REGINALDO TRINDADE DEZU¹
PEDRO HENRIQUE TERTULINO²
O presente artigo aborda as principais qualidades inerentes e imprescindíveis da liderança eclesiástica de credibilidade, servindo também de base para a não-eclesiástica. Apresenta-se no artigo a necessidade de o líder ter uma formação acadêmica em sua área de atuação, neste caso, possuir o título de Bacharel em Teologia, a fim de estar devidamente habilitado para exercer com maestria sua missão, além de ensinar e ministrar a palavra de Deus com conhecimento e autoridade. A Bíblia é a fonte principal de consulta do líder eclesiástico, haja vista tratar diretamente com pessoas que necessitam ser assistidas. Diante da importância de sua nobre missão perante a sociedade, o líder eclesiástico deve possuir caráter, integridade, além de conhecer os mandamentos de Deus e da legislação vigente, a fim de cumpri-los rigorosamente, inclusive ter o domínio sobre Administração Eclesiástica, para ser um gestor de excelência em seu Ministério. A pesquisa é fundamentada na bibliografia de livros, manuais e artigos que tratam a respeito do assunto em questão. Diante dos diversos problemas relacionados à liderança eclesiástica e amplamente divulgados na mídia em geral, o caráter do próprio líder tem sido colocado em dúvida pela sociedade, em razão do envolvimento de muitos líderes com corrupções, imoralidades, delitos, da valorização do egocentrismo e da ostentação pessoal gerando, com isso, a falta de credibilidade perante a comunidade. Fatores desta natureza despertou o interesse pelo tema ora em estudo e, assim, propor medidas para dirimir ou resolver a questão e resgatar a sua credibilidade.
Líder; Ministério; Caráter; Administração Eclesiástica.
¹ Bacharel em Direito pela Universidade Bandeirantes de São Paulo. Pós graduado em Direito Processo Penal pela Escola Paulista da Magistratura. Bacharel em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Cesumar - UniCesumar. Pós-graduando em Estudos Bíblicos do Antigo Testamento pelo Centro Universitário Cesumar - UniCesumar. Curso de Hebraico Bíblico A e B, Descobrindo a Bíblia Hebraica - Torá, Hebraico Moderno 1 e 2 (Ulpan), Aramaico pela Eteacher Israel Institute of Biblical Studies de Israel (EaD). Atualmente frequentando o Curso de Hebraico 3 no Centro de Ensino de Línguas na Unicamp. Presbítero na Comunidade Evangélica El Elyon em Bragança Paulista.
² Bacharel em Teologia pela Unicesumar. Pós graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia Sul Americana, Liderança Transformadora. Tutor no curso de Teologia da Unicesumar e Professor de Teologia pelo Setebare. Pastor Titular da Primeira Igreja Batista Renovada em Marialva.
O artigo tem como finalidade identificar as principais qualidades inerentes da liderança eclesiástica que influenciará de forma positiva no exercício pleno de seu Ministério com êxito e credibilidade, estabelecendo, ainda, a definição do termo liderança em seu contexto geral, tendo em vista a necessidade da figura do líder em todos os segmentos da sociedade.
Diante do cenário atual que vivemos, notamos que existem crises de ordem política, social e econômica, inclusive crise de valores morais e éticos, na família ou nas Instituições em geral, gerando reflexos na Igreja e nos Ministérios; portanto, verifica-se que muitos dos problemas estão relacionados à liderança eclesiástica, principalmente, no que diz respeito ao caráter e integridade do próprio líder, em razão do envolvimento deste com corrupção, imoralidades e delitos, situações incompatíveis com sua missão, contribuindo para o aumento da falta de credibilidade na sociedade, motivo pelo qual despertou o interesse pelo tema.
Diante da importância do trabalho realizado pela liderança na comunidade, é necessário que os líderes possuam, no mínimo, o título de Bacharel em Teologia para uma atuação eficiente e eficaz, a fim de estarem devidamente aprovados, habilitados e preparados para exercerem com maestria e excelência a sua missão, além de ensinar e ministrar a palavra de Deus com convicção e autoridade, tendo a Bíblia como sua ferramenta de trabalho e fonte principal de consulta.
Neste sentido, espera que o trabalho apresentado dê contribuição para a comunidade acadêmica, para os atuais líderes, incluindo àqueles que estão em ascensão e desejam também ser um referencial para os demais e, principalmente, contribuir de forma significativa para a sociedade, que irá desfrutar dos benefícios dos serviços prestados pelo líder eclesiástico íntegro e de caráter, sendo um exemplo digno de ser seguido, contribuindo para o bem comum da sociedade.
A metodologia aplicada em questão é de natureza exploratória, tendo como característica principal o levantamento bibliográfico para embasar os argumentos ora apresentados no presente artigo. Foram realizadas pesquisas bibliográficas em livros, léxicos, bíblia sagrada e artigos publicados relacionados ao tema.
Inicialmente, é de bom alvitre que é necessário demonstrar a definição específica de liderança e liderança eclesiástica para uma melhor compreensão dos termos.
O léxico Ferreira definiu o termo liderança como sendo: “capacidade de influenciar outras pessoas ou grupos de modo que eles se envolvam e realizem ações comuns do interesse do líder, sem necessitar, para isso, da autoridade conferida pela hierarquia funcional” (FERREIRA, 2010, p. 1263), logo, liderança é a capacidade de exercer influência sobre pessoas ou grupos de pessoas.
Liderança é um conjunto de habilidades pessoais natas ou desenvolvidas através da teoria ou da experiência pessoal, que a pessoa adquire de acordo com a sua necessidade e oportunidade, tornando-a capaz de exercê-la efetivamente, todavia, com a liderança provém o ônus e o bônus, logo, liderar é assumir responsabilidades, inspirar outras pessoas, correr riscos, assumir erros e acertos, ter coragem, enfrentar desafios, aprender mais e se colocar à disposição.
De acordo com Ferreira (2010, p. 750), o termo eclesiástico vem do grego enklesiastikós (ipsis litteris) e definiu como: “Pertencente ou relativo à Igreja; eclesial: ordens eclesiásticas; pertencente ou relativo a eclesiástico”.
Neste sentido Oliveira estabelece o significado de:
No grego clássico, ekklesia significa uma assembleia convocada para reunir-se em lugar público. [...] Contudo, quando Jesus declarou “edificarei a minha igreja.”, conforme Mateus 16.18, e esta foi a primeira vez que empregou este termo, Ele tinha em mente Seus discípulos (OLIVEIRA, 2009, p. 15).
Nota-se que Jesus se referiu aos seus discípulos quando usou o termo Igreja, que foram chamados de Apóstolos em Lucas 6:13 que diz: “e, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos” (A BÍBLIA DA MULHER, 2009, p. 1616) e escolhidos pessoalmente por Ele.
Isto posto, verifica-se que Jesus deu a seus discípulos poder e autoridade para exercerem no Reino espiritual, os quais seriam, posteriormente, os primeiros líderes da Igreja; portanto, a liderança é um dom de Deus dado aos homens.
Denota-se que o próprio Senhor Jesus constituiu líderes em sua Igreja, com propósitos específicos, conforme a epístola de Efésios 4:11 que diz: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (op. cit., p. 1897), os quais são considerados no corpo de Cristo, os ombros, que representam autoridade, ou seja, os líderes; assim como são definidos os Oficiais militares no mundo, que possuem suas patentes⁴ nos ombros, de acordo com o nível hierárquico que possuem na Instituição Militar, quanto maior é o posto, maior é a autoridade e a responsabilidade.
Neste mesmo sentido, Radmacher, Allen e House ratificam a questão sobre a Igreja como corpo de Cristo, conforme segue:
Após a celebração da autoridade de Jesus [...] ainda proclama Sua autoridade sobre toda a Igreja. Cristo é a cabeça do corpo, que é a Igreja. Ninguém deve subestimar o significado da Igreja, pois ela é, na verdade, o Corpo de Cristo. O Criador soberano do universo, como Cabeça da Igreja, é quem a lidera e supervisiona. Não é de admirar que Ele tenha tanto zelo por ela (1 Co 3.16,17) (RADMACHER; ALLEN; HOUSE, 2010, p. 545).
Nesta seara, sendo a Igreja o próprio corpo de Cristo, e Jesus, a cabeça da Igreja, conforme Efésios 1:22-23 que reza: “e pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que tudo enche em todas as coisas” (A BÍBLIA DA MULHER, 2009, p. 1893) e corroborado na epístola de Colossenses 1:18 que diz: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia” (op. cit., p. 1923), portanto, conclui-se que Jesus é a liderança máxima sobre Sua Igreja e tem toda autoridade sobre Ela, sendo a liderança eclesiástica escolhida por Deus para exercer a missão a ela designada, a fim de administrar e organizar a estrutura da igreja com zelo e reverência.
Qualidades de uma liderança eclesiástica de sucesso se referem a aplicabilidade dos princípios⁵ e valores na atividade eclesiástica diária, além de estar internalizadas na pessoa do líder com suas características pessoais, e conhecer e aplicar os princípios do Reino de Deus em sua vida diária.
Neste sentido Bezerra (2016, p. 3) define que “ao se tornar pastor, o indivíduo recebe muita responsabilidade e, para honrar com seu compromisso, deve ser exemplar tanto em seu discurso quanto em seu comportamento” e acrescenta ainda que “é preciso não se envaidecer, ter ética e bondade” (BEZERRA, 2016, p. 3), portanto, o líder deve possuir caráter, integridade, humildade e viver conforme a sua pregação e, assim, honrar a sua própria palavra, sendo um exemplo de homem e líder, influenciando, desta forma, um número cada vez maior de pessoas.
Caráter é uma das qualidades inerentes de uma pessoa, seja ela de boa ou má índole. De acordo com Ferreira o termo significa: “o conjunto dos traços particulares, o modo de ser de um indivíduo, ou de um grupo; índole, natureza, temperamento” (FERREIRA, 2010, p. 428), ainda segundo Ferreira (op. cit., p. 428) é “o conjunto das qualidades (boas ou más) de um indivíduo, e que lhe determinam a sua conduta e a concepção moral”, portanto, o caráter é uma escolha que a pessoa faz em sua vida, mormente, diante de situações complicadas que porventura surgem diante dela, mas o que vai fazer a diferença é a escolha que ela vai fazer.
Assim, Maxwell, um dos especialistas⁶ em liderança e reconhecido internacionalmente por seu trabalho na formação de líderes, destaca o seguinte:
O modo como o líder trata das circunstâncias da vida diz muito sobre seu caráter. As crises não formam necessariamente o caráter, mas certamente o revelam. A adversidade é uma encruzilhada que obriga a pessoa a escolher um dos dois caminhos: o caráter ou a concessão. Toda vez que a pessoa escolhe o caráter, torna-se mais forte, ainda que a escolha traga consequências negativas (MAXWELL, 2000, p. 15).
Nesta mesma conformidade, Maxwell (2000, p, 16) estabelece que “talento é um dom, mas caráter é uma escolha”, portanto, o caráter é colocado à prova todos os dias e em diferentes ocasiões, quando se deve tomar a decisão certa mesmo diante de circunstâncias adversas.
Desta forma, Bill define com clareza o porquê de o caráter ser importante:
O caráter - o mundo interior de motivos e valores que moldam nossas ações - é o determinante absoluto da natureza de nossa liderança. Ele fortalece nossas capacidades enquanto as mantém sob controle. Distingue os que administram bem o poder dos que abusam dele. O caráter entrelaça valores como integridade, honestidade e abnegação na estruturação de nossa vida, organização e cultura (BILL, 2005, p. 18).
Observa-se que o caráter é tão importante na vida das pessoas que é uma característica decisiva para estabelecer um diferencial entre elas em quaisquer ocasiões, haja vista que muitas pessoas são aparentemente boas, mas sem caráter.
A pessoa que possui um padrão elevado de caráter automaticamente estará num patamar superior e terá maior credibilidade em qualquer tempo e lugar, principalmente se alicerçado na Palavra de Deus, pois o caráter da pessoa se revela através daquilo que ela faz quando está sozinha, pois suas ações, comportamentos e atitudes são indicadores do seu caráter, portanto, aquilo que você faz define quem você é, logo, o caráter de um líder está intrinsecamente relacionado com suas ações.
O verdadeiro líder que realmente deseja concretizar seus objetivos com eficiência e eficácia, de acordo com o seu planejamento estratégico realizado, deverá ter comprometimento em tudo que realizar.
O comprometimento exige do líder um esforço maior do que a média em geral e deve ser demonstrado através do seu desempenho, dedicação e amor ao que está realizando, pois os resultados surgirão naturalmente como frutos do seu trabalho no devido tempo e reconhecido por todos como um servo de Deus bom e fiel.
Nesta conformidade, é evidente que pessoas não seguem líderes descompromissados, devendo o líder ser um exemplo em todas as ocasiões de sua vida, independente do problema que porventura o alcance, seja positivo ou negativo, mas, que sua conduta seja um referencial para edificação e encorajamento a outras pessoas que também estão sujeitas a passar pelas mesmas situações.
Assim, Maxwell (2000, p. 29) estabelece que “o comprometimento abre a porta da conquista” e prossegue afirmando que: “Como líder, você enfrentará muitos obstáculos e oposição - se é que já não enfrenta. Haverá momentos em que o comprometimento será a única coisa que o levará adiante” (MAXWELL, 2000, p. 29). Tal assertiva deve servir de estímulo para àqueles que desejam ser um verdadeiro Líder, pois haverá impedimentos, deslealdade, decepções, frustrações e oposição contra tudo que realizar, mas, com firmeza, resiliência e comprometimento, a conquista é apenas uma questão de tempo, com a graça de Deus.
Lealdade é uma das qualidades ou atributos importantes na vida de qualquer pessoa, independente do ramo ou atividade que ela exerça, principalmente do líder.
O maior exemplo de lealdade é a de Cristo. Jesus foi leal ao Pai em todo o tempo durante sua vida, motivo pelo qual Deus o engrandeceu de acordo com a carta de Filipenses 2:9 que versa: “pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome” (A BÍBLIA DA MULHER, 2009, p. 1914), portanto, os líderes eclesiásticos devem ser o exemplo de lealdade a Deus, a sua família, a sua Igreja, na sociedade, nos negócios, nos relacionamentos.
Neste sentido, Heward-Mills (2011, p. 23) assevera que: “o ponto de partida da lealdade é o chefe da organização. Se ele é desleal com seus seguidores, estes o serão com ele”, logo, o líder eclesiástico deve valorizar a lealdade em qualquer circunstância, tendo como exemplo o próprio Senhor Jesus.
Ressalta ainda Heward-Mills que “muitas pessoas não valorizam a honestidade e a lealdade. Porém, é bom aprendermos com o Mestre. Jesus não procurou diplomas; procurou lealdade e fidelidade” (HEWARD-MILLS, 2011, p. 30), e finaliza a ênfase de Paulo na passagem de 1 Coríntios 4:2 que diz: “ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel” (A BÍBLIA DA MULHER, 2009, p. 1824), portanto, a importância da lealdade e honestidade são conclusivos diante da grandeza dos próprios termos em si, sendo a lealdade inerente a quem tem o sentimento de justiça, verdade e bondade em de si.
A Bíblia relata a respeito de vários personagens que foram elevados à condição de líderes e colocados em lugares de destaque pela fidelidade e lealdade aos seus líderes e, principalmente, a Deus, mesmo diante das circunstâncias desfavoráveis que se encontravam. Eles enfrentaram o desafio com coragem, fé e determinação e conduta irrepreensível, razão pela qual foram honrados por Deus, sendo eles: José, Neemias e Daniel, entre outros escolhidos pelo próprio Deus, como: Abraão, Moisés, Josué, Davi, Paulo e, sobretudo, Jesus.
Diante da fidelidade, integridade e caráter na vida destes personagens, que se destacaram de forma extraordinária nos cargos que foram designados, executando suas missões com maestria, pois se mantiveram íntegros apesar da oposição e da posição que ocupavam, mas, não se deixaram corromper pelo poder e tampouco usaram do respectivo cargo ou de sua influência para proveito próprio.
Os termos são valores intrínsecos, importantes e inegociáveis além de serem valorizados na vida daqueles que possuem tais atributos.
Klein (2015, p. 276) define honestidade como sendo: “qualidade de honesto, honradez, decoro, dignidade”, nesta seara, sobre integridade descreve: “qualidade do que é íntegro, inteireza moral, retidão, honestidade” (op. cit, p. 296), portanto, nota-se que tais características fazem parte do caráter de pessoas com a natureza de: idoneidade, lealdade, confiabilidade, confiabilidade e senso de justiça.
A honestidade se refere à pessoa leal, justa e sincera, logo, é o que a sociedade precisa, pois injustiça, mentira, deslealdade e inversão de valores não devem prevalecer, motivo pelo qual são importantes tais atributos na vida de todos, conforme diz em Filipenses 4:8 “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se há louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (A BÍBLIA DA MULHER, 2009, p. 1919).
Desta forma, nota-se que tais características são tão importantes que a própria Bíblia sugere uma reflexão profunda sobre honestidade e integridade.
A integridade é uma questão importante na liderança, pois ela se estabelece por intermédio da confiança. A confiança é a base de todo e qualquer relacionamento, seja pessoal, profissional, conjugal, ministerial e não é diferente no relacionamento interpessoal entre líderes e liderados.
Integridade é a qualidade de uma pessoa que possui uma conduta ímpar, representado pela honestidade, seriedade, justiça e de uma conduta irrepreensível compromissada com a verdade.
Diante da relevância da nobre missão, é necessário que o líder possua, no mínimo, o título de Bacharel em Teologia ou equivalente, numa Instituição de Ensino de qualidade e reconhecida pelo Ministério da Educação, a fim de exercer seu Ministério com excelência, além de estar devidamente habilitado e preparado para ensinar e pregar a palavra de Deus com propriedade, conhecimento e sabedoria, conforme está escrito na epístola de 2 Timóteo 2:15 que diz: “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (A BÍBLIA DA MULHER, 2009, p. 1959), estando, assim, aprovado por Deus para exercer com autoridade e responsabilidade a sua missão.
O líder também tem um papel importante na sociedade em razão de tratar diretamente com pessoas que necessitam ser assistidas constantemente, as quais possuem problemas em diversas áreas, tais como: emocional, espiritual, financeira, conjugal e de relacionamentos, etc., bem como possui a responsabilidade de transmitir a mensagem da verdade para todos sobre salvação e eternidade, motivo pelo qual deve constantemente estar se capacitando e aperfeiçoando o seu conhecimento, se atualizando através de cursos e estágios em sua área de atuação.
Para exercer sua nobre missão com maestria, o líder deve conhecer sobre a legislação vigente, principalmente a respeito de Administração Eclesiástica para exercê-la com responsabilidade, sendo o melhor possível todos os dias, conforme Eclesiástico 9:10 que diz: “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (A BÍBLIA DA MULHER, 2009, p. 1073).
Conforme Kessler e Câmara (1987, p. 3) asseveram que: “Pastorear é muito mais que presidir. É administrar com eficiência os negócios do Reino de Deus”, portanto, observa-se que a liderança eclesiástica foi estabelecida pelo próprio Deus para administrar com eficiência, prudência e responsabilidade todos os aspectos relacionados à Igreja e, principalmente, cuidar das pessoas a ela pertencentes.
Neste mesmo sentido, Kessler e Câmara (1987, p. 13) define Administração Eclesiástica como sendo: “É o estudo dos diversos assuntos ligados ao trabalho do pastor no que tange à sua função de líder ou administrador principal da igreja a que serve”, portanto, o líder eclesiástico deve conhecer sobre administração para obedecer a legislação vigente a respeito e não incorrer em fatos desabonadores.
Muitos líderes possuem excelente oratória, alto poder de convencimento, demonstram autoridade em suas palavras, porém, infelizmente, vários deles tem falhas no caráter e não tem o Temor do Senhor, motivo pelo qual existe um grande número de líderes envolvidos com corrupções, mentiras, imoralidades, delitos, querem ter status e poder a qualquer custo, valorizaram o egocentrismo e a ostentação pessoal, e se locupletam rapidamente sem pensar nas consequências e repercussão dos seus atos.
A mídia em geral constantemente tem divulgado inúmeras notícias do envolvimento de líderes eclesiásticos em fatos gravíssimos e incompatíveis com a sua nobre missão, cujos fatos denigrem totalmente a imagem da liderança e aumenta a falta de credibilidade perante a sociedade.
Após pesquisa rápida na internet sobre o envolvimento de pastores em crimes, foram encontrados aproximadamente 21.200.000 resultados, com várias matérias jornalísticas da participação de líderes eclesiásticos em ocorrências policiais, cuja participação se deu exatamente pela ausência de caráter e do Temor do Senhor, porém, conclui-se que tais líderes não possuem moral na sociedade, principalmente, para ensinar ou pregar a palavra da verdade.
O presente artigo teve como finalidade identificar as principais qualidades que um líder eclesiástico deve possuir para exercer com maestria e excelência o seu mister e possuir a credibilidade da sociedade, tais como: caráter, comprometimento, lealdade, honestidade, integridade, cujos atributos são imprescindíveis e necessários para uma liderança de sucesso, estabelecendo-se ainda a definição de Liderança e Liderança Eclesiástica para maior compreensão.
Demonstrou-se que a Igreja é o corpo de Cristo e Jesus é a cabeça do corpo, o qual possui a liderança máxima e a autoridade sobre ela. O próprio Senhor Jesus constituiu líderes sobre sua Igreja para organizar e administrar com eficiência, prudência e responsabilidade os aspectos relacionados à Igreja e cuidar das pessoas a ela pertencentes, em razão dos problemas que elas apresentam.
Demonstrou-se ainda a necessidade de a liderança possuir o conhecimento na área de sua atuação, sendo necessário, no mínimo, possuir o título de Bacharel em Teologia, em razão da relevância do seu trabalho além de conhecer a respeito de Administração Eclesiástica para gerenciar os negócios do Reino de Deus.
Verificou-se a participação em ocorrências policiais gravíssimas relacionadas a liderança eclesiástica e incompatíveis com sua missão, cuja participação se deu pela ausência de caráter e do Temor do Senhor, aumentando a falta de credibilidade perante a sociedade, inclusive, o líder perdendo totalmente a sua moral.
Diante do exposto, conclui-se que, se a liderança internalizar as qualidades citadas, ter o Temor do Senhor e se capacitar, com certeza, será uma liderança de sucesso e de credibilidade, principalmente, um líder segundo o coração de Deus.
³ O conjunto dos livros sagrados do Antigo e do Novo Testamento; Escritura, Sagrada Escritura, Escrituras. (FERREIRA, 2010, p. 309).
⁴ Patente é o posto do Oficial na Instituição Militar a que pertence, conforme estabelece o § 1° art. do 14 da Lei nº 6.880, de 09 de novembro de 1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6880compilada.htm>. Acesso em: 16 out. 2020.
⁵ Princípios: “Conjunto dos preceitos morais e éticos que regem ou deveriam reger a conduta e o comportamento ser humano em relação ao seu semelhante, ou em relação à sociedade, ou em relação ao mundo e aos outros seres da natureza. Integridade, caráter” (FERREIRA, 2010, p. 1710).
⁶ Texto extraído da segunda orelha do livro citado em referência ao próprio autor (Maxwell).
BEZERRA, Cícero Manoel. Liderança Cristã: A prática do pastorado. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2016. Disponível em: <https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/37404/pdf/0?code=tdDuWPZfDG7x0QmkKPPJRPX4Xkes6nD+YJ91Il/D0mpfQPSstKm+/AXEI2gvhxvljviKasPaiD/21bjj6CiqSA==> Acesso em: 06 out. 2020.
BÍBLIA. Português. A Bíblia da mulher: Leitura, devocional e estudo. Almeida Revista e Atualizada. 2. ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009. 2176 p.
BILL, Thrall. A escalada de um líder: Reflexos sobre a arte de influenciar pessoas. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. Traduzido por Aline Grippe. Disponível em: <https://livros.gospelmais.com.br/wp-content/blogs.dir/6/files/livro-ebook-a-escalada-de-um-lider.pdf> Acesso em: 06 out. 2020.
BRASIL. Lei nº 6.880, de 09 de novembro de 1980. Dispõe sobre o Estatuto dos Militares. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6880compilada.htm>. Acesso em: 16 out. 2020.
DOURADO, Camilla. ESTADO DE MINAS GERAIS, 25 set. 2020. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/09/25/interna_gerais,1188857/pastor-matou-esposa-para-se-ver-livre-adulterio-e-condenado-em-passos.shtml> Acesso em: 11 nov. 2020.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010.
FILHO, Herculano Barreto; ANDRADE, Hanrrikson de. UOL - Cotidiano, Rio de Janeiro e Brasília, 06 set. 2020. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/09/06/igrejas-de-flordelis-fecharam-apos-morte-de-pastor-anderson-diz-jornal.htm> Acesso em: 11 nov. 2020.
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KLEIN, Cristina. Dicionário da língua português. São Paulo: Rideel, 2015. Disponível em: <https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/182067/pdf/0?code=5kjEbSOYbrfJpJFOEGUopcyV19BffqA1jcQmp8WRm+kSLOVv/oQ92vkNI3e98y4YJZBW6NwVCPSVMPCNGWnA9A==> Acesso em: 10 out. 2020.
KESSLER, Nemuel; CÂAMARA, Samuel. Administração Eclesiástica. 1. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleia de Deus, 1987.
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