Dizem que nasceu em Mallorca, onde o mar aprende a repetir sons como um velho Hammond.
Chamava‑se Pedro Salom, mas o nome parecia mais um reflexo do que uma identidade — desses que se escrevem depressa na capa de um disco para que a música tenha alguém a quem culpar.
Tocava órgão Hammond como quem acende luzes num salão vazio.
Nos anos 70 percorreu hotéis, casinos, esplanadas de verão, lugares onde a música não era destino mas atmosfera.
Era o homem que fazia dançar sem ser visto, o músico que sabia desaparecer atrás do seu próprio som.
Gravou dois discos em Espanha — Pedro Salom y su Órgano Hammond e Concordia — e depois atravessou o mar até Portugal, onde o seu repertório ressurgiu com outro nome, Em Tempo de Dança, como se a música tivesse mudado de país mas não de alma.