Percebemos que o nosso Movimento Espírita é cheio de manias. Temos a mania do roustainguismo, da idolatria de oradores e Espíritas desencarnados, dos hinos e cantorias dentro das casas espíritas, métodos esotéricos, igrejismo e etc.
A nova mania do momento é o Esperanto. Federações e centros espíritas adotam o curso como se fosse uma necessidade do Espírito. Até grandes oradores a defendem, como uma solução de vários problemas mundiais. O bom senso nos diz que esta é uma língua como outra qualquer e em nada influencia a moral do indivíduo. As pessoas que defendem o Esperanto alegam que esta língua aproximará mais as pessoas e que ela é de mais fácil compreensão. Mas aprendemos que não é uma língua, seja ela qual for, que aproxima uma pessoa da outra, e sim os laços de simpatia e amizade, independente de credo, raça ou país.
Dois inimigos podem se duelar em línguas iguais ou diferentes. Não é a língua que faz a diferença, e sim o caráter moral de cada um. Duas pessoas de países diferentes podem perfeitamente se darem bem, mesmo que se comuniquem por gestos. Sobre o aspecto da facilidade do aprendizado, depende da capacidade de compreensão de cada um. E se quisermos ter um meio de comunicação mais abrangente é bom que se aprenda a língua que de fato vai se tornando cada vez mais universal no planeta, que é o inglês, além do chinês.
Se o Esperanto vai ou não vingar, só o tempo dirá. É certo que um dia teremos a predominância de uma língua no planeta, mas quem garantirá que seja o Esperanto? Poderá ser o Espanhol, o Francês o Inglês, ou qualquer outra. E mais a mais, sabemos que em mundos bem adiantados que o nosso, as pessoas se comunicam pelo pensamento, que é universal, não sendo necessário o conhecimento de nenhuma língua humana para se entenderem.
Nada contra o Esperanto ou qualquer outro idioma, mas a prioridade do ensino nas casas espíritas, deve ser a ciência espírita, ou seja, devem ser estudados com freqüência os livros da Codificação. A base fundamental para orientação de qualquer trabalhador espírita deverá ser os livros de Kardec, onde prevalece o ensino moral e os ensinos espíritas.
Já está na hora dos espíritas sérios tomarem uma posição pelo bem da Doutrina. Sabemos que a Doutrina é liberal e não proíbe a nada, mas não quer dizer que ela não tenha regras de conduta e organização. E a verdadeira Unificação dos adeptos da Doutrina que seja pautada pelo ideais kardequianos e não por outros interesses.
Precisamos que exista um órgão central sério, que tenha como meta os ideais kardequianos e que não divulgue idéias pessoais de homens ou Espírito algum. Que oriente os centros espíritas do país a praticar o único e verdadeiro Espiritismo, ou seja, o que consta estritamente na Codificação Kardequiana. Precisamos também, que este órgão gestor crie com urgência o Controle Universal dos Espíritos, única forma de atualizar e revisar a Doutrina de forma segura e servirá também, de uma vez por todas para extirpar toda e qualquer idéia falsa existente no nosso Movimento Espírita. Se ainda não foi criado o Controle Universal, foi por descaso de alguns ou pelo interesse que alguns têm em que suas idéias pessoais continuem fomentando no Movimento Espírita. Não dá mais para mantermos este estado de coisas.
Sabemos das dificuldades, pelo menos por enquanto, em organizar e estruturar o Movimento Espírita, pois temos visto entre os adeptos muito personalismo, interesses de grupos, de cargo e status social. Kardec dizia que os maiores inimigos da Doutrina estariam dentro dela. Precisamos separar o joio do trigo. Conheceremos aqueles que estão ao nosso lado pelos frutos que cada um produz, sem interesse de qualquer coisa que não seja a divulgação da Doutrina. E depois de tudo organizado e funcionando, passemos à divulgação da Boa Nova em meios de comunicação de massa.
Este é o nosso trabalho, esta é a nossa obrigação, perante Deus, Jesus e Kardec. É isso que eles esperam de nós. É hora de organizar! Ao trabalho, pois.
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O Esperanto é bom ?, Lucas Yassumura, Brasil
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Sou Delegado da Universala Esperanto Asocio para minha região.
Tenho acompanhado com muito interesse os diversos comentários sobre o
Esperanto, principalmente sobre o que dele se fala no Plano
Espiritual.
A minha pergunta, no entanto, é: tanta gente fala tão bem
dele, mas por que então não é usado para a difusão do boletim do GEAE,
assim como de suas páginas na Internet? Verifica-se, logo que se abre
a página principal, como o idioma inglês é tratado. O que não está
errado, já que é o verdadeiro idioma internacional da modernidade. Mas
se ainda há algum traço de idealismo romântico com o qual se vestiu o
Esperanto em décadas passadas e que fazia com que as pessoas sonhassem
tê-lo como um verdadeiro idioma internacional, então os boletins
espíritas, que levam a mensagem do Mestre a todos os rincões do
planeta, deveriam ser propagados na Língua iniciada por Zamenhof.
Sou esperantista há dezesseis anos, e nunca vi, efetivamente,
uma ação concreta e significante a favor do Esperanto. A própria
UNESCO, que diz tanto apoiá-lo, não coloca as mensagens de "Feliz
Natal" e "Próspero Ano Novo" em seus cartões. Ao contrário, estes
trazem escritos essas mesmas mensagens em vários idiomas, mas não o
Esperanto. Não comentemos nada sobre a FEB, nem sobre a Sociedade F.
V. Lorenz, porque são entidades específicas que, sim, têm contribuído
muito para a força do Esperanto no Brasil (lamentavelmente, e isso é
fato, contribuiu também para ligar o nome "Esperanto" ao nome
"Espiritismo"). Se assim o fizermos, deveremos então comentar sobre a
Oomoto japonesa e a Ba'ha'i iraniana, que tanta energia também dão ao
Idioma Internacional, mas que não saem de seus âmbitos
particulares-religiosos. Devemos nos fixar tão somente nas
instituições verdadeiramente NEUTRAS, que nada fazem para apoiá-lo.
Além disso, em minhas andanças pelo mundo, tenho visto até como os
próprios europeus cedem à força do idioma inglês.
Não tenho nenhuma intenção em me exibir, mas também sou
poliglota (falo fluentemente em seis idiomas), professor de português
e "lingüista amador" - uso esses idiomas em minha profissão
diariamente. Convivo com europeus e "americanos" e o que acabei de
relatar acima é outro fato, proveniente de fontes seguras. Ademais,
quando existe a argumentação sobre a hegemonia em certa época do
Latim, do Grego, do Espanhol e do Francês, há de se ver prontamente
que nos seus respectivos tempos não existia a comunicação EM MASSA
como existe hoje. A Internet chegou e provou que o inglês está aí.
Essas comparações com os idiomas históricos já não se podem ser
feitas, pois, repito, às épocas deles não existia a tecnologia que há
hoje, permitindo-nos a comunicação direta e imediata de e para
qualquer parte do mundo. Naquelas eras, sempre houve o romantismo dos
homens em se comunicar mais e mais, coisa que nós, do século XX
conseguimos. Naquelas eras, não havia o cinema dominantemente
americano, nem as transmissões "ao toque" das músicas de cantores
ingleses. Todos se comunicam em inglês, queiram ou não queiram (o que
é mais freqüente). Existe, no mundo todo, uma força à qual não se pode
opor resistência: "anglicizar" as pessoas. Basta ligar um rádio ou uma
TV, e qual o idioma que vamos escutar com mais freqüência? E o teclado
que usamos para digitar os textos, acaso aceitam eles os acentos
especiais do Esperanto? A resposta é sonoro "não"!
Perguntam-me com certa freqüência se a força do "anglicismo"
não seria passageira. Eu respondo, assim como todos os lingüistas
mundialmente famosos o fazem em uníssono, que essa força não é
passageira. Infelizmente. Estamos em uma época em que todos vêem e
escutam o inglês com uma freqüência assustadora diariamente, a ponto
de nosso próprio belo idioma incorporar expressões ridículas dele.
Não. O inglês é uma língua profissional, que quando
apresentado em salas de aula, é feito com vídeos, fitas cassetes e uma
parafernália de material que, queira ou não, é atraente ao aluno que
vai em busca de algo que possa levá-lo a se comunicar em outro idioma.
Asseguro que esses materiais não são feitos tendo-se em vista o lucro
obtido, mas é minuciosamente pensado e elaborado em como fazer uma
pessoa não conhecedora do idioma chegar a falá-lo em um período de
alguns meses ou anos.
O Esperanto não tem nada disso. Sofre, infelizmente, de uma
falta de estudo pedagógico e de incentivo monetário para que se
realize como língua verdadeiramente internacional. Mente, com total
falta de decoro, quem diz que o Esperanto é fácil. Não é! Estão aí os
quatro acusativos, os correlativos e o monte de sufixos e prefixos que
o aluno deve decorar. Vi o boletim do GEAE em Esperanto e afirmo que
muito gostei! Mas já aí deu para sentir como é difícil também a
escrita em Esperanto pelo computador. A acentuação, condenada nos dias
de hoje, tornam-no um pouco difícil de lê-lo. Como professor, posso
afirmar com certeza de que o Esperanto é, dos idiomas existentes, o
menos difícil de se aprender. Mas dizê-lo que é o mais fácil é ter
falta de visão e comprar uma idéia sem antes experimentá-la.
Mas, por favor, não pensem que estou defendendo a língua
inglesa!
O que pretendo argumentar é que já não é mais época para o
Esperanto na forma como ele hoje se encontra, eu lamento muito. O
Esperanto não será o idioma do futuro! Definitivamente não. Isso se
deve ao fato de que ele não agrega características totalmente neutras
em seu vocabulário nem em sua gramática, pois nasceu em um berço
europeu, quando somente a Europa era sinônimo de "civilização".
Zamenhof não tinha culpa nisso, pois pegou o que de melhor havia à sua
volta. Ele não era lingüista nem conhecia muito, mas estava
plenificado de um ideal nobre.
Entrentanto, as línguas mudam com o passar do tempo (veja-se o
próprio Português usado no Brasil). Na nossa época de veloz
modernidade, ainda há muitas coisas "dogmáticas" ainda no Esperanto e
seus acadêmicos não tendem a ser nenhum pouco flexíveis para torná-lo
mais adaptado a ela. Logo, o Esperanto está ficando velho (e ranzinza)
antes da hora. Um exemplo fatídico e que me cortou o coração foi
quando um irmão paraguaio me abordou e me perguntou: "por que é que o
nome do meu país (Paraguai) é, em Esperanto, "Paragvajo"? Será que
nunca ninguém parou para se perguntar se nós, paraguaios, fomos
consultados para se saber qual seria a pronúncia mais próxima para o
nome do nosso próprio país? Não!" E a resposta que eu pude encontrar
naquele momento era que o encontro consonantal "GV" foi colocado para
facilitar a fonética apenas dos falantes das línguas
germano-escandinavas. Além disso, os lingüistas de plantão sabem que
os "hispano parlantes" não conseguem pronunciar o "V".
Se alguém quiser argumentar a respeito, peço que antes estudem
as fonéticas de todos os povos do planeta e suas culturas e orgulhos
com relação às suas nações. E antes que venham querem invocar a
democracia do Esperanto, eu afirmo: a verdadeira neutralidade será
atingida quando todos, efetivamente todos os povos do mundo forem
respeitados. E não será preciso nenhuma língua extraterrena para que
isso se dê, basta boa vontade e conseguir-se-á provar como o Esperanto
pode ser flexível a todos, TODOS os povos do planeta. A Doutrina
Espírita se preza pelo respeito que ela tem para com todas as
religiões do mundo (embora existam ataques vindo da parte de muitas
delas), e faz de tudo para que seus adeptos mantenham uma neutralidade
fraterna e quase ecumênica. Não é o que acontece com o Esperanto.
Isso tudo não é uma crítica ofensiva ao Esperanto. É uma
preocupação. Enquanto os tantos encontros esperantistas mais se
parecem com um encontros de compadres e comadres que debatem temas
inúteis que nunca são colocados em prática sem se chegar a lugar
nenhum, enquanto os esperantistas do mundo todo pensam ser o dono da
língua, milhares de esperantistas ocultos se perguntam em como fazer
dele uma verdadeira língua internacional, já que ele nos mostra como
podemos nos comunicar fraternal e neutramente no mundo todo, como
podemos nos ajudar mutuamente, como podemos ser verdadeiros seres
humanos. Essa é sua qualidade.
E é essa qualidade que todo verdadeiro Cristão, que utiliza o
Esperanto como ferramenta de trabalho em nome do Mestre, deverá ter no
dia-a-dia. Nós, esperantistas de fim-de-século, somos apenas o início
para uma verdadeira união das pessoas no futuro, tal como sonhava
Gandhi. Por isso, longe de nós fique a pretensão de se ter o Esperanto
como idioma do terceiro milênio, pois não o será!
Por isso, meus irmãos espíritas que se dizem também
esperantistas, se vocês realmente gostam do Esperanto, revejam suas
intenções e AMEM-NO, usem-no como verdadeiro instrumento de propagação
dos ideais do Mestre. Mas para isso, estudem-no como o fazem os
profissionais de outras línguas. Não sejam esperantistas medíocres!
Não sejam simplesmente "esperantistas-espíritas"! Sejam, antes de
tudo, Cristãos, e usem o Esperanto como força de trabalho,
profissionalmente inclusive.
Não se embalem pelas idéias já feitas. Até Kardec era contra
isso! Tudo deve ser racionalmente estudado e provado até o último
detalhe! Foi assim que nasceu a Doutrina Espírita, assim há de ser
também com os verdadeiros esperantistas, que não compram idéias
formadas, mas lutam para que haja o "ecumenismo esperantista".
O próprio Mestre nunca foi taxativo! Sempre respeitou o ser
humano, por menor que fosse evoluidamente; sempre respeitou o livre
arbítrio e por isso condicionou o Seu ensinamento às mentes da época.
Ele mesmo foi flexível!
Na história do Esperanto, nem mesmo Zamenhof foi contra
mudanças. Dentro de seu espírito altamente democrático, o que ele fez
foi colocar em votação se haveria de se ter ou não mudanças. E isso
porque ele era consciente de sua falta de conhecimento lingüistíco nem
profissional dos idiomas; ele era um sonhador romântico como todo ser
humano bom do final do século passado - esse era o seu valor.
Não sou contra o Esperanto. Só posso dizê-lo que o conheço
muito bem, modéstia à parte, mas que sou totalmente oposicionista às
faltas de considerações com relação à modernidade, à mudança pela qual
passa o próprio mundo, e à flexibilidade que todo ser humano deve ter,
à sua democracia. É óbvio que não podemos ver a modernidade pela
modernidade, pois aí enfrentaríamos os problemas que também temos na
atualidade: as drogas, as violências gratuitas etc. Falo da
modernidade em comunicação, falo tão somente de nosso amado Esperanto.
Para as reflexões de todos, citamos as questões abaixo, contidas da Doutrina Espírita:
O Livro dos Espíritos
789 O progresso reunirá um dia todos os povos da Terra numa única nação?
– Não numa única nação, isso é impossível, uma vez que da diversidade dos climas nascem costumes e necessidades diferentes que constituem as nacionalidades; é por isso que sempre precisarão de leis apropriadas a esses costumes e necessidades. Mas a caridade não conhece diferenças nem faz distinção entre os homens pela cor. Quando a lei de Deus for a base da lei humana em todos os lugares, os povos praticarão a caridade entre si, como os indivíduos, de homem para homem; então, viverão felizes e em paz, porque ninguém fará mal a seu vizinho, nem viverão à custa uns dos outros.
O Livro dos Médiuns, Cap. XXV. 285
58ª Evocando-se reciprocamente, poderiam duas pessoas transmitir de uma a outra seus pensamentos e corresponder-se?
"Certamente, e essa telegrafia humana será um dia um meio universal de correspondência."
De minha parte, não tenho nada contra o Esperanto, nem poderia ter. Concordo com sua divulgação, afinal é sempre bom aprendermos, seja essa, ou quantas línguas pudermos.
Aires Santos da Costa