Título: A Promessa de Deus para Laura
Texto básico: Atos 2:38-39
Textos de apoio: Gênesis 1:26-28; 17:7; 3:15; João 17:3; Romanos 6:23; Efésios 2:12-13
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar.” — Atos 2:38-39
Irmãos, hoje não batizamos Laura porque ela já crê, porque já entendeu o evangelho ou porque já pode prometer obediência a Deus. Batizamos Laura porque Deus é um Deus de aliança, que se revela às famílias e inclui os filhos dos crentes na esfera visível do seu pacto de graça.
O batismo não é superstição, não é proteção mágica e não é garantia automática de salvação. É sinal e selo da promessa do evangelho de Jesus Cristo, feita aos crentes e aos seus filhos.
O tema deste sermão é este: Deus, que criou todas as coisas para se revelar, faz aliança de graça com os seus e promete o seu evangelho aos filhos da aliança.
Antes do céu, da terra, do sol, das estrelas, dos oceanos, dos animais e do primeiro ser humano, havia Deus. Não havia espaço para Deus, porque Ele não está no espaço. Não havia tempo antes de Deus, porque Ele criou o tempo. Não havia nada fora dEle.
Deus não foi criado. Ele é o único que existe por si mesmo. Não depende de ninguém, não aprende, não evolui, não melhora, não se surpreende e não muda. É perfeito, santo, imutável, infinito e eterno. O Pai, o Filho e o Espírito Santo eram perfeitamente felizes e satisfeitos em si mesmos desde toda a eternidade.
Deus não criou o mundo porque estava solitário, entediado ou incompleto. Criou porque quis se revelar. A criação não foi acidente nem o universo produzindo-se a si mesmo. Foi o Deus infinito, sábio e gracioso decidindo tornar visível a sua glória. Ele criou o mundo como um palácio para manifestar a sua bondade, sabedoria, poder e amor.
Entre todas as criaturas, Deus fez uma singular: o ser humano.
Deus fez o homem diferente da pedra, da planta, do peixe, da ave e do animal. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, com capacidade de conhecer, amar, adorar, obedecer, conversar e viver em comunhão com o seu Criador.
Não foi criado apenas para respirar, comer, trabalhar e morrer. Foi criado para viver diante de Deus. Jesus define a vida eterna nestas palavras:
“Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.” — João 17:3
Vida eterna não é, primeiro, viver para sempre. É conhecer a Deus. É ser recebido pelo Deus santo como filho. É ter comunhão com aquele que é a própria vida.
O homem foi criado em aliança de vida. Deus lhe deu uma lei clara: obedeça e viva. Adão deveria viver em perfeita obediência, gratidão e amor. Tinha comunhão com Deus, um lugar preparado, trabalho digno, companheira, alimento e liberdade. Mas também tinha a terrível possibilidade de rebelar-se.
A história do Éden é real. Adão e Eva comeram do fruto proibido.
Talvez alguém pense: “Mas era apenas uma fruta. Por que algo tão pequeno gerou tanta tragédia?” A gravidade do pecado não está apenas no ato externo. Está na dignidade daquele que foi ofendido.
Se uma criança risca a parede de casa, o pai pode corrigi-la. Se risca a parede de um museu, a consequência é maior. Se desfigura uma obra de valor incalculável, a ofensa é ainda maior. O ato é o mesmo. O que muda é a dignidade daquilo que foi ofendido.
Adão não ofendeu um homem nem um anjo. Ofendeu o Deus infinito, santo, perfeito e eterno. Por isso o primeiro pecado não foi pequeno. Foi rebelião contra a majestade de Deus.
Adão não perdeu apenas um jardim. Perdeu a comunhão com Deus e trouxe sobre si e sobre toda a sua descendência culpa, corrupção, maldição e morte. A humanidade não nasceu apenas doente. Nasceu morta em delitos e pecados. O coração do homem tornou-se inclinado ao mal. Não amamos a Deus acima de todas as coisas. Não confiamos nEle como devíamos. Não obedecemos com pureza.
O salário do pecado é a morte (Romanos 6:23).
Morte física: o corpo volta ao pó.
Morte espiritual: a alma vive separada de Deus.
Morte eterna: para aqueles que morrem sem Cristo, há separação eterna da presença gloriosa do Senhor.
O homem, criado para conhecer a Deus, tornou-se estranho à aliança, sem esperança e sem Deus no mundo (Efésios 2:12).
Se Deus tivesse deixado toda a humanidade sob a sua justa condenação, continuaria sendo perfeitamente justo, santo e bom. Deus não devia perdão ao pecador. A graça, por definição, não é dívida. Se fosse dívida, não seria graça.
Mas Deus, rico em misericórdia, decidiu salvar pecadores. Já no Éden prometeu uma descendência que esmagaria a cabeça da serpente (Gênesis 3:15). Depois chamou Abraão e fez com ele uma aliança:
“Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti, em suas gerações; será uma aliança eterna.” — Gênesis 17:7
Deus não escolheu Abraão porque ele fosse melhor. Escolheu-o pela sua graça. E na aliança incluiu a descendência: “a ti e à tua descendência”.
Deus deu a circuncisão como sinal visível dessa aliança. A circuncisão não salvava automaticamente. Apontava para a necessidade de um coração circuncidado, limpo pelo Espírito Santo. Mas era o selo visível da promessa de Deus para o povo da aliança.
No Novo Testamento, esse sinal visível é o batismo. Não porque o batismo salve por si mesmo, mas porque sela a mesma promessa: Deus é o Deus dos crentes e dos seus filhos.
No dia de Pentecostes, Pedro pregou a judeus que conheciam as Escrituras, a aliança com Abraão, a circuncisão e a promessa feita aos pais e aos filhos. Depois de ouvir o evangelho, perguntaram: “Que faremos?”
Pedro respondeu:
“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe.” — Atos 2:38-39
Pedro não disse: “A promessa é para vocês, desde que os seus filhos cresçam e decidam por conta própria”. Disse que a promessa diz respeito aos crentes e aos seus filhos.
Isso não elimina a fé. Pelo contrário. A promessa é recebida pela fé em Jesus Cristo. Os filhos da aliança precisam, quando crescerem, arrepender-se e crer pessoalmente no Senhor.
Mas o batismo infantil declara que a criança não é tratada como estranha ao povo de Deus. Ela é criada dentro da igreja, sob a Palavra, sob a oração, sob a instrução e sob as promessas do evangelho.
Laura será batizada hoje porque seus pais creem em Cristo. Ela é trazida à igreja como filha da aliança, para ser criada não como uma pagã, mas como uma criança chamada a conhecer e amar o Senhor.
O batismo de Laura não é apenas uma alegria para a família. É um compromisso solene diante de Deus.
Os pais de Laura estão prometendo criá-la no temor e na admoestação do Senhor. Estão prometendo ensinar-lhe a Palavra. Estão prometendo orar por ela. Estão prometendo levá-la à igreja. Estão prometendo viver diante dela uma vida coerente com o evangelho.
Uma criança não aprende o evangelho apenas por palavras. Aprende observando a vida dos pais.
Se os pais dizem que Deus é santo, mas vivem na mentira, Laura aprenderá que Deus pode ser tratado com leveza.
Se dizem que Cristo é precioso, mas nunca oram em família, Laura aprenderá que Jesus é apenas uma religião dominical.
Se dizem que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas nunca a leem em casa, Laura aprenderá que a Bíblia é um livro decorativo.
Mas se os pais amam a Deus de verdade, se se arrependem dos seus pecados, se perdoam, se honram o casamento, se falam de Cristo com alegria e se obedecem à Palavra, então Laura verá o evangelho não apenas ouvido, mas vivido.
A criação de filhos é uma das maiores evidências de que a aliança não é apenas um documento teológico. Ela é uma vida.
Ilustração: a chave e a casa
Imagine um pai que entrega ao filho pequeno a chave da casa da família. A chave não constrói a casa. Não substitui o pai. Não garante que o filho amará o lar. Mas diz algo muito importante: “Esta casa é sua casa. Você pertence a esta família. Há um lugar para você aqui”.
O batismo é como essa chave. Não salva automaticamente. Não substitui a fé. Não dispensa o arrependimento. Mas declara: “Laura, você nasceu dentro da casa do Senhor. Você foi trazida para a família visível de Deus. A Palavra, as orações, as promessas e os meios da graça estão diante de você”.
Um dia, porém, Laura terá de abrir pessoalmente a porta pela fé. Ela terá de crer em Cristo por si mesma. O sinal aponta para a realidade; a realidade é Cristo.
Queridos pais, a maior herança que vocês podem deixar para Laura não é dinheiro, conforto, boa escola ou carreira brilhante. A maior herança é Cristo.
Laura nasceu pecadora, como todos nós. Precisa do novo nascimento. Precisa do Espírito Santo. Precisa do perdão dos pecados. Precisa de Jesus.
Mas nasceu em uma casa onde o evangelho será anunciado. Nasceu em uma igreja que ora por ela. Recebeu o sinal da aliança. E acima de tudo, tem diante de si um Deus que promete:
“A promessa é para vós e para vossos filhos.” — Atos 2:39
Portanto, pais, não desanimem. Não criem Laura apenas com regras. Criem-na com o evangelho. Ensine-lhe que ela é pecadora, mas que há um Salvador. Ensine-lhe que Deus é santo, mas que acolhe pecadores arrependidos. Ensine-lhe que a vida eterna não é ganha por mérito, mas recebida pela fé em Jesus Cristo.
E igreja, não sejamos espectadores. Sejamos família espiritual dessa criança. Oremos por ela. Instruamo-la. Recebamo-la. Caminhemos com essa família.
Deus criou todas as coisas para se revelar. Criou o homem para conhecê-lo. O homem pecou e quebrou a aliança. Mas Deus, pela sua graça, fez uma nova aliança no sangue de Jesus Cristo.
Nessa aliança, Ele promete salvar pecadores, reunir uma igreja, abençoar famílias e chamar filhos para si.
Hoje, Laura recebe o sinal dessa promessa.
Que ela cresça conhecendo o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem Ele enviou. Que ela um dia não tenha apenas o batismo nas águas, mas a circuncisão do coração pelo Espírito Santo. Que ela creia, se arrependa, confesse a Cristo e viva para a glória daquele que a criou, a redimiu e a chamou.
Amém.