O Livro dos Médiuns – Cap. XXV – Considerações Gerais
269. Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente, ou acudir ao nosso chamado, isto é, vir por evocação. Pensam algumas pessoas que todos devem abster-se de evocar tal ou tal Espírito e ser preferível que se espere aquele que queira comunicar-se. Fundam-se em que, chamando determinado Espírito, não podemos ter a certeza de ser ele quem se apresente, ao passo que aquele que vem espontaneamente, de seu moto próprio, melhor prova a sua identidade, pois que manifesta assim o desejo que tem de se entreter conosco. Em nossa opinião, isso é um erro: primeiramente, porque há sempre em tomo de nós Espíritos, as mais das vezes de condição inferior, que outra coisa não querem senão comunicar-se; em segundo lugar e mesmo por esta última razão, não chamar a nenhum em particular é abrir a porta a todos os que queiram entrar. Numa assembléia, não dar a palavra a ninguém é deixá-la livre a toda a gente e sabe-se o que daí resulta. A chamada direta de determinado Espírito constitui um laço entre ele e nós; chamamo-lo pelo nosso desejo e opomos assim uma espécie de barreira aos intrusos. Sem uma chamada direta, um Espírito nenhum motivo terá muitas vezes para vir confabular conosco, a menos que seja o nosso Espírito familiar.
Cada uma destas duas maneiras de operar tem suas vantagens e nenhuma desvantagem haveria, senão na exclusão absoluta de uma delas.
274. Todos os Espíritos, qualquer que seja o grau em que se encontrem na escala espiritual, podem ser evocados: assim os bons, como os maus, tanto os que deixaram a vida de pouco, como os que viveram nas épocas mais remotas, os que foram homens ilustres, como os mais obscuros, os nossos parentes e amigos, como os que nos são indiferentes...
O LIVRO DOS MÉDIUNS, CAP. XXVI
287. Pensam algumas pessoas ser preferível que todos se abstenham de formular perguntas e que convém esperar o ensino dos Espíritos, sem o provocar. É um erro. Os Espíritos dão, não há dúvida, instruções espontâneas de alto alcance e que errôneo seria desprezar-se. Mas, explicações há que freqüentemente se teriam de esperar longo tempo, se não fossem solicitadas. Sem as questões que propusemos, O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns ainda estariam por fazer-se, ou, pelo menos, muito incompletos e sem solução uma imensidade de problemas de grande importância. As questões, longe de terem qualquer inconveniente, são de grandíssima utilidade, do ponto de vista da instrução, quando quem as propõe sabe encerrá-las nos devidos limites.
Têm ainda outra vantagem: a de concorrerem para o desmascaramento dos Espíritos mistificadores que, mais pretensiosos do que sábios, raramente suportam a prova das perguntas feitas com cerrada lógica, por meio das quais o interrogante os leva aos seus últimos redutos. (Nota: será que Emmanuel e André Luiz tinham medo dessa prova?) Os Espíritos superiores, como nada têm que temer de semelhante questionário, são os primeiros a provocar explicações, sobre os pontos obscuros. Os outros, ao contrário, receando ter que se haver com antagonistas mais fortes, cuidadosamente as evitam. Por isso mesmo, em geral, recomendam aos médiuns, que eles desejam dominar, e aos quais querem impor suas utopias, se abstenham de toda controvérsia a propósito de seus ensinos.
O Livro dos Espíritos
935 O que pensar das pessoas que vêem as comunicações dos Espíritos como uma profanação?
– Não pode haver nisso profanação quando há recolhimento e quando a evocação é feita com respeito e dignidade. O que prova isso é que os Espíritos que se afeiçoam a vós vêm com prazer, ficam felizes com vossa lembrança e por se comunicarem convosco. Haveria profanação se fizessem disso uma leviandade.
☼ A possibilidade de entrar em comunicação com os Espíritos é uma consolação bem doce, uma vez que nos proporciona o meio de conversarmos com nossos parentes e amigos que deixaram a Terra antes de nós. Pela evocação, os aproximamos de nós, e eles ficam do nosso lado, nos ouvem e respondem; não há, por assim dizer, mais separação entre eles e nós.
O Céu e o Inferno, Capítulo IV, Segunda Parte, Novel, último parágrafo:
..."Chamaste-me finalmente, e pela primeira vez um sentimento suave e terno me acalmou; escutei os ensinos que te dão os teus guias, a verdade impôs-se-me, orei; Deus ouviu-me, revelou-se-me por sua Clemência, como já se me havia revelado por sua Justiça. Novel."
No Livro dos Médiuns, Cap. XXXI, Mensagens apócrifas, Kardec observa sobre um grupo que aceitou mensagens apócrifas de Jesus:
Entretanto, nesse círculo, aliás consciencioso, se bem que um tanto crédulo demais, não se faziam evocações, nem perguntas; tudo se esperava das comunicações espontâneas, o que, como se vê, não constitui certamente uma garantia de identidade. Com algumas perguntas um pouco insistentes e forradas de lógica, teriam facilmente reposto esse Espírito no seu lugar. Ele, porém, sabia que nada tinha a temer, porquanto nada lhe perguntavam e aceitavam sem verificação e de olhos fechados tudo o que ele dizia.
Além dos trechos acima, Kardec escreveu todo um Capítulo (XXV) sobre Evocação no Livro dos Médiuns, provando a sua importância e esclarecendo sobre a antiga proibição. Mostrando claro desconhecimento e desrespeito pelo trabalho de Allan kardec, Emmanuel e André Luiz, ou outros que se utilizaram de tais nomes, recomendam, em algumas obras cujos trechos citaremos abaixo, psicografadas pelo médium Chico Xavier e editadas pela FEB, a não utilização desse método de comunicação, aconselhando somente as comunicações espontâneas. Por esse motivo e, talvez, pela grande procura por mensagens de familiares falecidos, Chico Xavier passou a dizer, erradamente, que "o telefone só toca de lá prá cá", influenciando praticamente todos no, "desatento" movimento espírita brasileiro, que aboliram as evocações sérias, passando a repetir, como papagaios que não pensam, a infeliz frase de Chico Xavier. Vejamos:
Livro CONDUTA ESPÍRITA - CHICO XAVIER / ANDRÉ LUIZ
Lição 25 - PERANTE OS MENTORES ESPIRITUAIS
...
Abolir a prática da invocação nominal dessa ou daquela entidade, em razão dos
inconvenientes e da desnecessidade de tal procedimento em nossos dias, buscando
identificar os benfeitores e amigos espirituais pelos objetivos que demonstrem e pelos bens que espalhem.
O fruto dá notícia da árvore que o produz.
Livro: DESOBSESSÃO – CHICO XAVIER / ANDRÉ LUIZ
(Manifestação do enfermo espiritual III)
"No curso do trabalho mediúnico, os esclarecedores não devem constranger os médiuns psicofônicos a receberem os desencarnados presentes, repetindo ordens ou sugestões nesse sentido, atentos ao preceito de espontaneidade, fator essencial ao êxito do intercâmbio".
Livro: O CONSOLADOR
Espírito: Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Pergunta 369: É aconselhável a evocação direta de determinados Espíritos?
Resposta: "Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum. Se essa evocação é passível de êxito, sua exeqüibilidade somente pode ser examinada no plano espiritual. Daí a necessidade de sermos espontâneos, porquanto no complexo dos fenômenos espiríticos, a solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina. O estudioso bem intencionado, portanto, deve pedir sem exigir, orar sem reclamar, observar sem pressa, considerando que a esfera espiritual lhe conhece os méritos e retribuirá os seus esforços de acordo com a necessidade de sua posição evolutiva e segundo o merecimento de seu coração.
"Podereis objetar que Allan Kardec se interessou pela evocação direta, procedendo a realizações dessa natureza, mas precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada à necessidade e méritos distantes da esfera de atividade dos aprendizes comuns".
Livro: O CONSOLADOR
Espírito: Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier
Questão 380
"Não é justo provocar ou forçar a comunicação com esse ou aquele desencarnado. Além de não conhecerdes as possibilidades de sua nova condição na esfera espiritual, deveis atender o problema de vossos méritos.
Qualquer comunicação com o invisível deve ser espontânea, e o espiritista cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano ponderando quanto à necessidade de repouso daqueles a quem amou, e esperando a sua palavra direta, quando e como julguem os mentores espirituais conveniente e oportuno".
São tão graves e absurdas as contradições aqui tratadas, é uma afronta tão grande ao trabalho de Kardec (que deu outro nome ao Livro dos Médiuns: Guia dos Médiuns e dos Evocadores), que não compreendemos como o movimento espírita que se diz tão esclarecido, que vive falando em fidelidade doutrinária, permitiu e aceitou tamanhas discrepâncias. Sem mais comentários de nossa parte e para continuarmos as reflexões sobre esse assunto recomendo a leitura do texto anexado abaixo, de José Queid Tufaile Huaixan.
Não deixem de ler também o depoimento abaixo do renomado Carlos de Brito Imbassahy.
Aires Santos da Costa