Também não concordamos com o uso da expressão "obras subsidiárias" para tais livros, por entendermos se tratar de um desrespeito à Doutrina Espírita, que se encontra completa no Livro dos Espíritos, não necessitando de obras subsidiárias para reformá-la ou completá-la, principalmente romances. (O Livro dos Médiuns, Cap. III, 35 - 2º. "O Livro dos Espíritos. Contém a doutrina completa, como a ditaram os próprios Espíritos, com toda a sua filosofia e todas as suas conseqüências morais..." / Revista Espírita 1865 pág. 41: "...O Espiritismo está longe de haver dito sua última palavra, quanto às suas conseqüências, mas está inabalável nesta base, porque esta base se assenta sobre os fatos.").
Vejamos abaixo, a essência do pensamento de Kardec sobre os romances:
O LIVRO DOS MÉDIUNS – Cap. II, 11º e 14º, 8.
Muitos críticos se limitam a julgar do Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares que lhe são as facções. O mesmo fora julgar da História pelos romances históricos, ou pelas tragédias.
O Espiritismo não pode considerar crítico sério, senão aquele que tudo tenha visto, estudado e aprofundado com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que do assunto saiba tanto quanto qualquer adepto instruído; que haja, por conseguinte, haurido seus conhecimentos algures, que não nos romances da ciência; aquele a quem não se possa opor fato algum que lhe seja desconhecido, nenhum argumento de que já não tenha cogitado e cuja refutação faça, não por mera negação, mas por meio de outros argumentos mais peremptórios; aquele, finalmente, que possa indicar, para os fatos averiguados, causa mais lógica do que a que lhes aponta o Espiritismo. Tal crítico ainda está por aparecer.
Daí resulta que o corpo não pode morrer durante a ausência do Espírito e que não pode acontecer que este, ao regressar, encontre fechada a porta, conforme hão dito alguns romancistas, em histórias compostas para recrear.
A GÊNESE Cap. XIII, 11.
Muitos críticos julgam do Espiritismo pelos contos de fadas e pelas lendas populares, ficções daqueles contos. O mesmo seria julgar da História pelos romances históricos ou pelas tragédias.
O Livro dos Médiuns, Cap. VII - 118
“Daí resulta que o corpo não pode morrer durante a ausência do Espírito e que não pode acontecer que este, ao regressar, encontre fechada a porta, conforme hão dito alguns romancistas, em histórias compostas para recrear”.
“Pessoas há que fazem das evocações uma idéia muito falsa: há mesmo quem acredite que os mortos evocados se apresentam com todo o aparelho lúgubre do túmulo. Tais suposições podem ser atribuídas ao que vemos nos teatros ou lemos nos romances e contos fantásticos, onde os mortos aparecem amortalhados com o chocalhar dos ossos”.
Portanto, refletindo sobre o assunto, chegamos a seguinte conclusão: se pretendemos passar o tempo e gostamos de ler romances, não há nada de errado em prestigiarmos os romances espíritas. Mas se desejamos nos inteirar de conhecimentos profundos de uma ciência nova e uma filosofia tão abrangente e reveladora, que honremos o nome de Espíritas e façamos como recomenda o Mestre de Lion, na ordem correta, com paciência e seriedade, através das Obras Básicas, metódica e criteriosamente elaboradas por Kardec com essa finalidade, para não ficarmos “à mercê” de consultas a essa ou aquela pessoa, tendo, nós mesmos, os meios de distinguir o certo do errado, instruindo-nos na fonte mais segura e pura que existe, que jorra incessante das mentes dos Espíritos Superiores, mensageiros de Deus. Não é à toa que formam a FALANGE DA VERDADE.
Aires Santos da Costa
Aconselhamos a leitura do artigo "Comece pelo começo".
Definitivamente não somos contra os romances, mas respeitamos os conselhos de Kardec e a ordem das coisas no aprendizado de uma Ciência nova. Que, após muitos estudos, possam, aqueles que gostarem, ler os ramances que quiser. Mas somos contra a leitura deles por iniciantes, com o fim de aprendizado, pois entendemos que não trazem essa característica.