ROBERIO DAS CHAGAS FERREIRA¹
CARLA FERNANDA DE OLIVEIRA PAULO²
O objetivo deste artigo é entender como as organizações aprendem e como isso pode contribuir para o desenvolvimento pessoal. Para tanto foi realizada uma pesquisa bibliográfica levando-se em conta as ideias de Abrantes (2009); Chiavenato (2009); Ribeiro (2008 e 2010); Siqueira (2013), Lopes (2009) e Bitencourt (2004), entre outros. Onde procurou-se entender o significado da aprendizagem organizacional; identificar a importância de uma aprendizagem contínua pelos indivíduos que compõem uma organização; e entender a contribuição das lideranças, em todos os níveis de atuação (formal ou informal), para que a aprendizagem organizacional aconteça, visando ao atingimento dos objetivos organizacionais de forma eficiente e eficaz. Tudo isto para que as organizações aprendam como lidar com as mudanças que ocorrem nos ambientes interno e externo à organização e mantenham-se competitivas. Concluiu-se que o papel das pessoas dentro das organizações é imprescindível, pois é por intermédio delas que as organizações aprendem; que o planejamento, execução e avaliação da aprendizagem contínua deve ser constante e focada na melhoria contínua; e que as lideranças, em todos os níveis, impactam o desempenho das pessoas em suas atividades e, estes, devem buscar o desenvolvimento das pessoas de forma constante e ininterrupta, pois isto é salutar tanto para o desenvolvimento das organizações quanto das pessoas que nela atuam.
Aprendizagem organizacional; Desenvolvimento organizacional; Desenvolvimento pessoal.
¹ Pós-graduando em Pedagogia Empresarial e Desenvolvimento do Conhecimento, pela UniCesumar; Especialista em Docência no Ensino Superior; Especialista em Gestão Educacional; e Especialista em EaD e as Tecnologias Educacionais pela UniCesumar; Especialista em Gerência Executiva de Transporte e Mobilização pela Faculdade Integrada da Terra de Brasília (FTB); e Graduado em Administração pela Faculdade Olinda (FOCCA).
² Mestra em Administração pela UEM. Graduada em Administração pela Unicentro.
Com a velocidade com que as mudanças acontecem, na atualidade, em todas as áreas de atuação por conta da evolução tecnológica que encurtou as distâncias sociais, favorecendo o desenvolvimento de novas ideias, novas teorias e novas formas de realizar os processos organizacionais, as organizações são obrigadas a buscarem formas de melhorarem os seus processos, buscando cada vez mais a eficiência e a eficácia nas suas ações, o que acarreta a uma necessidade de aprender e reaprender como se adaptar, se ajustar à essas mudanças dentro das organizações e que afetam a vida das pessoas que dela fazem parte.
Como manter a organização atualizada, antenada com o que acontece de mais importante, tanto localmente quanto no mundo, é uma questão válida para àquelas que querem se manter ativas e competitivas. Por isso, o objetivo desse artigo é buscar entender como as organizações aprendem. Fato importante para o desenvolvimento organizacional e das pessoas nelas inseridas.
A presente pesquisa tem como foco estudar o tema proposto e responder à questão “como as organizações aprendem?”. Para isto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, buscando-se nos autores: Abrantes (2009); Chiavenato (2009); Ribeiro (2008 e 2010); Siqueira (2013); Lopes (2009) e Bitencourt (2004), entre outros, ideias que contribuam para responder à questão apresentada.
Esta pesquisa se justifica pela importância da aprendizagem organizacional, tanto para as organizações quanto para as pessoas que as compõem, em todos os níveis hierárquicos; e espera-se contribuir com este estudo, para que estas pessoas entendam que a aprendizagem organizacional deve acontecer de forma contínua e que a participação de todos é necessária e primordial para que a organização se mantenha competitiva para concorrer em um mercado cada vez mais acirrado e globalizado.
Para tanto, este estudo foi dividido em três partes. A primeira, buscou-se entender o que é aprendizagem organizacional; em seguida, discute-se a respeito da importância da aprendizagem contínua para as organizações; e por último, procurou-se entender a importância do papel das lideranças para que a aprendizagem organizacional aconteça.
Neste tópico discute-se a aprendizagem organizacional e durante a pesquisa ficou claro que esse termo já vinha sendo discutido no âmbito organizacional desde a década de 1970, mas ganhou popularidade a partir da década de 1990 (ALMEIDA; SOUZA-SILVA, 2015; CAMILLIS; ANTONELLO; 2010).
Para compreender melhor “aprendizagem organizacional” é necessário conceituar algumas palavras que compõem o arcabouço geral deste assunto, vejamos:
Aprendizado, segundo o dicionário Aurélio, significa “ato ou efeito de aprender, especialmente profissão manual ou técnica'' Aprendizagem” (FERREIRA, 2004, p. 169). Para Vygotsky (1989):
Aprendizagem pode ser definida como o processo pelo qual o indivíduo se apropria de informações, habilidades, atitudes e valores, a partir de seu contato com a realidade, com o meio ambiente e com as outras pessoas. Esta visão torna o aprendiz interdependente do meio que o cerca, trocando com ele suas impressões, influenciando-o e sendo por ele influenciado (VYGOSTSKY, 1989 apud SCORSOLINI-COMIN; INOCENTE; MIURA, 2011, p. 228).
Logo, para que seja possível aprender, é necessário que o indivíduo interaja com o meio onde ele está inserido, tanto na sua vida pessoal quanto profissional, e se relacione com outros indivíduos e grupos sociais.
Almeida e Souza-Silva (2015), Camillis e Antonello (2010), e Bitencourt (2004) apresentam a aprendizagem individual e coletiva, em que a primeira traduz que o indivíduo aprende por suas vivências, por suas experiências, por suas interações com o meio e com as pessoas que no contexto dele existe. Em suma, aprende por sua conta; e a segunda é aquela em que as pessoas, coletivamente, em suas variadas formas de relacionamentos, aprendem juntas.
Existe, segundo Camillis e Antonello (2010), a aprendizagem formal, que é aquela que foi planejada, organizada e executada dentro ou fora da organização, em sala de aula, de forma estruturada; e a aprendizagem informal, que é uma aprendizagem que ocorre no dia a dia, da interação interpessoal, da tentativa e erro. Este tipo de aprendizagem está nas mãos de quem aprende.
Como se falará muito em processo de aprendizagem no decorrer desta pesquisa, cabe entender o que é um processo e encontramos em Ferreira (2013, p. 18), que o definiu como um “conjunto de atividades inter relacionadas ou interativas que transformam insumos (entradas) em produtos ou serviços (saídas) que têm valor para um grupo específico de clientes ou usuários.” Para Davenport (1994):
Processo é um conjunto de atividades de trabalho ordenadas especificamente no tempo e espaço e com um começo, um fim, inputs e outputs claramente definidos e identificados. De maneira bem pontual, os conceitos de input e outputs podem ser explicados da seguinte forma: inputs são recursos utilizados no processo de produção e outputs são os bens e serviços que são o resultado do processo de transformação dos recursos utilizados (DAVENPORT, 1994 apud SILVA, 2017, p. 7).
Com base nos conceitos apresentados, pode-se inferir que o processo de aprendizagem organizacional é um conjunto de atividades inter relacionadas que transformam as necessidades de solucionar problemas, de aprender coisas novas, de se adaptar a uma nova realidade, de reaprender novos conceitos e práticas etc. (que podemos chamar de insumos ou entradas), por meio da aprendizagem das pessoas (transformação) em um novo conhecimento (saída), que tem por objetivo manter a organização competitiva.
Como viu-se, o processo de aprendizagem organizacional é relevante para as organizações, pois é por meio dele que as necessidades são levantadas, pessoas são capacitadas, velhos conhecimentos são reciclados e novos conhecimentos são conquistados, tudo isto para fazer as organizações melhorarem suas atividades.
Diante do exposto, passa-se a discutir a aprendizagem organizacional que, conforme afirmado por Antonello (2005):
É um processo contínuo de apropriação e geração de novos conhecimentos nos níveis individual, grupal e organizacional, envolvendo todas as formas de aprendizagem – formais e informais – no contexto organizacional, alicerçado em uma dinâmica de reflexão e ação sobre as situações-problema e voltado para o desenvolvimento de competências gerenciais (ANTONELLO, 2005, p. 27 apud SILVA; LEITE; 2013, p. 197).
Logo, pode-se inferir que o termo apropriação de um conhecimento significa utilizar uma nova forma de pensar e agir sobre um conhecimento que já está disponível. Já a geração de conhecimento, significa que depois de estudos e discussões realizadas por indivíduos e grupos de pessoas, um novo conhecimento é gerado e passa-se a ser utilizado pela organização.
Com base no conceito apresentado e tendo a colaboração de Bitencourt (2004, p. 4), quando afirma que “a aprendizagem individual é transformada em coletiva, e o conhecimento individual é incorporado às práticas organizacionais.” O que é corroborado por Takahashi (2015, p. 147) quando afirma que “na aprendizagem organizacional, o resultado sempre será maior do que a soma das aprendizagens individuais ou a soma das aprendizagens grupais.”
Percebeu-se, também, que tanto a aprendizagem formal quanto a informal são importantes para construção da aprendizagem organizacional, como é explicado na citação:
Quando o indivíduo aprende, transfere à empresa seus conhecimentos, tornando-a um repositório dinâmico de novos saberes, com maior capacidade de gerar conteúdos de aprendizagem aos demais colaboradores, criando-se, assim, o ciclo da aprendizagem organizacional (das pessoas para as organizações e das organizações para as pessoas) (SCORSOLINI-COMIN; INOCENTE; MIURA, 2011, p. 230).
A aprendizagem organizacional é primordial para a sobrevivência das organizações e a participação das pessoas é de fundamental importância para que a aprendizagem aconteça e o conhecimento adquirido ou produzido por elas passem a compor o acervo organizacional, sendo esta a responsável por manter, atualizar e disponibilizar esse conhecimento para que toda a organização aprenda e mantenha o ciclo de aprendizagem organizacional funcionando.
Tudo na vida nasce, evolui e morre, e isto acontece em todas as áreas da vida humana, inclusive com o conhecimento. Nesse sentido, Lopes (2009, p. 21) afirma que “vive-se em um mundo onde o conhecimento está constantemente mudando e com uma rapidez imensurável”. Um determinado conhecimento, brota de observações e estudos em um dado momento, evolui pelas experiências dele adquiridas, por intermédios de novos estudos, e morre, transforma-se, modifica-se quando novas ideias são acrescentadas, fazendo emergir um novo conhecimento, uma nova forma de pensar e agir, e o ciclo recomeça. As organizações superam esses desafios aprendendo.
Para que as organizações se mantenham competitivas é preciso contar com a participação das pessoas para perceberem e estudarem as ameaças e oportunidades que surgem no dia a dia da organização, para que esta possa se adaptar, se ajustar, se remodelar, aprender e reaprender a melhor forma de lidar com essas mudanças constantes, mantendo-se atualizadas, conforme Abrantes:
Pois o mundo moderno, de modo geral, e o mundo dos negócios, de modo particular, exigem das pessoas um constante aprendizado, para que elas obtenham cada vez mais sucesso ou, no mínimo, não se sintam marginalizadas e sem oportunidades. Estamos na era do ‘Lifelong Learning’, ou educação continuada (ABRANTES, 2009, p. 93).
Desta forma entra em ação a aprendizagem organizacional, que segundo Chiavenato (2009, p. 72) “constitui o coração da capacidade organizacional de competir em um ambiente de negócios altamente dinâmico e competitivo” e para Ribeiro (2008, p. 155), é “entendida como a capacidade de uma empresa associar pessoas e grupos de trabalho criativa e inteligentemente de modo que ela se possa adequar aos novos cenários socioprodutivos.”
Portanto, é necessário que as empresas invistam em educação para o desenvolvimento das suas pessoas, lotadas em todos os níveis da organização, fato que trará retornos positivos, tanto para a organização quanto para as próprias pessoas nelas envolvidas. Para que isto aconteça é necessário que a organização planeje, execute e avalie a aprendizagem contínua de seu pessoal, pois com certeza isso fará com que as pessoas tragam, como bagagem dessa capacitação, atualizações de ideias, reciclagem de conhecimentos, novos conceitos e novas formas de trabalhar.
Sobre a importância da contribuição das pessoas, como geradores de conhecimento para as organizações, Lopes (2009, p. 26) afirma que:
Vivemos na Era do Conhecimento, em que as empresas passam a dar mais importância para o que há de mais valioso dentro de seu espaço organizacional, o capital Intelectual de seus profissionais - único diferencial capaz de manter o acervo de informações e conhecimentos das empresas, tornando-as mais valiosas e competitivas no mercado.
E ainda sobre a contribuição das pessoas para a organização, Chiavenato (2009, p. 1) diz que:
Na Era do Conhecimento a base da excelência organizacional passou a ser o elemento humano. A globalização, o desenvolvimento tecnológico e a mudança e transformação da sociedade fazem com que a capacidade de sobrevivência e excelência das organizações passe cada vez mais a depender forte e diretamente das habilidades e competências das pessoas que nelas trabalham.
Nota-se, a valorização das pessoas, por conta dos conhecimentos que cada indivíduo traz consigo em decorrência da sua evolução como ser humano vivendo em sociedade e dos conhecimentos que são adquiridos durante o seu desenvolvimento profissional, dentro das organizações, faz com que o investimento em capacitação traga retornos positivos, tanto para as pessoas quanto para a organização. Fato que contribui para que as organizações sobrevivam em um mercado competitivo, globalizado e impactado pelo desenvolvimento tecnológico.
Para colaborar com o entendimento do porquê a aprendizagem contínua é importante para as organizações, elaborou-se a figura “Ciclo de aprendizagem contínua”, a seguir apresentada, que foi adaptada das ideias de visão sistêmica organizacional, já bastante discutida no âmbito da gestão organizacional; do processo de aprendizagem de Guy R. Lefrançois (2016 apud SILVA, 2017); e do ciclo de aprendizagem de Crossan, (2011 apud VERSIANI et al., 2018). Assuntos que, individualmente, podem ser alvo de um estudo específico, mas que não é o foco desta pesquisa.
Figura 1 - Ciclo de aprendizagem contínua
Fonte: Elaborado pelo autor (2020).
A respeito das ideias apresentadas na figura, pode-se dizer que a visão sistêmica, que sumariamente, traduz que a organização é integrante de um grande sistema, que como dito por Oliveira (2014, p. 24) é o “conjunto de partes interagentes e interdependentes que conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuando uma função.” Nesse caso, pode-se inferir que as pessoas, os processos, os relacionamentos intraorganizacionais e extra organizacionais, são partes interagentes do dia a dia da organização; que o processo de aprendizagem (Lefrançois, 2016) é composto pela necessária experiência (experimentação, vivência, influência, estímulos etc.), seguida por uma aprendizagem (novas realidades, novos conhecimentos, novas experiências etc.), que gera mudanças no comportamento (decorrente das experiências antigas e novas) e que, consequentemente faz o processo rodar outra vez; e que o ciclo de aprendizagem (Versiane, 1018) é composto pelos processos psicológicos da intuição (indivíduo) e da interpretação (indivíduo e grupo); da integração (grupal e organizacional) e da institucionalização (grupal e organizacional), contribuem para que o conhecimento seja discutido e internalizado na organização.
Diante do exposto, entende-se que a aprendizagem contínua é vital para que as organizações se mantenham em constante desenvolvimento, mantendo-se em condições de enfrentar as adversidades e de resolver os problemas que possam surgir durante a execução de suas atividades. Aprendendo e reaprendendo por intermédio da observação cuidadosa do que acontece nos seus ambientes interno e externo à organização.
Após entender o que é aprendizagem organizacional e entender a importância da aprendizagem contínua para as organizações, precisa-se encontrar o elo entre a necessidade da aprendizagem, como desenvolver as pessoas, criar formas de capacitar as pessoas, como gerar e reter esse conhecimento dentro da organização, que nesse caso recai sobre as lideranças, em todos os níveis.
Entende-se que as pessoas exercem um papel importante para o desenvolvimento organizacional, pois este entendimento encontra amparo quando Ribeiro (2008, p. 113) afirma que “a atenção ao indivíduo é uma das chaves do seu sucesso''. O indivíduo é o elemento base da organização, é um sistema vivo a ser atentamente observado e considerado como parte essencial da dinâmica organizacional”.
Então, como ajudar as pessoas a desenvolverem os seus conhecimentos, habilidades e atitudes em prol da organização? É pela atuação das lideranças em todos níveis, que contam com o apoio das pessoas. São eles que ajudarão a criar um ambiente favorável à melhoria contínua, a estabelecer um ambiente motivado, a incentivar e manter um espaço aberto à criatividade e repleto de oportunidades de crescimento.
Ainda neste entendimento, Ribeiro (2010, p. 56) diz que “a liderança passa a ser, também, um instrumento para a capacitação e a formação pessoal e profissional onde a liberdade, o respeito e a cooperação passam a compor a competência profissional.”
Portanto, entende-se que a liderança contribui para a formação de seus liderados principalmente pelo exemplo, mostrando como deve ser o comportamento dentro da organização, oferecendo feedback quando necessário.
Outra atuação importante que se espera da liderança é o incentivo para que a capacitação aconteça, seja interna ou externamente à organização, com o objetivo de desenvolver o seu pessoal. Contando para isto com a colaboração do departamento de recursos humanos, onde encontra-se pessoas capacitadas que estudam o ambiente de trabalho, analisam as informações levantadas, identificam as necessidades, planejam as capacitações quando necessárias e acompanham os resultados gerados por essas atividades.
Para que isto aconteça de forma favorável é necessário, segundo Siqueira:
que quem estiver no comando desenvolva a habilidade de compreender as diferenças e as similaridades entre os seus colaboradores. As diferenças podem causar medo, preconceito e distanciamento. Também podem criar amizade, colaboração, eficácia e sinergia. As pessoas podem integrar-se por semelhanças, mas também por diferenças, desde que tenham propósitos comuns complementares, que sejam capazes de trabalhar cooperativamente e de forma solidária (SIQUEIRA, 2013, p. 20).
Os líderes devem entender que as pessoas são diferentes umas das outras, e que cada uma tem sua maneira, sua concepção, sua compreensão sobre um mesmo assunto, às vezes concordando e outras vezes discordando, e isto é salutar para o desenvolvimento de ideias, mudanças de paradigmas, participação das pessoas no processo de capacitação, pois a aprendizagem organizacional é uma responsabilidade de “todos dentro da organização, desde o presidente, diretores, gerentes, órgãos de apoio e suporte, órgão de RH e os próprios colaboradores. Trata-se de um verdadeiro mutirão de esforços contínuos e incessantes.” (CHIAVENATO, 2009, p. 9)
Conclui-se que as lideranças têm um papel de fundamental importância para que a aprendizagem organizacional aconteça, pois o incentivo e as condições de execução da aprendizagem devem estar disponíveis, mas também é necessária a atuação destes pela busca do que é fundamental, que é aprender, desaprender e reaprender o que há de novo, acompanhando a evolução do que acontece no mercado, enfrentando as mudanças de forma criativa por parte das pessoas e da organização. Por isso é importante fazer um levantamento das necessidades e de realizar um planejamento de capacitação para toda a organização. Essas ações se bem realizadas trarão os frutos desejados para que a organização continue aprendendo e se desenvolvendo. Também ficou claro que a busca por capacitação não é uma ação exclusiva das lideranças, mas de todos os que fazem a organização.
Com o intuito de entender como as organizações aprendem, buscou-se alguns conceitos que proporcionam o entendimento do que é aprendizagem organizacional, em seguida procurou-se entender por que a aprendizagem contínua é importante para a organização e logo após, indagou-se a respeito do papel da liderança para que a aprendizagem organizacional aconteça.
Levando-se em conta o estudo ora realizado compreendeu-se que a participação das pessoas que compõem a organização deve ser incentivada e patrocinada, pois o desenvolvimento intelectual e profissional desses indivíduos gerará conhecimento para a organização. Inferiu-se que o processo de aprendizagem organizacional envolve as pessoas da organização, e estas aprendem individualmente e coletivamente, bem como aprendem formalmente e informalmente. Estas formas de aprender se complementam e são interdependentes uma da outra, o que faz com que a aprendizagem organizacional seja uma atividade importante.
Compreendeu-se que a aprendizagem contínua para as organizações deve, como a palavra “contínua” sugere, ser realizada constantemente, sempre que se fizer necessário, para o desenvolvimento das pessoas e da organização. Isto porque, para que a organização se mantenha competitiva na sua área de atuação, em um mercado cada vez mais competitivo e de alcance global, é necessário que as pessoas participem e estejam preparadas para encontrar as respostas adequadas às ameaças e oportunidades que surgirem, tanto no ambiente interno da organização quanto no ambiente externo que possa influenciar e impactar as suas atividades.
Percebeu-se que todas as pessoas que fazem parte da organização, do superior ao subordinado, são responsáveis pela busca constante pelo aprendizado e entendeu-se que os líderes, em todos os níveis, têm um papel importante para o desenvolvimento das pessoas e da organização, pois eles devem criar um ambiente favorável, incentivar, apoiar e orientar as pessoas para que busquem, a melhoria contínua em suas atividades.
Dessa forma, pode-se afirmar que as organizações aprendem por intermédio das pessoas e para que isto aconteça é necessário investir no desenvolvimento das mesmas e, isto acontecendo, haverá o desenvolvimento da organização como um todo. Fato este, que cria um ambiente propício para que a organização cumpra a sua missão, atinja os seus objetivos, trabalhe para que os seus produtos e serviços atendam, de maneira eficiente e eficaz, às expectativas e desejos dos seus clientes.
ABRANTES, José. Pedagogia empresarial nas organizações que aprendem. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2009.
ALMEIDA, Neylla Carolina Pamponet de; SOUZA-SILVA Jader Cristino de. Aprendizagem organizacional e formação de gestores: como aprendem os gestores em uma indústria do setor petroquímico. Revista de Gestão. São Paulo-SP. v. 22, n. 3, jul/set 2015, p. 383-404. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S180922761630128X>. Acesso em: 15 mai. 2020.
BITENCOURT, Claudia Cristina. A gestão de competências gerenciais e a contribuição da aprendizagem organizacional. RAE-Revista de Administração de Empresas, São Paulo-SP. vol. 44, n. 1, jan-mar 2004. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0034-75902004000100004>. Acesso em: 15 mai. 2020.
CAMILLIS, Patricia Kinast de; ANTONELLO, Claudia Simone. Um estudo sobre os processos de aprendizagem dos trabalhadores que não exercem função gerencial. Revista de Administração Mackenzie, São Paulo-SP. v. 11, n. 2. mar/abr. 2010. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-69712010000200002&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 15 mai. 2020.
CHIAVENATO, Idalberto. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. 7. Ed. rev. e atual. Barueri-SP: Manole, 2009. (Série recursos humanos)
FERREIRA, André Ribeiro. Gestão de processos; Módulo 3. Brasília: ENAP/DDG, 2013. Apostila do Programa de Desenvolvimento de Gerentes Operacionais – DGO. Disponível em: https://repositorio.enap.gov.br/handle/1/2332>. Acesso em: 15 mai. 2020.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 3. ed. Curitiba: Positivo, 2004.
LOPES, Izolda. (Org.) Pedagogia empresarial: formas e contextos de atuação. 3. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2009.
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Planejamento Estratégico: conceitos, metodologia e práticas. 32. ed. São Paulo: Atlas, 2014.
RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa. 6. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2010.
___ Temas atuais em pedagogia empresarial: aprender para ser competitivo. 2. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2008.
SCORSOLINI-COMIN, Fabio; INOCENTE, David Forli; MIURA, Irene Kazumi. Aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento: Pautas para a gestão de pessoas. Revista Brasileira de Orientação Profissional. São Paulo jul.-dez. 2011, Vol. 12, No. 2, 227-239. Disponível em: <https://www.redalyc.org/pdf/2030/203022103010.pdf>. Acesso em: 07 mai. 2020.
SILVA, Patrícia Rodrigues da. Teorias da aprendizagem e conhecimento nas organizações: a formação e o desenvolvimento de pessoas nas organizações. Maringá-PR: UniCesumar, 2017.
SILVA, Marco Antonio Batista da; LEITE, Nildes R. Pitombo. Aprendizagem e mudança organizacional em uma instituição de ensino superior em administração. Revista Eletrônica de Administração. Porto Alegre-RS. Edição 77, n° 1, jan/abr 2014, p. 195-224. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/read/v20n1/a08v20n1.pdf>. Acesso em: 07 mai. 2020.
SIQUEIRA, Wagner. Influências do estilo gerencial na comunicação empresarial. (Livreto). Rio de Janeiro: CRA/RJ, 2013. Disponível em:<http://www.cra-rj.adm.br/publicacoes/livretos/Influ%c3%aancias%20do%20Estilo%20Gerencial%20na%20Comunica%c3%a7%c3%a3o%20Empresarial.pdf>. Acesso em: 22 abr. 2020.
TAKAHASHI, Adriana Roseli Wünsch. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: InterSaberes, 2015.
VERSIANI, Ângela França; REZENDE, Sérgio Fernando Loureiro; MAGALHÃES, Ana Thereza Novaes; VAZ, Samir Lótfi. A relação entre a elaboração de estratégias e a aprendizagem organizacional, Revista Brasileira de Gestão de Negócios. São Paulo-SP. v. 20. nº 2. Abr/jun 2018. p. 157-177. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-48922018000200157>. Acesso em: 15 mai. 2020.