Rapha Sorto
02-05-2023
Há coisas aqui que precisamos trazer a luz da realidade, um exercício reflexivo sobre o que muitos de nós estamos praticando ou deixado acontecer em nossas vidas desde o princípio. É interessante pensar como culturalmente nesse processo evolutivo chamado vida, fomos colonizados por uma lógica que se encontra solta no ar nos provocando enorme sofrimento: O pensamento imaginativo e como esse pensamento está a serviço da criatividade não sendo este, nossa identidade muito menos a própria criatividade em si.
Essas linhas podem facilmente passear entre inúmeros jardins de conhecimento: O da neurociência onde encontraremos aporte para afirmar que nosso cérebro interpreta a sua maneira todo o mundo exterior a partir daquilo que está contido nas profundezas de nós mesmos e também os campos da cultura e educação, principalmente aqui no ocidente onde somos levados a desenvolver uma estrutura de pensamento que nos conduz tão somente a desenvolvermos uma crença no sentido de inflar nosso ego, nos fazendo acreditar no exercício de uma existência que tem como função afirmar que: cada vez mais que somos isso ou aquilo, interferindo diretamente no pensamento imaginativo.
O pensamento desgovernado tem nos aprisionado, nos levando a uma formulação excessiva hipotética e analítica de questões que nunca virão a se tornar uma realidade. Nesse barco a deriva onde há uma busca externa as soluções para os problemas que nascem em nós mesmos o que não falta é a diversidade de soluções que são tão ilusórias quanto nosso própria imaginação.
Por uma vida AD EGO
Toda personalidade é uma farsa, ela não reflete aquilo que somos numa totalidade, somente um recorte de uma parte que talvez seja a parte de maior exercício de identidade no momento recortado. Nesse exercício, se um pequeno esforço for feito no sentido de entender a intensidade com que o mundo exterior é capaz de nos ferir ou ainda com a alta condição que temos de nos sentir ofendidos com o mundo a nossa volta, perceberemos que quanto maior for nossa identificação com o nosso ego, maior é nossa condição de nos sentirmos ofendidos. Quanto maior a identificação com o ego maior é a força do mesmo em defesa daquilo que acreditamos ser.
Quantas vezes nos intitulamos isso ou aquilo e onde estão todas essas identificações agora?
A luta contra aquilo que pensamos é uma luta perdida, você não pode lutar contra aquilo que seu pensamento lhe apresenta, isso só irá reforçar a intensidade conflitante de como esses pensamentos lhe são apresentados. O mesmo tipo de intensidade que aparece quando nos entregamos ao consumo desses mesmos pensamentos. Quanto maior a identificação com o ego, maior é a frequência com que esses pensamentos aparecem, alternam possibilidades, analisam situações hipotéticas e julgam situações inexistentes a partir de si.
Você não é aquilo que pensa ser e nem aquilo que dizem que você é.
A provocação negativa acerca daquilo que um dia nos intitulamos ser está intimamente ligada a afirmação anterior. Aquilo que pensamos ser, reflete somente a maneira com o que nos identificamos com o ego, e quando o exercício daquilo que acreditamos ser, vai ficando mais difícil de ser exercitado logo nosso pesamento trata de nos apresentar uma nova identidade e quando nos negamos a nos identificar com o novo fica impossibilitado também o exercício daquilo que era anterior, surgindo assim o sofrimento.
Aquilo que as pessoas acreditam que somos é somente uma abstração mental daquilo que elas estão interpretando. Você sabe identificar um gari se ele estiver uniformizado, mas a figura gari não reflete a imensidão do Ser que traja aquele uniforme, gari é somente o exercício de uma condição social de trabalho, alguém que decida se fantasiar de gari passará como um, mesmo não sendo, você pode facilmente confundir um gari com ou outro profissional cujo o uniforme é parecido a distância.
O mesmo se aplica as identificações externas de julgamento, aqueles que por ventura não simpatizem conosco sem ao menos nos conhecer, assim o fazem a partir de um julgamento equivocado de um exercício de memória onde o ego também é o executor da sentença. Uma pessoa assim nos julga porque algo na sua memória nos assimila com uma lembrança de memória negativa as vezes até inconsciente. E ainda assim fossemos um exercício negativo de personalidade de modo levar o julgamento das outras pessoas assim nos identificar ainda assim não poderíamos exercê-lo de maneira contínua.
Como eu sendo um excelente profissional, extremamente responsável não tenho sorte com amor? - Não é assim que pensamos? E junto vem uma enxurrada de hipóteses para a resposta do questionamento. Como eu tendo inúmeras habilidades não consigo um trabalho se fulano sabe o mesmo que eu e está rico? - Não é assim? Quanto maior a identificação com a ilusão maior a capacidade de acreditar que temos o poder de controlar o mundo a nossa volta e como não conseguimos controlar, sofremos.
Nossa cabeça é um templo sagrado único local onde é possível deleitar a magnitude do mundo a nossa volta, o espetáculo presente da vida e também é nosso próprio purgatório quando entregue ao consumo excessivo de pensamentos ilusórios. Não há como desligar a fonte desses pensamentos, o que há é a possibilidade de ao invés de dar-lhes força, nos colocarmos como observador, questionando esses mesmos pensamentos sobre sua origem. Na falta de respostas coerentes eles vão embora e o que sobrar é a verdade e o mesmo se aplica aquilo que nos intitulamos ser, comece investigando aquilo que você não é e o que sobrar é você.