“Conhecereis a Verdade e Ela vos libertará” (Jesus)
Comunicações apócrifas (O Livro dos Médiuns, Cap. XXXI)
Muitas comunicações há, de tal modo absurdas, que, embora assinadas com os mais respeitáveis nomes, o senso comum basta para lhes tornar patente a falsidade. Outras, porém, há, em que o erro, dissimulado entre coisas aproveitáveis, chega a iludir, impedindo às vezes se possa apreendê-lo â primeira vista. Essas comunicações, no entanto, não resistem a um exame sério. (Allan Kardec)
BRASIL - CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO?????
Esse texto é uma reflexão, um exame sério, como recomenda Kardec, sobre o Livro: BRASIL – CORAÇÃO DO MUNDO, PÁTRIA DO EVANGELHO, ditado pelo Espírito Humberto de Campos e psicografado por Francisco Cândido Xavier.
Como concordar com a afirmação do título e do conteúdo deste livro diante de tantas mensagens e informações racionais contidas na Doutrina Espírita contrárias ao pensamento base dele e a outros diversos pontos que ele contém?
Podemos encontrar nos Livros de Allan Kardec muitos ensinamentos que trazem a idéia de que o Espiritismo tem como característica básica a UNIVERSALIDADE (o que é exatamente o contrário de Nacionalismo ou Patriotismo, encontrados abundantemente no Livro analisado). Observamos também que a disseminação da Doutrina Espírita deve ocorrer de forma generalizada, ou seja, por todo o Globo e não em determinadas regiões aparentemente privilegiadas por Deus. Nem Allan Kardec nem nenhum Espírito Superior que colaborou nas mensagens e respostas básicas da Doutrina Espírita nunca mencionaram nada que pudesse servir para a aceitação de tais idéias restritivas. Por exemplo, nunca mencionaram sobre uma possível missão da FRANÇA como a “Pátria da Doutrina Espírita”, pois, é claro, isso só poderia atrapalhar a divulgação da Doutrina Ao contrário, sempre ensinaram e defenderam a Universalidade, a igualdade dos povos, combatendo qualquer idéia de preconceitos, de orgulhos e de privilégios, por saberem que tais pensamentos sempre foram os causadores das guerras, das separações e das discórdias entre os povos.
Vejamos os principais pontos encontrados nos Livros de Kardec que trazem estes esclarecimentos e nos fazem chegar a tal conclusão:
ESE (O Evangelho Segundo o Espiritismo) Prefácio, primeiro parágrafo
Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos.
ESE, Introdução, item I, último parágrafo.
Esta obra é para uso de todos. Dela podem todos haurir os meios de conformar com a moral do Cristo o respectivo proceder. Aos espíritas oferece aplicações que lhes concernem de modo especial. Graças às relações estabelecidas, doravante e permanentemente, entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica, que os próprios Espíritos ensinaram a todas as nações, já não será letra morta, porque cada um a compreenderá e se verá incessantemente compelido a pô-la em prática, a conselho de seus guias espirituais. As instruções que promanam dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho.
ESE, Introdução, item II, segundo e terceiro parágrafo.
Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homens por mais rápido caminho e mais autêntico. Incumbiu, pois, os Espíritos de levá-la de um pólo a outro, manifestando-se por toda a parte, sem conferir a ninguém o privilégio de lhes ouvir a palavra...
...São, pois, os próprios Espíritos que fazem a propagação, com o auxílio dos inúmeros médiuns que, também eles, os Espíritos, vão suscitando de todos os lados. Se tivesse havido unicamente um intérprete, por mais favorecido que fosse, o Espiritismo mal seria conhecido. Qualquer que fosse a classe a que pertencesse, tal intérprete houvera sido objeto das prevenções de muita gente e nem todas as nações o teriam aceitado, ao passo que os Espíritos se comunicam em todos os pontos da Terra, a todos os povos, a todas as seitas, a todos os partidos, e todos os aceitam. O Espiritismo não tem nacionalidade e não faz parte de nenhum culto existente; nenhuma classe social o impõe, visto que qualquer pessoa pode receber instruções de seus parentes e amigos de além-túmulo. Cumpre seja assim, para que ele possa conduzir todos os homens à fraternidade. Se não se mantivesse em terreno neutro, alimentaria as dissensões, em vez de apaziguá-las.
ESE Cap. XI, item 9
... A tarefa é longa e difícil, mas cumprir-se-á: Deus o quer e a lei de amor constitui o primeiro e o mais importante preceito da vossa nova doutrina, porque é ela que um dia matará o egoísmo, qualquer que seja a forma sob que se apresente, dado que, além do egoísmo pessoal, há também o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Disse Jesus: "Amai o vosso próximo como a vós mesmos." Ora, qual o limite com relação ao próximo? Será a família, a seita, a nação? Não; é a Humanidade inteira.
ESE Cap. XI, item 9
Hoje, quando o movimento espírita há dado tão grande passo, vede com que rapidez as idéias de justiça e de renovação, constantes nos ditados espíritas, são aceitas pela parte mediana do mundo inteligente. E que essas idéias correspondem a tudo o que há de divino em vós. E que estais preparados por uma sementeira fecunda: a do século passado, que implantou no seio da sociedade terrena as grandes idéias de progresso. E, como tudo se encadeia sob a direção do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas virão a encerrar-se na permuta universal do amor ao próximo. Por aí, os Espíritos encarnados, melhor apreciando e sentindo, se estenderão as mãos, de todos os confins do vosso planeta. Uns e outros reunir-se-ão, para se entenderem e amarem, para destruírem todas as injustiças, todas as causas de desinteligências entre os povos.
ESE Cap. XX, item 4 - Missão dos Espíritas (8º parágrafo)
Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.
ESE Cap. XXIII, item 17
17. ... As primeiras duraram séculos; estas durarão apenas alguns anos, porque a luz, em vez de partir de um único foco, irrompe de todos os pontos do Globo e abrirá mais de pronto os olhos aos cegos.
ESE Cap. XXIV, item 10
10. ... Chegar-lhes-á a vez, quando estiverem dominados pela opinião geral e ouvirem a mesma coisa incessantemente repetida ao seu derredor. Aí, julgarão que aceitam voluntariamente, por impulso próprio, a idéia, e não por pressão de outrem...
LM (O Livro dos Médiuns) Cap. VI, item 17ª
17ª As aparições espontâneas parecem mais freqüentes em certos países. Será que alguns povos estão mais bem dotados do que outros para receberem esta espécie de manifestações?
"Dar-se-á tenhais um registro histórico de cada aparição? As aparições, como os ruídos e todas as manifestações, produzem-se igualmente em todos os pontos da Terra; apresentam, porém, caracteres distintos, de conformidade com o povo em cujo seio se verificam. Nuns, por exemplo, onde o uso da escrita está pouco espalhado, não há médiuns escreventes; noutros, abundam os médiuns desta natureza; entre outros, observam-se mais os ruídos e os movimentos do que as manifestações inteligentes, por serem estas menos apreciadas e procuradas."
Obras Póstumas, Regeneração da humanidade
No entanto, através da nuvem sombria que vos envolve, e no seio da qual ronca a tempestade, já vedes despontar os primeiros raios da era nova! A fraternidade põe os seus fundamentos sobre todos os pontos do globo e os povos se estendem as mãos; a barbárie se familiariza ao contato da civilização; os preconceitos de raça e de seitas, que fizeram verter ondas de sangue, se extinguem; o fanatismo, a intolerância, perdem terreno, ao passo que a liberdade de consciência se introduz nos costumes e se torna um direito. Por toda a parte as idéias fermentam; vê-se o mal e se tentam remédios, mas muitos caminham sem bússola e se desviam nas utopias. O mundo está num imenso trabalho de criação, que irá durar um século; nesse trabalho, ainda confuso, vê-se, entretanto, dominar uma tendência para um objetivo: o da unidade e da uniformidade que predispõem à fraternidade.
A GÊNESE, CAP. XVIII
6. - Nestes tempos, porém, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a certa região, ou a um povo, a uma raça. Trata-se de um movimento universal, a operar-se no sentido do progresso moral.
Poderíamos citar diversos outros textos, mas julgamos que os citados acima já são suficientes.
Porque então este livro, trazendo como principal mensagem que o Brasil teria a exclusividade de ser a “Pátria do Evangelho”, conseguiu ser tão “aceito” e recomendado por tantas pessoas dentro do movimento espírita brasileiro? Que respondam a essa pergunta quem souber. Podemos imaginar os motivos: ele ter sido psicografado pelo Chico, ter sido prefaciado pelo Emmanuel ter como autor Humberto de Campos e, para completar, ter sido publicado pela FEB. Acontece que, por mais respeitáveis que sejam tais nomes, não estão, definitivamente, livres de erros e exames. ( Ver abertura desse trabalho acima, sobre comunicações apócrifas)
Allan Kardec, sempre com muita sabedoria, preveniu-nos o seguinte sobre as mensagens dos espíritos:
Obras Póstumas, Minha 1ª iniciação no Espiritismo
Um dos primeiros resultados de minhas observações foi que os Espíritos, não sendo outros senão as almas dos homens, não tinham a soberana sabedoria, nem a soberana ciência; que o seu saber estava limitado ao grau de seu adiantamento, e que a sua opinião não tinha senão o valor de uma opinião pessoal. Essa verdade, reconhecida desde o princípio, me preservou do grande escolho de crer em sua infalibilidade, e me impediu de formular teorias prematuras sobre o dizer de um só ou de alguns.
Com relação àqueles que recebem as mensagens (médiuns e divulgadores), Kardec esclarece e recomenda:
ESE, Introdução, item II, sexto parágrafo.
Sabe-se que os Espíritos, em virtude da diferença entre as suas capacidades, longe se acham de estar, individualmente considerados, na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que o saber de cada um deles é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares mais não sabem do que muitos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e sofômanos, que julgam saber o que ignoram; sistemáticos, que tomam por verdades as suas idéias; enfim, que só os Espíritos da categoria mais elevada, os que já estão completamente desmaterializados, se encontram despidos das idéias e preconceitos terrenos; mas, também é sabido que os Espíritos enganadores não escrupulizam em tomar nomes que lhes não pertencem, para impingirem suas utopias. Daí resulta que, com relação a tudo o que seja fora do âmbito do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um possa receber terão caráter individual, sem cunho de autenticidade; que devem ser consideradas opiniões pessoais de tal ou qual Espírito e que imprudente fora aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas.
LM, Cap. XXVII, Das mistificações
NOTA. A astúcia dos Espíritos mistificadores ultrapassa às vezes tudo o que se possa imaginar. A arte, com que dispõem as suas baterias e combinam os meios de persuadir, seria uma coisa curiosa, se eles nunca passassem dos simples gracejos; porém, as mistificações podem ter conseqüências desagradáveis para os que não se achem em guarda. Sentimo-nos felizes por termos podido abrir a tempo os olhos a muitas pessoas que se dignaram de pedir o nosso parecer e por lhes havermos poupado ações ridículas e comprometedoras. Entre os meios que esses Espíritos empregam, devem colocar-se na primeira linha, como sendo os mais freqüentes, os que têm por fim tentar a cobiça, como a revelação de pretendidos tesouros ocultos, o anuncio de heranças, ou outras fontes de riquezas. Devem, além disso, considerar-se suspeitas, logo à primeira vista, as predições com época determinada, assim como todas as indicações precisas, relativas a interesses materiais. Cumpre não se dêem os passos prescritos ou aconselhados pelos Espíritos, quando o fim não seja eminentemente racional; que ninguém nunca se deixe deslumbrar pelos nomes que os Espíritos tomam para dar aparência de veracidade às suas palavras; desconfiar das teorias e sistemas científicos ousados; enfim, de tudo o que se afaste do objetivo moral das manifestações. Encheríamos um volume dos mais curiosos, se houvéramos de referir todas as mistificações de que temos tido conhecimento.
Alguns defendem a idéia de que sendo o Chico uma pessoa caridosa e de grande renome e tendo como Guia Emmanuel não poderíamos questionar suas psicografias. Se o próprio Emmanuel recomendou ao Chico que em caso de suas instruções estarem em contradição com a Doutrina, que o Chico deveria ficar com a Doutrina Espírita, é porque ele não é infalível. Temos um bom exemplo disso na questão das “Almas Gêmeas”. Depois, quem garante que aquele prefácio foi realmente ditado pelo mesmo Emmanuel de outras instruções? Citamos novamente O Livro dos Médiuns, Cap. XX (Da Influência Moral do Médium) onde encontramos as seguintes instruções:
9ª Qual o médium que se poderia qualificar de perfeito?
"Perfeito, ah! bem sabes que a perfeição não existe na Terra, sem o que não estaríeis nela. Dize, portanto, bom médium e já é muito, por isso que eles são raros. Médium perfeito seria aquele contra o qual os maus Espíritos jamais ousassem, uma tentativa de enganá-lo. O melhor é aquele que, simpatizando somente com os bons Espíritos, tem sido o menos enganado."
10ª Se ele só com os bons Espíritos simpatiza, como permitem estes que seja enganado?
"Os bons Espíritos permitem, às vezes, que isso aconteça com os melhores médiuns, para lhes exercitar a ponderação e para lhes ensinar a discernir o verdadeiro do falso. Depois, por muito bom que seja, um médium jamais é tão perfeito, que não possa ser atacado por algum lado fraco. Isto lhe deve servir de lição. As falsas comunicações, que de tempos a tempos ele recebe, são avisos para que não se considere infalível e não se ensoberbeça. Porque, o médium que receba as coisas mais notáveis não tem que se gloriar disso, como não o tem o tocador de realejo que obtém belas árias movendo a manivela do seu instrumento."
Outras pessoas defendem a tese de que não devemos ficar questionando ou botando em dúvida tais livros ou comunicações para não provocar discórdias ou desuniões. Aquela velha questão do: “não critique, auxilie”, que é interpretada de forma totalmente errada. Chegam a afirmar, baseados neste mesmo Livro, que é uma questão de orgulho e vaidade de quem questiona. Está querendo aparecer, dizem. Mas podemos citar o Livro dos Médiuns novamente a esse respeito, pois segundo recomendam os Espíritos Superiores, não só temos e direito como o dever de buscar tais esclarecimentos, vejamos:
266. Em se submetendo todas as comunicações a um exame escrupuloso, em se lhes perscrutando e analisando o pensamento e as expressões, como é de uso fazer-se quando se trata de julgar uma obra literária, rejeitando-se, sem hesitação, tudo o que peque contra a lógica e o bom-senso, tudo o que desminta o caráter do Espírito que se supõe ser o que se está manifestando, leva-se o desânimo aos Espíritos mentirosos, que acabam por se retirar, uma vez fiquem bem convencidos de que não lograrão iludir. Repetimos: este meio é único, mas é infalível, porque não há comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os bons espíritos nunca se ofendem com esta, pois que eles próprios a aconselham e porque nada têm que temer do exame. Apenas os maus se formalizam e procuram evitá-lo, porque tudo têm a perder. Só com isso provam o que são.
Eis aqui o conselho que a tal respeito nos deu São Luís:
"Qualquer que seja a confiança legítima que vos inspirem os Espíritos que presidem aos vossos trabalhos, uma recomendação há que nunca será demais repetir e que deveríeis ter presente sempre na vossa lembrança, quando vos entregais aos vossos estudos: é a de pesar e meditar, é a de submeter ao cadinho da razão mais severa todas as comunicações que receberdes; é a de não deixardes de pedir as explicações necessárias a formardes opinião segura, desde que um ponto vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro."
FAÇAMOS UMA ANÁLISE DIRETA DE ALGUNS TRECHOS DO LIVRO.
1 Logo no início do Livro, na parte que não é um capítulo nem uma introdução, o autor lhe dá o nome de “Esclarecendo”, encontramos no quarto parágrafo o autor dizendo que “o Cordeiro” transplantou da Palestina para a região do Cruzeiro a árvore magnânima do seu Evangelho. Transplantar significa arrancar de um lugar para plantar em outro. E já aí vemos algo incomum. Enquanto a DOUTRINA ESPÍRITA luta para espalhar o Evangelho de Jesus, Ele próprio tem que tirá-lo de um povo para poder dá-lo a outro. Admitindo que os primeiros necessitassem mais ou na mesma proporção que os segundos, não faltou aí caridade da parte de Jesus? Como dizem alguns: seria cômico se não fosse trágico.
Seria correto, para nós Espíritas, concordarmos com a utilização da expressão “Terra Santa” quando se referem ao lugar geográfico onde nasceu e viveu Jesus, ou deveríamos entender que todo o nosso planeta é Santo por ser uma criação de Deus, que, diga-se de passagem, não dá privilégios a ninguém. Agora vem o Movimento Espírita, ou melhor, grande parte dele, querer arrogar-se o direito de exclusividade sobre o Evangelho de Jesus. Grave erro. Gravíssimo erro. Orgulho, vaidade e egoísmo. Tudo o que deveríamos lutar para nos livrar. Sentimentos inferiores que só impedem a Doutrina Espírita de se propagar. Todos os pensamentos que restringem, circunscrevem ou limitam benefícios ou privilégios da parte de Deus não podem ser verdadeiros e aceitos por nós Espíritas diante de tantas mensagens e instruções a respeito.
2 Também no início, tanto Emmanuel quanto o autor esclarecem que a obra tem por único objetivo provar a excelência da missão evangélica do Brasil, no concerto dos povos. A pergunta é: provar pra quem? Quem estaria precisando dessa prova pra alguma coisa. O que muda pra nós ou pra algum outro povo ou nação da Terra saber dessa missão? Será que os corruptos, os traficantes, os estupradores, os pedófilos, os orgulhosos, os egoístas, os racistas, os assassinos, os ladrões, os latifundiários desmatadores, os ambiciosos e exploradores, estariam se importando com isso? Porque se o livro não é pra eles e sim pra quem já trabalha no bem, não faz nenhum sentido. Seria um desperdício de tempo.
3 No Cap. I o autor coloca Jesus como um completo alienado dos assuntos da Terra como se Ele não soubesse nada a respeito do Planeta há dois mil anos.
O Livro dos Espíritos, 238 As percepções e os conhecimentos dos Espíritos são ilimitados; numa palavra, eles sabem todas as coisas?
– Quanto mais se aproximam da perfeição, mais sabem. Se são Espíritos Superiores, sabem muito. Os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes sobre todas as coisas.
Não é conhecido no meio espírita que Jesus seria o próprio Governador do Planeta Terra? Como podemos admitir que Ele estaria por fora de tudo o que ocorria na Terra? Mesmo se Ele não estivesse a par de tudo, como relata o Livro, Ele saberia, pela sua superioridade que tais fatos são inerentes ao adiantamento dos habitantes de um planeta de provas e expiações, como encontramos na questão 243 do Livro dos Espíritos:
243 Os Espíritos conhecem o futuro?
– Isso também depende da sua elevação. Muitas vezes apenas o entrevêem, mas nem sempre lhes é permitido revelá-lo. Quando o vêem, parece-lhes presente. O Espírito adquire a visão do futuro mais claramente à medida que se aproxima de Deus. Após desencarnar, a alma vê e abrange num piscar de olhos suas migrações passadas, mas não pode ver o que Deus lhe reserva. Para isso é preciso que esteja integrada a Deus, após muitas e muitas existências.
4 Ainda no Cap. I o autor narra que o coração de Jesus se encheu de amargura (Tristeza, pena, angústia, aflição), vendo a incompreensão dos homens no que se refere às lições do seu Evangelho. Outro erro doutrinário, pois sabemos que os espíritos superiores e puros não se entristecem com tais coisas por terem o conhecimento de que são conseqüências de um estágio ou fase natural e peculiar ao adiantamento de tais povos, como vemos nas questões seguintes:
O Livro dos Espíritos, 113 Primeira classe. Classe Única – Gozam de uma felicidade inalterável por não estarem sujeitos nem às necessidades, nem às variações e transformações da vida material.
967 Em que consiste a felicidade dos bons Espíritos?
– Consiste em conhecer todas as coisas; não ter ódio, ciúme, inveja, ambição e nenhuma das paixões que fazem a infelicidade dos homens. O amor que os une é a fonte de uma suprema felicidade. Eles não experimentam as necessidades e sofrimentos nem as angústias da vida material; ficam felizes com o bem que fazem. Porém, a felicidade dos Espíritos é sempre proporcional à sua elevação. Só os Espíritos puros desfrutam, é bem verdade, da felicidade suprema, mas todos os outros são também felizes. Entre os maus e os perfeitos existe uma infinidade de graus em que os prazeres são relativos à condição moral. Aqueles que estão bastante adiantados compreendem a felicidade dos mais avançados e desejam igualmente alcançá-la, o que é para eles um motivo de estímulo e não de ciúme. Sabem que depende deles consegui-la e trabalham para esse fim, mas com a calma da boa consciência, e são felizes por não sofrerem como os maus.
976 Os bons Espíritos se afligem e sofrem ao ver a situação dos maus e, nesse caso, como fica sua felicidade se for perturbada?
– Não sentem nenhuma aflição, uma vez que sabem que o mal terá fim. Eles auxiliam os maus a se melhorarem e estendem-lhes a mão: aí está sua ocupação e o seu prazer, quando têm êxito.
976 a Isso acontece em relação a Espíritos estranhos ou indiferentes; mas a visão dos pesares e sofrimentos daqueles a quem amaram na Terra não perturba sua felicidade?
– Como já dissemos, os Espíritos vêem o que querem, e porque não lhes sois estranhos é que vêem e se importam com os vossos sofrimentos depois da morte. Porém, consideram essas aflições sob um outro ponto de vista, porque sabem que esse sofrimento é útil ao vosso adiantamento se o suportardes sem lamentações. Mas se afligem muito mais com a falta de coragem do que com os sofrimentos que sabem ser apenas passageiros.
Para completar o absurdo do erro, o Cordeiro (como o autor se refere a Jesus) é consolado pelo seu auxiliar, Helil. Tentem imaginar, Jesus, o grande Mestre, o Consolador, Espírito que, para a maioria dos Espíritas, já atingiu o grau máximo de perfeição, portanto possuindo as características mencionadas acima, tendo que ser consolado por um auxiliar. Sem comentários. ONDE ESTÃO OS RESPONSÁVEIS POR ANALISAR ESSAS “OBRAS” ANTES DE DIVULGÁ-LAS???
5 Observando que o Cordeiro ainda não estava totalmente consolado, Helil O leva para conhecer o Brasil e suas “belezas naturais” que O enchem de esperanças...???
O LIVRO DOS ESPÍRITOS, 252 Os Espíritos são sensíveis às belezas da natureza?
– As belezas naturais dos globos são tão diferentes que se está longe de às conhecer; mas os Espíritos são sensíveis, sim, a essas belezas, sensíveis conforme sua aptidão em apreciá-las e compreendê-las. Para os Espíritos elevados há belezas de conjunto diante das quais desaparecem, por assim dizer, as belezas de detalhes.
Embora sejam sensíveis às belezas naturais, podemos supor que Jesus, habitante de Mundos Celestiais, acostumado com belezas infinitamente superiores às da Terra, não teria nenhum sentido que seriam as belezas das florestas, flores e rios de um planeta de provas e expiações que o fariam se encher de esperanças.
6 Em alguns pontos do Livro o autor refere-se aos Silvícolas como espíritos jovens e simples aguardando a semente de uma vida nova juntamente com os Portugueses e Africanos. Nesse ponto também observamos várias falhas e controvérsias. A princípio, com relação aos indígenas, segundo nos ensina a Doutrina, são seres ainda na infância relativa, desprovidos de progresso suficiente para entenderem e colaborarem para os desígnios maiores atribuídos pelo autor, como observamos na questão 191 do Livro dos Espíritos.
191 As almas de nossos selvagens são almas em estado de infância?
– De infância relativa; são almas já desenvolvidas, pois já sentem paixões.
Quanto à união das três raças, escolhidas pelas suas características de humildade e simplicidade, também podemos opor os seguintes pensamentos: segundo aprendemos nos livros da escola, os portugueses que para cá vieram, na grande maioria eram presidiários e degradados da sociedade. Os africanos, por sua parte, vieram como escravos, sofrendo gravíssimos abusos e violências de todo os tipos (Estariam todos esses abusos autorizados pelo Cordeiro?). Alguns pertenciam a postos elevados dentro de suas tribos primitivas, tendo entre eles até reis. Sabemos que muitos morriam acorrentados nos porões fétidos dos Navios Negreiros (Perguntamos novamente: estariam todos esses abusos nos planos traçados pelo Cordeiro?). Na página 50 é Ismael quem se entristece com a situação dos escravos. Como ele imaginou que seria?... os portugueses os convidariam para trabalhar no Brasil em troca de um salário justo e humano? Muito comovido, ele pede a Jesus para interferir (pág. 52) e, acreditem se quiser, Jesus responde que: “_Não nos compete cercear os atos e intenções dos nossos semelhantes e sim cuidar intensamente de nós mesmos...” (Não dá pra acreditar?... confiram!) (Se isso fizesse sentido, de que valeria as nossas orações?)
Para completar esse assunto podemos analisar que da mesma forma que ocorreu a colonização no Brasil, também ocorreu em diversos outros países, onde haviam silvícolas como moradores iniciais, com a exploração de escravos, na sua maioria africanos, como os Estados Unidos por exemplo, e outros colonizados pelos próprios portugueses. Porque Jesus daria esse privilégio para o Brasil. O autor não explica racionalmente o motivo disso.
7 Ainda no capítulo um, o Cordeiro pergunta a Helil (lembrando que trata-se de um de seus auxiliares) onde fica nessas terras novas, o recanto do qual se enxerga, no infinito, o símbolo da redenção humana? (Imaginamos que Ele se refere à imagem formada pelas estrelas denominada de Cruzeiro do Sul).
Jesus não conhecer a Geografia da Terra estando totalmente liberto da matéria, sendo Espírito puro, sendo o designado por Deus para executar a formação do Planeta e sendo dele o Governador, não é só de se espantar, mas de concluir, mais uma vez, que o livro não tem a credibilidade necessária para ser chamada de uma obra séria.
8 Durante todo o livro e especialmente no último capítulo vemos um forte sentimento de nacionalismo, tentando valorizar o Brasil, colocando-o como uma terra privilegiada, até mesmo por parte do “Cordeiro”.
Lembra muito o Nazismo com seus equivocados sentimentos de superioridade de raça (Ariana) e suas terríveis conseqüências. Todo sentimento Nacionalista tende a ser separatista, o que vai de encontro ao que pregam os Espíritos Superiores. Mas os inferiores guardamainda esses sentimentos, como na Questão 317, abaixo. O “Cordeiro” do autor estaria enquadrado em qual delas?
OLE - 317 Os Espíritos, após a desencarnação, conservam o amor à pátria?
– É sempre o mesmo princípio: para os Espíritos elevados, a pátria é o universo; na Terra, a pátria está onde há mais pessoas que lhes inspirem simpatia.
Relendo com atenção o trecho acima, ESE, Introdução, item II, segundo e terceiro parágrafo, encontramos a afirmação de que o Espiritismo não tem nacionalidade, pelos motivos que são muito claros. As idéias contidas neste livro só fazem atrapalhar a divulgação e a disseminação da Doutrina pelo mundo, como observamos na questão seguinte.
OLE - 799 De que maneira o Espiritismo pode contribuir para o progresso?
– Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, e fazendo os homens compreenderem onde está seu verdadeiro interesse. A vida futura, não estando mais encoberta pela dúvida, fará o homem compreender melhor que pode, desde agora, no presente, preparar seu futuro. Ao destruir os preconceitos de seitas, de castas e de raças, ensina aos homens a grande solidariedade que deve uni-los como irmãos.
9. Alguns desinformados argumentam que os brasileiros são mesmo privilegiados, pois no Brasil não tem guerras, nem terremotos, e que seu povo é muito receptivo e simpático, mas esquecem que os turistas estão sendo assaltados, estuprados e mortos, o tráfico mata mais que as guerras, esquecem que as enchentes, as doenças por falta de infra-estrutura, matam mais que os terremotos, esquecem que nos hospitais do Brasil os enfermos morrem nos corredores sem atendimento, esquecem que as crianças pobres do Brasil estão fora das escolas e deixando de brincar para trabalhar (muitas vezes no tráfico) ou mendigar pelas ruas, se prostituindo para sustentar vícios que as levarão à morte prematura, esquecem de que as leis brasileiras e o desrespeito a elas, bem como a aplicação da justiça estão muito aquém do que esperamos de um país decente, onde as cadeias e presídios estão superlotados e não recuperam ninguém, esquecem finalmente que a corrupção e a ganância de seus governantes de hoje e de outrora revelam a apatia e a covardia dos que são explorados. Mas eu sei que, apesar de expor tudo isso, os orgulhosos permanecerão com seus pensamentos pré-concebidos e carregados de interesses e dirão que em breve tudo isso vai mudar, que o Brasil é mesmo o país do futuro, e não me espantaria em nada se dissessem acreditar que Deus é realmente brasileiro. A eles dedico o seguinte pensamento:
“Posso discordar do que dizes e da maneira como pensas, mas defenderei até a morte teu direito de dizer e pensar da forma como achares mais conveniente.” (Voltaire)
10. Sobre a forma geográfica que o autor descreve no final do capítulo II (...”o coração geográfico do orbe”...) perguntamos que importância ele tenta evidenciar com isso? Se o Brasil se parece com um coração e ele tenta colocar que isso é sinal de um povo cheio de amor, o que os fatos mostram não ser verdade. Somos iguais aos demais irmãos habitantes do planeta. Seguindo as formas geográfica o cérebro do mundo seria a Austrália, o pé do mundo seria a Itália, a Índia seria o fígado do mundo, já o Japão seria a espinha dorsal do mundo.
11. Para não nos prolongarmos mais, encerramos essa matéria com a observação de que este foi, até hoje, o único livro que lemos que tem dois capítulos com o mesmo título: Capítulo II – A Pátria do Evangelho, Capítulo XXX– Pátria do Evangelho.
CONCLUSÃO: acreditamos se tratar de um livro apócrifo, isentando a responsabilidade de Chico Xavier, que como médium, fez apenas o papel de instrumento, assim como nem o lápis nem a mão têm responsabilidade do que o cérebro dita, os olhos lêem e a boca divulga.
Endereços de “Sites” para pesquisa onde também encontramos opiniões contrárias ao livro:
http://www.ofrancopaladino.pro.br/mat231.htm
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/correio-fraterno/500-anos.html
http://espiritoverdade.com.br/?p=687#more-687
http://obraspsicografadas.org/2011/brasil-corao-do-mundo-ptria-do-evangelho-de-chico-xavier-um-livro-recheado-de-conservadorismo-preconceitos-justificativas-levianas-erros-histoacu-4/
Aires Santos da Costa
“Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza.” (Allan Kardec)