Alice Walker
A edição revisada de A cor púrpura, a obra-prima de Alice Walker vencedora do Pulitzer e um dos mais importantes títulos de toda a história da literatura. Alguns dos personagens mais marcantes da literatura estão neste livro; ganhador do Prêmio Pulitzer de 1983 e inspiração para o filme homônimo dirigido por Steven Spielberg em 1985.A cor púrpura é a história de Celie – por volta do período de 1900 a 1940 -, pobre, negra e praticamente analfabeta, no Sul dos Estados Unidos. Brutalizada desde a infância, a jovem foi estuprada pelo padrasto e depois forçada a se casar com Albert, um viúvo violento, pai de quatro filhos, que enxergava a esposa como empregada e lhe impunha sofrimentos físicos e morais rotineiramente.Celie escreve cartas para Deus e para a irmã, missionária na África, com uma linguagem peculiar que assume ritmo e cadência próprios e líricos, à medida que a adolescente cresce e começa a arregimentar experiências e amigos. Entre eles, a inesquecível Shug Avery, cantora, amante de Albert e responsável por uma sensível melhora na rotina de Celie.Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura não se resume às lágrimas derramadas pelo leitor diante das perversidades aqui relatadas – e longe de serem apenas fruto da imaginação de Alice Walker. Por trás de triste história de Celie, há uma crítica à relação entre homens e mulheres, ao poder dado ao homem em uma sociedade que ainda hoje luta por igualdade entre gêneros, etnias e classes sociais. Um livro que retrata um pedaço do mundo no início do século XX, mas que nos mostra a atualidade de determinadas questões.
Carter G. Woodson
Um dos mais importantes livros sobre educação já escritos. Nesta obra, o historiador Carter Godwin Woodson aponta que os currículos escolares são baseados na cultura eurocêntrica, desprezando a história e a cultura africana.
Com exemplos práticos e soluções, Woodson demonstra que esse sistema não prepara o estudante negro para o sucesso e, além disso, o impede de criar uma identidade própria, doutrinando-o para que assuma uma posição de pária social.
A (des)educação do negro é um manual para que se liberte a mente do menosprezo pela ancestralidade africana, é um dedo apontado para um sistema, até hoje, ainda racista, uma obra fundamental para todos.
Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí
Marco referencial no campo dos estudos de gênero, o livro da socióloga nigeriana Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí oferece uma nova maneira de compreender o papel social da mulher a partir de referências africanas, especificamente da cultura iorubá. A pesquisa, resultado de sua tese de doutorado, revela como a ideologia do determinismo biológico está no cerne das categorias sociais ocidentais – a ideia de que a biologia fornece a base lógica para organizar o mundo social. Em oposição, a autora mostra como conceitos baseados no corpo não eram centrais na organização das sociedades iorubás antes da colonização. Dessa maneira, sua análise acaba por destacar a natureza contraditória de dois pressupostos fundamentais da teoria feminista: que o gênero é socialmente construído e que a subordinação das mulheres é universal. Na recuperação dos conceitos africanos, apagados pela experiência colonial, A invenção das mulheres apresenta uma crítica da tradição ocidental que alterou o modo como os estudos de gênero se articulam, expandindo significativamente o seu campo de análise.
Gislene Aparecida dos Santos
Apesar de o Brasil ser conhecido mundialmente como o país de maior tolerância racial e convivência pacífica entre povos diversos, para a população negra os cinco séculos de história nacional não produziram grandes alterações no tocante ao racismo e ao ideário de submissão e inferioridade que eles vivenciam. Uma das principais razões é a dificuldade de se estabelecer os critérios que definem o "ser negro" em nossa sociedade, já que vivemos em um país "mestiço" por excelência, no qual a imagem do negro foi esvaziada dos conceitos de beleza estética, moral, material e cultura. "Ser negro" significou e ainda significa ser inferior aos demais membros de nossa sociedade – ter menor escolaridade e emprego, menos acesso à cultura e ao status. Quantos não são os "mulatos", os "pardo-claros", os "moreninhos", os "escurinhos" que tentam dissimular a cor de usa pele na tentativa de fugir do gueto em que foram colocados pela elite pensante? Em A invenção do ser negro – um percurso das idéias que naturalizam a inferioridade dos negros, esses e outros conceitos são discutidos com seriedade, permitindo esclarecimento que levarão, certamente, à discussão do futuro do negro e sua inserção em nossa sociedade.
Angela Davis
O novo livro da ativista política Angela Davis reúne uma ampla seleção de seus artigos, discursos e entrevistas recentes realizados em diferentes países entre 2013 e 2015, organizados pelo militante dos direitos humanos Frank Barat. Os textos trazem reflexões sobre como as lutas históricas do movimento negro e do feminismo negro nos Estados Unidos e a luta contra o apartheid na África do Sul se relacionam com os movimentos atuais pelo abolicionismo prisional e com a luta anticolonial na Palestina. Além de sua reconhecida atuação política no combate ao racismo, Davis denuncia também o sexismo, demonstrando de forma muito objetiva a relação entre a violência contra a mulher e a violência do Estado.
Michelle Alexander
O livro desafiou a noção de que o governo Obama assinalava o advento de uma nova era pós-racial e teve um efeito explosivo na imprensa e no debate público estadunidense, acumulando prêmios e inspirando toda uma geração de movimentos sociais antirracistas. A nova segregação ganhou o NAACP Image Award de melhor não ficção em 2011. Pedro Davoglio assina a tradução. 'O sistema de castas raciais nos EUA não foi superado, foi meramente redesenhado', diz a jurista. Ao analisar o sistema prisional dos EUA, Alexander fornece uma das mais eloquentes exposições de como opera o racismo estrutural e institucionalizado nas sociedades ocidentais contemporâneas. Para a autora, o encarceramento em massa se organiza por meio de uma lógica abrangente e bem disfarçada de controle social racializado e funciona de maneira semelhante ao sistema 'Jim Crow' de segregação, abolido formalmente nos anos 1960 após o movimento por direitos civis nos Estados Unidos. Não é à toa que este país possui atualmente a maior população carcerária do mundo (com o Brasil pouco atrás, em 4º lugar, depois da China e da Rússia).
Toni Morrisson
Baseado nos discursos que Toni Morrison proferiu na universidade de Harvard, A origem dos outros é uma busca de respostas para questões históricas, políticas e literárias sobre o racismo e a radicalização da identidade. Se o racismo é aprendido com exemplos cotidianos, a literatura mostra-se uma arma fundamental para combater o problema.
Pensando nisso, a autora analisa autores desde Harriet Beecher Stowe até Ernest Hemingway e William Faulkner para entender melhor o papel da narrativa no estabelecimento dos padrões de pensamento racial.
A origem dos outros é um livro de atualidade extraordinária, no qual os temas que estamos acostumados a ver banalizados e desencorajados no debate público são abordados pela escritora americana com extrema elegância.
Cuti
Organizado em contos mais extensos, curtos e curtíssimos, “A pupila é preta” é um livro vibrante que expõe as fricções das relações raciais no Brasil, se atendo, principalmente, aos afetos que o racismo inaugura, aprisiona ou encerra. Com emotividade, ironia e humor, Cuti parece ter um alvo definido, os “pontos existenciais de interrogação no fundo negro das pupilas de cada um”, e, justamente, por iluminar o que nos une e separa, que a fruição desta obra se torna um momento imprescindível para os leitores.
*Sugestão da Amanda Pereira
Davi Kopenawa
Um grande xamã e porta-voz dos Yanomami oferece neste livro um relato excepcional, ao mesmo tempo testemunho autobiográfico, manifesto xamânico e libelo contra a destruição da floresta Amazônica.
Publicada originalmente em francês em 2010, na prestigiosa coleção Terre Humaine, esta história traz as meditações do xamã a respeito do contato predador com o homem branco, ameaça constante para seu povo desde os anos 1960. A queda do céu foi escrito a partir de suas palavras contadas a um etnólogo com quem nutre uma longa amizade - foram mais de trinta anos de convivência entre os signatários e quarenta anos de contato entre Bruce Albert, o etnólogo-escritor, e o povo de Davi Kopenawa, o xamã-narrador.
A vocação de xamã desde a primeira infância, fruto de um saber cosmológico adquirido graças ao uso de potentes alucinógenos, é o primeiro dos três pilares que estruturam este livro. O segundo é o relato do avanço dos brancos pela floresta e seu cortejo de epidemias, violência e destruição. Por fim, os autores trazem a odisseia do líder indígena para denunciar a destruição de seu povo.
Recheada de visões xamânicas e meditações etnográficas sobre os brancos, esta obra não é apenas uma porta de entrada para um universo complexo e revelador. É uma ferramenta crítica poderosa para questionar a noção de progresso e desenvolvimento defendida por aqueles que os Yanomami - com intuição profética e precisão sociológica - chamam de "povo da mercadoria".
Muryatan S. barbosa
O colonialismo não se ocupou apenas de territórios. Também se provou bastante eficaz em povoar as mentes. E, por causa da hegemonia europeia e branca, durante muito tempo soubemos pouco a respeito da produção intelectual nos países africanos. Terminado o período colonialista, demorou ainda muitos anos para passarmos a valorizar ― e a articular ― nomes fundamentais da filosofia e das ciências sociais daquele continente. Temas como nação, autonomia cultural, racismo, identidade e entendimento da questão negra perpassam o melhor pensamento vindo da África nos últimos dois séculos. E nos ajudam, latino-americanos e brasileiros, a ler com mais acuidade a nossa própria posição no Ocidente. É o que propõe este livro pioneiro, escrito com clareza exemplar pelo historiador Muryatan S. Barbosa; uma obra de síntese, abrangente e sofisticada, para ser lida por qualquer pessoa interessada na construção de um sistema intelectual original e inovador. O autor oferece um panorama claro e articulado (no percurso social e na história das ideias) sobre pensadores e conceitos que ajudaram a romper os grilhões da África. E do mundo inteiro.
Kaká Werá Jecupé
O Brasil é a terra dos mil povos, o seio que abrigou os filhos de muitas terras estrangeiras e que alimentou, com amor de mãe genuína, os milhares de povos indígenas que aqui habitavam há cerca de 15 mil anos. Quem eram e o que pensavam os primeiros habitantes desta terra? Antropólogos se debruçaram sobre essa questão e deixaram contribuições definitivas para a compreensão desse capítulo da nossa história. A maioria das nações indígenas, no entanto, permaneceu calada, sofrendo passivamente as influências da civilização do homem branco, que chegou tão perto e, no entanto, optou por manter-se distante, atirando no esquecimento toda a riqueza da tradição, do pensamento e da espiritualidade indígenas. Um novo olhar foi inaugurado às vésperas do aniversário de quinhentos anos do descobrimento do Brasil, e este livro, que nos revela o caráter absolutamente universal dessas tradições, foi um de seus precursores.
Ailton Krenak
Em reflexões provocadas pela pandemia de covid-19, o pensador e líder indígena Ailton Krenak volta a apontar as tendências destrutivas da chamada “civilização”: consumismo desenfreado, devastação ambiental e uma visão estreita e excludente do que é a humanidade.
Um dos mais influentes pensadores da atualidade, Ailton Krenak vem trazendo contribuições fundamentais para lidarmos com os principais desafios que se apresentam hoje no mundo: a terrível evolução de uma pandemia, a ascensão de governos de extrema-direita e os danos causados pelo aquecimento global.
Crítico mordaz à ideia de que a economia não pode parar, Krenak provoca: “Nós poderíamos colocar todos os dirigentes do Banco Central em um cofre gigante e deixá-los vivendo lá, com a economia deles. Ninguém come dinheiro”. Para o líder indígena, “civilizar-se” não é um destino. Sua crítica se dirige aos “consumidores do planeta”, além de questionar a própria ideia de sustentabilidade, vista por alguns como panaceia.
Se, em meio à terrível pandemia de covid-19, sentimos que perdemos o chão sob nossos pés, as palavras de Krenak despontam como os “paraquedas coloridos” descritos em seu livro Ideias para adiar o fim do mundo, que já vendeu mais de 50 mil cópias no Brasil e está sendo traduzido para o inglês, francês, espanhol, italiano e alemão.
A vida não é útil reúne cinco textos adaptados de palestras, entrevistas e lives realizadas entre novembro de 2017 e junho de 2020.
Pesquisa e organização de Rita Carelli.
Paulina Chiziane
A escritora Chope, filha de alfaiate de esquina e de uma camponesa dona de casa, usa o seu poder de contadora de histórias para partilhar o percurso de três personalidades, desafiando o(a) leitor(a) com um debate sobre o passado e o presente em Moçambique. (Amâncio Miguel)
W. E. B. Du Bois
As Almas da Gente Negra (The Souls of Black Folk) é uma obra clássica da Literatura Estado-Unidense, escrita por W. E. B. Du Bois. Trata-se de um trabalho sobre a História da Sociologia. É um princípio básico para a História da Literatura Afroestadunindense.
Foi publicado em 1903 e contém vários ensaios sobre a Raça Negra, alguns dos quais já haviam sido retratados pela Revista ''Atlantic Monthly''. Du Bois tirou de suas próprias experiências, o fundamento para desenvolver este trabalho pioneiro, sobre como era ser um afro-americano na sociedade americana. As Almas da Gente Negra ocupa um lugar importante nas Ciências Sociais, sendo uma das primeiras obras sociológicas.
Márcio Souza
Conheça a fundo a história e a situação atual da Amazônia e dos índios que vivem na região. Com a bagagem de mais de quarenta anos de dedicação à cultura amazonense, Márcio Souza encarregou-se da tarefa monumental de reunir a mais recente pesquisa sobre a Amazônia e os índios da região, derrubando falsas ideias construídas por décadas de desinformação. Em capítulos curtos, de leitura fácil mas repletos de informação, Amazônia indígena fala das culturas primitivas da Amazônia, passando pelos horrores do processo colonial e dos sucessivos genocídios de indígenas que ocorreram na história do Brasil, até as atuais polêmicas ambientais. Os índios foram – e ainda são – bravos resistentes diante do poderio econômico e bélico das multinacionais e da destruição da floresta.Essencial para repensar a relação do Brasil com seus habitantes mais antigos, Amazônia indígena é uma densa e empolgante obra sobre o gigantismo da cultura dos índios e uma intensa reflexão sobre os rumos que o território amazônico está tomando.
Chimamanda Ngozi Adichie
Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Principal autora nigeriana de sua geração e uma das mais destacadas da cena literária internacional, Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero. Bem-humorado, sagaz e implacável, Americanah é, além de seu romance mais arrebatador, um épico contemporâneo. “Em parte história de amor, em parte crítica social, um dos melhores romances que você lerá no ano.” - Los Angeles Times “Magistral… Uma história de amor épica…” - O, The Oprah Magazine Vencedor do National Book Critics Circle Award. Eleito um dos 10 melhores livros do ano pela NYT Book Review. Há mais de 6 meses nas listas de best-sellers. Direitos para cinema comprados por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por Doze anos de escravidão.
Bell hooks
Para bell hooks, a melhor crítica cultural não considera necessário separar a política do prazer da leitura. Anseios reúne alguns dos primeiros e clássicos textos de crítica cultural publicados pela autora nos anos 1980. Abordando temas como pedagogia, pós-modernismo e política, bell hooks examina uma série de artefatos culturais, dos filmes Faça a coisa certa, de Spike Lee, e Asas do desejo, de Wim Wenders, aos escritos de Zora Neale Hurston e Toni Morrison. O resultado é uma coleção comovente de ensaios que, como toda a obra da autora, dedica-se sobretudo à transformação de estruturas opressoras de dominação.
Bárbara Oliveira Souza
O movimento quilombola é, na atualidade, uma das mais importantes mobilizações coletivas no Brasil, por sua conexão com uma ampla gama de pautas, com destaque para a luta por seus territórios tradicionais, a partir dos quais se articulam mobilizações relacionadas aos movimentos negros, de mulheres, de povos e comunidades tradicionais, de educação interétnica, do campo e da juventude. São processos de caráter local, regional, nacional e alcançam também redes internacionais. Diante desse quadro, Bárbara Oliveira Souza traça um panorama sobre as dimensões históricas, identitárias e políticas do movimento quilombola no País, tecendo reflexões sobre as relações estabelecidas entre o movimento quilombola, o Estado, o setor privado, as organizações da sociedade civil e demais atores imbricados em seu processo de afirmação de direitos.
Márcia Wayna Kambeba
A cultura indígena se propaga e se mantém, há milênios, pela tradição oral. Narrativas, rituais sagrados, costumes e a própria língua são transmitidos a partir da conversa e da contação de histórias. Se o inevitável contato entre os povos originários e o "branco" colonizador trouxe muitos prejuízos a essas culturas, também promoveu um rico diálogo entre indivíduos. Graças ao acesso à literatura brasileira pode contar com a presença fundamental de autores indígenas para multiplicar ainda mais seu alcance.
Márcia Wayna Kambeba é uma dessas vozes, que se firma percorrendo o Brasil com sua poesia e sua música. Em Ay Kakyri Tama [eu moro na cidade, em tupi-kambeba] ela constrói uma ponte entre sua origem indígena e a vida em cidades do Pará, apresentando a história de seu povo e sua luta em poesias e imagens repletas de emoção e verdade.
Com uma população conhecida de 50 mil pessoas, entre aldeados e moradores da cidade, o leitor pode conhecer e se encantar pela etnia Omágua/Kambeba pelo olhar acolhedor e combativo de Márcia, uma de suas vozes mais expressivas.
Conceição Evaristo
Becos da memória é um dos mais importantes romances memorialistas da literatura contemporânea brasileira. A autora traduz, a partir de seus muitos personagens, a complexidade humana e os sentimentos profundos dos que enfrentam cotidianamente o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria; dos que a cada dia têm a vida por um fio. Sem perder o lirismo e a delicadeza, a autora discute, como poucos, questões profundas da sociedade brasileira.
Branquitude: Estudos sobre a Identidade Branca do Brasil.
Tânia M. P. Muller e Lourenço Cardoso
“A branquitude significa pertença étnico-racial atribuída ao branco. Podemos entendê-la como o lugar mais elevado da hierarquia racial, um poder de classificar os outros como não brancos, que, dessa forma, significa ser menos do que ele. O ser-branco se expressa na corporeidade, a brancura. E vai além do fenótipo. Ser branco consiste em ser proprietário de privilégios raciais simbólicos e materiais.
Com dezessete capítulos, este livro trata da identidade branca com foco na realidade social brasileira”. (Os organizadores) “Os estudos sobre as relações raciais muito falaram do negro e dos problemas que lhe foram criados no universo racial brasileiro, mas deixaram de falar de brancos numa sociedade em que a Branquitude poderia também fazer parte do processo de transformação social, partindo da hipótese de que os brancos conscientes dos privilégios que sua cor lhes traz na sociedade poderiam questioná-los e participar do debate sobre a divisão equitativa do produto social nacional entre brancos e negros. Sem entrar nos pormenores da riqueza de cada um desses textos cuja leitura nos desafia, devo aqui relevar suas contribuições na renovação e atualização do nosso pensamento sobre as lutas contra o racismo em busca de mudanças transformadoras do desequilíbrio e desigualdades entre brasileiros e brasileiras de descendência africana, sujeitos da negritude, e de ascendência europeia, sujeitos da branquitude”. Kabengele Munanga (Universidade de São Paulo)
Geledés - Centro de Documentação e Memória Institucional
Com a publicação Brasil e Durban 20 anos depois, o Instituto Geledés pretente resgatar as ações desenvolvidas pelas organizações da sociedade civil brasileira na construção de sua incidência política na III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada em Durban, África do Sul, no ano de 2001. Visa a documentar para fins históricos, de aprendizagem e avaliação crítica os desafios e obstáculos enfrentados bem como as estratégias utilizadas por mulheres e homens afro-descendentes e seus aliados e aliadas para alcançarem os resultados inscritos na Declaração e Programa de Ação de Durban.
Texto adaptado do site:https://www.geledes.org.br/brasil-e-durban-20-anos-depois-o-livro/Cantos e Encantos
Urutau Guajajara
é fruto do curso homônimo ministrado por Urutau Guajajara na Aldeia Maracanã. Apresenta um conjunto de cantos indígenas Guajajaras, nos idiomas originais e traduzidos para o português. Os cantos são apresentados acompanhados de desenhos realizados por crianças e adultos em oficinas organizadas por indígenas da Aldeia junto com a artista e educadora Nena Balthar. Também conta com design de Lucas Icó e ilustrações da artista Guarani Wanessa Ribeiro, e é acompanhado de gravações dos cantos gravados especialmente para o projeto, acessíveis por QR code.
Cartas para Minha Avó
Djamila Ribeiro
No mais pessoal e delicado de seus livros, a filósofa Djamila Ribeiro revisita sua infância e adolescência para discutir temas como ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. O relato se dá na forma de cartas a sua saudosa avó Antônia ― carinhosa e amorosa, conhecedora de ervas curativas e benzedeira muito requisitada.
A cumplicidade que sempre houve entre avó e neta é o que permite que a autora rememore episódios difíceis, como a perda do pai e da mãe, as agressões que sofreu como mulher negra no Brasil e os desafios para integrar a vida acadêmica. Djamila também fala de relacionamentos amorosos e experiências profissionais, das músicas, das leituras e das amizades que a acompanharam em sua construção pessoal ― e da percepção paulatina de que a memória das lutas e das conquistas das pessoas negras que vieram antes de nós é a força que nos permite seguir adiante.
Isabel Wilkerson
*Postagem sugerida pela professora Elisete Dutra
Neste best-seller internacional, a jornalista Isabel Wilkerson, vencedora do prêmio Pulitzer, compara os Estados Unidos, a Índia e a Alemanha nazista, revelando como nosso mundo foi moldado pela noção de casta ― e como suas hierarquias rígidas e arbitrárias nos dividem ainda hoje. Escrito de modo criativo e original, Casta fornece pistas importantes para entender a crise da democracia nas sociedades ocidentais e o que está por trás dos protestos antirracistas que assumiram dimensões globais após o assassinato de George Floyd. Ninguém pode se dar ao luxo de ignorar a clareza moral de seus insights ou seu apelo urgente por um mundo mais livre e justo. Um dos livros de maior sucesso nos Estados Unidos em 2020, esta é uma obra fundamental para o debate antirracista no Brasil e no mundo.
“Um clássico instantâneo e provavelmente o mais importante livro americano de não ficção já publicado no século XXI.” ― The New York Times
“Magnífico. Profundo. Revelador. Sóbrio. Esperançoso.” ― Oprah Winfrey
“Uma ampla investigação sobre racismo, desigualdade institucional e injustiça. É um livro duro, que cala fundo, e não poderia ter chegado em um momento mais urgente.” ― The Guardian
Antônio Bispo dos Santos
A obra é um relato de saberes que integram o ponto de vista quilombola. Nego Bispo, do quilombo Saco-Curtume (PI), discute temas recorrentes nos estudos sobre formação social do Brasil. Apesar da linguagem escrita, o enredo transporta o leitor para uma roda de conversa sobre a colonização e a luta contra-colonial por meio de poesias, ditados e memórias. A partir da visão quilombola, a interpretação histórica sobre o Brasil compõe um arranjo teórico do processo de dominação racial que leva a uma série de guerras – cognitivas, religiosas, econômicas, culturais, etc. – que se desdobram do regime colonial até o democrático.
Graça Graúna
O trabalho de Graca Graúna como escritora e crítica literária, portanto, abre uma zona de contato onde a oralidade e a escrita indígena brasileira constituem um hífen enquanto fissura e fusão – uma différance – que suplementa e subverte o discurso monocultural do cânone crítico-literário. Desta forma, contribui para a construção de uma encruzilhada crítica e literária brasileira caracterizada por uma verdadeira pluralidade cultural, identitária e étnico-racial.” (Roland Walter).
Daniel Munduruku
Na apresentação do livro Contos indígenas brasileiros, publicado em 2004, o autor, Daniel Munduruku, afirmou: “O Brasil é o país da diversidade cultural e linguística. Aqui em nossas terras, convivem mais de 250 povos diferentes, falando 180 línguas e dialetos, morando em todos os estados desse imenso país. São mais de 750 mil pessoas, segundo os últimos dados do IBGE, que buscam manter acesas as chamas de sua tradição e o equilíbrio de suas próprias vidas.” Os oitos contos selecionados pelo autor, a partir de um critério linguístico, têm a intenção de retratar, através de seus mitos – o roubo do fogo, a origem do fumo, depois do dilúvio, entre outros -, a caminhada de alguns de nossos povos indígenas do norte ao sul do país – Guarani, Karajá, Munduruku, Tukano, entre outros. A leitura dessas histórias dá às crianças uma rica visão de nossa herança cultural.
Aracy Lopes da Silva e Angela Nunes
Como vivem as crianças indígenas brasileiras, do que brincam, quais são seus interesses, como ocupam seu tempo, sobre o que aprendem e como o fazem? Há pesquisas sobre elas? Muito mais do que fechar conclusões, os ensaios deste livro abrem possibilidades de reflexão e ação.
Joaze Bernardino-Costa, Nelson Maldonado-Torres, Ramón Grosfoguel (orgs.)
Decolonialidade e pensamento afrodiaspórico constitui-se em um esforço de construção de um diálogo horizontal entre teóricos(as) decoloniais, feministas negras, intelectuais/ativistas antirracistas e negros(as). Adotando uma noção ampla de decolonialidade, reconhecemos o posicionamento decolonial nos processos de resistência e reexistência das populações afrodiaspóricas brasileira, caribenha, norte-americana e africana. Fundamental para tais processo tem sido a afirmação corpo-geopolítica dessas populações, a partir da qual outros conhecimentos, novas formas de existência e projetos políticos têm sido elaborados. Uma das pretensões deste livro é se tornar uma plataforma aberta ao debate, inspirando e recebendo as contribuições da nova geração de estudantes negros(as) que estão colorindo as universidades brasileiras, que, até bem pouco tempo atrás, eram quase completamente brancas.
Rosa Katemari
Historicamente, a produção cientifica e, portanto, o ensino de Ciências, foi pensado a partir dos mitos criados pela colonialidade europeia que estabeleceu padrões de civilidade, de progresso e de humanidade, ao passo que construiu uma história particular, por eles, universalizada. Em meio a esse processo se deu também a ¨construção¨ deu ma ciência moderna monocultural e epistemicida, que negou outras matrizes civilizatórias e defenestrou conhecimentos cientifíco-tecnológicos milenares de Povos Ancestrais, como por exemplo, os povos Africanos, os primeiros a habitarem o mundo. Nesse sentido, essa obra tem o intuito de pensar as Ciências e, portanto, o seu ensino a partir de outras narrativas que resgatem os saberes ancestrais africanos e afro-diaspóricos. Deste modo, apresentamos Proposições Didáticas para o ensino das Ciências a partir da história do Povo Negro no Brasil e por meio do marco legal aa Lei 10.639/2003 que tornou obrigatório o ensino de História E Cultura Afro-Brasileira na Educação Básica nos níveis fundamental e médio, o que perpassa pela sua obrigatoriedade também na formação inicial e continuada de professoras e professores.
Bárbara Carine Soares Pinheiro
O descolonizando_saberes: mulheres negras nas ciências é um livro que tem a finalidade de difundir grandes nomes da ciência africana e afrodiaspórica, socializando produções científico-tecnológicas de mulheres negras das ciências biomédicas, matemáticas e tecnológicas. No capítulo um a autora profa. Dra. Bárbara carine traz uma escrevivência da sua trajetória enquanto mulher negra, mãe, filha, irmã, amiga, companheira, professora de química, doutora, pesquisadora, que, só depois de ter escrito sua tese de doutorado, percebeu que nunca tratou de suas motivações pessoais, nunca deu sentidos próprios a sua produção, à sua intelectualidade e à sua escrita. O capítulo dois apresenta um debate acerca da história da ciência em uma perspectiva descolonial. O capítulo três, por sua vez, apresenta as produções de várias cientistas negras africanas e afrodiaspóricas que nos inspiram diariamente. Este livro revela a importância de brasileiras notáveis, cujas realizações, às vezes ignoradas pela sociedade, ajudam a inspirar e aumentar a autoestima coletiva, além terem contribuído para a redução das desigualdades raciais, econômicas e sociais.
Este livro foi editado em 1994, num momento em que o Brasil estava intensificando a adesão ao neoliberalismo. Então, ele foi muito importante para compreender como as dinâmicas raciais no Brasil estão articuladas com o modelo capitalista e a luta de classes. Como superar o racismo num projeto político que tenta superar o neoliberalismo, entretanto, existem forças conservadoras que ainda atuam no sentido de impedir esse avanço. O prefácio foi atualizado na nova edição, recontextualizando a obra no momento que em que vivemos hoje, mostrando que as interpretações de Clovis Moura sobre a questão racial, que têm uma visão marxista, são muito importantes para o movimento negro contemporâneo.
Organização: Flávia Rios, Alex Ratts e Márcio André dos Santos
Obra de referência, pioneira em realizar o intento de ter especialistas brasileiros e latino-americanos exclusivamente pertencentes aos grupos mais histórica e socialmente discriminados (negros, mulheres, indígenas, judeus) abordando a discriminação, os racismos e as relações étnicas em nosso país, por meio de 53 artigos que abrangem um amplo espectro de temas, de Afrocentricidade a Xenofobia, passando por movimento negro, feminismos, genocídio, cultura negra, islamofobia, perigo amarelo etc.
Eliane Cavallero
*Postagem sugerida pela professora Elisete Dutra
DO SILÊNCIO DO LAR AO SILÊNCIO ESCOLAR é a interpretação crítica e analítica de uma pesquisa feita pela professora Eliane Cavalleiro sobre a discriminação das crianças negras em sala de aula. Os resultados são chocantes e mostram inúmeras situações de preconceito racial ocorridas durante as aulas. Esse livro é um primeiro e importante passo para que o Brasil rompa o silêncio em torno do racismo e comece a lutar para eliminá-lo de vez do sistema educacional.
Vilma Piedade
Não é só sororidade, é Dororidade, diz-nos Vilma Piedade. Aqui, ela luta com palavras: o que é, afinal, Dororidade? O que este conceito aprofunda no diálogo feminista? Vilma Piedade desenvolve, com sua força, com sua militância e com seu estilo autêntico, legítimo Pretoguês, um conceito que nasceu de sua intuição e se espalhou amplamente, tornando-se necessário. Será possível construir o Feminismo Interseccional Inclusivo? Não sem todos os tons de Pretas. Não sem compreender o que é Dororidade.
Bell Hooks
Uma obra fundamental sobre a mulher negra e os preconceitos socioculturais ainda presentes.
Clássico da teoria feminista, Eu não sou uma mulher? tornou-se leitura obrigatória para as pessoas interessadas nas questões relacionadas à mulheridade negra e na construção de um mundo sem opressão sexista e racial.
Sojourner Truth, mulher negra que havia sido escravizada e se tornou oradora depois de liberta em 1827, denunciou, em 1851, na Women's Convention – no discurso que ficou conhecido como "Ain't I a Woman" – que o ativismo de sufragistas e abolicionistas brancas e ricas excluía mulheres negras e pobres. A partir do discurso de Truth, que dá título ao livro, hooks discute o racismo e sexismo presentes no movimento pelos direitos civis e no feminista, desde o sufrágio até os anos 1970.
Além de examinar o impacto do sexismo nas mulheres negras durante a escravidão, a desvalorização da mulheridade negra, o sexismo dos homens brancos e negros, o racismo entre as feministas, os estereótipos atribuídos a mulheres negras, o imperialismo do patriarcado e o envolvimento da mulher negra com o feminismo, hooks pretende levar nosso pensamento além das suposições racistas e sexistas. O resultado é um trabalho revolucionário, um livro imprescindível, a ser lido por todas as pessoas que lutam para tornar o mundo um lugar livre de opressões de raça, cor, classe e gênero.
Giovana Maria da Silva
Educação, quilombos, participação e protagonismo feminino... Onde esses temas se encontram? Este trabalho discute como esses encontros acontecem, quais são suas formações e tensões, a partir da experiência de Conceição das Crioulas, e como a educação pode mudar para melhor a vida de uma população. A construção de uma educação que se proponha a romper com alguns desafios e, nesse caso, os desafios de interagir, partilhar e reconhecer os saberes de outros sujeitos, formados a partir de outras bases epistemológicas, tem à sua frente enormes obstáculos. Convidamos a leitora e o leitor a embarcarem conosco nessa leitura e, ao final, avaliarem se valeu a pena ou não.
Compiladores: Givânia Maria da Silva, Romero de Almeida Silva, Selma dos Santos Dealdina, Vanessa Gonçalvves da Rocha
*Postagem sugerida por Míriam Aprígio Pereira Luízes
O livro é composto por trabalhos que afirmam a importância da luta quilombola e apresentam reflexões sobre o contexto educacional brasileiro e a luta territorial, tópico de constantes disputas. As epistemologias quilombolas apresentadas evidenciam as existências múltiplas que lutam por respeito e direitos que deveriam ser básicos. Os textos são fruto da I Jornada Nacional Virtual de Educação Quilombola, evento que foi uma parceria entre a Universidade de Brasília (UnB) e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), sendo o primeiro evento organizado pelo Coletivo Nacional de Educação. A publicação foi viabilizada com o apoio do Instituto Ibirapitanga, por meio de parceria entre o Selo Sueli Carneiro e a Editora Jandaíra.
Saulo Pequeno Nogueira Florêncio, Patrícia Lima Martins Pederiva, Daniela Barros Pontes
*Postagem sugerida por Míriam Aprígio Pereira Luízes
A educação pela tradição oral de matriz africana é um processo educativo complexo e diverso, reconhecido em um vasto número de comunidades afro-brasileiras como a base da sua constituição. O livro Educação na Tradição Oral de Matriz Africana: a constituição humana pela transmissão oral de saberes tradicionais um estudo histórico-cultural dialoga com as culturas populares, povos e comunidades tradicionais de matriz africana, cuja existência é marcada pelo Atlântico Negro, pelo sequestro e escravização das populações do continente africano, suas resistências e superações. O Brasil foi o país que recebeu o maior número de pessoas submetidas à escravidão. Com a Diáspora Africana, a prática da educação pela tradição oral africana reconfigurou-se no Brasil ao longo dos séculos para o que hoje se denomina Tradição Oral de Matriz Africana. A educação hegemonicamente reconhecida é aquela de característica eurocêntrica. De forma geral, essa educação tem dificuldades em dialogar com outras concepções de educação, como os processos educativos que ocorrem em contextos e territórios tradicionais, invisibilizando historicamente seus aspectos intelectuais, epistemológicos, corporais, culturais, cosmológicos, afetivos e de constituição humana. Na relevância dessas reflexões é que se situa o presente livro, trazendo a Tradição Oral de Matriz Africana como sinônimo de Educação, no seu mais amplo sentido. Entendida como processo de constituição humana, por meio da oralidade corporificam-se em suas detentoras e detentores a cultura, a ancestralidade, a história das populações negras desde áfrica. é processo educativo fundado e guiado pela consciência e exercício da ancestralidade de matriz africana, que traz na sua essência o caráter de resistência e constituição do ser, reafirmando perante o mundo suas formas de viver, educar e reexistir.
Potyra Krikati Guajajara, Urutau Guajajara, Julia Xavante e Lucas Munduruku e outros
*Postagem sugerida pela Eliana Aparecida Novaes
A obra foi concebida com a finalidade de ensinar quem possui o interesse de aprender e conhecer um pouco mais sobre a cultura, história e religiosidade das diversas etnias que residem na aldeia.
Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano Lilia Moritz Schwarcz
*Postagem sugerida pela professora Elisete Dutra
Nesta Enciclopédia negra, Flávio dos Santos Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Moritz Schwarcz passam em revista a história do Brasil, da colonização aos dias atuais, a fim de restabelecer o protagonismo negro. E o fazem alcançando o que há de singular, multifacetado e profundo na existência particular de mais de quinhentos e cinquenta personagens.
São profissionais liberais; mães que lutaram pela alforria da família; ativistas e revolucionários; curandeiros e médicos; líderes religiosos que reinventaram outras Áfricas no Brasil, pessoas cujas feições foram apagadas pela história. Por isso, 36 artistas negros, negras e negres criaram retratos inspirados pelos verbetes desta enciclopédia, aqui reunidos em um belíssimo caderno de imagens.
Em um momento de produção e disseminação errática de informações, esta obra contribui para conformar um seguro repositório de experiências individuais e coletivas às quais ― como pessoas e como sociedade ― podemos recorrer em busca de inspiração e orientação.
Ta-Nehisi Coates
Ta-Nehisi Coates é um jornalista americano que trabalha com a questão racial em seu país desde que escolheu sua profissão. Filho de militantes do movimento negro, Coates sempre se questionou sobre o lugar que é relegado ao negro na sociedade. Em 2014, quando o racismo voltou a ser debatido com força nos Estados Unidos, Coates escreveu uma carta ao filho adolescente e compartilha, por meio de uma série de experiências reveladoras, seu despertar para a verdade em relação a seu lugar no mundo e uma série de questionamentos sobre o que é ser negro na América. O que é habitar um corpo negro e encontrar uma maneira de viver dentro dele? Como podemos avaliar de forma honesta a história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa? Em um trabalho profundo que articula grandes questões da história com as preocupações mais íntimas de um pai por um filho, Entre o mundo e eu apresenta uma nova e poderosa forma de compreender o racismo. Um livro universal sobre como a mácula da escravidão ainda está presente nas sociedades em diferentes roupagens e modos de segregação.
Bell Hooks
Em 'Ensinando a transgredir', Bell Hooks – escritora, professora e intelectual negra insurgente – escreve sobre um novo tipo de educação, a educação como prática da liberdade. Para Hooks, ensinar os alunos a “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor. 'Ensinando a transgredir', repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino. Segundo Bell Hooks, “a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender”. Ensinando a transgredir registra a luta de uma talentosa professora para fazer a sala de aula dar certo.
Bell Hooks
"A existência humana é, porque se fez perguntando, a raiz da transformação do mundo. Há uma radicalidade na existência, que é a radicalidade do ato de perguntar." É com esta citação do educador brasileiro Paulo Freire que a educadora negra estadunidense bell hooks inicia o livro Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática.
Ensinando pensamento crítico é uma continuação do aclamado Ensinando a transgredir, lançado no Brasil em 2017. Os livros fazem parte da Trilogia do Ensino escrita por bell hooks entre os anos anos 1990 e 2000. A coleção inclui ainda Ensinando comunidade: uma pedagogia da esperança, que a Elefante lança nos próximos meses, disponibilizando para o público brasileiro a sequência completa da obra pedagógica da autora.
Ensinando pensamento crítico chega ao Brasil em uma parceria da Elefante com a ONG Ação Educativa, em uma época de retrocessos em todas as áreas, e não apenas no país; mas também em um momento em que setores da sociedade — notadamente, o movimento negro — reagem com força ao absurdo da violência cotidiana em todos os níveis de existência que, apesar dos discursos sobre igualdade, não deixa as pessoas negras respirarem.
O livro trata de inúmeros temas, como descolonização, engajamento, integridade, colaboração, transmissão oral de conhecimento, imaginação, humor, conflito, espiritualidade, sexo e, é claro, raça, gênero e classe — temas que marcam a obra de bell hooks de maneira transversal.
A autora diz que encontrou inspiração para Ensinando pensamento crítico das lições que aprendeu dos professores com os quais estudou nas escolas segregadas do Kentucky, nos Estados Unidos, nos anos 1950. "Para eles, a 'boa educação' não consistia apenas em nos dar conhecimento e nos preparar para uma profissão: era também uma formação que incentivaria o compromisso contínuo com a justiça social, especialmente com a luta por igualdade racial."
E, como lembra Sérgio Haddad, autor de uma biografia de Paulo Freire e que gentilmente escreveu o prefácio à edição brasileira de Ensinando pensamento crítico, bell hooks defende que "a escola não deveria ser um lugar em que os estudantes são doutrinados para apoiar o patriarcado capitalista, supremacista branco e imperialista, mas sim onde aprendam a abrir suas mentes e se engajem em estudos rigorosos para pensar criticamente".
Alice Walker
Primeira mulher afro-americana a receber o prestigioso prêmio Pulitzer de ficção, Alice Walker também foi pioneira ao tratar de diversos temas da cultura negra dos Estados Unidos. Ainda nos anos 1970, abordou pela primeira vez questões raciais como o colorismo, e passou a defender um ponto de vista mulherista, termo reivindicado pelo feminismo negro para expressar as particularidades de suas lutas. Filha de trabalhadores rurais, Alice Walker experimentou a violência da segregação racial e as dificuldades de ser uma mulher negra no Sul do país, contexto que incorporou em seu romance A cor púrpura e que está presente em vários ensaios deste livro. Entre perspectivas pessoais e políticas, a autora nos convida a acompanhá-la na busca da própria identidade e das referências afro-americanas, muitas delas apagadas pela história. Seguindo-a nesse caminho, nos deparamos com Zora Neale Hurston, Martin Luther King, Phillis Wheatley, e chegamos ao jardim de uma casa modesta na Geórgia. Lá, em meio a uma rotina sem descanso, sua mãe encontrou a porção diária de vida cultivando dedicadamente suas flores – e Alice Walker, o sentido desse legado materno.
Coordenação: Vitória Régia Izau e Maria Angélica dos Santos
*Postagem sugerida pela professora Vitória Régia Izaú
O racismo institucional se instala nos programas, departamentos, secretarias de Educação – nos três âmbitos governamentais –, nas leis e projetos que governam escolas, institutos e universidades, sejam públicos ou privados. É ele que interfere nas carreiras de professores/as negros/as. É o mesmo que embranquece os currículos e os referenciais bibliográficos levando a que milhares de estudantes, nas mais diversas áreas do conhecimento, terminem seus cursos sem jamais haverem estudado autores negros, sejam estes brasileiros ou não.
Epistemologias pretas em narrativas insurgentes nasce do desejo das organizadoras, que são duas mulheres pretas doutoras nas áreas de Educação e Direito, de vasculharem os meandros dos processos educacionais e de letramento social antirracista no Brasil, dispostos a enfrentar as complexidades pedagógicas de uma busca por um ensino mais diverso, plural e antidiscriminatório.
Com o prefácio de Joselina da Silva, com pós-doutoramento pela Pontifícia Universidade Católica do Peru, o livro busca contribuir para incentivar não somente a leitura, mas especialmente maior engajamento na mudança de mentalidades e comportamentos ainda propensos a repetir a violência racial no cotidiano brasileiro.
Esta é uma obra, antes de tudo, para quem quer de fato ser antirracista. É também uma obra para aprofundar a leitura em temas instigantes e contemporâneos. Composta por 8 capítulos, pode-se chamá-la de investimento contra o racismo e os mecanismos excludentes produzidos num país que ainda precisa fortalecer a luta pela democracia e contra todas as formas de violência.
Maya Angelou
RACISMO. ABUSO. LIBERTAÇÃO. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras. Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.
Bell Hooks
"Enfrentar o medo de se manifestar e, com coragem, confrontar o poder, continua a ser uma agenda vital para todas as mulheres", escreve bell hooks no prefácio à nova edição de Erguer a voz. Na infância, a autora foi ensinada que "responder", "retrucar" significava atrever-se a discordar, ter opinião própria, falar de igual pra igual a uma figura de autoridade. Nesta coletânea de ensaios pessoais e teóricos, em que radicaliza criticamente a máxima de que "o pessoal é político", bell hooks reflete sobre assuntos que marcam seu trabalho intelectual: racismo e feminismo, política e pedagogia, dominação e resistência. Em mais de vinte ensaios e uma entrevista, a autora mostra que transitar entre o silêncio e a fala é um gesto desafiador que cura, que possibilita uma nova vida e um novo crescimento ao oprimido, ao colonizado, ao explorado e a todos aqueles que permanecem e lutam lado a lado, rumo à libertação.
Sueli Carneiro
A mulher negra é a síntese de duas opressões, de duas contradições essenciais a opressão de gênero e a da raça. Isso resulta no tipo mais perverso de confinamento. Se a questão da mulher avança, o racismo vem e barra as negras. Se o racismo é burlado, geralmente quem se beneficia é o homem negro. Ser mulher negra é experimentar essa condição de asfixia social.
Lugar de fala, empoderamento, racismo estrutural, todos termos populares entre os meios de debate, especificamente na internet – um meio aliado à divulgação de discursos, mas que pode facilmente tirá-los da contextualização necessária. A coleção Feminismos Plurais, coordenada pela filósofa Djamila Ribeiro, teve seu primeiro lançamento em 2017 .
Títulos desta coleção:
"Lugar de Fala", de Djamila Ribeiro;
"Interseccionalidade", de Carla Akotirene,
"Apropriação Cultural ", de Rodney William,
"Empoderamento", de Joice Berth,
"Encarceramento em massa", de Juliana Borges,
"Intolerância Religiosa", de Sidnei Nogueira,
"Colorismo", de Alessandra Devulsky,
"Transfeminismo" de Letícia Nascimento, "
Trabalho Doméstico", de Julian Teixeira,
"Discurso de ódio nas redes sociais", de Luiz Valério Trindade,
"Cotas Raciais", de Lívia Sant’Anna Vaz
"Lesbiandade", Dedê Fatumma.
Filosofia Africana: Ancestralidade e Encantamento como inspirações formativas para o ensino das africanidades
Aldibênia Freire Machado
O livro “Filosofia Africana: ancestralidade e encantamento como inspirações formativas para o ensino das africanidades” é resultado da pesquisa de Mestrado em Educação realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA) entre os anos 2012 e 2014. Por sua vez, a pesquisa resulta de uma década de andanças pelas trilhas das filosofias africanas e suas implicações nas Filosofias da Ancestralidade e do Encantamento em terras brasileiras, pesquisa essa que em 2019 completa 15 anos de andanças. Suas implicações pautam-se no intento de colaborar com uma educação antirracista, contribuir com a construção de currículos e metodologias afrorreferenciadas, como, também, com a descolonização do conhecimento.
Thiago Tamosaukas
Esta obra cobre seis milênios de história do pensamento africano, dos sábios faraós até a filosofia moderna do continente. Aqui são apresentados mais de 40 grandes pensadores africanos como Akhenaton, Mbiti e Fanon, e muitos outros.Nele você será apresentado a cultura Kemética (Egípcia), Yoruba, Bantu, Akan e Congolesa. Conhecerá também conceitos originais da filosofia africana como maat, ubuntu, necropolítica, descolonização entre outros.Alguns dos assuntos tratados: Filosofia Kemética (Antigo Egito)A Escola de AlexandriaA Patrística AfricanaFilosofia da Civilização YorubaFilosofia do Reino do CongoA Cultura Akan Filosofia no Período ColonialFilosofia Africana Moderna - Escola FrancófonaFilosofia Africana Moderna - Escola Anglofóna
Nei Lopes e Luiz Antônio Simas
Filosofias africanas é uma viagem ao pensamento africano pelos ganhadores do Prêmio Jabuti – Livro do ano. Num sentido amplo, o termo “filosofia” designa a busca do conhecimento iniciado quando os seres humanos começaram a tentar compreender o mundo por meio da razão. O termo pode também definir o conjunto de concepções, práticas ou teóricas, acerca da existência, dos seres, do ser humano e do papel de cada um no Universo. Na prática acadêmica, é usado para designar o “conjunto de concepções metafísicas (gerais e abstratas) sobre o mundo”.A grande crítica que se faz às tentativas de caracterizar o pensamento tradicional africano como filosofia é a de que, na África, os nativos, defrontados com a grande incógnita que é o Universo, seriam incapazes de ir além do temor e da reverência, próprios das mentes ditas “primitivas”.A partir daí, o chamado “racismo científico”, um dos pilares do colonialismo no século XIX – desqualificando as fontes do saber africano conhecidas desde a Antiguidade –, negou a possibilidade de os africanos produzirem filosofia. Então, o reconhecimento como filósofos, no sentido estrito do termo, de pensadores nascidos na África e de uma linha filosófica deles originada só ocorreu a partir do século XX.Filosofias africanas trata tanto dos saberes ancestrais africanos, sua essência preservada nos provérbios, na diversidade multicultural e nos ensinamentos passados durante gerações por meio da oralidade, quanto da contribuição de filósofos africanos e afrodescendentes contemporâneos na atualização desses saberes, muitos dos quais pautados no decolonialismo. Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, de maneira didática, mais uma vez escreveram uma obra que evidencia a complexidade, sofisticação e profundidade do pensamento africano e das perspectivas de mundo que sua filosofia provoca.
Graça Graúna
" (...)Fios do tempo (quase haikais), apresenta-se como um mosaico Ameríndio, onde beija-flor, ipês, cajueiros, quaresmeiras, umbuzeiros, buganvílias, hibiscos se entrelaçam aos rios e matas, aos arranha-céus e ao céu, ao sol e ao mangue, aos restos do dia e aos mistérios da noite, aos encantos da lua e ao som da flauta do pajé. Poemas minimalistas embalados pela [aparente] simplicidade e sabedoria, uma obra de arte a ser contemplada pelas mentes aceleradas e inquietas.
Poesia é arte. Arte é respiro. A literatura de Graça Graúna é respiro. Mais que isso. É refúgio, alento, grito, fúria, calmaria, tradução do indizível, lugar de memórias, do vivido, do sonhado, do fabulado. Fios do tempo (quase haikais) são fragmentos que se estendem no tempo da escrita e no espaço das páginas.
Graça Graúna é a verdadeira expressão poética feminina contemporânea e, parafraseando a autora, enquanto houver poesia, existirá comunicação! Fios do tempo (quase haikais), nos dá o direito de sonhar e tecer a vida junto de quem fez as primeiras costuras e nos entregou. Costura no sentido figurado e literal porque a edição é da Baleia Cartonera, voltada para a produção de livros de forma totalmente sustentável. Desde 2020, a editora “lança livros de gente grande com os pés no chão. Gente que, tantas vezes, com os seus afazeres de poesia, boniteza e esperança entoa um ritmo tão poderoso que sustenta os céus sobre nossas cabeças”.
Trecho do texto de Cláudio Henriquem retirado do site: https://gracagrauna.com/2021/11/12/fios-do-tempo-um-profundo-respiro/Abdias Nascimento
Ao longo do século passado, prevaleceu a visão de que os descendentes dos africanos se encontravam, no Brasil, numa condição muito mais favorável do que a vivida pelos negros no sul dos Estados Unidos ou na África do Sul do apartheid. Mais do que estabelecida, essa era uma visão oficial: o Brasil seria uma democracia racial, um lugar em que o grande problema do negro era a pobreza e não o preconceito de cor. Foi contra essa falácia que Abdias Nascimento se insurgiu ao apresentar, no Segundo Festival de Artes e Culturas Negras, em Lagos (Nigéria, 1977), em plena vigência da ditadura militar, um texto combativo, a começar pelo título, demonstrando que a condição dos negros no Brasil não era realmente como aquela nos EUA ou na África, era pior, vítimas que são de um racismo insidioso, de uma política que conduz a um genocídio, para usar o termo do autor, que, ausente das leis e dos discursos políticos, se revela cotidianamente.
José Rivair Macedo
Durante largo tempo, a África foi considerada um continente sem história. Em 1830, Hegel decretava que «A África não é uma parte histórica do mundo», e depois dele muitos foram os historiadores que, sacrificando mais ao preconceito do que à ciência, repetiram em vários tons a mesma ideia. A obra de Ki-Zerbo, cujo volume I apresentamos, é o melhor desmentido à lenda da África continente sem história. Num trabalho de reconhecido rigor científico, que a crítica francesa saudou com o maior entusiasmo, o autor levou a cabo o trabalho ciclópico de trazer à luz as raízes históricas de todo um continente, na sua insuspeitada riqueza. Partindo da pré-história, o presente volume acompanha a caminhada do homem africano até ao século XIX, desvendando aos olhos maravilhados do leitor sucessivos períodos de esplendor e decadência, com o surgir e o afundar de reinos e impérios, até aos primeiros contactos com os Europeus e às consequências que daí advieram para a evolução histórica da África Negra.
*Sugestão da Professora Ana Paula Silva
Joseph Ki-Zerbo
Durante largo tempo, a África foi considerada um continente sem história. Em 1830, Hegel decretava que «A África não é uma parte histórica do mundo», e depois dele muitos foram os historiadores que, sacrificando mais ao preconceito do que à ciência, repetiram em vários tons a mesma ideia. A obra de Ki-Zerbo, cujo volume I apresentamos, é o melhor desmentido à lenda da África continente sem história. Num trabalho de reconhecido rigor científico, que a crítica francesa saudou com o maior entusiasmo, o autor levou a cabo o trabalho ciclópico de trazer à luz as raízes históricas de todo um continente, na sua insuspeitada riqueza. Partindo da pré-história, o presente volume acompanha a caminhada do homem africano até ao século XIX, desvendando aos olhos maravilhados do leitor sucessivos períodos de esplendor e decadência, com o surgir e o afundar de reinos e impérios, até aos primeiros contactos com os Europeus e às consequências que daí advieram para a evolução histórica da África Negra.
*Sugestão da Professora Ana Paula Silva
Ailton Krekak
Ailton Krenak nasceu na região do vale do rio Doce, um lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração mineira. Neste livro, o líder indígena critica a ideia de humanidade como algo separado da natureza, uma “humanidade que não reconhece que aquele rio que está em coma é também o nosso avô”.
Essa premissa estaria na origem do desastre socioambiental de nossa era, o chamado Antropoceno. Daí que a resistência indígena se dê pela não aceitação da ideia de que somos todos iguais. Somente o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres podem ressignificar nossas existências e refrear nossa marcha insensata em direção ao abismo.
“Nosso tempo é especialista em produzir ausências: do sentido de viver em sociedade, do próprio sentido da experiência da vida. Isso gera uma intolerância muito grande com relação a quem ainda é capaz de experimentar o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar. E está cheio de pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta e faz chover. [...] Minha provocação sobre adiar o fim do mundo é exatamente sempre poder contar mais uma história.”
Desde seu inesquecível discurso na Assembleia Constituinte, em 1987, quando pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo para protestar contra o retrocesso na luta pelos direitos indígenas, Krenak se destaca como um dos mais originais e importantes pensadores brasileiros. Ouvi-lo é mais urgente do que nunca.
Esta nova edição de Ideias para adiar o fim do mundo, resultado de duas conferências e uma entrevista realizadas em Portugal entre 2017 e 2019, conta com posfácio inédito de Eduardo Viveiros de Castro.
Aparecida de Jesus Ferreira
No livro há vários artigos escritos por Aparecida de Jesus Ferreira com perguntas reflexivas e perguntas reflexivas após a leitura de artigos que podem ser usados nos cursos de formação de professores (as) e ou para professores (as) interessados no tema.
Nilma Lino Gomes
As pesquisas e práticas pedagógicas abordadas neste livro revelam o desafio e a urgência teórica e política de construirmos práticas pedagógicas e metodologias que possibilitem às crianças falarem de si, sobre a sua relação com o outro e sejam protagonistas das suas próprias vidas. As crianças sabem de si, principalmente as pobres, as negras e aquelas em situação de maior vulnerabilidade e desigualdade, cujas infâncias são roubadas pela pobreza e pelas desigualdades. E é isso que o olhar adulto tem dificuldade de admitir.
A raça atravessa e participa da formação das infâncias e dos seus sujeitos. Infelizmente, nem sempre ela é entendida como parte do fascinante processo da diversidade humana, mas como um peso, uma marca de inferioridade. E é isso que precisamos superar. A educação de maneira geral e a Educação Infantil e das infâncias, em específico, ao assumirem o compromisso com a emancipação social e racial, têm um papel relevante na reversão desse processo. E podem contribuir para que as crianças brasileiras – em especial as pobres, as negras, as quilombolas, as indígenas e as do campo – tenham uma existência mais digna.
Conceição Evaristo
O elo fundido com técnica literária irrepreensível e grande força de sentimentos apresentado em “insubmissas lágrimas de mulheres”, se revela um retrato de solidariedade e afeição feminina, por tocar no que é essencial, no que move, no que aproxima e une mulheres e, em espacial, mulheres negras. Os afetos, reflexões e deslocamentos que os contos de insubmissas lágrimas de mulheres nos causam, são frutos que só a boa literatura, a que salva, pode nos trazer, reafirmando o lugar de destaque ocupado por conceição evaristo na literatura brasileira.
Sueli Carneiro
Um belo e comovente retrato de uma das ativistas mais brilhantes do século XX, que inspirou gerações de mulheres negras a trilhar o caminho da liberdade e da militância. Inclui uma carta inédita de Lélia Gonzalez escrita aos 18 anos e um epílogo sobre a atualidade de seu pensamento.
Simone Gibran Nogueira
*Postagem sugerida pela professora Ana Paula Silva
Este livro tem o objetivo de chamar a atenção de profissionais preocupados com as relações étnico-raciais para a importância de conhecimentos e práticas de raiz africana, que são mantidos no cotidiano do país. Representa um convite e um desafio à psicologia brasileira para atentar às demandas próprias da população afrodescendente, bem como produzir conhecimentos mais coerentes e consistentes com as maneiras afro-brasileiras de lidar com os problemas da vida cotidiana. Sendo assim, este livro não constitui um fim, mas marca um começo, uma abertura num sentido mais plural, inclusivo e dialógico dentro da psicologia social brasileira.
*Sugestão da Professora Ana Paula Silva
Cuti
Esta obra trata da vertente da literatura brasileira que contempla, em poesia e prosa, as vivências da população afrodescendente. O livro discute temas como autocensura, identidade textual e vida literária. Destaca, ainda, os autores imprescindíveis para o processo histórico dessa vertente que alcançou significativo patamar com os trinta anos de edição ininterrupta dos Cadernos Negros, coletânea anual de poemas e contos. Num momento em que nosso país depara com temas polêmicos, como o Estatuto da Igualdade Racial e as cotas em universidades, a Coleção Consciência em Debate pretende discutir assuntos prementes que interessam não somente aos movimentos negros como a todos os brasileiros.
Pow Litera Rua
Criado em 2017, o selo editorial Sarau do Binho apoia o lançamento de obras de autores da periferia. Foi inaugurado durante a Felizs (Feira Literária da Zona Sul) com a publicação de sete autores e, em 2018, foram lançados mais quatro títulos, com o intuito de fortalecer e dar visibilizar à produção literária que acontece nas periferias, incentivando a produção e a leitura destes autores e promovendo o crescimento da economia criativa
Djamila Ribeiro
Com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala, Djamila Ribeiro contextualiza o indivíduo tido como universal numa sociedade cisheteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.
Ailton Krenak e Yussef Campos
A partir de um depoimento para a tese de doutorado sobre a instituição do conceito de patrimônio cultural no Brasil com a Constituição de 1988, o diálogo entre o historiador Yussef Campos e o líder indígena Ailton Krenak ampliou-se para questionamentos mais profundos sobre a vida do planeta, e resultou neste livro composto por três textos que apresentam um enfrentamento à monocultura simbólica que as culturas hegemônicas tentam impor ao ser humano e ao planeta. O primeiro texto é uma entrevista feita por Yussef Campos com Ailton Krenak em 2013, para a sua tese de douramento; o segundo é a transcrição de uma fala de Krenak na Universidade Federal de Goiás, após a tragédia do estouro da barragem da Samarco, em Mariana; e o último é um ensaio de Campos que parte do gesto de guerra e luto de Krenak ao pintar o rosto de jenipapo diante do Congresso Nacional, como forma de protesto às deturpações das reivindicações definidas em consulta pública durante a Constituinte.
Chimamanda Ngozi Adichie
Em meio à guerra fratricida que dividiu a Nigéria com a malograda tentativa de fundação do estado independente de Biafra, um grupo de pessoas busca provar a si mesmas e ao mundo que é capaz não só de sobreviver, mas também de resguardar seus sonhos e sua integridade moral. Garoto de aldeia, Ugwu procura se ajustar a uma realidade em rápida transformação. Olanna é uma moça da alta sociedade que se torna professora universitária e vive com Odenigbo, que abraça a causa revolucionária. Jornalista com ambição de se tornar escritor, Richard se apaixona pela irmã de Olanna, Kainene, figura esquiva, que reage com pragmatismo ao desmoronamento da nação. Baseado em fatos reais transcorridos na década de 1960, este romance da premiada escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie vai além do mero relato, transformando- se em um grandioso painel sobre indivíduos vivendo em tempos de exceção, um livro que a crítica internacional aproxima de V. S. Naipaul, Chinua Achebe e Nadine Gordimer.
Grada Kilomba
Memórias da Plantação é uma compilação de episódios cotidianos de racismo, escritos sob a forma de pequenas histórias psicanalíticas. Das políticas de espaço e exclusão às políticas do corpo e do cabelo, passando pelos insultos raciais, Grada Kilomba desmonta, de modo incisivo, a normalidade do racismo, expondo a violência e o trauma de se ser colocada/o como Outra/o. Publicado originalmente em inglês, em 2008, Memórias da Plantação tornou-se uma importante contribuição para o discurso acadêmico internacional. Obra interdisciplinar, que combina teoria pós-colonial, estudos da branquitude, psicanálise, estudos de gênero, feminismo negro e narrativa poética, esta é uma reflexão essencial e inovadora para as práticas descoloniais.
Eliane Potiguara
O texto, da Série Visões Indígenas, discorre sobre a luta do movimento indígena nacional/internacional, imigração indígena por violência à sua cultura e consequências. O papel fundamental da mulher indígena no contexto cultural e sua contribuição na sociedade brasileira é um expoente.
Angela Davis
Nessa compilação de discursos e artigos, a ativista política Angela Davis - autora de Mulheres, raça e classe, publicado com estrondoso sucesso pela Boitempo em 2016 - apresenta um balanço de sua luta por uma mudança social progressista. Dividida em três eixos temáticos, 'Sobre as mulheres e a busca por igualdade e paz', 'Sobre questões internacionais' e 'Sobre educação e cultura', a obra aborda as mudanças políticas e sociais pelas quais o mundo passou nas últimas décadas em relação à igualdade racial, sexual e econômica.A autora traz dados históricos e estatísticos detalhados sobre as condições das mulheres, da classe trabalhadora e da população negra nos Estados Unidos durante o governo Reagan, mostrando como a política adotada naquela administração operou para enfraquecer esses grupos sociais. Mostra, ainda, as influências das políticas norte-americanas em países da América Central, da África e do Oriente Médio, destacando o impacto que tiveram para fortalecer um movimento econômico mundial de concentração de renda e enfraquecimento das lutas sociais em vários países do mundo. Ao mesmo tempo, ela faz reflexões importantes sobre a resistência representada pelos movimentos sociais e sobre o potencial de conscientização e contestação da educação e das artes, em especial a pintura, a fotografia e o blues. Por meio dessa reflexão, Davis argumenta que a convergência dos diversos grupos, em diferentes países, em torno de interesses comuns é essencial para a construção de um mundo menos desigual.
Schuma Schumaher
Esse livro aborda a história das mulheres negras brasileiras e ajuda a construir um novo olhar sobre o passado e a superar sua invisibilidade, levando ao reconhecimento de sua contribuição na formação da identidade nacional. De acordo com os autores, com exceção dos escritos sobre o sistema escravocrata e algumas alusões ao mito Chica da Silva, não se encontram referências e informações detalhadas sobre as mulheres negras em nossos currículos escolares, museus, livros didáticos e narrativas oficiais. 30º Prêmio Clio - III Prêmio África Brasil - 2008 - Prêmio Jabuti 2008 - Ciências Humanas
Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, é uma obra fundamental para se entender as nuances das opressões. Começar o livro tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dá a dimensão da impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade.
Compilação: Selma Santos Dealdina
Vozes historicamente silenciadas encontram em Mulheres quilombolas espaço para compartilhar saberes a partir de suas perspectivas, como faziam nossos ancestrais reunidos em torno do fogo, no ritual de transmissão e perpetuação de conhecimentos basilares para a comunidade. As autoras trazem para a roda uma diversidade de pautas em geral invisibilizadas na sociedade, contribuindo com suas visões de mundo, seus conhecimentos acadêmicos e suas experiências de vida para abrir novas possibilidades de debate. Assumindo o lugar de guardiãs dos saberes ancestrais, de lideranças políticas, de mulheres racializadas na sociedade, expõem em suas reflexões os muitos atravessamentos que a discussão em torno do que é ser mulher quilombola abarca. Para além da pauta identitária, como protagonistas de suas próprias histórias, as autoras denunciam os muitos percalços enfrentados pela população quilombola - que existe (e resiste) em torno de quatro mil comunidades em quase toda a extensão do Brasil -, lamentavelmente pouco divulgados e discutidos na mídia e em nossos círculos sociais. Uma oportunidade privilegiada de estabelecermos diálogo com uma epistemologia e uma realidade social em geral pouco conhecida, com uma Outridade ainda invisibilizada. Um livro do Selo Sueli Carneiro, coordenado por Djamila Ribeiro.
Kabengele Munanga
O que significam a negritude e a identidade para as bases populares negras e para a militância do movimento negro? Por onde deve passar o discurso sobre essa identidade contrastiva do negro, cuja base seria a negritude? Passaria pela cor da pele e pelo corpo unicamente ou pela cultura e pela consciência do oprimido?
A partir de questionamentos como esses, Kabengele Munanga debruça-se sobre a construção identitária do Brasil ao longo dos tempos, partindo do princípio de que o conceito de identidade recobre uma realidade muito mais complexa do que se pensa, englobando fatores históricos, psicológicos, linguísticos, culturais, político-ideológicos e raciais.
Ao tratar da negritude e da identidade negra na contemporaneidade, o autor discorre ainda sobre o conceito na diáspora, contemplando o que se pode chamar de tentativa de assimilação dos valores culturais do branco, abordando discursos pseudojustificativos e diferentes acepções e rumos da negritude.
Escrito por um dos maiores estudiosos da cultura negra no Brasil e no mundo, este livro, integrante da coleção Cultura Negra e Identidades, figura como obra relevante e inquietante sobre a temática e, principalmente, acerca da construção identitária da nação e da configuração social, cultural, política e econômica no Brasil.
Vários autores indígenas
A menina Yacy-May era tão especial que fez com que o sol se apaixonasse por ela, deixando a lua enciumada. O peixe-boi surgiu a partir da união de Guaporé, filho do grande chefe dos peixes, com Panãby’piã, filha do governante dos Maraguá, e sinalizou a paz entre os humanos e os peixes. A velha misteriosa Pelenosamo tem um dia a casa invadida por uma garota curiosa, que resolve investigar o que ela fazia com os galhos secos que sempre levava recolhia e não dividia com ninguém. Essas são algumas prévias das histórias reunidas nesta antologia, contadas ou recontadas por escritores das nações indígenas Mebengôkre Kayapó, Saterê-Mawé, Maraguá, Pirá-Tapuya Waíkhana, Balatiponé Umutina, Desana, Guarani Mbyá, Krenak e Kurâ Bakairi.
Tratando dos mais diversos temas ― dos mitos de origem às histórias de amor impossível ―, as narrativas conduzem o leitor por situações e desenlaces muito próprios, sempre acompanhadas por um glossário e um texto informativo sobre o povo indígena de origem de cada autor. Esta é uma chance preciosa para todos aqueles que desejam entrar em contato com as raízes mais profundas de nossa cultura, ainda pouco valorizadas e respeitadas, por puro desconhecimento.
Angela Figueiredo
Este livro reúne uma feliz combinação de revisão bibliográfica, pesquisa empírica e interpretação de dados sobre o tema instigante, inovador e teoricamente relevante - o embranquecimento dos negros em ascensão social. Ângela Figueiredo esmiúca o significado dessa tese para os principais mestres da sociologia da metade do século XX (Roger Bastide, Florestan Fernandes, Marvin Harris e Thales de Azevedo) para contrapor-se ao seu significado de senso comum.
Paulina Chiziane
“Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance (Balada de amor ao vento, 1990), mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte.” PAULINA CHIZIANE Delfina é uma mulher negra cujo grito de liberdade está sempre sufocado. Sujeita às vontades do marido negro ou do amante branco, enfrenta as dificuldades de criar uma família multirracial e buscar o sustento em um cenário de casamentos por encomenda, de venda do corpo por quase nada. Misturando imaginação e misticismo, a prestigiada escritora moçambicana Paulina Chiziane apresenta um retrato poderoso e peculiar da sociedade e da mulher africana.
Eusébio Lobo da Silva
"O corpo na capoeira" é um mergulho na arte da capoeiragem. Aborda suas origens, sua história e seus fundamentos, trazendo-nos a compreensão de que a capoeira não é somente um jogo competitivo de estética apreciável. É antes um diálogo interno e externo, em que um jogador é bem-sucedido na interação com o outro na medida em que se respeita e respeita seu adversário. Esta coleção trata também da capacitação para o jogo de capoeira, informando-nos sobre cada movimento, sua função e os exercícios para sua aprendizagem, com o objetivo de desenvolver a capoeira de uma forma natural, respeitando os limites do aprendiz. E, em auxílio à compreensão de todo esse conteúdo, há ainda uma série de desenhos que ilustram os movimentos, e, com certeza, tornarão a leitura do livro ainda mais agradável.
Sobonfu Somé
"... O que Sobonfu Somé tem a dizer reflete a sabedoria de muitas gerações do povo Dagara, da África Ocidental. Uma conversa lírica, o livro nos convida, como fazem as boas conversas, a caminhar juntos, a mergulhar profundamente e fazer o círculo de volta. Extraído de suas entrevistas e oficinas, no curso de vários anos, permite-nos participar da arte de contar histórias, tomando um caminho circular. (...)
Bell Hooks
Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida?Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.
Juvenal Payayá
O leitor encontrará neste livro, entre outras história, a de uma geração de jovens cujo fator comum é serem filhos de militares com mães fora do casamento, algumas delas prisioneiras do regime militar. Um dos militares infratores ao ser nomeado Ministro da Guerra do Brasil, rendeu-se pela pressão da chamada linha dura impondo normas para que todos os infratores prouvessem sustento para seus filhos bastardos. Com este intuito foi criado um fundo de pensão com contribuição dos pais e doações de amigos empresas interesseiras. Crescidos os "Filhos da Ditadura", por não terem a paternidade reconhecida e sem o convívio das mães, perambulavam pelo mundo por conta do fundo de pensão, uns na miséria outro verdadeiros nababos.
Alguns deles se encontraram na divisa entre Portugal e Espanha e lá caíram em uma ratoeira bem armada. Daí o recrudescer da luta coordenada por Juliana, filha de um torturador e mãe revolucionária das Ligas Camponesas do Pernambuco. Educada no regime militar, resolve investiga a postura de um bêbado paranoico que nababescamente vive a esbanjar fortunas deixada por seus pais e que deveria pertencer a todos.
Além deste foco o livro investe na exposição dos ativistas silenciosos, homens e mulheres anônimas que a história oculta, seja pela ótica da direita seja pela ótica das esquerdas.
São capítulos dramáticos, inclui relatos imaginários, arrepiantes e sutis, tais como o episódio da bomba do Rio Centro, comércio de armas, tortura, sexo, estupros, corrupção e bebedeiras -, o destacado "Filho da Ditadura" é um apaixonado por vinhos finíssimos e raros, o que o faz um perdulário. A narrativa visita a floresta amazônica, Guaxupé, em Minas Gerais; Riviera Francesa e as ditaduras da América Latina; destaca o Vale do Ribeira: os episódios de Jacupiranga e a cidade de Registro; a Bahia como senário final. Alguns pontos geográficos escolhidos tem referências chaves e significativas na história real do Golpe Militar de 1964. Ainda deve ser destacado o olhar nativo do autor sobre o período de Ditadura Militar, ou seja, procura mostrar quão perversa foi a opressão sobre os povos indígenas e camponeses.
Juvenal Teodoro Payayá, é indígena e, influenciado pela resistência, nos anos sessenta, tornou-se ativista político; professor, formado em Ciências Econômicas, é um dos anônimos que viveu o calor da hora.
Jurema Werneck, Maisa Mendonça, Evelyn C White (orgs.)
Apresenta artigos de mulheres negras dos EUA e do Brasil sobre saúde, preconceito, acesso à educação, abuso sexual, etc.
Nilma Lino Gomes
A compreensão dos saberes produzidos, articulados e sistematizados pelo Movimento Negro e de Mulheres Negras tem a capacidade de subverter a teoria educacional, construir a pedagogia das ausências e das emergências, repensar a escola, descolonizar os currículos e dar visibilidade às vivências e práticas dos sujeitos. Ela poderá nos levar ao necessário movimento de descolonização do conhecimento.
Este trabalho tem como tese principal o papel do Movimento Negro brasileiro como educador, produtor de saberes emancipatórios e um sistematizador de conhecimentos sobre a questão racial no Brasil. Saberes transformados em reivindicações, das quais várias se tornaram políticas de Estado nas primeiras décadas do século XXI.
Kabengele Munanga e Nilma Lino Gomes
Para entender “nossa” história e “nossa” identidade é preciso começar pelo estudo de todas as suas matrizes culturais. Neste livro muito bem ilustrado, os autores tentam contar um pouco da história esquecida dos povos africanos que ajudaram a construir o país em que vivemos, um país que pertence a todos os brasileiros sem nenhuma distinção.
Chimamanda Ngozi Adichie
*Postagem sugerida pela professora Amanda Priscilla Pereira
O que sabemos sobre outras pessoas? Como criamos a imagem que temos de cada povo? Nosso conhecimento é construído pelas histórias que escutamos, e quanto maior for o número de narrativas diversas, mais completa será nossa compreensão sobre determinado assunto.
É propondo essa ideia, de diversificarmos as fontes do conhecimento e sermos cautelosos ao ouvir somente uma versão da história, que Chimamanda Ngozi Adichie constrói a palestra que foi adaptada para livro. O perigo de uma história única é uma versão da primeira fala feita por Chimamanda no programa TED Talk, em 2009. Dez anos depois, o vídeo é um dos mais acessados da plataforma, com cerca de 18 milhões de visualizações.
Responsável por encantar o mundo com suas narrativas ficcionais, Chimamanda também se mostra uma excelente pensadora do mundo contemporâneo, construindo pontes para um entendimento mais profundo entre culturas.
Bell Hooks
Na coletânea de ensaios críticos reunidos em Olhares negros, bell hooks interroga narrativas e discute a respeito de formas alternativas de observar a negritude, a subjetividade das pessoas negras e a branquitude. Ela foca no espectador ― em especial, no modo como a experiência da negritude e das pessoas negras surge na literatura, na música, na televisão e, sobretudo, no cinema ―, e seu objetivo é criar uma intervenção radical na forma como nós falamos de raça e representação. Em suas palavras, "os ensaios de Olhares negros se destinam a desafiar e inquietar, a subverter e serem disruptivos". Como podem atestar os estudantes, pesquisadores, ativistas, intelectuais e todos os outros leitores que se relacionaram com o livro desde sua primeira publicação, em 1992, é exatamente isso o que estes textos conseguem.
Conceição Evaristo
Em Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida?Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.
Kabrnguele Munanga
Este livro visa resgatar a história e a beleza da África antes da exploração e dominação brutal a que os africanos foram submetidos para justificar e legitimar a sua colonização. Com seus textos e fotos, o autor busca desmontar a imagem que foi imposta a este continente, uma África rude, selvagem e desprovida de humanidade, revelando a sua verdadeira, desconhecida e harmoniosa face.
Luana Tolentino
"Os projetos da professora Luana se tornam vivos e cheios de significados porque dialogam com a vida de crianças e adolescentes muitas vezes invisibilizados nos currículos e programas educacionais. E, para completar, a dinâmica dos projetos torna vivo um conceito tão alardeado na pedagogia: a interdisciplinaridade. História, Geografia, Literatura, Língua Portuguesa, Educação Física e Artes se entrelaçam nas histórias de escritoras negras, na partida de futebol com jogadores de diversos países da África, na troca de cartas com estudantes de Moçambique, na roda de conversa com uma estudante de Medicina indígena, no funk analisado à luz da realidade periférica. Sim, outra educação é possível, e Luana concretiza a nossa utopia de forma potente e inspiradora. Um livro para nos encher de esperanças." Patricia Santana.
Pow Litera Rua
Livro de poemas Tamanho14×21 cm
164 páginas
Ilustrado em preto e branco com grafites e pixos de artistas da zona sul de São Paulo
Frantz Fanon
Primeiro livro de Frantz Fanon, "Pele negra, máscaras brancas" é um dos textos mais influentes dos movimentos de luta antirracista desde sua publicação, em 1952. Logo de início, se apresenta como uma interpretação psicanalítica da questão negra, tendo como motivação explícita desalienar pessoas negras do complexo de inferioridade que a sociedade branca lhes incute desde a infância. Assim, descortina os mecanismos pelos quais a sociedade colonialista instaura, para além da disparidade econômica e social, a interiorização de uma inferioridade associada à cor da pele – o que o autor chama de "epidermização da inferioridade". Não se compreende a questão negra fora da relação negro-branco. Com erudição, Fanon articula conceitos da filosofia, psicanálise, psiquiatria e antropologia, e autores como Hegel, Sartre, Lacan, Freud e Aimé Cesaire (referência literária, intelectual e política que perpassa toda a obra), numa notável linguagem poética, que nos conduz a uma reflexão sobre sua relação com o tema. Um dos principais efeitos da leitura da obra – diz o professor e pesquisador Deivison Faustino no posfácio a esta edição – é fazer leitores e leitoras se descobrirem, seja em sua vulnerabilidade e desamparo, seja angustiados sob a consciência de seus pecados, ou ainda como demônios que impõem sofrimento e dominação a outros, mesmo que a princípio se vejam como anjos. Em um momento de ampliação da luta antirracista e conscientização e incorporação de brancas e brancos a essa luta, este livro continua sendo transformador, em busca de uma sociedade realmente livre e igualitária. A edição da Ubu conta com prefácio de Grada Kilomba e posfácio do especialista em Fanon Deivison Faustino. Textos escritos especialmente para a edição da Ubu. O livro traz ainda textos do intelectual e ativista Francis Jeanson e do historiador Paul Gilroy. Tradução de Sebastião Nascimento, com colaboração de Raquel Camargo.
Patricia Hill Collins
Pensamento feminista negro, escrito pela socióloga Patricia Hill Collins em 1990, faz parte do cânone bibliográfico dos estudos de gênero e raça nos Estados Unidos. A autora mapeia os principais temas e ideias tratados por intelectuais e ativistas negras estadunidenses como Angela Davis, bell hooks, Alice Walker e Audre Lorde, e assim constrói um panorama do feminismo negro com referências de dentro e de fora da academia.Nesta obra intelectualmente rigorosa, Collins contempla tradições teóricas diversas, como a filosofia afrocêntrica, a teoria feminista, o pensamento social marxista, a teoria crítica e o pós-modernismo. E propõe importantes conceitos para compreender não apenas os mecanismos de opressão das mulheres negras, mas também como essas mulheres desenvolveram conhecimentos e estratégias para enfrentá-los. Sua escrita didática e de fácil compreensão faz de Pensamento feminista negro uma referência obrigatória tanto para especialistas quanto para leitoras e leitores leigos.A Boitempo lança esse marco dos estudos acadêmicos do feminismo negro, inédito em português, com um prefácio escrito pela autora especialmente para a edição brasileira. O texto de orelha é assinado por Nubia Regina Moreira e a quarta capa, por Djamila Ribeiro.
Djamila Ribeiro
No livro “Pequeno manual antirracista”, Djamila Ribeiro propõe questionamentos que envolvem a sociedade e o racismo nela intrínsecos.
Carlos Moore
Nascido, em 1942, como Charles Moore Wedderburn, Carlos Moore tem uma história a ser eternizada como exemplo de luta pelos direitos da população negra na diáspora. E nada melhor do que ele para contar.
Aos 15 anos deixou Cuba rumo aos EUA, onde se iniciou nos propósitos de justiça racial. Ao retornar ao seu país de origem, no início da década de 60, se engajou na política de Fidel Castro, mas acabou rompendo com o regime revolucionário, porque queria o fim da discriminação contra a população afro-cubana. Foi preso político. Morou na França e tornou-se jornalista. Foi professor universitário.
Conviveu com líderes como Malcom X, Alioune Diop e Aimé Césaire, Lélia Gonzalez, Abdias Nascimento e com Fela Kuti, que inspirou sua obra “Fela, esta vida puta”, uma biografia autorizada do músico e ativista nigeriano. Em Pichón Carlos Moore mergulha na sua própria história que tem momentos de saga heróica e de tensão racial.
Diferente da versão estrangeira, o livro em português tem um capítulo exclusivo para sua vivência no Brasil, especialmente Salvador, onde mora há 15 anos.
Conceição Evaristo
Fazendo uso de variados recursos: uma rica visão poética emotiva e a tematização sentimental, social, familiar e religiosa; com coragem, experiência, estilo bem definido e uso de intertextualidades, são enunciadas pela autora a pobreza, a fome, a dor e “a enganosa-esperança de laçar o tempo”; assim como há espaço para a paixão, o amor e o desejo. Nada, porém, é superficial, gratuito ou excessivo em Poemas da recordação e outros movimentos, que se sustenta em crítica social e no profundo de cada experiência, a partir da produção de um conjunto de poesias fortes e criativas, de belo senso rítmico, cuja leitura desperta emoções, graças à empatia que se estabelece entre os que leem os poemas e a expressividade emotiva e literária de Conceição Evaristo, quando faz despontar os “mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra”.
Conceição Evaristo
A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.
Frantz Fanon
Uma poderosa coletânea que marca o desenvolvimento político e filosófico de um dos mais importantes pensadores da luta antirracista e anticolonial.
Recém-formado, em 1953 Frantz Fanon deixa a França para chefiar a ala psiquiátrica de um hospital na Argélia, encontrando um país em combustão social. No ano seguinte, eclode a guerra pela independência. Mergulhado na situação dramática vivida pelo povo argelino e africano em geral, ele adere ao movimento revolucionário como intelectual e militante da Frente de Libertação Nacional.
Por uma revolução africana é uma bússola do percurso de Fanon, oferecendo um panorama privilegiado do desenvolvimento de sua obra e de suas teses políticas, filosóficas e psicanalíticas. Escritos entre 1951 e 1961― anos decisivos em que produziu os clássicos Pele negra, máscaras brancas e Os condenados da terra ― e agora reunidos nessa poderosa coletânea de artigos, ensaios e cartas, seus textos políticos dão prova da potência transformadora e original que fez de seus pensamentos e ações um modelo paradigmático do intelectual ativista.
Médico, filósofo político, teórico do colonialismo e das possibilidades de superá-lo, militante da independência africana, o psiquiatra martinicano foi antes de tudo um revolucionário, inspiração central para os movimentos negros e de direitos civis no mundo. Por meio de uma profunda análise da situação do colonizado ― que pode diagnosticar através de sua experiência médica diária ―, Fanon disseca a opressão imperialista e o efeito psicológico devastador causado pelo racismo, examinando questões como o panafricanismo, os sentidos da negritude na África e no Caribe e a atitude da esquerda francesa diante da Guerra da Argélia.
Autor incontornável, Frantz Fanon nos dá as chaves para compreender os mecanismos da estrutura racista e colonial que segue nos assombrando.
O livro tem prefácio de Deivison Faustino, professor da Unifesp e especialista na obra de Fanon.
“O mais poderoso teórico do racismo e do colonialismo do século XX.” ― Angela Davis
Lélia Gonzáles
Filósofa, antropóloga, professora, escritora, militante do movimento negro e feminista precursora, Lélia Gonzalez foi uma das mais importantes intelectuais brasileiras do século XX, com atuação decisiva na luta contra o racismo estrutural e na articulação das relações entre gênero e raça em nossa sociedade.
Com organização de Flavia Rios e Márcia Lima, Por um feminismo afro-latino-americano reúne em um só volume um panorama amplo da obra desta pensadora tão múltipla quanto engajada. São textos produzidos durante um período efervescente que compreende quase duas décadas de história ― de 1979 a 1994 ― e que marca os anseios democráticos do Brasil e de outros países da América Latina e do Caribe. Além dos ensaios já consagrados, fazem parte desse legado artigos de Lélia que saíram na imprensa, entrevistas antológicas, traduções inéditas e escritos dispersos, como a carta endereçada a Chacrinha, o Velho Guerreiro. O livro traz ainda uma introdução crítica e cronologia de vida e obra da autora.
Irreverente, interseccional, decolonial, polifônica, erudita e ao mesmo tempo popular, Lélia Gonzalez transitava da filosofia às ciências sociais, da psicanálise ao samba e aos terreiros de candomblé. Deu voz ao pretuguês, cunhou a categoria de amefricanidade, universalizou-se. Tornou-se um ícone para o feminismo negro.
Axé, Lélia Gonzalez!
“É Lélia quem cria para mim essa identidade, essa terceira figura política, essa terceira identidade que compartilha das outras duas (ser mulher e ser negro), mas que tem um horizonte próprio de luta. Com Lélia Gonzalez, me defini politicamente para militar na questão da mulher negra.” ― Sueli Carneiro, filósofa, pedagoga, escritora e fundadora do Geledés
“Eu sinto que estou sendo escolhida para representar o feminismo negro. E por que aqui no Brasil vocês precisam buscar essa referência nos Estados Unidos? Acho que aprendi mais com Lélia Gonzalez do que vocês aprenderão comigo.” ― Angela Davis, filósofa norte-americana
Beatriz Nascimento
Apesar de sua importância e relevância, Beatriz Nascimento ainda é pouco conhecida e somente uma pequena parte de sua produção textual encontra-se disponível. Por isso, o objetivo do lançamento é manter vivo o legado e as contribuições do pensamento preto-autônomo para o maior conhecimento da história negra. O livro reúne artigos, textos, manuscritos, depoimentos e entrevistas inéditos da autora.
Lélia Gonzalez
O livro “LÉLIA GONZALEZ – PRIMAVERA PARA AS ROSAS NEGRAS é um apanhado geral sobre essa incansável luta que a Lélia travou inclusive ampliando as pautas do movimento feminista com a inclusão de temas abordados na luta da mulher negra assunto esse que as tais militantes não conseguiam ou não queriam enxergar.
Thiago Rogero
Apesar de sua importância e Baseado no 1619 Project , trabalho da jornalista estadunidense Nikole Hannah-Jones para o The New York Times , Rogero propõe um olhar sobre a história do Brasil a partir da centralidade do povo negro.
Com uma pesquisa minuciosa empreendida por uma equipe de especialistas de peso, o projeto Querino abarca, além do livro, um podcast produzido pela Rádio Novelo em 2022 ― vencedor do prêmio Vladimir Herzog em 2023 e um dos mais ouvidos do streaming ― e uma série de matérias publicadas na revista piauí no mesmo ano. Mais de quarenta profissionais trabalharam no projeto, que teve também o apoio do Instituto Ibirapitanga.
Iray Carone e Maria Aparecida Silva Bento (orgs.)
O livro parte de um estudo feito pelas organizadoras sobre a negritude em São Paulo, objetivando captar os efeitos psicológicos do legado do branqueamento sobre o processo de construção da identidade negra. Através dos resultados desta pesquisa, as autoras organizaram esta obra como um tributo capaz de desencadear um debate e uma reflexão conscientizadores sobre os efeitos psicológicos provocados pelo racismo na sociedade brasileira.
Carolina Maria de Jesus
Becos da memória é um dos mais importantes romances memorialistas da literatura contemporânea brasileira. A autora traduz, a partir de seus muitos personagens, a complexidade humana e os sentimentos profundos dos que enfrentam cotidianamente o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria; dos que a cada dia têm a vida por um fio. Sem perder o lirismo e a delicadeza, a autora discute, como poucos, questões profundas da sociedade brasileira.
Rodrigo Ednilson de Jesus
*Postagem sugerida pela professora Elisete Dutra
Ao longo da primeira década deste século, a UFMG incentivou políticas de ações afirmativas para minimizar as desigualdades no acesso da população negra ao ensino superior. Em 2009, implementou a política de bônus, além de exigir uma autodeclaração racial. Porém, a partir de 2017, emergiram denúncias de fraudes, evidenciando uma incompatibilidade entre o modo como os candidatos se veem (autodeclaração) e o modo como os demais estudantes, de modo particular os negros, os enxergam (heteroidentificação).
Como resultado desse movimento, a UFMG criou mecanismos complementares: os procedimentos de heteroidentificação racial; fundamentais no debate sobre as identidades raciais do brasileiro e do Brasil. Em um país onde se declarar, ou ser identificado como negro sempre foi visto como algo negativo, tal prática introduz duas perguntas inéditas: “Quem quer se declarar negro (preto ou pardo) no Brasil?” e “Quem pode se declarar negro (preto ou pardo) no Brasil?”
Eliane Cavalleiro (org)
De que forma o racismo se estrutura no cotidiano escolar de crianças e adolescentes? Como a escola pode combater a discriminação e, além disso, promover um ambiente baseado no respeito às diferenças? Assim que foi lançado, em 2001, este livro se tornou um clássico e um guia inspirador para toda uma geração de educadores. É essa premissa que justifica a publicação desta edição revista e atualizada, na qual autoras negras se aprofundam nas diversas formas de combater o racismo dentro de nossas escolas. Entre os assuntos abordados estão: a formação de educadores para o combate ao racismo; os pontos de encontro entre educação, cidadania e raça; caminhos práticos para eliminar o racismo na escola; a valorização das raízes africanas na educação; a necessidade de apreender e combater o discurso racista em sala de aula; a construção da autoestima do aluno negro; a literatura infantojuvenil como aliada na valorização do povo preto.
Textos de: Ana Lucia Silva e Souza, Andréia Lisboa Sousa Johnson, Eliane Cavalleiro, Elisa Larkin Nascimento, Elisabeth Fernandes de Sousa, Isabel Santos Mayer, Maria Aparecida (Cidinha) da Silva e Nilma Lino Gomes.
Silvio Almeida
Nos anos 1970, Kwame Turu e Charles Hamilton, no livro "Black Power", apresentaram pela primeira vez o conceito de racismo institucional: muito mais do que a ação de indivíduos com motivações pessoais, o racismo está infiltrado nas instituições e na cultura, gerando condições deficitárias a priori para boa parte da população. É a partir desse conceito que o autor Silvio Almeida apresenta dados estatísticos e discute como o racismo está na estrutura social, política e econômica da sociedade brasileira.
Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
O número de assassinatos de quilombolas no país cresceu 350% em apenas um ano: foram registrados quatro assassinatos em 2016 contra 18 em 2017. O dado está na publicação “Racismo e Violência contra Quilombos no Brasil”, organizada pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras e Rurais Quilombolas e Terra de Direitos, em parceria com o Coletivo de Assessoria Jurídica Joãozinho de Mangal e a Associação de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais da Bahia (AATR)
Gabriel Nascimento
"Escrito de forma acessível e didática, este livro será de imenso interesse não apenas para estudiosos da linguagem, mas todos os que querem entender melhor a complexidade da desigualdade racial no Brasil. Com sua análise original da relação entre língua e racismo, Gabriel Nascimento aborda um tema quase totalmente ausente da linguística brasileira, se posicionando de forma lúcida e engajada nos debates de intelectuais negros, muitas vezes esquecidos, e mostrando suas contribuições para uma visão mais inclusiva da linguagem dentro da sociedade brasileira. De fato, a grande novidade da obra de Nascimento é de mostrar tanto as ausências da linguística tradicional quanto as pistas para uma renovação dessa área, dando continuidade ao projeto anticolonial de autores clássicos como Franz Fanon e à crítica decolonial contemporânea, que está transformando debates acadêmicos e políticos ao redor do mundo. Assim, este livro se insere numa virada importante na ciência e sociedade brasileira, que somente agora está começando a encarar a força estruturante de categorias raciais." Joel Windle (Monash University, Austrália/Universidade Federal Fluminense).
Sueli Carneiro
Entre 2001 e 2010, a ativista e feminista negra Sueli Carneiro produziu inúmeros artigos publicados na imprensa brasileira. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil reúne, pela primeira vez, os melhores textos desse período. Neles, a autora nos convida a refletir criticamente a sociedade brasileira, explicitando de forma contundente como o racismo e o sexismo têm estruturado as relações sociais, políticas e de gênero.Num momento em que nosso país depara com temas polêmicos, como o Estatuto da Igualdade Racial e as cotas em universidades, a Coleção Consciência em Debate pretende discutir assuntos prementes que interessam não somente aos movimentos negros como a todos os brasileiros.Fundamental para educadores, pesquisadores, militantes e estudantes de todos os níveis de ensino. Coordenação de Vera Lúcia Benedito.
Kabengele Munanga
É à luz do discurso pluralista emergente (multiculturalismo, pluriculturalismo) que a presente obra recoloca em discussão os verdadeiros fundamentos da identidade nacional brasileira, convidando pesquisadores da questão para rediscuti-la e melhor entender por que as chamadas minorias, que na realidade constituem maiorias silenciadas, não são capazes de construir identidades políticas verdadeiramente mobilizadoras. E essa discussão não pode ser sustentada sem que se coloque no bojo da questão o ideal do branqueamento, materializado pela mestiçagem e seus fantasmas.
Grupo de Estudos Afropedagógicos Sankofa - GEAPS - Organização: Rosa Margarida Carvalho
"Desejando atender aos objetivos para que foi criado, o GEAP Sankofa entrega aos educadores essa proposta de leitura e formação, cujos textos nos atualizam sobre o trato da questão racial no universo escolar.
A intenção é inspirar e convidar os profissionais de educação para ampliarem conheciments necessários para efetivar práticas pedagógicas condizentes com o objetivo de fazer valer a Lei 10.639/03, consolidando-a no cotidiano escolar de forma institucional."*
Achille Mbembe
Há meio século, a maioria da humanidade vivia sob o jugo colonial, uma forma particularmente primitiva de dominação da raça. Sua libertação constitui um momento-chave da história de nossa modernidade. Que esse evento quase não tenha deixado sua marca no espírito filosófico de nosso tempo não é lá um grande enigma. Nem todos os crimes engendram necessariamente coisas sagradas. Alguns crimes da história resultaram apenas em máculas e profanações, na esterilidade esplêndida de uma existência atrofiada – em suma, na impossibilidade de “fazer comunidade” e de retrilhar os caminhos da humanidade. Será que podemos dizer que a colonização foi justamente o espetáculo por excelência da comunidade impossível – uma convulsão tetânica e ao mesmo tempo um sibilo inútil? O presente ensaio lida apenas indiretamente com essa questão, cuja história completa e detalhada ainda espera ser escrita.
Nilma Lino Gomes
O cabelo é analisado na obra da Profa. Nilma Lino Gomes, não apenas como fazendo parte do corpo individual e biológico, mas, sobretudo, como corpo social e linguagem; como veículo de expressão e símbolo de resistência cultural. É nesta direção que ela interpreta a ação e as atividades desenvolvidas nos salões étnicos de Belo Horizonte a partir da manipulação do cabelo crespo, baseando-se nos penteados de origem étnica africana, recriados e reinterpretados, como formas de expressão estética e identitária negra. A conscientização sobre as possibilidades positivas do seu cabelo oferece uma notável contribuição no processo de reabilitação do corpo negro e na reversão das representações negativas presentes no imaginário herdado de uma cultura racista.
Paulina Chiziane
A escritora moçambicana apresenta uma reflexão sobre o ter e o ser.
Vários autores
A Coleção Terras de Quilombos reúne um conjunto de narrativas a respeito da formação, do modo de vida e das lutas travadas por comunidades quilombolas brasileiras para se manter em seus territórios tradicionais. Em cada livreto, uma comunidade quilombola é apresentada em sua singularidade.
Ao todo, a coleção oferece um panorama da diversidade de trajetórias vividas por ex-escravizados para conquistar a sua independência e se estabelecer na terra autonomamente.
A coleção é fruto da parceria entre Incra, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o antigo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para sistematizar e dar publicidade às informações contidas nos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID), em muitos casos ignoradas pela historiografia oficial. Esse material, registrado no âmbito dos processos administrativos do Incra, foi transposto para uma linguagem acessível, com o apoio de diversos colaboradores, destacando-se os autores das etnografias dos RTIDs.
Neusa Santos
Tornar-se Negro, escrito pela psiquiatra, psicanalista e escritora negra Neusa Santos Souza, é obra de referência no estudo da questão racial no Brasil. e apresenta o estudo teórico e vivencial da autora sobre a vida emocional dos negros. Na obra, Neusa mostra a auto rejeição do negro por seu aspecto exterior e explica que é necessário um raro grau de consciência para que esse quadro se inverta, mas quando isso acontece, a cor e o corpo do negro são sentidos como valor de beleza. Com um texto direto objetivo e recheado de depoimentos, a obra foi publicada inicialmente em 2008 e relançada em 2019 pela LeBooks Editora em função de sua abordagem pioneira e da importância do assunto tratado.
Itamar Vieira Júnior
Um texto épico e lírico, realista e mágico que revela, para além de sua trama, um poderoso elemento de insubordinação social.
Vencedor do prêmio Leya 2018.
Nas profundezas do sertão baiano, as irmãs Bibiana e Belonísia encontram uma velha e misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó. Ocorre então um acidente. E para sempre suas vidas estarão ligadas ― a ponto de uma precisar ser a voz da outra. Numa trama conduzida com maestria e com uma prosa melodiosa, o romance conta uma história de vida e morte, de combate e redenção.
Angela Davis
Lançada originalmente em 1974, a obra é um retrato contundente das lutas sociais nos Estados Unidos durante os anos 1960 e 1970 pelo olhar de uma das maiores ativistas de nosso tempo. Davis, à época com 28 anos, narra a sua trajetória, da infância à carreira como professora universitária, interrompida por aquele que seria considerado um dos mais importantes julgamentos do século XX e que a colocaria, ao mesmo tempo, na condição de ícone dos movimentos negro e feminista e na lista das dez pessoas mais procuradas pelo FBI. A falsidade das acusações contra Davis, sua fuga, a prisão e o apoio que recebeu de pessoas de todo o mundo são comentados em detalhes por essa mulher que marcou a história mundial com sua voz e sua luta.Questionando a banalização da ideia de que 'o pessoal é político', Davis mostra como os eventos que culminaram na sua prisão estavam ligados não apenas a sua ação política individual, mas a toda uma estrutura criada para criminalizar o movimento negro nos Estados Unidos. Além de um exercício de autoconhecimento da autora em seus anos de cárcere, nesta obra encontramos uma profunda reflexão sobre a condição da população negra no sistema prisional estadunidense.
Ana Maria Gonçalves
*Postagem sugerida pela professora Elisete Dutra
Fascinante história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão. Inserido em um contexto histórico importante na formação do povo brasileiro e narrado de uma maneira original e pungente, na qual os fatos históricos estão imersos no cotidiano e na vida dos personagens. Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, é um belo romance histórico, de leitura voraz, que prende a atenção do leitor da primeira à última página. Uma saga brasileira que poderia ser comparada ao clássico norte-americano sobre a escravidão, Raízes.
Paulina Chiziane
Karingana Wa Karingana é o narrador fictício dessa história que é inspirada em fatos reais, afinal, a autora moçambicana, Paulina Chiziane, 66, faz uma narrativa do sofrimento originado pelos conflitos da Guerra Civil (1964-1974), que culminou na proclamação da Independência de Moçambique em 25 de junho de 1975, há menos de 50 anos.
Publicado em 1995, esse é o segundo romance da autora e não poupa o leitor das mazelas e sofrimento vividos pelo povo moçambicano durante os conflitos. O que gerou um cenário de violência, seca, fome e muitas pessoas acabaram desabrigadas, recorrendo aos mais diversos meios para sanar a fome, comendo aquilo que era possível e, muitas vezes, se envenenando ou adoecendo, enquanto buscavam refúgio ou ajuda humanitária.
Paulina Chiziane narra a luta do povo pela sobrevivência, migrando de lugar em lugar para fugir da violência iniciada pelo golpe. A autora nos apresenta aos diferentes personagens que estão seguindo o mesmo caminho, a mesma trajetória em busca da aldeia chamada Monte, onde muitos se refugiaram. Um dos refugiados é Minosse, a única mulher de Sianga que permaneceu ao seu lado, mas perdeu tanto o marido como os filhos durante o golpe e precisa reconstruir sua vida.