Introdução
Estudo Contextual
2.1 Contexto Histórico da Passagem
2.2 Contexto Literário da Passagem
2.3 Contexto Remoto
Estudo Textual
3.1 Tradução do Texto
3.2 Estrutura do Texto
3.3 Estrutura Clausal (visão geral)
3.4 Justificativa da Perícope
Comentário Exegético
Mensagem para a Época da Escrita
Mensagem para Todas as Épocas
Teologia do Texto
7.1 Implicações para a Teologia Bíblica
7.2 Implicações para a Teologia Sistemática
7.3 Implicações para a Teologia Prática
Esboço de Sermão
Conclusão
Bibliografia
Resuimo
O Salmo 9 apresenta um louvor público a YHWH como Rei justo e Juiz universal, que intervém na história para defender os oprimidos e frustrar os ímpios. Estruturado como acróstico parcial e intimamente ligado ao Salmo 10, o texto articula memória histórica, teologia do juízo e confiança escatológica. O salmo afirma que a justiça divina não é abstrata, mas se manifesta em atos concretos no tempo e no espaço, oferecendo refúgio aos aflitos e fundamento para a esperança do povo de Deus.
O Salmo 9 inaugura um novo movimento no Saltério, deslocando o foco do lamento individual (Sl 3–7) e da reflexão sobre a dignidade humana diante de Deus (Sl 8) para um louvor histórico-teológico. Aqui, o salmista celebra os feitos salvíficos de Deus contra as nações ímpias e proclama o Senhor como juiz entronizado. O salmo não apenas recorda vitórias passadas, mas transforma a memória em fundamento para a fé presente e futura.
O Salmo 9 é atribuído a Davi e reflete um contexto de conflitos nacionais, provavelmente associado a vitórias militares sobre inimigos estrangeiros. Embora não seja possível identificar um evento histórico específico, o cenário pressupõe ameaça real de nações arrogantes e opressoras. O salmo ecoa a experiência de Israel como povo pequeno, frequentemente oprimido, mas sustentado pela intervenção soberana de YHWH.
Literariamente, o Salmo 9 forma uma unidade com o Salmo 10. Ambos compartilham vocabulário, temas (justiça, ímpios, pobres) e um acróstico hebraico incompleto que se estende pelos dois salmos. Enquanto o Salmo 9 enfatiza o louvor pela justiça manifesta, o Salmo 10 expõe a tensão da aparente demora do juízo. Juntos, apresentam uma teologia equilibrada entre celebração e súplica.
No contexto mais amplo do Antigo Testamento, o Salmo 9 dialoga com a teologia do Êxodo e da monarquia davídica, nas quais Deus se revela como guerreiro e juiz. Também antecipa temas proféticos, especialmente a ideia de YHWH julgando as nações e defendendo os pobres, como em Isaías e nos Profetas Menores.
Eu te louvarei, Senhor, de todo o coração; contarei todas as tuas maravilhas.
Em ti me alegrarei e exultarei; cantarei louvores ao teu nome, ó Altíssimo.
Pois os meus inimigos retrocedem, caem e perecem diante de ti.
Porque sustentas o meu direito e a minha causa; assentado no trono, julgas retamente.
Repreendeste as nações, destruíste o ímpio; apagaste o seu nome para sempre.
Quanto aos inimigos, consumaram-se as ruínas perpétuas; derrubaste as cidades; a sua memória pereceu.
Mas o Senhor permanece entronizado para sempre; estabeleceu o seu trono para julgar.
Ele mesmo julga o mundo com justiça; governa os povos com retidão.
O Senhor é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de angústia.
Em ti confiam os que conhecem o teu nome; porque tu, Senhor, não desamparas os que te buscam.
Cantai louvores ao Senhor, que habita em Sião; proclamai entre os povos os seus feitos.
Pois ele, que requer o sangue, lembra-se deles; não se esquece do clamor dos aflitos.
Compadece-te de mim, Senhor; vê a minha aflição causada pelos que me odeiam, tu que me ergues das portas da morte,
para que eu proclame todos os teus louvores nas portas da filha de Sião e me alegre na tua salvação.
Afundaram-se as nações na cova que fizeram; no laço que ocultaram ficou preso o seu pé.
O Senhor se dá a conhecer pelo juízo que executa; enlaçado fica o ímpio na obra de suas mãos.
Os ímpios serão lançados no Sheol, todas as nações que se esquecem de Deus.
Pois o necessitado não será esquecido para sempre, nem a esperança dos pobres perecerá perpetuamente.
Levanta-te, Senhor; não prevaleça o homem; sejam julgadas as nações diante de ti.
Infunde-lhes terror, Senhor, para que as nações saibam que não passam de homens.
O salmo pode ser dividido em quatro movimentos principais:
Louvor pelos feitos de Deus (vv. 1–6)
Proclamação de YHWH como juiz eterno (vv. 7–10)
Convite ao louvor comunitário e memória dos aflitos (vv. 11–14)
Confiança no juízo final e súplica escatológica (vv. 15–20)
Predominam cláusulas causais e resultativas, ligando a ação divina (julgar, destruir, sustentar) às respostas humanas (louvar, confiar, proclamar). O paralelismo sinônimo e antitético reforça a polaridade entre justo/ímpio, memória/esquecimento, refúgio/ruína.
A perícope Sl 9.1–20 constitui uma unidade temática e teológica coerente, encerrando um ciclo de louvor e súplica que prepara a transição direta para o lamento do Salmo 10.
O salmo inicia com louvor total (“de todo o coração”), indicando devoção integral. As “maravilhas” (נִפְלְאוֹת) remetem às ações salvíficas históricas de Deus. O juízo contra as nações não é mera vingança nacionalista, mas expressão da justiça universal de YHWH. O trono divino (v.7) estabelece estabilidade cósmica em contraste com a transitoriedade dos ímpios. O Senhor é simultaneamente juiz e refúgio, unindo transcendência e compaixão.
Para Israel, o Salmo 9 ensinava que a segurança nacional e pessoal não residia na força militar, mas no governo justo de Deus. O povo era chamado a lembrar, louvar e confiar, mesmo quando cercado por nações hostis.
O salmo proclama que Deus continua governando a história. Em contextos de injustiça, perseguição ou opressão, o povo de Deus encontra esperança no fato de que o juízo divino é certo e que os aflitos jamais são esquecidos.
O Salmo 9 contribui para a teologia do Reino de Deus, antecipando o juízo escatológico e a restauração dos justos, temas desenvolvidos plenamente nos Profetas e no Novo Testamento.
Destaca-se a doutrina de Deus como juiz justo, a providência divina na história e a antropologia bíblica que reconhece a limitação humana diante da soberania de Deus.
O texto encoraja a igreja a viver em louvor, confiança e compromisso com a justiça, lembrando que Deus se identifica com os oprimidos.
Título: O Senhor Reina e Não Se Esquece dos Aflitos
Louvor pelas obras de Deus (vv.1–6)
O trono eterno do justo Juiz (vv.7–10)
A memória divina e a esperança dos pobres (vv.11–18)
A súplica por justiça final (vv.19–20)
O Salmo 9 afirma que a história está sob o governo de Deus. Em meio à instabilidade humana, o trono do Senhor permanece firme. O louvor nasce da memória, a confiança brota da justiça, e a esperança se ancora na certeza de que Deus jamais abandona os que nele confiam.
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