Texto: Salmo 23.5
"Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários, unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda."
Tema: Cristo honra, sustenta e preserva seu povo em meio aos conflitos deste mundo.
Tese: A segurança do crente não está na ausência dos inimigos, mas na presença do Bom Pastor.
Todos gostariam de viver sem conflitos, sem oposição, sem lutas, sem adversários, sem problemas. Mas não é assim que Deus conduz suas ovelhas.
O Salmo 23 não nos leva de um pasto para outro. Ele nos leva dos pastos ao vale, do vale à mesa. E a mesa não está distante dos inimigos. Ela está diante deles.
Isso é surpreendente.
Deus não elimina imediatamente os meus adversários.
Ele diz:
"Preparas-me uma mesa na presença dos meus adversários."
Isso significa que o Senhor não apenas salva e protege seu povo. Ele também o honra e recebe seus filhos à sua mesa.
Deus livra seu povo da guerra, mas também o sustenta em meio à guerra.
Esta é a mensagem do versículo:
O Bom Pastor, Jesus Cristo, transforma o lugar de ameaça em lugar de comunhão.
"Preparas-me uma mesa..."
A figura do salmo muda neste versículo.
Até aqui, Davi contemplava o Senhor como Pastor conduzindo suas ovelhas. Agora o Pastor aparece como um anfitrião que recebe seus convidados. Anfitrião é quem recebe pessoas em sua casa.
A imagem da mesa fala de comunhão, acolhimento, abundância e amizade.
No mundo bíblico, sentar-se à mesa de alguém era muito mais do que compartilhar uma refeição. Significava ser aceito. Significava pertencer àquele ambiente. Significava desfrutar de um relacionamento de paz.
Davi está dizendo que Deus não apenas cuida dele como uma ovelha. Deus o recebe em sua própria presença.
Isso nos leva diretamente a Cristo.
O evangelho não consiste apenas em Deus perdoar pecadores. O evangelho consiste em Deus receber pecadores reconciliados em sua presença.
Cristo veio justamente para isso.
O Bom Pastor tornou-se o Cordeiro sacrificado.
O Filho de Deus assumiu nosso lugar na cruz para que pudéssemos ocupar nosso lugar à mesa do Pai.
Por isso, nossa comunhão com Deus não foi conquistada por nossas obras. Foi preparada por Cristo.
Muitas pessoas passam a vida procurando satisfação em diversas coisas. Buscam alegria no sucesso, no dinheiro, nos relacionamentos ou nos prazeres deste mundo. Mas nenhuma dessas coisas consegue alimentar a alma.
A alma foi criada para Deus.
Somente a presença de Deus satisfaz plenamente o coração humano.
Por isso a maior bênção da salvação não é aquilo que Deus nos dá.
A maior bênção da salvação é o próprio Deus.
"Na presença dos meus adversários."
Davi reconheceu que os adversários não desapareceram, que a guerra não acabou, que os problemas não terminaram. Mas a mesa também continua presente.
O Senhor não promete retirar imediatamente todos os inimigos do caminho de suas ovelhas, mas promete sustentar suas ovelhas diante deles.
Esta é uma verdade que precisamos aprender.
Frequentemente queremos que Deus mude nossas circunstâncias.
Mas muitas vezes Deus prefere nos sustentar dentro delas.
Queremos a remoção da luta. Deus oferece sua presença na luta.
Queremos explicações. Deus oferece comunhão. Queremos escapar do campo de batalha. Deus prepara uma mesa no próprio campo de batalha.
Considere um castelo cercado por inimigos.
Do lado de fora existe guerra. Mas dentro existe segurança, alimento, paz. Existe a presença do rei.
Assim é a vida cristã.
Os inimigos podem estar ao redor. Mas não podem destruir aquilo que Cristo preparou. A paz do crente depende da presença de Cristo.
"Unges-me a cabeça com óleo."
No mundo antigo, o óleo era utilizado para receber convidados especiais.
Era sinal de honra, de alegria, de acolhimento.
Davi está dizendo algo extraordinário. Ele não apenas foi recebido. Ele foi honrado.
Isso é ainda mais impressionante quando lembramos quem somos.
Pecadores não merecem honra diante de Deus.
Merecem condenação, juízo, afastamento.
Mas em Cristo recebemos exatamente o oposto.
Recebemos graça, adoção, comunhão, honra.
Tudo isso porque Cristo recebeu a vergonha que era nossa.
Ele foi rejeitado para que fôssemos recebidos.
Ele foi humilhado para que fôssemos exaltados.
Ele foi tratado como inimigo para que fôssemos recebidos como filhos.
O mundo busca reconhecimento, aprovação, prestígio.
Mas nenhuma honra humana pode ser comparada à honra de sermos recebidos pelo próprio Deus.
Nossa identidade não está naquilo que o mundo pensa de nós.
Nossa identidade está naquilo que Cristo fez por nós.
"O meu cálice transborda."
Davi diz que seu cálice está transbordando. Esta é a linguagem da graça.
Deus não trata seus filhos com escassez.
Sua misericórdia é abundante.
Seu amor é abundante.
Seu perdão é abundante.
Sua bondade é abundante.
Sua fidelidade é abundante.
Muitas vezes olhamos para nossas dificuldades e pensamos apenas naquilo que nos falta.
Mas Davi olha para Deus e percebe aquilo que já recebeu.
Quando contemplamos Cristo, percebemos que recebemos infinitamente mais do que merecemos.
Recebemos perdão.
Recebemos reconciliação.
Recebemos adoção.
Recebemos vida eterna.
Recebemos o Espírito Santo.
Recebemos acesso ao Pai.
Recebemos o próprio Cristo.
O cálice da graça nunca está vazio, porque sua fonte é inesgotável.
Este versículo termina com Cristo.
Ele aponta para o Reino de Deus, para o grande banquete que aguarda o povo de Deus.
Hoje nos assentamos à mesa pela fé.
Um dia nos assentaremos pela vista.
Hoje ainda existem adversários.
Um dia não existirão mais.
Hoje existem lágrimas.
Um dia Deus enxugará cada uma delas.
Hoje existe batalha.
Um dia haverá apenas a vitória eterna de Cristo.
Hoje a mesa é desfrutada em meio à guerra.
Na eternidade ela será desfrutada em perfeita paz.
O Bom Pastor, Jesus, está conduzindo suas ovelhas para casa, e nenhuma delas ficará pelo caminho.
Primeiro, a presença de adversários não significa ausência de Deus.
Segundo, a maior bênção do evangelho não é aquilo que Deus dá, mas o próprio Deus.
Terceiro, Cristo sustenta seu povo mesmo quando não remove imediatamente as lutas.
Quarto, nossa identidade não depende da aprovação das pessoas, mas da aceitação que recebemos em Cristo.
Quinto, a graça de Deus é maior do que todas as nossas necessidades.
Sexto, toda comunhão presente com Cristo é apenas uma antecipação da comunhão perfeita que teremos na eternidade.
Davi não está celebrando a derrota dos seus inimigos.
Ele está celebrando a presença do seu Deus.
Os adversários continuam ali.
Mas a mesa também continua.
A batalha continua.
Mas a comunhão também.
A oposição continua.
Mas a graça continua.
E tudo isso aponta para Jesus.
Foi Cristo quem preparou a mesa.
Foi Cristo quem abriu o caminho para a presença do Pai.
Foi Cristo quem venceu os inimigos do seu povo.
Foi Cristo quem encheu o cálice da salvação.
E será Cristo quem receberá suas ovelhas na grande mesa do Reino.
Por isso, quando você olhar para os adversários, não se esqueça de olhar também para a mesa.
Porque os inimigos podem cercar você, mas não podem separar você do amor do Cristo.
A mesa permanece. O cálice continua transbordando.
E Cristo continua reinando.
Amém!