Comecei muito novo a colecionar discos de vinil. Ainda adolescente, já percorria feiras de rua e alfarrabistas, movido por uma curiosidade insaciável e uma paixão crescente pela música. Investi tempo, energia e algum dinheiro, mas muitos dos discos que hoje fazem parte do meu acervo chegaram até mim por caminhos inesperados: ofertas de amigos, doações generosas de quem já não tinha espaço, mas queria que a música continuasse viva.
O meu arquivo cresceu organicamente, alimentado por encontros, histórias e partilhas. Hoje, está organizado cronologicamente, com especial foco nas décadas de 60, 70 e 80. É nos anos 80 que encontro a maior riqueza e diversidade musical — desde o folclore ao jazz, passando por sons alternativos e fusões improváveis. Ainda assim, o rock e a música portuguesa ocupam o coração da coleção, refletindo não só o espírito da época como também o meu gosto pessoal.
Cada disco tem uma história. Cada capa, um traço do tempo. Este espaço é a celebração dessa memória sonora — um arquivo vivo que continua a crescer, a emocionar e a inspirar.