Uma referência incontornável na história da política portuguesa e na Europa, por ter sido a primeira e única mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra em Portugal, e a segunda na Europa.
Maria de Lurdes Ruivo da Silva Pintasilgo nasceu a 18 de janeiro de1930, em Abrantes. Em 1953, com 23 anos, formou-se em engenharia químico-industrial, um caso raro na época, tornando-se na primeira mulher no quadro superior da maior empresa nacional da época, a CUF, nesse mesmo ano.
Trabalhou em Portugal e no estrangeiro em diversas empresas e organismos públicos e esteve ligada a movimentos religiosos. Em 1971 foi convidada a representar Portugal na Organização das Nações Unidas. Foi uma entusiasta da revolução do 25 de Abril de 1974, sendo convidada para ocupar diversos cargos. Tornou-se presidente da Comissão da Condição Feminina e após o 25 de abril de 1974 integrou vários governos provisórios. Converteu-se a secretária de Estado da Segurança Social do Primeiro Governo Provisório, Ministra dos Assuntos Sociais e Embaixadora de Portugal na Unesco. Mais tarde, em 1979, foi convidada pelo Presidente da República, Ramalho Eanes, para o cargo de Primeira-Ministra, tendo-o ocupado durante seis meses.
Em 1983, fundou o Movimento para o Aprofundamento da Democracia (MAD). Seria ainda eleita deputada do Parlamento Europeu, a convite do PS, e candidata-se à Presidência da República em 1986, vindo a ser derrotada na primeira volta das eleições. Após a derrota, de uma maneira geral, dedicou-se à reflexão política e à intervenção em movimentos católicos.
« O feminismo não é a luta das mulheres contra os homens: é a luta das mulheres pela sua autodeterminação; é o processo de libertação de uma cultura subjugada; é a conquista do espaço social e político onde ser mulher tenha lugar».
A sua candidatura às eleições presidenciais de 1986, como independente, mobilizou multidões, sob o lema: "Pintasilgo Presidente – a coragem da decisão!”, num sufrágio que viria a ser ganho, à segunda volta, por Mário Soares. A nível internacional Maria de Lurdes Pintasilgo participou no Conselho da Ciência e Tecnologia ao Serviço do Desenvolvimento da ONU, cooperou como membro da Universidade da ONU, pertenceu ao Comité de Sábios da Europa, administrou a Comissão Independente para a População e a Qualidade de Vida e foi co-presidente da Comissão Mundial da Globalização. Maria de Lourdes Pintasilgo faleceu a 10 de Julho de 2004, na sua residência, vítima de ataque cardíaco.
Página editada por: Rodrigo Marques, 12A