Segundo a Etimologia, literalmente, evangelho significa "boa mensagem", "boa notícia" ou "boa-nova".
Diversos evangelhos foram escritos, embora só quatro foram aceitos como verdadeiros pela Igreja, sendo os outros considerados apócrifos e por isso são menos conhecidos. A principal característica deles é retratar a passagem de Jesus Cristo pela Terra evidenciando sua sublime mensagem. Na Doutrina Espírita encontramos o Livro "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO" escrito por Allan Kardec, onde o autor esclarece que seu conteúdo trata apenas dos fatos incontroversos da vida de Jesus, analisados e esclarecidos por Espíritos Superiores como São Luis, por exemplo, o que justifica o seu título.
O Título de um Livro tem sempre forte relação com o seu conteúdo, em outras palavras, tem que lembrar e justificar o motivo de sua escolha, o que nem sempre é muito fácil. Se observarmos o título do livro analisado, O EVANGELHO DE CHICO XAVIER, deveríamos entender que seu autor acredita que Chico Xavier está trazendo uma "Nova Boa Mensagem", ou melhor, uma "Boa-Nova" diferente da "Boa-Nova" de Jesus, pois esse Evangelho é "DE CHICO XAVIER" e não "Segundo Chico Xavier" o que seria completamente diferente. Na segunda sugestão o autor estaria colocando Chico Xavier na mesma condição dos espíritos Superiores da Codificação e deveria então trazer as análises do Evangelho de Jesus segundo Chico Xavier. Mas não é isso que o Autor pretendeu, nem com o título, nem com o conteúdo.
No prefácio do livro encontramos uma entrevista com o autor onde ele responde à pergunta de Luís Antônio Ferraz _ por que você escolheu "O Evangelho de Chico Xavier", como título para este livro? ...e a resposta é: "recordando-nos, especialmente, dos nossos encontros das tardes de sábado, à sombra do abacateiro...Inesquecíveis tertúlias espirituais quando, então, através de Chico Xavier, tínhamos oportunidade de ouvir Emmanuel nos comentários de O Evangelho Segundo o Espiritismo". Baseado nesta resposta o título deveria ser "O Evangelho Segundo o Espiritismo Segundo Emmanuel , já que quem comenta o Evangelho Segundo o Espiritismo era o Emmanuel (através da mediunidade do Chico). É interessante observarmos que o Livro "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO" já é um Livro que traz as principais mensagens de Jesus comentadas por diversos Espíritos Superiores da Falange da Verdade. Sendo assim, por sua característica de clareza e simplicidade não há a menor necessidade do auxílio de um novo Espírito para esclarecê-lo, pois, dessa forma, somente o entenderíamos se fôssemos médiuns ou pudéssemos nos utilizar de algum para tal finalidade. Mais um erro primário do autor e novamente uma demonstração de desrespeito e desconhecimento doutrinário, ou ainda uma simples, desnecessária e perigosa bajulação.
Quanto ao conteúdo, bem diferente do que o título sugere, trata muito pouco de EVANGELHO. Podemos ver claramente, na maioria das "passagens", que o assunto principal do livro e a preocupação maior de Chico era com a mediunidade. É claro que Chico sempre foi, para todos, um exemplo de caridade e sua mediunidade, exercida como estabeleceu Allan Kardec, sempre esteve, também, amparada na mais sublime caridade, mas daí ao nascimento de um novo evangelho, ou dizermos que o livro tem a finalidade de esclarecer passagens do Evangelho de Jeus vai uma grande distância.
Não queremos fazer uma análise completa de todo o Livro, mas somos obrigados a observar alguns pontos que notamos ao lê-lo:
1.Na quinta pergunta do prefácio ambos trocam o nome do "Estudo do Evangelho no Lar" por "Culto do Evangelho no Lar" desrespeitando Kardec, mais uma vez, que sempre reforçou o lado simples da Doutrina Espírita, que sem ter nenhuma característica de religião não pode ter cultos, etc., demonstrando a forte influência do Catolicismo que ainda trazem, com a evidente necessidade de exteriorizar e materializar as coisas através de cultos e rituais;
2.Na parte principal do Livro, logo no seu início notamos algumas idéias conflitantes sobre mediunidade:
no item 2 mediunidade seria sinônimo de sofrimento;
no item 3 mediunidade seria sinônimo de alegria;
no item 9 mediunidade seria sinônimo de porta aberta;
no item 8 mediunidade seria sinônimo de problemas;
no item 11 mediunidade seria sinônimo de sacrifício, de compromisso pesado, mas, ao mesmo tempo de felicidade e de alegria;
3.No item 12 Chico confunde telepatia com mediunidade (Ver Cap. XXV. 285. 58 do Livro dos Médiuns).
4.No item 14 Chico demonstra medo da evocação. Porque? Não entendi, já que Kardec traz um Capítulo inteiro no Livro dos Médiuns evidenciando a sua importância para a Doutrina, dando, ao próprio Livro dos Médiuns, outro nome: Guia dos Médiuns e dos EVOCADORES;
5.No item 15 também não consegui entender o que ele quis dizer;
6.No item 18 também não entendi. Não é o médium apenas um instrumento que se servem os espíritos? Sabemos da influência exercida pelo médium mas na verdade o que os Espíritos não podem nos dizer, esclarecem eles mesmos, é em virtude do grau de adiantamento dos habitantes da Terra;
7.No item 19 Chico diz que "A verdade que fere é pior do que a mentira que consola... Entenda quem puder." De minha parte estarei sempre do lado da verdade, pois é na busca da verdade que encontrei a Doutrina Espírita, ditada pelos espíritos da Falange da VERDADE;
8.No item 23 Chico, numa infelicidade incrível, tem a coragem de corrigir Allan Kardec dizendo que a máxima maior estabelecida pela Doutrina Espírita que É: "FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO" ficaria mais claramente colocada como: "Fora do amor não há salvação".
Confesso que fiquei tão chocado com isso que não tive mais nenhum interesse, nem coragem, para ler o restante do livro.
Para finalizar, lembramos que seu autor, Carlos Baccelli, é o mesmo que "engoliu" a mistificação, ou, o que seria ainda pior, inventou (Embuste) que no mundo espiritual também nascem seres através do método da reprodução, Livro "Na próxima dimensão" ditado pelo espírito que disse ser Inácio Ferreira...
Novamente, nos utilizaremos da "entrevista" que Allan Kardec fez a um habitante encarnado em Júpiter, BERNARD PALISSY, e divulgado na Revista Espírita de Abril de 1858:
DESCRIÇÃO DE JÚPITER
Questão 22. — Lá existe diferença de sexo?
— Sim: há por toda parte onde existe a matéria; é uma lei da matéria.
Como desejar que todos respeitem o Espiritismo se nem aqueles que "o conhecem", ou deveriam conhecer, O respeitam?