Um universo confuso nasceu com o processo evolutivo da internet, muitos tratam da grande variedade de redes sociais como uma atmosfera que precisamos estar antenados e acompanharmos o processo evolutivo. Nesse meandro de compressões de dados de informações as pessoas e negócios se arriscam da maneira com que acreditam que estejam agindo corretamente, para alguns a novidade tem que ser propagada pelas redes, divulgada. As redes cresceram tanto que além de profissões que aqui chamaremos de primárias que entende-se como cargos com vínculo com a própria empresa/rede outras profissões secundárias apareceram a exemplo, os influencers digitais, administradores de canais digitais etc. A quem acredite que as redes são um mar de inspirações criativas e ótimo canal para divulgação de trabalhos facilitando a aproximação do público em geral com a coisa criada. Será que é? Antes de responder a pergunta precisamos entender certos contextos relacionados a natureza operativa dessas empresas/redes que tem como finalidade não diferente de qualquer empresa o lucro, antes disso segue um breve relato do que acontece nesses ambientes virtuais todos os dias:
Artistas, empresários, pessoas inspiradas a se aventurar em um novo negócio ou afim de melhor divulgar e ou aproximar o público de suas coisas, sejam essas coisas serviços ou produtos e até pessoas interessadas nos mais diversos fins utilizam mecanismos de pesquisa e redes sociais para isto. De uns anos atrás até nosso momento atual depositamos nas redes e mecanismos status de ferramentas capazes de nos mostrar a verdade, nesse movimento muitos foram os que se decepcionaram, se frustraram ou mesmo desenvolveram quadros depressivos mediante o distanciamento humano que a imediata conexão das redes nos trouxe. Podemos assistir bons artistas encarando seus trabalhos como ruins somente porque em redes sociais esses mesmos trabalhos não recebiam aprovação do público – aprovação leia-se like. Em contraponto podemos assistir uma multidão de pessoas digamos sem nenhuma expressividade artística alguma ser enaltecida ao “topo do mundo”. Chegamos ao ápice do momento bestial, anos atrás envolvendo o tema política como o epicentro de um momento social onde toda sociedade parece que não mais passa a falar a mesma língua, as pessoas não mais se entendem em meio as redes e a verdade não mais existe. Nesse embalo assistimos muitas coisas boas serem perdidas e as pessoas colocarem a culpa umas nas outras sem ao menos se questionarem como funciona todo esse mecanismo digital. As redes conforme já falado são meras empresas e seu compromisso é com o lucro, o que não está errado, qualquer um abre uma empresa para este fim. Quem faz o dinheiro entrar nesses canais são os patrocinadores e os patrocinadores querem que seus anúncios atinjam seus possíveis compradores, o que também não está errado, as redes por sua vez querem mostrar que são detentoras de uma máquina de propaganda infalível e eficaz e aí começam os problemas. Clodovil Hernandes, famoso apresentador brasileiro que chegou a ser deputado, uma vez em entrevista antes mesmo das redes começarem a engatinhar disse sobre a TV, que se tratando de televisão as pessoas tinham que se atentar pois tudo aquilo que a televisão expunha, 95% era mentira, claro que essa afirmativa dele não é de nenhuma pesquisa costurada sobre as regras científicas mas, a opinião de alguém que se dedicou anos ao grande mercado do entretenimento que foi a Tv nos anos anos 80 e 90. Olhando para essa memória declarada pelo já falecido apresentador e que, sabemos do cunho verdadeiro que isso tem, podemos perguntar, se a Tv sempre foi uma ferramenta manipulativa e mentirosa de modo a persuadir o povo a comprarem de seus patrocinadores a exemplo por quê os empreendimentos do Zuck não seriam? Alguém lembra das declarações orgulhosas do mesmo dizendo que o facebook tinha o poder de manipular o humor de alguém sem que a pessoa percebesse?
Nesse momento em que me declino sobre essas linhas os assuntos principais das redes tem sido a compra do Twitter, as quedas de 21% dos lucros da Meta e uma parcela de brasileiros comemorando loucamente o anúncio do renascimento do Orkut, como se ressuscitar essa rede social fosse o fim de todos os problemas de ordens emocionais e sociais que temos. A Meta, o Twitter entre outros mais possuem compromissos somente com seus patrocinadores, para isto desenvolveram mecanismos capazes de entender seus usuários como ninguém, organizam seus feeds de maneira personalizada de modo a decidirem o que você vai ver e como você vai ver, o como vão tornar você mais suscetível de comprar os produtos e serviços de quem financia o jogo mesmo que para isto eles tenho que te deixar deprimido. Feeds personalizados além de ser uma maneira de domesticar cada consumidor de maneira única possibilita o crescimento da falta de empatia entre os usuários, já que, como vou ser empático a coisas que nem aparecem para mim? Não sabemos quais os assuntos interessam os nossos amigos, o que de fato os sensibiliza, diferente da situação comum da Tv ou rádio onde sabíamos o que o outro estava assistindo. Até meados da primeira decada de 2000 internet era um evento e não um conectar 24 horas e portável a todos os lugares. O grande bando que você vê no topo da lista aclamado pelo público, não são nem de longe as excelências artísticas e ou criativas, mas são os que sabem lidar com as regras do jogo, conteúdos imbecilizantes e se desconfigurar é o caminho do sucesso para quem busca ascensão através das redes e ferramenta dessas empresas é tão bizarra que as pessoas que essas empresas permitem que atinjam um ar de conhecidas ao mesmo tempo não são, vide o caso da Anitta e a polêmica envolvendo o Spottify. Além das redes permitirem que conteúdos de seus interesses sejam propagados hoje em dia é possível se comprar de tudo, seguidores, likes, comentários, compratilhamentos, visualizações, tudo falso, o que nos presenteia com um mal estar de parecer estarmos vivendo sobre a sombra de uma realidade onde não existe a realidade, mas só sofrerá desse mal estar quem não tomar conhecimento do mecanismo sórdido de manipulação das redes.
Se você é um pequeno empresário anunciante, não se sinta importante achando que está do outro lado do balcão, pois, fazer parte das regras desse jogo é realmente para os grandes e não para os aspirantes e pequenos investidores e negociantes. No começo de 2010 antes dessa mudança toda nos algorítimos das redes, qualquer dez Reais promovia a um negócio pequeno a uma capitação interessante de clientes hoje a coisa não funciona mais assim. Vários são os jogos e aplicativos onde se utilizam anúncios para se obter benefícios dentro do mesmo jogo ou aplicativo, quando um anúncio assim é exibido simplesmente para o usuário alcançar benefícios pode-se questionar a eficácia de propaganda, pois o usuário daquele jogo ou aplicativo tem a opção de deixar o anúncio rodar automaticamente sem se quer prestar atenção no que está passando ou ainda em muitos casos é exibido uma quantidade de X segundos enquanto o anúncio tem trinta segundos no total. O interessante é que nunca se encontra anúncio de empresas realmente grandes nesses ambientes, mesmo que haja uma campanha ativa. Portanto pequeno empresário não se sinta dono das regras, o seu dinheiro e propaganda estão sendo utilizados para crianças ganharem chaves de passes em jogos de aplicativos e somente uma pequena parcela disso atinge o público esperado. As redes estão submetidas a um mecanismo autorregulador que tem compromisso tão somente com seus reais patrocinadores, retroalimentado pela confusão mental que causam a pobreza nas pessoas sendo assim acredito que o texto não tem a necessidade de responder a primeira pergunta, tudo já está devidamente respondido. A quem busca o fluxo criativo encontrarás não mais que frustrações, se não puder abandoná-las faça delas um evento e não um hábito.
Referências:
LANIER, Jaron. Argumentos para Deletar Agora suas Redes Sociais. Rio de Janeiro: Objetiva, 2018.
ONEIL, Cathy. Algoritmos de Destruição em Massa. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.
SILVA, Tarcízio. Racismo Algorítmico: Como a Inteligência Artificial e o Machine Learning Estão Aumentando a Discriminação. Edições Sesc SP, 2022.
NOBLE, Safira Umoja. Algoritmos da Opressão: Como os mecanismos de busca reforçam o racismo. Editora Rua do Sabão. 2022.