Citador Genealógico

As mais engraçadas, inusitadas, profundas e inteligentes citações acerca de Genealogia e História da Família

Luís de Camões, n' Os Lusíadas, canto III, estrofe 3, (1573) poeta português e um dos grandes literatos do Ocidente

Luís Vaz de Camões (1524?-1580)

Prontos estavam todos escuitando
O que o sublime Gama contaria,
Quando, despois de um pouco estar cuidando,
Alevantando o rosto, assi dizia:

«Mandas-me, ó Rei, que conte declarando
De minha gente a grão genealogia;
Não me mandas contar estranha história,
Mas mandas-me louvar dos meus a glória.

Claude Lévi-Strauss antropólogo, professor, etnólogo e filósofo francês, um dos primeiros professores da USP, viveu no Brasil entre 1935-1939, em As estruturas elementares do Parentesco, 1949

Claude Gustave (Gustae) Lévi-Strauss (1908 - 2009)


“Encontrar as raízes é basicamente encontrar a si mesmo: quem sou eu? Quais são os antepassados ​​que me fizeram como eu sou? Primeiros nomes, datas, algumas fotografias amareladas ou, mais provavelmente, uma vontade, uma carta.”

Alex Haley, novelista estadunidense, no célebre livro Roots: the saga of an american family traduzido para o português por Negras Raízes.

Nesta obra, Haley traça sua genealogia até o 5º avô, Kunta Kinte, com base em tradições orais. Alex Haley passou anos investigando a história da sua família para escrever "Raízes". A obra virou célebre seriado de TV em 1977, pela ABC, nos EUA e Globo, no Brasil. Na década de 1980, o SBT reprisou a série. Em 2016, o History Channel produziu um remake da série.

Alexander Murray Palmer Haley (1921 – 1992)


“Existe em nós uma voracidade, profundamente medular de conhecer nossa herança — de saber quem somos e de onde procedemos. Sem esse conhecimento enriquecedor, resta um anseio vazio. Não importa quais sejam nossas realizações na vida, continua havendo um vazio, uma solidão muito inquietante”. (...) De todas as maneiras imagináveis, a família é o elo para o nosso passado, a ponte para o nosso futuro.”

William Hodding II foi jornalista e escritor estadunidense, conhecido por suas posições aliadas ao antirracismo no Sul e pelo apoio aos direitos civis e humanos.

William Hodding Carter II (1907- 1972)


Existem apenas dois legados duradouros que podemos dar aos nossos filhos. Um são raízes, e o outro, asas.”

Carl Sandburg foi poeta, historiador, novelista, conferencista e folclorista estadunidense, autor da mais famosa biografia de Abraham Lincoln.

Carl August Sandburg (1878 – 1967)


“Quando uma sociedade ou de uma civilização perece, uma condição em comum pode ser encontrada: elas se esqueceram de onde vieram.”

Carl Sandburg foi poeta, historiador, novelista, conferencista e folclorista estadunidense, autor da mais famosa biografia de Abraham Lincoln.

Carl August Sandburg (1878 – 1967)


“Qualquer célula viva traz consigo a experiência de um bilhão de anos de experimentação por seus antepassados.”

João Guimarães Rosa foi um poeta, novelista, romancista, contista, diplomata e médico brasileiro, considerado por muitos o maior escritor brasileiro do século XX e um dos maiores de todos os tempos. Membro da Academia Brasileira de Letras, cadeira número 2.


João Guimarães Rosa (1908-1967)

Uma coisa é pôr ideias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias... Tanta gente — dá susto de saber — nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza...

Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas foi uma poetisa e contista, considerada uma das mais expressivas escritoras brasileiras. Ela cursou apenas até o terceiro ano do ensino fundamental, mas teve na escrita uma fuga da vida difícil de doceira que mexia os tachos para enfrentar o orçamento doméstico. Sempre escondida do marido, que não a deixou participar, em São Paulo, da Semana de Arte Moderna em 1922. Viúva, começou a publicar aos 76 anos e se tornou uma das mais queridas e celebradas poetas. Sua poesia é ficada no cotidiano, na vida e na sobrevivência das pessoas.

Cora Coralina [Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas] (1889-1985)


“Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado
acocorada ao pé do borralho
(...)
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
(...)
Vive dentro de mim

a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
(...)
Vive dentro de mim

a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem
preconceitos
(...)
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
— Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
(...)
Vive dentro de mim

a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida —
a vida mera das obscuras.”

Jean de La Bruyère foi filósofo, moralista e escritor francês, de família burguesa.

Jean de La Bruyère (1645 -1696)


Somos todos descendentes de um rei e de um enforcado.”

Kaibara Ekken (贝原益轩) foi um filósofo neo-confucionista e um naturalista japonês.

Apud Roberto Albino Guimarães Alves, no seu livro Memórias (ed. fotocopiada). Kaibara Ekken ou Ekiken (贝原益轩) conhecido ainda sob o nome Atsunobu (笃信) (1630-1714)


Por mais estúpida que acheis a tradição da vossa família, não a deiteis fora, porque representa a corporização da sabedoria dos vossos antepassados.”

Bert Hellinger foi psicólogo, psicanalista, teólogo e pedagogo alemão. Criador do método das Constelações Sistêmicas para terapia familiar e individual. Citação na obra Um lugar para os excluídos.Bert Hellinger [Anton "Suitbert" Hellinger: (1925-2019)]


Então, ao olhamos para nossos pais e nossos antepassados, dizemos amorosamente a eles: 'Obrigado’. Este é o primeiro círculo do amor.”

Umberto Eco foi semiologista, filósofo, historiador, escritor, tradutor, bibliotecário e bibliófilo italiano, em O Pêndulo de Foucault, capítulo 23

Umberto Eco (1932 - 2016)


“Eu tinha chegado ao Brasil por amor de Amparo e aí ficara por amor do país. Jamais compreendi porque aquela descendente de holandeses, que se haviam fixado no Recife e se miscigenaram com índios e negros sudaneses, com a figura de uma jamaicana e a cultura de uma parisiense, tinha um nome espanhol. Jamais cheguei também a me sentir à vontade com os nomes próprios brasileiros. Desafiam qualquer dicionário onomástico e só existem naquele país.

Voltaire foi escritor, historiador e filósofo do Iluminismo francês, na sua obra de 1744: Nouvelles considérations sur l'histoire.

François-Marie Arouet [Voltaire] (1694-1778)


É bom que existam arquivos de tudo para que os possamos consultar, quando for preciso (...) Saber-se-á assim a história dos homens, em lugar de se conhecer uma parte ínfima da história dos Reis e de suas Cortes.”

Lina Gorenstein é historiadora e jornalista brasileira, organizadora do Museu da Intolerância (USP), na sua obra Heréticos e Impuros: a Inquisição e os Cristão Novos no Rio de Janeiro

Lina Gorenstein Ferreira da Silva


A genealogia permite-nos solucionar um dos mais difíceis problemas da história brasileira: recuperarmos um perfil mais exato da família colonial.”

Machado de Assis foi escritor, poeta e jornalista, considerado um dos mais geniais escritores brasileiro, em Memorial de Aires (Brasília, Ministério da Cultura, 2002, pág. 21), pela boca do personagem José da Costa Marcondes Aires, o Conselheiro Aires, prevendo consequências à Decisão de 14.12.1890, que determina a queima de todos os documentos relativos à escravidão, em temor à ‘onda indenizatória'.

Joaquim Maria Machado de Assis (1839 -1908)


“Embora queimemos todas as leis, decretos e avisos, não poderemos acabar com os atos particulares, escrituras e inventários, nem apagar a instituição da História, ou até da Poesia”.

João Guimarães Rosa foi escritor, diplomata, novelista, contista e médico brasileiro, considerado um dos maiores e mais geniais escritores brasileiros, em Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) . 16.11.1967

João Guimarães Rosa (1908-1967)


“Pois não descendemos dos mortos? Deferidos, entretanto, à simpatia dos vivos. (...) As pessoa não morrem, ficam encantadas… A gente morre é para provar que viveu. O mundo é mágico.”

Manuel Mujica Láinez, jornalista, romancista e crítico de arte argentino em Bomarzo, na boca do personagem Cardenal Orsini.

Manuel Mujica Láinez (1910 - 1984)


“A imortalidade (...) é a sucessão no tempo. Somos elos de uma cadeia imensa. Quando tiveres um filho serás imortal.”


Júlio Dantas, escritor, jornalista, polígrafo, médico, político, e diplomata, in Outros tempos (1909). Foi embaixador de Portugal no Brasil entre 1941 e 1949 e cronista no Correio da Manhã.

Júlio Dantas (1876 - 1962)


“Infelizes as famílias que não tem história. Não ter história é quase não ter nome; é quase não ter pátria. Felizes, ao contrário, as famílias que têm história, porque lhes é dado o júbilo de a recordar, porque ela constitui a fonte fecunda, inesgotável e profundo, de suas energias morais: porque a cada passo que dão sentem, atrás de si, o registro da própria imortalidade. Que é a vida, se não a história que começa? Que é a história, se não a vida que continua? A história de nossa família, de nossa gente, de nossa casa está conosco. Respira perto de nós. À sua presença todos adivinhamos. Ora bela, ora triste, é uma grande história.”

Pedro Nava foi médico e escritor brasileiro tendo desde jovem entrado nas lides literárias, integrando a geração modernista de Belo Horizonte. É o maior memorialista da literatura brasileira, autor de sete livros: Baú de Ossos, Balão Cativo, Chão de Ferro, Beira Mar, Galo das Trevas, O Círio Perfeito, Cera das almas (póstumo, incompleto). Neles, Pedro Nava traçou um painel completo da cultura brasileira no século XX, incluindo costumes familiares e cultura popular. Em Baú de Ossos, de onde foi retirada essa citação (pág. 174) revela sua veia genealógica ao narrar os feitos de seus ancestrais em Minas.

Pedro da Silva Nava (1903-1984)


“Porque não existem famílias que não venham, a um só tempo, do trono e da lama. Basta um simples cálculo matemático para provar essa verdade.”

Jacques LeGoff, historiador francês, um dos mais importantes do século XX, pertence à terceira geração de historiadores da Écòle des Annales, escreveu dezenas de obras e dedicava-se à antropologia histórica, à história das mentalidades, ideias e culturas.

Jacques Le Goff (1924-2014)


“Os homens (são) os únicos objetos da história — de uma história que não se interessa por qualquer homem abstrato, eterno, imutável e perpetuamente idêntico a si próprio — os homens, analisados sempre no quadro das sociedades de que são membros. Os homens, membros dessas sociedades, numa época bem determinada do seu desenvolvimento — os homem, dotados de múltiplas funções, de atividades diversas, com preocupações e atitudes diferentes, que se misturam, se chocam, se contradizem, acabando por firmar uma paz de compromisso, um modus vivendi a que se chama Vida.”

Chico Buarque é músico, compositor, romancista e dramaturgo brasileiro, na canção Paratodos

Francisco Buarque de Holanda (1949)

Para saber mais sobre quem é quem nestes versos, clique aqui: Paratodos


“O meu pai era paulista

Meu avô, pernambucano

O meu bisavô, mineiro

Meu tataravô, baiano.

Meu maestro soberano

é Antônio Brasileiro (...)”

Alberto Dines foi jornalista, pesquisador, professor universitário, biógrafo e escritor brasileiro. — em Vínculos do Fogo, p. 823 (Companhia das Letras, 1992, 2ª ed., São Paulo)

Alberto Dines (1932 - 2018)

“Árvore da vida, bosque de existências, a genealogia, sendo a condensação de histórias numa vida, também pode ser vista com a implicação da Vida em múltiplas histórias.”

Vittorio Mathieu, filósofo, ensaísta e político italiano.

Vittorio Mathieu (1923)


E, de fato, a memória traz o passado para o presente, embora lhe conservando a sua qualidade de passado.”

Thornton Wilder foi um dramaturgo e romancista americano. Recebeu três Prêmios Pulitzer, um para sua novela The Bridge of San Luis Rey e dois para suas peças Our Town e The Skin of Our Teeth , e um Prêmio Nacional de Livros pelo seu romance The Eighth Day. Wilder é considerado um clássico da literatura estadunidense.

Thornton Niven Wilder (1897-1975)


“Tudo o que sabemos sobre aqueles que amamos e perdemos é que desejariam que nos lembrássemos deles com uma realização mais intensa de sua realidade. O que é essencial não morre, mas esclarece. O maior tributo aos mortos não é tristeza, mas gratidão”.

Goethe foi poeta, romancista, pensador, esteta, astrólogo, alquimista e pesquisador de Ciências Naturais alemão, uma dos mais representativas figuras do Romantismo europeu.

A primeira citação é uma resposta de Goethe aos chistosos trocadilhos que Johann Gottfried von Herder (1744-1803), teólogo e filósofo, fazia com o seu sobrenome.

A segunda está em 'Máximas e Reflexões'

Johann Wolfgang von Goethe (1749 — 1832)


“Porque o nome de um homem não é algo assim como um casaco sobreposto que se possa puxar e repuxar, mas uma roupa bem ajustada, aderida como uma pele, que não se pode raspar e maltratar sem que se fira o próprio homem.”

“… É bom olhar de vez em quando para trás. Tudo o que em nós há de original conservar-se-á tanto melhor e será tanto mais apreciado, quanto mais formos capazes de não perder de vista os nossos antepassados.”

Edmund Burke foi escritor, político, ministro das Finanças, filósofo e orador anglo-irlandês — em Reflections on the Revolution in France (1790), reproduzido em "In Works", vol. 3 (ed. 1865).

Edmund Burke (1729 - 1797)

“Os povos que nunca olham para trás, observando seus antepassados, jamais olharão para a frente, ganhando uma posteridade.

Livro de Jó

(Yob)

8; 8-10

Jó (Job) é um dos livros sapienciais do Antigo Testamento e da Tanakh. Aborda o tema da justiça de Deus em face do sofrimento humano e é considerado ancestralmente uma grande obra literária.


Pergunta às gerações passadas

e considera a experiência dos ancestrais.

Somos de ontem, não sabemos nada.

Nossos dias são uma sombra sobre a terra.

Eles, porém, te instruirão e falarão contigo,

e em sua experiência encontrarão

as palavras adequadas.”

tradução da edição Bíblia de Jerusalém, 1981, Ed. Paulinas, S. Paulo

Helen Keller foi escritora, conferencista e ativista sócio-política estadunidense. Tornou-se cega e surda ainda bebê e é um exemplo de superação.

Helen Adams Keller (1880 —1968)


“Não há rei que não tenha tido um escravo entre os seus antepassados, e não há escravo que não tenha tido um rei entre os seus.”

Gail Lumet Buckley é escritora e jornalista estadunidense, filha da primeira estrela negra de Hollywood, a atriz Lena Horne com o editor Louis Jordan Jones. Sua família fazia parte da antiga classe média negra. Seus bisavós eram descendentes de escravos que se estabeleceram em Nova Iorque. E O bisavô Edwin Horne foi co-fundador de um grupo negro de lobby político chamado United Color Democracy. Sua esposa, Cora Horne, era uma suffragette. Gail foi mulher do cineasta francês Sidney Lumet e é mãe da roteirista Jenny Lumet.

Gail Horne Jones (1937)


“Rostos familiares são espelhos mágicos. Olhando para as pessoas que nos pertencem, vemos o passado, o presente e o futuro.”

Ernest Renan, filósofo, filólogo escritor, ativista e historiador francês em Discours et conférences (1887)

Joseph Ernest Renan (1823 - 1892)


Um país compõe-se dos mortos que o fundaram e dos vivos que o mantêm.”

Richard Llewellyn, escritor galês, em How Green was my Valley, em português: Como era o verde o meu vale.

Richard Dafydd Vivian Llewellyn Lloyd (1906 – 1983)


“Eu vi atrás de mim aqueles que tinham ido, e diante de mim os que estão por vir. Olhei para trás e vi o meu pai, e seu pai, e todos os nossos pais, e olhei à frente para ver o meu filho, e seu filho, e os filhos sobre os filhos além. E os seus olhos eram meus olhos.”

Sêneca, o Jovem, filósofo, advogado e escritor do Império Romano.

Lucius Annaeus Seneca (4 a.C. - 65 - d.C)


“Aquele que se orgulha de seus ancestrais elogia as façanhas do outro.”

George Bernard Shaw, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta , jornalista e ativista irlandês. Co-fundador da London School of Economics, foi um 'socialista fabiano', e suas ideias aparecem muito nas comédias satíricas que escreveu.

George Bernard Shaw (1856-1950)

“Se você não consegue se livrar do esqueleto da família, pode ao menos fazê-lo dançar.”

Ruy Barbosa foi jurista, político, ministro de Estado, diplomata, escritor, filólogo, tradutor e orador brasileiro, no famoso discurso no Colégio Anchieta, Nova Friburgo, RJ que recebeu o nome de "Palavras à Juventude". Publicado em Obras Completas de Rui Barbosa. V. 30, t. 1, 1903. p. 358

Ruy Barbosa de Oliveira (1848 - 1923)


“A pátria é a família amplificada. (...) Multiplicai a célula, e tendes o organismo. Multiplicai a família, e tereis a pátria. Sempre o mesmo plasma, a mesma substância nervosa, a mesma circulação sanguínea.”

Carl Jung, médico, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a Psicologia Analítica.

Carl Gustav Jung (1875 - 1961)


“Além disso, as almas dos meus antepassados são sustentadas pela atmosfera da casa. Afinal, eu sou uma resposta às perguntas dos meus antepassados. (...) É como se um silêncio, superior à família, se estendesse pelos séculos, e acabou por povoar a casa.”

“Uma criança não nasce tabula rasa, o contrário, é uma mistura definitiva ou a combinação de genes; e, embora os genes parecem conter fatores principalmente dinâmicos e predisposições para certos tipos de comportamento, eles têm também uma grande importância para o arranjo da psique.”

"Parece muito estranho para mim que (a Ciência) não veja o que uma educação sem as Humanidades está fazendo para o homem. Ele perde a conexão com sua família, sua ligação com todo o seu passado, o tronco, a tribo, o clã — o passado em que o homem sempre viveu. Nós pensamos que nascemos hoje, na tabula rasa , sem história, mas o homem sempre viveu no mito. Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si mesmo é que é uma doença. É absolutamente anormal. Ele nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, ele só é completa quando tem uma relação com essas coisas. Se você está crescendo sem conexão com o passado, é como nascer sem olhos e ouvidos e tentar perceber o mundo externo com precisão sem esses sentidos. A ciência natural pode dizer: 'Você não precisa de conexão com o passado, você pode eliminá-lo', mas isso seria uma mutilação do ser humano. Eu já vi, na prática, que este tipo de conexão tem um efeito terapêutico extraordinário.”
[entrevista a Richard Evans, 1957]


Mia Couto, biólogo, escritor e poeta moçambicano, em Antes de Nascer o Mundo.

António Emílio Leite Couto [Mia Couto] (1955)

“Ninguém é de uma raça. As raças são fardas que vestimos.”

Michael Crichton, escritor,v roteirista, produtor de cinema e de TV estadunidense.

John Michael Crichton (1942-2008)

“Se você não conhece a sua história, então você não sabe nada. Você é uma folha que não sabe que é parte de uma árvore.”

Lourenço Correia de Matos, historiador português.

Lourenço Correia de Matos (1978)


“O interesse pela genealogia é transversal. Combato sempre esta ideia errada de que a genealogia é um exclusivo da nobreza ou de qualquer tipo de elites… A genealogia é para todos, o que se prova com o interesse crescente que tem vindo a despertar.”

Pablo Neruda, poeta, ativista e político chileno, em Canto General (XII, v. 406 e seguintes)

Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto [Pablo Neruda] (1904-1973)


Yo vengo a hablar por vuestra boca muerta.

A través la tierra, juntad todos

Los silenciosos labios derramados

Y desde el fondo háblame de toda esta larga noche,

Como si yo estuviera con vosotros anclado,

Contadme todo, cadena por cadena

(...)

Dadme el silencio, el agua, la esperanza,

Dadme la lucha, el hierro, los volcanes

Apagad los cuerpos como imanes,

Acudid a mis venas y a mi boca.

Hablad por mis palabras y mi sangre."

Maya Angelou, escritora, poeta, educadora e ativista social estadunidense.

Marguerite Ann Johnson [Maya Angelou] (1928-2014)

“Precisamos assombrar a casa da história e ouvir de novo a sabedoria dos antepassados.”

Luís Fernando Veríssimo, escritor, cronista, dramaturgo, músico, cartunista, roteirista e tradutor brasileiro. Filho do também escritor Érico Veríssimo (1905-1975)

Luís Fernando Veríssimo (1936)


“ Que formidável família a nossa, a dos brasileiros. Vagar por estes sobrenomes é não só conhecer histórias fascinantes como aprender história, e a variedade das nossas origens captada aqui vale mais do que qualquer tese sobre a singularidade étnica brasileira. Falamos em 'raízes', em 'árvores' genealógicas, em 'ramos' da família e a analogia é inescapável. Raízes, troncos, galhos que se bifurcam, as famílias são assim. Mas a analogia pode ser levada mais longe. As famílias, como as árvores, também nascem de sementes cuidadosamente semeadas e cultivadas ou nascem naturalmente, também começam tortas mas prevalecem ou nascem fortes e entortam. E tanto as árvores quanto as famílias estão sujeitas aos caprichos da polinização cruzada dos genes levados de uma para outra por meios inesperados, das uniões surpreendentes.”

Thomas MacEntee é informático e genealogista profissional estadunidense, especializado em investigação com uso da tecnologia e das mídias sociais para acelerar a pesquisa da história da família.

Thomas MacEntee (1960)


“Eu sou um genealogista gay. Ou, talvez: 'Eu sou um genealogista que acontece de ser gay'… E eu não acho (isso) nada estranho. E se você acha que os homens e as mulheres homossexuais não têm um sentido de família, então você está enganado. Muitos de nós estamos criando os nossos próprios filhos ou aqueles são uma grande parte da vida: nossos primos, nossos sobrinhos e outros membros da família. Todo mundo tem família. E todos devem ter a capacidade de descobrir mais sobre a história de sua família. (…)

Alguma vez você já se perguntou se alguém em sua árvore genealógica era gay? Os gays muitas vezes são deixados escondidos em nossa história familiar, ou são apenas membros da família só não se quer falar sobre eles. Em minha própria pesquisa genealógica, meu objetivo é ter certeza de que cada pessoa é justa e totalmente representado e cada um tenha um 'tom de voz' igual.”

Marquês de Maricá, político, filósofo, escritor, ministro e diplomata brasileiro.

Mariano José Pereira da Fonseca,Marquês e 1º e único Visconde de Maricá (1773 - 1848)

“Costumamos condenar por ignorantes as gerações pretéritas, mas a mesma sentença nos espera nas gerações futuras.”

Gilberto Freyre, sociólogo, antroólogo, historiador, romancista, poeta e pintor, político brasileiro, em sua obra seminal da sociologia no Brasil: Casa Grande & Senzala.

Gilberto de Mello Freyre (1900-1987)


“Todo brasileiro, mesmo o alvo de cabelo loiro, traz na alma e no corpo a sombra ou pelo menos a pinta do indígena e do negro.


Estudando a vida doméstica dos antepassados sentimo-nos aos poucos nos completar em procurar o tempo perdido, e sentirmo-nos como parte daqueles que viveram antes de nós.”

Darcy Ribeiro, antropólogo, sociólogo, etnólogo, educador, acadêmico, poeta, romancista e político brasileiro, conhecido por seu foco em relação aos índios, à educação e a formação da população do Brasil, na sua obra O Povo Brasileiro.

Darcy Guimarães Ribeiro (1922-1997)


“Acusa-se, também, a mestiçagem, desconhecendo que somos um povo feito do caldeamento de índios com negros e brancos, e que nos mestiços constituímos o cerne melhor de nosso povo.

(…)

Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si... Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros...

Salmo 78 - Poema. De Asaf.

Povo meu, escuta minha lei,

dá ouvido às palavras de minha boca;

vou abrir minha boca numa parábola,

vou expor enigmas do passado.


O que nós ouvimos e conhecemos,

o que nos contaram nossos pais,

não o esconderemos a seus filhos;

nós o contaremos às gerações seguintes.


Tradução da Bíblia de Jerusalém, 1981, Ed. Paulinas, S.Paulo


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Tehilim 78 - Um "Maskil" de Asaf.

Escuta, meu povo, a minha Torah,

inclina teu ouvido às palavras que pronuncia a minha boca.

Contarei uma parábola e anunciarei enigmas

de tempos que já passaram há muito.

O que ouvimos e aprendemos, exposto por nossos pais,

não ocultaremos a seus descendentes, até as mais longínquas gerações.

Com Tradução e Transliteração, de Vitor Fridlin, David Gorodovits e Jairo Fridlin. Reprodução autorizada por Jairo Fridlin

Carlos Drummond de Andrade foi poeta, contista, cronista brasileiro, o mais influente poeta brasileiro do século XX. Gloriosos está na obra Boitempo (1968)

Carlos Drummond de Andrade (1902 -1987)


OS GLORIOSOS

O chão da sacristia é forrado de campas,

domicílio perpétuo dos Antigos,

pois assim deve ser: volta dos filhos

da Santa Madre à Matriz do batismo,

para serem pisados como pó

e lembrados como reis.


Stephen Robert Kuta um escritor, poeta, historiador e genealogista britânico.

Stephen Robert Kuta (1978)

“O sacrifício que nossos ancestrais fizeram ontem nos deu hoje e nosso amanhã.”

“Somos estrelas na constelação da nossa família”

Laurence Overmire poeta, autor, ator, educador, genealogista, ambientalista, ativista pela paz, pelos direitos civis, pelos direitos humanos e defensor dos direitos dos animais. A citação está no livro The Ghost of Rabbie Burns: An American Poet's Journey Through Scotland (2006) Laurence Overmire (1957)

Quando você rastreia sua genealogia, você encontra conexões com muitas das pessoas e eventos que moldaram a história. A História não é a história de alguns velhos estranhos irrelevantes. Não. A História é a sua história. Sua família estava lá — seus avós e avôs, tios e tias, primos, sobrinhos e sobrinhas. Se não fosse por eles, você nem estaria aqui.”

Cherry Kelly um escritora, poeta, memorialista e ensaísta estadunidense e ex-professora da Universidade de Inglês na Universidade de Wisconsin–Madison. A frase escolhida faz parte do livro The Exiled Heart: A Meditative Autobiograph

Cherry Kelly (1940)

“A história de seu bisavô… era sua própria história também.”

Anedota de genealogistas


“Os pecados de nossa mãe nos envergonham; os de nossas avós não nos afetam, mas os de nossas bisavós nos divertem.”