Cristiana Oliveira é a soprano portuguesa de momento. Natural de Braga, onde nasceu em 1980, a cantora lírica já atuou nos palcos de óperas conceituadas na Europa como cabeça de cartaz interpretando papéis emblemáticos em ‘La Bohéme’ ou ‘La Traviata’.
O sonho de ‘criança’ de Cristiana era ser pianista. Vinda de uma família de músicos, entrou no Conservatório em Braga para estudar piano e violino. Nunca achou ‘muita piada’ ao canto mas sempre que a ouviam cantar incentivavam-na a continuar. Até que o barítono Oliveira Lopes ouviu um recital e no final lhe disse para estudar e se concentrar no canto.
No entanto, o grande impulso haveria de aparecer no concurso interpretativo do Estoril, em 2012, o maior do género em Portugal e com uma particularidade: “todos concorrem uns com os outros, isto é, a voz pode concorrer com um violino ou um violino pode concorrer com um clarinete. Torna tudo mais difícil”.
E Cristiana ganhou! “Para além do prémio monetário que era considerável, abriu-me as portas em Portugal porque quase todos os maestros do país estão na avaliação. Permitiu-me fazer concertos com essas orquestras”. Sempre a querer aprofundar o conhecimento e a técnica vocal, a soprano bracarense, com o dinheiro ganho, vai fazer mais formação, em Barcelona, especificamente para ‘La Traviata’. Fica no primeiro elenco e percorre os teatros espanhóis a interpretar Violeta.
Recebe um convite de Ferreira Lobo, uma referência na área, para ser a voz principal da ópera de Verdi no Coliseu do Porto. E volta a estrelinha a brilhar. “Na plateia estava uma encenadora italiana ligada ao Gianluigi Gelmetti que me convidou para fazer uma audição”. Gelmetti é só uma das referências mundiais: para além de ter dirigido a primeira orquestra aos 16 anos é o maestro chefe do Teatro da Ópera de Roma. É aqui que se dá o ‘boom’. “Em Itália vêem a ópera como nós o futebol. Tratam-nos como vedetas e verdadeiros artistas e até, isso, para mim, foi uma aprendizagem”.
A verdade é que santos da casa não fazem milagres e só depois do sucesso internacional é que Cristiana começa a representar em Portugal. Portugal entra no roteiro com a representação de "Madame Butterfly" com a Orquestra Música do Património, no Teatro de Leiria e irá incluir o primeiro elenco português que abrirá a temporada no Teatro Nacional de São Carlos com a ‘Força do Destino’ de Verdi e com a Orquestra Nacional.
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Carolina Balasteiro