Um sermão sobre Salmo 13
Introdução — O Coração que Sente
Você já perguntou a Deus: Até quando?
Você já chorou na escuridão da dúvida?
Você já sentiu o silêncio de Deus como se Ele tivesse partido?
O cristão do Salmo 13 sente isso.
Ele olha para o céu — e nada.
Ele clama — e nada.
Este salmo é o grito da alma do cristão…
E a resposta definitiva está em Cristo.
“Até quando, Senhor? … Esqueceu-se de mim?”
Aqui está um coração aflito.
Aqui está uma alma que sofre com o silêncio de Deus.
Mas aqui está a confiança — a oração em meio ao silêncio.
Davi experimentava perseguição por seu amor por Cristo;
Provavelmente, por seu filho, Absalão, após ter adulterado com Bete-Seba.
Porque, com Saul, Davi sempre esteve confiante. Mas, após sua queda, havia súplica profunda ao ser perseguido.
Absalão queria o trono e Davi manteve Salomão, pela aliança de Deus, prometendo o rei eterno, que é Cristo.
O silêncio de Deus visava fortalecer a fé de Davi;
Santificar a confiança.
Há sofrimentos extremos que revelam a realidade do coração.
Quando a provação demora muito, revela pensamentos equivocados sobre Deus.
Davi se sentia abandonado; pensava que Deus havia se esquecido.
Mas o salmista não se entrega ao desespero:
Ele se dirige a Deus.
Ilustração:
Se uma criança sente medo de não ser protegida pelo pai quando as luzes se apagam à noite, e ela não o vê, não significa que o pai não esteja com ela. A falta de visão não prova a falta de presença.
Nossos pensamentos e nossa visão podem nos trair. Por isso, precisamos nos guiar pela Palavra de Deus. Cuidado, quando olhar ao seu redor. Não deixe de olhar para o céu.
Se a criança chama pelo pai, no escuro, por saber que ele está ali, mesmo sem vê-lo, mostra conhecimento e confiança.
Tese 1: A fé não exclui o sentimento de abandono, mas leva filho a Deus.
Deus usa o nosso sentimento de seu abandono para purificar a nossa confiança nEle.
Tese 2: O crente luta contra a percepção de que Deus se tornou seu inimigo.
Tese 3: A expressão "para sempre" mostra que a provação parece interminável para a carne.
Tese 4: É lícito desabafar com Deus sobre a nossa sensação de que Ele nos esqueceu. (Calvino)
Davi se incomoda com a alegria de seu inimigo.
Com isso, o texto nos ensina que Deus não tolera quem se levanta contra a fé cristã.
Os inimigos do povo de Deus são inimigos do próprio Deus.
Quem nos persegue por nossa fé, age contra Deus.
Davi consulta a si mesmo. Mas, consultar a si mesmo em vez de confiar em Deus gera ansiedade torturante. (Calvino)
“…contemple a minha vida e responda-me.”
Ele clama.
Ele confessa.
Ele pede ajuda.
Isso é a fé real:
Não é uma tranquilidade natural,
mas uma confiança que sabe que é fraca —
e que depende de Deus.
Calvino diz:
“A fé clama e luta, mas nunca desanima.”
Quando a alma clama assim,
está apontando para o Salvador.
Iluminar os olhos significa, em hebraico, o mesmo que dar o fôlego da vida, pois o vigor da vida se manifesta principalmente nos olhos. (Calvino)
Sem a luz de Deus, vemos o inimigo como gigante e Deus como pequeno.
Tese 1: O "olhar" de Deus é a fonte da vida e da restauração.
Tese 2: A oração é o único remédio para a cegueira do desespero.
Tese 3: Sem a iluminação divina, a alma sucumbe espiritualmente.
Tese 4: Davi clama por luz não apenas para os olhos do corpo, mas pelo vigor divino para a alma.
Note que Davi argumenta com Deus (v. 4). Ele não pede livramento apenas para seu conforto, mas para que o nome de Deus não seja escarnecido pelos ímpios.
Lição Prática: A oração eficaz é aquela que busca a glória de Deus acima do alívio pessoal.
Tese 1: A glória de Deus está ligada à preservação dos Seus servos.
Tese 2: A queda de um crente dá ocasião para os ímpios blasfemarem contra Deus.
Tese 3: Devemos usar a honra de Deus como argumento em nossas orações. (Calvino)
“…vou cantar à tua salvação.”
Observe a mudança:
Antes, angústia.
Agora, confiança.
Antes, perguntas.
Agora, afirmações.
O mesmo Deus que parece distante —
é o Deus que salva.
Ele não promete tirar a dor —
mas promete estar conosco e nos fazer bem.
E mais:
Ele dá canção no meio da dor!
Ilustração:
Um paciente no hospital encontra alegria —
porque aprendeu que sua verdadeira casa está além da internação.
Davi usa duas palavras hebraicas: gamal e hesed. Significam recompensa e aliança. Ou seja, Davi olha para trás, ao lembrar da aliança, para olhar para frente e prosseguir com alegria, ao lembrar da recompensa.
Isso nos ensina que Deus não nos ama porque somos bons, mas porque Ele é fiel à Sua promessa em Cristo. Pregue sobre a "Misericórdia Pactual".
Tese 1: A fé é uma vitória sobre os sentidos e sobre o visível.
Tese 2: A benignidade (Hesed) de Deus é o único porto seguro contra a morte.
Tese 3: A alegria cristã pode coexistir com a tristeza presente, pois mira o futuro.
Tese 4: O "Mas eu" marca a separação entre o murmúrio e a confiança. (Calvino)
A música (v. 6) nasce antes da mudança da circunstância. A fé canta na meia-noite porque sabe que o sol é uma certeza absoluta.
Tese 1: O fim de toda provação é a gratidão e o louvor.
Tese 2: Deus trata Seus filhos com generosidade, mesmo no meio da disciplina.
Tese 3: A memória das bênçãos passadas sustenta o cântico presente.
O salmo aponta para alguém que realmente venceu a angústia —
Jesus Cristo.
Ele também disse: “Meu Deus, por que me desamparaste?”
Na cruz, Ele experimentou o mais profundo silêncio de Deus.
E ali, Ele absorveu toda nossa dor,
para que pudéssemos ter a sua alegria eterna.
Onde o salmista olha para o Senhor com esperança,
Cristo é a esperança encarnada.
Ele transforma perguntas em confiança,
dor em salvação,
noite em música.
Lamentar não é falta de fé — é fé em movimento.
Quando Ele parece distante, não é a realidade. Deus tem se comprometeu em cumprir a sua aliança conosco.
Não é a ausência de perguntas que prova fé,
mas a persistência em clamar ao Deus verdadeiro, para a glória dEle.
Não apenas um conforto momentâneo,
mas a salvação eterna.
Salmo 13 termina com uma promessa:
“Eu confio no teu amor.”
E essa é a última palavra do crente:
Não Até quando?
Mas Em quem eu confio!
Cristo é nossa luz no vale mais escuro.
Cristo é nossa alegria no meio da dor.
Cristo é nossa salvação — hoje e sempre.
Ouça bem:
Quando você não vê a Deus…
lembre-se que Deus lhe vê.
Ele te ama mais do que você se ama.
E por isso, podemos dizer com firmeza:
“Confio no teu amor, Senhor!”
Amém!