cirurgia ainda é um dos mais usados para o câncer de mama. Nos estágios iniciais I e II, pode-se ser realizada a retirada do tumor, a mastectomia e a reconstrução mamária. Em casos de estágio III, por conta de ser tumores maiores e localizados, habitualmente são utilizadas técnicas quimioterápicas. Sendo que no IV estágio, as escolhas são baseadas no prolongamento do tempo de vida, resposta do tumor e viabilidade dos procedimentos, que são causadores de efeitos colaterais. (SILVA et al, 2020).A tipologia mais utilizada é a mastectomia radical modificada, que inclui mastectomia total e esvaziamento axilar, que preserva todos os principais músculos do tórax. Este tipo de mastectomia é um desenvolvimento da mastectomia de "Halsted", que envolve a remoção da mama, músculos peitorais e esvaziamento completo das axilas.
manifestações clinicas: É necessário saber que os carcinomas invasores mamários também são classificados segundo o perfil imunofenotípico através do estudo imuno-histoquímico para receptor de estrógeno (RE), receptor de progesterona (RP) e receptor tipo 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2) que são marcadores prognósticos e preditivos essenciais utilizados para a definição do tratamento e manejo clínico do paciente.
Além disso, são levados em conta, para definição clinicopatológica, sexo, idade e estadiamento tumoral.
O carcinoma do grupo lobular tem tendência a grau inferior de agressividade e proporções elevadas de positividade para receptores hormonais, sendo por volta de 70-80% e independe do estadiamento.
Já os carcinomas do grupo ductal são mais heterogêneos, no que concerne ao perfil imuno-histoquímico e agressividade, sendo menor, neste grupo, a positividade geral para RE e RP (60-70% RE positivo e 33-70% RP positivo). Por volta de 15-30% dos carcinomas, dentre todos, apresentam superexpressão de HER2, que indica elevado grau histológico e pior prognóstico
6) Quais os principais órgãos acometidos no processo de metástase
Apesar dos avanços na detecção precoce e na compreensão das bases moleculares da doença,10% das pacientes com câncer de mama possuem metástase à distância no momento do diagnóstico.
Além disso, de 20 a 30% das pacientes diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial apresentam recorrência na forma de metástase à distância.
a metástase se dá de forma mais precoce durante a progressão do tumor, mesmo nas pacientes diagnosticadas em estágios iniciais, justificando a necessidade de um maior estudo da doença metastática nessas pacientes O câncer de mama metastático é uma doença heterogênea, com grande variabilidade em relação às manifestações clínicas, órgãos acometidos,tratamento e sobrevida e representa a principal causa de óbito nas mulheres com neoplasia mamária.Embora os fatores prognósticos e preditivos para o câncer de mama metastático tenham sido analisados em muitos estudos, menos atenção foi dada a como esses fatores se relacionam ao sítio de ocorrência da metástase
A metástase óssea é a mais frequente no câncer de mama e, embora acarrete considerável morbidade e redução da qualidade de vida, apresenta,em geral, sobrevida longa.
Estudos mostraram que o uso de bifosfonados e, mais recentemente de anticorpos monoclonais,reduz as complicações esqueléticas associadas à metástase óssea, apresentando melhores resultados se iniciados precocemente e mantidos por tempo prolongado. Assim,a identificação de fatores relacionados ao desenvolvimento de metástase óssea poderia contribuir para a detecção e início da terapia mais oportunos,trazendo maiores benefícios advindos do tratamento a essas pacientes.
Por outro lado, as mulheres com metástase extraóssea, como em pulmão, fígado e sistema nervoso central (SNC), apresentam prognóstico menos favorável em relação às pacientes com metástase óssea isolada.
Além disso, a sobrevida das pacientes com metástase óssea e que também desenvolvem metástase extraóssea, é, em geral,determinada por este último evento
Se a possibilidade de se predizer a ocorrência de metástase ainda é limitada, determinar tal probabilidade em função do sítio metastático constitui um desafio ainda maior. Entender a associação entre os sítios metastáticos e diferentes padrões de mortalidade bem como que os fatores e mecanismos através dos quais um tumor se espalha por um tecido específico poderia contribuir para que a abordagem terapêutica e o seguimento ocorressem de modo mais individualizado, justificando, por exemplo, a submissão das pacientes a um tratamento sistêmico mais ou menos agressivo.
7) Quais os efeitos colaterais dos tratamentos
a qualidade de vida relacionada à saúde das pacientes é afetada negativamente devido ao tratamento quimioterápico, aumentando as escalas de sintomas. Devido ao aumento desses sintomas que levam a perda da vaidade, associados com à alopecia, à mastectomia e ao déficit de autonomia e com decadência de atividades laborais, remete a uma modificação das relações sociais em aspectos emocionais e físicos.
diminuir o tumor com a quimioterapia antes da cirurgia;
retirar o tumor cirurgicamente antes de qualquer outro protocolo (caso necessário);
controlar a doença metastática;
prevenir possíveis recidivas com as denominadas cirurgias redutoras de risco;
aliviar os sintomas da doença.
Com os objetivos traçados, o plano de tratamento pode conter os seguintes procedimentos:
cirurgia – com o objetivo de retirar todo o tumor e as denominadas margens de segurança, as cirurgias podem consistir na retirada de toda a mama (mastectomia), seguida de reconstrução, ou serem conversadoras, conforme o caso;
quimioterapia – utilização de medicações com o objetivo de destruir as células doentes e impedir que o câncer se espalhe;
radioterapia – utiliza radiações ionizantes, com o objetivo de destruir as células do tumor ou impedir que elas se multipliquem;
terapia-alvo – realizada em pacientes portadores de tumores com alterações moleculares, este procedimento apresenta menos efeitos colaterais, pois age na proteína que atinge as células doentes;
hormonioterapia – utiliza medicações com objetivo de impedir a atuação dos hormônios sobre os receptores (quando presentes nas células cancerígenas);
imunoterapia – estimula o próprio sistema imunológico da paciente a combater as células neoplásicas;
cuidados paliativos – o objetivo é aliviar os sintomas e garantir mais qualidade de vida à paciente.
Náusea
Vômito
Disgeusia (alteração ou perda do paladar)
Xerostomia (baixa produção de saliva)
Mucosite
Obstipação
Diarreia
Neutropenia (nível muito baixo dos neutrófilos, um tipo de glóbulo branco)
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520454763/pageid/71
Fisioterapia no Câncer de Mama- Angela Gonçalves Marx; Patrícia Vieira Guedes
https://youtu.be/jkEtkzsEMys?si=ILZAwEkar89abDSI
KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins patologia básica. 9. ed. Rio deJaneiro: Elsevier, 2013
https://youtu.be/FvsXYkk5VGo?si=CHxLoigrSO3lO7WC
https://www.scielo.br/j/reben/a/TMQQbvwZ75LPkQy6KyRLLHx/?format=pdf&lang=pt
https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/139811/135086
https://youtu.be/8cgveQa1bc4?si=IyJdopK9TfgApj36
https://youtu.be/8cgveQa1bc4?si=3-HN1U1jdbjJsoH5