Fausto Bordalo Dias
Uma Cantiga de Desemprego (Madrugada dos Trapeiros(1977)
Fumo um cigarro deitado
G6(9) Em7 A7
No mês de Janeiro
Am7
Fecho a cortina da vida
Bm7 E7(9-) E7
Espreguiço em Fevereiro
Am7
E procuro trabalho
Bm7
Nesta esperança de Março
F#7
Já me farta tanto Abril
G G#
E aquilo que não faço
Am7
Espreito por um funil
Bm7
A promessa de Maio
Em7 A7
Porque esperar prometido
Nessa eu já não caio
( D6 G6(9) Em7 A7 )
D6
Queimo os dias de Junho
G6(9) Em7 A7
No sol quente de Julho
Am7
Esfrego as mãos de contente
Bm7 E7(9-) E7
Num sorriso de entulho
Am7
Para teu grande desgosto
Bm7
Janto contigo em silêncio
F#7
E lentamente esquecido
G G#
Digo-te adeus em Agosto
Am7
Meu Setembro perdido
Bm7
Numa esquina que eu roço
Em7 A7
E penso em Outubro
O menos que posso
( D6 G6(9) Em7 A7 )
( D6 G6(9) Em7 A7 )
( Am7 Bm7 E7(9-) E7 )
( Am7 Bm7 )
F#7
Mas quando sinto a verdade
G7M G#
Daquilo que cansa
Am7
Nunca houve vontade
Bm7
Do tempo de andança
Em7 A7
Sinto força em Novembro
D6
Juro luta em Dezembro
Em7 A7
Sinto força em Novembro
Juro luta em Dezembro
[Final] D6 G6(9) Em7 A7
Ali esta a cidade
Para Além das Cordilheiras(1987)
Am7 E9/G# C7/G D/F# Bb/F Am7 E7
Am7 Dm9/A
ali está a cidade
C6 G9 C
trémulos olhos da noite
Am7
toda em cimento se ergue
E/G# C7/G
à tona dos desperdícios
D/F# Bb/F
sob um arco luminoso
E7 Am7
como um monstro incandescente
AM/G Dm
faz-se de bela deitada
E7 Am Gm11 Dm7 E7(2)
espapaçada na lama
F#m C#7
mas sobretudo a cidade
D7+ A7/D D7+
é um som
Bm E7/B A
toca uma música boa
Gm11 C#7 F#m7
p’ra que eu me esqueça da alma ausente
E7 A
que se perdeu pelas ruas
B05 E7 Am
que eu não me perca também
Dm9/AR
ali está a cidade…
ali está a cidade
rosto de sonos inquietos
estremunhada nas sombras
em contra luz rarefeita
finge-se um anjo da guarda
que se espreguiça felino
por fora assenta o colosso
em carne e osso por dentro
ali está a cidade
mão de mil dedos acessos
que acariciam diáfanos
o corpo dos inocentes
abre perversa o ragaço
à imagem de um paraíso
e aconchegou-se mais bela
e abandonei-me por ela
Se Tu Fores ver o Mar
Madrugada dos Trapeiros(1977)
Rosalinda (corrigida) (tocado com cappo(Travessão) no 3º traste como se fosse acorde La Maior)
C – Gm7 // Cmaj7 // C – Gm7 // Dm7 // G7
Cmaj7
Rosalinda
Gm7 Cmaj7
se tu fores à praia
C#o Dm7 G7
se tu fores ver o mar
Cmaj7
cuidado não te descaia
C#o Dm7
o teu pé de catraia
G7 Cmaj7 Dm7
em óleo sujo à beira-mar
G7 Cmaj7
cuidado não te descaia
C#o Dm7
o teu pé de catraia
G7 Cmaj7 Gm7 Cmaj7 Gm7
em óleo sujo à beira-mar
E sus Am
a branca areia de ontem
D7 Em7
está cheiínha de alcatrão
F# sus C7/b5 Bm7
as dunas de vento batidas
Am7 G7
são de plástico e carvão
Cm7 F/A
e cheiram mal como avenidas
G7 C
vieram para aqui fugidas
G7 Cmaj7-Gm7
a lama a putrefacção
Cm7 F/A
as aves já voam feridas
G sus – G7 Cmaj7-Gm7 x2
e outras caem no chão
E sus Am D7
mas na verdade Rosalinda
Em7
nas fábricas que ali vês
Dm7 G7 Cmaj7
o operário respira ainda
Cm7 F7 Bb
envenenado a desmaiar
D7 G
o que mais há desta aridez
Cm7 F/A
pois os que mandam no mundo
G7 Cmaj7-Gm7
só vivem querendo ganhar
Cm7 F/A
mesmo matando aquele
G sus G7
que morrendo
C G7
vive a trabalhar – tem cuidado
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia BIS
em óleo sujo à beira-mar
E sus Am D7
e em Ferrel lá p’ra Peniche
Em7
vão fazer uma central
F# sus C7/b5 Bm7
que para alguns é nuclear
Am7 G7
mas para muitos é mortal
Cm7 F/A
os peixes hão-de vir à mão
G7 C
um doente outro sem vida
G7 Cmaj7-Gm7
não tem vida o pescador
Cm7 F/A
morre o sável e o salmão
G7 C
isto é civilização
G7 C G7
assim falou um senhor – tem cuidado
Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia BIS
em óleo sujo à beira-mar
Lusitana
Para Além das Cordilheiras(1987)
a entrada do tema é sempre (travessão no 2º ponto) D e A7 mas o truque está no baxo da guitarra que faz sempre (o baixo) D C# B A + Bb B C# D x3 à 4x faz D C# B A +Bb B Bb e acorde de D a voz entra ainda com o baixo em Bb (A7/Bb) e enquanto é cantada o esquema do baixo mantem-se ao mesmo tempo que cantas
Lusitana
A7 /Bb D
doce e salgada
A7
ó minha amada
D A7
ó minha ideia
D
faz-me grego e romano
A7
tu gingas à africano
D
como a sereia
A7
ó bailarina
Bm7
ó columbina
A7
és a nossa predilecta
D
de prosadores e poetas
A7 D
dos visionários dos visionarios
A7
quem te vê ama de vez
D
nómadas e sedentários
A7
ó pátria lusa
Bm7
ó minha musa
A/C# D (esquema em re e la7 com os baixos)
o teu génio é português
doce e salgada
ó minha amada
das epopeias
tu és toda em latim
e a mais mulata sim
das europeias
ó bailarina
ó columbina
do profano matrimónio
“nas andanças do demónio”
bela e roliça
dança a chula requebrada
a minha canção é mestiça
ó pátria lusa
ó minha musa
o teu génio é português
Am G7+
teu génio meigo e profundo
F# 9 /C# Bm
é deste tamanho do mundo
Eb07 C7+/G
sentimental como eu
B7
dois corações pagãos
Em7
são de apolo e de orfeu
C#7 F#m7
guarda-nos bem fraternais
A7
no teu chão no teu colo
A7/B D
de sonhos universais
E
és o nosso almirante
Em7
terna mãe de crioulos
A7
cuida da nossa alma errante
A/B D
nós só queremos teu consolo
Roupa velha
Histórias de Viageiros(1979)
Am
Am
Rapariguinha
cose a tua saia
E7
velha de cambraia
Bm E7 Am
que outra não podes comprar baixa a bainha
rasga o pé-de-meia
E7
quando é magra a ceia
Bm
quem nos há-de aguentar
E7 Am
oh bonitinha
G7
A que preço está o peixe
C
na corrida
G7
a xaputa já é truta
C
promovida
Am F
puxa da massa apalpa a fruta
Bb
insecticida
Eb Bb
fez a pileca da vitela
Em Bm
uma investida
Dm Am
e a salsicha “isidora”
E7 Am G7 C G7 C
é alheira de Mirandela
G7
A que preço está a couve
e o grão-de-bico
bacalhau quase não há
deu-lhe o fanico
tenho prisão de ventre oh pá?
eu já te explico
o feijão-frade subiu ao céu
vende o penico
se não há grelos no mercado
há bons nabos no hemiciclo
Am Am/G
Guarda a roupa velha
Am/F#
que sobra do almoço
Bm11
dá o braço à Maria
E7 Am
ao Manel e ao Joaquim
Am Am/G
não vás devagarinho
Am/F#
faz da praça um alvoroço
Bm11
leva-me contigo
E7 Am
ai!! não te esqueças de mim
A que preço está o vinho
nessa pipa
arde o preço da aguardente
queima a tripa
a água-pé é um detergente
só constipa
já não gosto da cerveja
dessa tipa
e a jeropiga a martelo
é servida em bandeja
A que preço está a casa
nessa esquina
não se aluga só se vende
é uma mina
quem a vende tem juros
lucros
alucina
quem não tem casa inventa
imagina
sonha ao relento é multado
mora em barraca clandestina
Como vai a nossa vida
de chinelo
pelo custo não é festa
é um duelo
o cabaz da fome é caro
magricela
mais barato é o discurso
tagarela
nada diz nada acrescenta
G7 C G7 Am
nem mexe o fundo à panela
José Afonso
CANÇÃO DE EMBALAR
(Cantares do Andarilho)
CAPO 2#
Gm7v 3x3336
Gm7 3x3333
A7 002020
A7v 002021
Dsus2 xx0230
Dsus2v xx0231
Dsus2v2 xx0233
C 032010
Cv 032013
Gm 355333
intro:
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Dorme meu menino a estrela d'alva
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Ja a procurei e nao a vi
Gm Dsus2 Dsus2v
Se ela nao vier de madrugada
Gm A7 Dsus2
Outra que eu souber sera p'ra ti
Gm A7 Dsus2
Outra que eu souber sera p'ra ti
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
intro:
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Outra que eu souber na noite escura
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Sobre o teu sorriso de encantar
Gm Dsus2 Dsus2v
Ouviras cantando nas alturas
Gm A7 Dsus2
Trovas e cantigas de embalar
Gm A7 Dsus2
Trovas e cantigas de embalar
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
intro:
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Trovas e cantigas muito belas
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Afina a garganta meu cantor
Gm Dsus2 Dsus2v
Quando a luz se apaga nas janelas
Gm A7 Dsus2
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Gm A7 Dsus2
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
intro:
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Gm7 Gm A7 A7v A7 Dsus2 Dsus2v
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Perde a estrela d'alva pequenina
Dsus2 Dsus2v Dsus2v2 Dsus2v C Cv
Se outra nao vier para a render
Gm Dsus2 Dsus2v
Dorme qu'inda a noite e uma menina
Gm A7 Dsus2
Deixa-a vir tambem adormecer
Gm A7 Dsus2
Deixa-a vir tambem adormecer
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
Dsus2v C Dsus2 Dsus2v
Oooooo oooo oooo ooooo ooooo Oooooo oooo oooo ooooo ooooo ooooo ooooo
BALADA DO AUTONO
(Baladas e Fados de Coimbra(1982)
Música: José Manuel Cerqueira Afonso Santos (1924-1987)
Letra: José Manuel Cerqueira Afonso Santos (1924-1987)
Esta é a primeira composição verdadeiramente da autoria de José Afonso. Segundo ele próprio nos diz, passou a designar as suas primeiras canções por “baladas”, não porque soubesse o significado do termo, mas para as distinguir do “chamado Fado de Coimbra” que começara por cantar desde os anos do Liceu D. João III em meados da década de 1940. José Afonso fez a composição, mas faltava-lhe o título. Parece que terá pensado em designá-la inicialmente por BALADA DO RIO (MONDEGO). Em troca de ideias com o Dr. António Menano, recentemente regressado de Moçambique, José Afonso seguiu a sugestão de Balada do Outono (Cf. "O Comércio do Funchal", 01/06/1970).