NOME POPULAR
Em Alagoas, oiti-cagão; no Amazonas, oitizeiro; na Bahia, oiti e oitimirim; no Ceará, goiti, oiti e oiti-da-praia; em Pernambuco, oiti-da-praia; em Minas Gerais, no Estado do Rio de Janeiro e em Sergipe, oiti; e no Rio Grande do Norte, oiti-trumbá.
ETIMOLOGIA
O nome genérico Licania provém de calignia, nome vernacular da planta na Guiana Francesa, provavelmente um anagrama (BARROSO et al., 1984; KLEIN; 1984); o epíteto específico tomentosa é porque os ramos jovens são lanado-tomentosos.
NOME CIENTÍFICO
Licania tomentosa (Benth.) Fritsch
FAMÍLIA
Chrysobalanaceae
Características morfológicas - Forma biológica e foliação: Licania tomentosa é uma espécie arbórea, de padrão foliar sempre-verde ou perenifólio. As árvores maiores atingem dimensões próximas a 20 m de altura e 60 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido a 1,30 m do solo), na idade adulta.
Tronco: é reto a levemente tortuoso. O fuste atinge até 7 m de comprimento.
Ramificação: é dicotômica. A copa é muito frondosa e atraente.
Casca: mede até 10 mm de espessura. A casca externa (ritidoma) é levemente fissurada.
Folhas: são simples, alternas, elípticas e lanceoladas; quando novas, são pilosas em ambos os lados, tornando-se glabras. A pilosidade se destaca quando a folha é esfregada.
Inflorescências: ocorrem em espigas ramosas, medindo de 15 cm a 30 cm de comprimento.
Flores: as flores de L. tomentosa são pequenas e brancas.
Fruto: é uma drupa de epicarpo carnoso, de formato oval, medindo de 5 cm a 16 cm de comprimento quando maduro, com uma semente (caroço).
Semente: é grande e envolta em massa amarela; quando madura, apresenta casca amarelada e embora seja pegajosa e fibrosa, é saborosa e tem aroma agradável.
Usos - Madeira serrada e roliça: pode ser usada em construção civil e em obras hidráulicas.
Energia: a madeira do oiti-da-praia produz lenha de boa qualidade.
Celulose e papel: a madeira dessa espécie é inadequada para esse uso.
Alimentação animal: os frutos dessa espécie são consumidos por animais, principalmente por porcos.
Aproveitamento alimentar: Licania tomentosa é bastante cultivada pelo fato de seus frutos serem comestíveis in natura e conterem uma amêndoa rica em óleo.
Apícola: essa espécie tem grande potencial melífero, por produzir pólen e néctar de qualidade.
Paisagístico: Licania tomentosa é amplamente cultivada em quase todo o Brasil, sendo usada na arborização de Manaus, AM (COSTA; HIGUCHI, 1999), no Estado de São Paulo (PRANCE, 2003), em Aracaju, SE (RESENDE et al., 2009), e em Fortaleza, CE (MORO; WESTERKAMP, 2011), com valores de 2,51% na contribuição do paisagismo, nos bairros Benfica e Jardim América. Essa espécie também integra a arborização de Brasília, DF, em pátios, ruas, mas apresentou sérios problemas em calçadas, por causa de suas raízes laterais, que quebram o calçamento e paredes de edificações próximas. No passado, até o oiti-mirim causou sérios problemas no Pátio da Embrapa Sede. Contudo, Licania tomentosa compõe o paisagismo da Capital Federal, inclusive na Estrada Parque Indústria e Abastecimento (EPIA) e na BR–020, de Brasília, DF, até a cidade satélite de Sobradinho, também no Distrito Federal. Essa espécie é a segunda mais usada no paisagismo das praças em Aracaju, SE, representando cerca de 15,8% do total das árvores plantadas (SOUZA et al., 2011).
Plantios com finalidade ambiental: nas áreas devastadas e invadidas pelo sapê (Imperata brasiliensis), essa espécie é uma das primeiras a se instalar (GUIMARÃES et al., 1988).
OCORRÊNCIA
No Brasil, Licania tomentosa ocorre nas seguintes Unidades da Federação: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Sergipe.
SUCESSÃO ECOLÓGICA
Licania tomentosa é uma espécie secundária inicial. O oiti-da-praia ocorre tanto no interior da Floresta Primária densa como em formações abertas e secundárias.
VETOR DE POLINIZAÇÃO
Essencialmente abelhas e diversos insetos pequenos.
DISPERSÃO DE SEMENTES
Autocórica (por gravidade) e zoocórica (por animais), notadamente morcegos.
FRUTO COMESTÍVEL?
Sim
ÉPOCA DE FRUTIFICAÇÃO
Frutos maduros ocorrem de janeiro a março, no Estado de São Paulo (ENGEL; POGGIANI, 1985; RODRIGUES, 1996a); de fevereiro a março, no Estado do Rio de Janeiro (SANTOS, 1979), e de fevereiro a abril, em Minas Gerais (CÂNDIDO, 1992).
ÉPOCA DE FLORAÇÃO
De julho a setembro, no Estado de São Paulo (ENGEL; POGGIANI, 1985; RODRIGUES, 1996a) e em outubro, no Estado do Rio de Janeiro (SANTOS, 1979).
REFERÊNCIAS DIGITAIS
CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Espécies Arbóreas Brasileiras / por Paulo Ernani Ramalho Carvalho. Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica ; Colombo, PR : Embrapa Florestas, 2014. 5v. (1.039p.) ; (Coleção Espécies Arbóreas Brasileiras).
Pindorama Filmes, disponível em: http://www.umpedeque.com.br/home.php
Mapa de ocorrência natural da espécie (CARVALHO, 2014)
Receita de doce de Oiti, no Canal Cássia Ternura, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sqLvirpKWFU