Texto: Salmo 15
Tema: Cristo, o Único Justo, e nossa comunhão com Deus por meio dele
Todos desejam a presença de Deus.
Todos querem habitar sob sua bênção.
Mas poucos perguntam: quem pode permanecer diante do Deus santo?
Davi levanta essa pergunta não por curiosidade teológica, mas por necessidade espiritual.
Ele não pergunta: quem entra? — mas: quem permanece?
Quem pode viver em comunhão com o Deus três vezes santo?
O Salmo 15 não é um salmo sobre como entrar no céu.
É um salmo sobre como vive aquele que já foi alcançado pela graça.
E, acima de tudo, é um salmo que aponta para Cristo, o único que cumpriu perfeitamente tudo o que ele exige.
“Senhor, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte?” (v.1)
Davi não pergunta: quem frequenta o culto?
Não pergunta: quem conhece a Lei?
Ele pergunta: quem pode viver diante de Deus?
Essa pergunta expõe nossa condição.
Se formos honestos, todos nós falhamos nos padrões que se seguem.
Nenhum de nós anda perfeitamente em integridade.
Nenhum de nós fala sempre a verdade no coração.
Nenhum de nós está livre de falhas na língua, nos relacionamentos, na justiça.
Este versículo nos prepara para o evangelho, pois ele nos conduz à conclusão inevitável:
Se o acesso a Deus dependesse da nossa justiça, ninguém habitaria com Ele.
Mas é justamente aqui que Cristo entra.
“Aquele que anda em integridade, pratica justiça e fala a verdade no coração...” (v.2)
O Salmo 15 descreve um homem.
Um homem íntegro.
Um homem justo.
Um homem verdadeiro no coração.
Um homem irrepreensível na fala, nos relacionamentos, nos compromissos e nas finanças.
Esse homem não é um ideal abstrato.
Esse homem tem um nome: Jesus Cristo.
Ele é o único que andou perfeitamente em integridade,
praticou justiça sem jamais se desviar,
falou a verdade, não apenas com os lábios, mas do coração,
nunca feriu o próximo,
nunca caluniou,
nunca traiu um compromisso,
nunca explorou o fraco,
nunca corrompeu a justiça.
O Salmo 15 não é apenas um padrão moral, é um retrato profético de Cristo.
Ele é o verdadeiro habitante do santo monte.
Ele é o verdadeiro cidadão da presença de Deus.
Ele é o verdadeiro justo que jamais será abalado.
Mas aqui está o milagre do evangelho:
O único que cumpriu perfeitamente este salmo foi tratado como se o tivesse violado completamente.
O homem íntegro foi acusado como mentiroso.
O justo foi condenado como injusto.
O inocente foi tratado como culpado.
Aquele que nunca explorou ninguém foi vendido por trinta moedas.
Aquele que nunca feriu o próximo foi crucificado entre malfeitores.
Por quê?
“Cristo morreu uma única vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus.” (1Pe 3:18)
Ele cumpriu o Salmo 15 por nós e depois pagou a penalidade de quem nunca o cumpriu.
Assim, o monte santo, antes inacessível, agora está aberto.
O tabernáculo, antes fechado, agora nos recebe.
O véu foi rasgado.
O caminho foi aberto.
O acesso foi garantido, não por nossa justiça, mas pela justiça de Cristo imputada a nós.
“In cujos olhos o réprobo é desprezado, mas honra os que temem ao Senhor; que jura com dano próprio e não se retrata.” (v.4)
Aqui o salmo entra no terreno dos valores e da fidelidade.
O justo não molda sua consciência pela cultura,
não se curva ao ímpio para obter vantagem,
não chama o mal de bem, nem o bem de mal.
Ele honra aqueles que temem ao Senhor.
Ele se alegra na comunhão dos piedosos.
Ele escolhe seus modelos espirituais não pela fama, mas pelo temor de Deus.
E mais: ele mantém sua palavra mesmo quando isso lhe custa.
Ele prefere perder dinheiro a perder a integridade.
Prefere sofrer prejuízo a quebrar sua promessa.
Cristo viveu exatamente assim.
Ele não buscou aprovação dos poderosos,
não se alinhou com a corrupção religiosa,
não se desviou de sua missão para salvar a si mesmo.
Ele permaneceu fiel até a morte,
e morte de cruz.
Assim, Cristo não apenas cumpriu este versículo —
Ele nos concede, por seu Espírito, um novo coração que aprende a viver assim.
Mas o Salmo 15 não termina na cruz.
Ele continua na vida do crente.
“Quem faz estas coisas jamais será abalado.” (v.5)
Isso não é uma promessa de salvação pelas obras.
É uma promessa de estabilidade para aqueles que vivem em Cristo.
A mesma graça que nos justifica também nos transforma.
A justiça que nos é imputada começa a ser comunicada.
O Cristo que nos salva começa a nos santificar.
Não vivemos assim para sermos aceitos.
Vivemos assim porque já fomos aceitos.
A ética do Salmo 15 é o fruto da união com Cristo.
Não falamos a verdade para entrar na presença de Deus.
Falamos a verdade porque já estamos nela.
Não praticamos justiça para merecer comunhão.
Praticamos justiça porque já fomos reconciliados.
Não rejeitamos a corrupção para comprar o favor de Deus.
Rejeitamos porque fomos comprados por Cristo.
“Jamais será abalado.”
O mundo treme.
Os reinos caem.
As economias colapsam.
As estruturas humanas falham.
Mas aquele que está em Cristo permanece firme.
Porque ele não está firmado em sua integridade,
está firmado na integridade de Cristo.
Não está firmado em sua justiça,
está firmado na justiça de Cristo.
Não está firmado em sua fidelidade,
está firmado na fidelidade de Cristo.
Cristo é o monte que nunca será abalado.
Cristo é o tabernáculo eterno.
Cristo é o justo perfeito que nos conduz à presença de Deus.
O Salmo 15 nos faz uma pergunta.
O evangelho nos dá uma resposta.
Pergunta: Quem pode habitar com Deus?
Resposta: Cristo, e todos os que estão nele.
Se você está em Cristo, você já tem acesso.
Se você está em Cristo, você já é aceito.
Se você está em Cristo, você já pertence ao monte santo.
Agora, viva como quem pertence.
Ande em integridade.
Ame a justiça.
Fale a verdade.
Honre os piedosos.
Rejeite o mal.
Sirva ao próximo.
Não para ser salvo.
Mas porque você já foi salvo.
Soli Deo Gloria.