DÉBORA KARINE SILVA PAZINI¹
LIANA GOMES NETTO²
A Dieta Mediterrânea é apontada como uma das dietas mais saudáveis do mundo, pois incentiva o consumo de alimentos nutritivos que promovem, segundo pesquisas, a maior longevidade geral e a prevenção do risco de enfermidades crônicas não-transmissíveis. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo investigar na literatura as peculiaridades gastronômicas da Dieta Mediterrânea, assim como confrontar os alimentos permitidos com os alimentos nativos e/ou cultivados no Brasil, para analisar a possibilidade de adaptação sem perder a essência da dieta original do Mediterrâneo. Este levantamento bibliográfico baseia-se na pesquisa em livros, revistas, folhetos, websites e artigos científicos. Aborda-se no estudo o Padrão Alimentar Mediterrâneo (PAM), os alimentos mais difíceis de encontrar no Brasil e seus possíveis substitutos. Diante disso, verifica-se que conforme o estudo demonstra, com as devidas adaptações, a Dieta Mediterrânea realizada com alimentos brasileiros torna-se possível e colabora para a melhoria do estilo de vida equilibrado e saudável da população do Brasil.
Saudável; Alimentos brasileiros; Pirâmide alimentar; Estilo de vida; Azeite.
¹ Pós-graduanda em Gastronomia Funcional e Natural pelo Centro Universitário Cesumar - UniCesumar. Graduada em Gastronomia pelo Centro Universitário Cesumar - UniCesumar.
² Mestre, professora mediadora, conteudista e orientadora nos cursos da pós-graduação EAD (Unicesumar).
Diferentemente de dietas da moda que restringem de maneira drástica alguns tipos e grupos alimentares, a Dieta Mediterrânea é tida como uma das dietas mais completas e fáceis de serem seguidas. Entretanto, existem alguns alimentos do padrão alimentar desta dieta que são típicos da região mediterrânea e são mais difíceis de serem encontrados no Brasil. Por esse motivo, despertou-se o interesse em analisar a Dieta Mediterrânea e identificar os seus alimentos através deste artigo.
A metodologia de levantamento bibliográfico fundamenta-se em livros, revistas, folhetos, websites e artigos científicos da base de dados PubMed, SciELO e Capes em língua portuguesa, espanhola e inglesa com objetivo de comparar os alimentos permitidos na Dieta Mediterrânea com os alimentos brasileiros. E assim, verificar a possibilidade de adaptação da dieta aos alimentos disponíveis no Brasil promovendo a melhoria do estilo de vida.
Portanto, este estudo trata-se de uma pesquisa na área da aplicação de técnicas gastronômicas voltadas à alimentação saudável tendo como tópicos e subtópicos: introdução, dieta x estilo de vida, histórico da Dieta Mediterrânea, pirâmide alimentar da Dieta Mediterrânea, Padrão Alimentar Mediterrâneo (PAM): alimentos e seus benefícios à saúde, ingredientes da Dieta Mediterrânea, ingredientes mais difíceis de encontrar no Brasil e possíveis ingredientes substitutos na Dieta Mediterrânea, considerações finais e referências.
Sendo assim, o presente estudo contribui para expor que a Dieta Mediterrânea pode ser adotada pelos brasileiros, pois apresenta informações que evidenciam que o Brasil possui uma variedade enorme de alimentos. E mesmo não encontrando com muita facilidade alguns produtos genuínos da região do Mediterrâneo, existem diversas opções que os substituem, não consistindo em nenhum desafio para adaptar uma dieta saudável e equilibrada aos alimentos brasileiros.
Segundo Montanari (2008), o principal elemento de diversidade entre a espécie humana e animal consiste em que somente o homem é capaz de acender e usar o fogo para o ato de cozinhar. Neste sentido, a domesticação do fogo foi de extrema importância ao homem primitivo porque possibilitou a descoberta de que os alimentos poderiam ser cozidos modificando o seu sabor e textura.
Assim, a cocção dos alimentos permitiu que os tornassem mais macios e de fácil digestão. O que contribuiu para evolução da fisiologia do ser humano, pois permitiu que a energia economizada na mastigação e processo digestivo desenvolvesse outras capacidades cognitivas e sua estrutura corporal.
Consequentemente, o ato de cozinhar e comer ao longo da evolução humana tornou-se uma prática sociocultural. Tornou-se um tempo de comunhão entre os membros da sociedade para se comunicar, conversar, compartilhar experiências, discutir assuntos do dia-a-dia e descontrair. O homem começou a buscar um estilo de vida mais saudável, com melhor qualidade e com momentos agradáveis na cozinha com familiares e amigos.
Neste contexto, uma dieta consiste em um modo de vida em que o ser humano de uma determinada região consome habitualmente um agrupamento de alimentos consoante com as suas necessidades energéticas, suas exigências nutricionais, sua situação biológica e/ou as suas restrições alimentares.
DIETA: Palavra de origem grega que significa estilo de vida. Quando ouvimos a palavra dieta, imediatamente pensamos em privação, renúncia, quando na verdade, em sua origem, o termo dieta expressa a ligação entre o homem e a região onde vive. No campo alimentar, existe uma dieta comum entre os países banhados pelo mar Mediterrâneo, composta dos alimentos produzidos nesses lugares, que recebe o nome de Dieta Mediterrânea (LUCCHESE; MACHADO, 2016, p.12).
A Dieta do Mediterrâneo surgiu, inicialmente, como fruto da escassez de alimentos, fazendo com que as pessoas consumissem cereais, frutas, verduras, legumes, azeite de oliva, vinho e peixe disponíveis na região do Mar Mediterrâneo. Na atualidade, a Dieta Mediterrânea é vista por vários estudos científicos como a dieta da longevidade em que previne a evolução de diversas doenças. Vai além de uma simples dieta, a Dieta Mediterrânea consiste em um estilo de vida.
A Dieta Mediterrânea originou-se alicerçada em rotinas, padrões e técnicas da população localizada em 15 países alcançados pelo Mar Mediterrâneo. Este padrão alimentar, complexo e rico, tem conquistado cada dia mais adeptos pelo mundo, tanto pela leveza dos aromas e sabores ou pelo colorido atraente dos pratos, mas especialmente pelos seus benefícios à conservação da saúde e da alta expectativa de vida, comprovados através de diversos estudos (REZENDE, 2006).
Revisando a literatura encontramos certos marcos ao decorrer dos anos (ex.: reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial, inclusão na lista das dietas mais sustentáveis do planeta) que enriqueceram a história da Dieta Mediterrânea. Inicialmente, em 1948, o governo da Grécia pediu uma pesquisa à Fundação Rockfeller para ser desempenhada em Creta. Nessa pesquisa sobre os padrões da alimentação mediterrânea, identificou-se um percentual inferior de doenças crônicas não-transmissíveis e de mortalidade por doenças do coração, e uma superior longevidade do que os observados na América do Norte (WILLET et al., 1995).
Este estudo bem minucioso sobre o consumo alimentar e padrão de difusão de enfermidades coronárias na população da Ilha de Creta, levou Ancel Keys mudar para a Grécia com a sua esposa Margaret para desenvolver junto com outros pesquisadores o “Estudo dos Sete Países” que abordou a relação direta entre características físicas e estilo de vida com aumento da ingestão de gorduras (sobretudo as saturadas) e a possibilidade de desenvolver doenças do coração.
Mais tarde, um dos primeiros grandes estudos na área do Mediterrâneo realizado na década de 1960 revelou que os padrões alimentares desta zona eram caracterizados por uma elevada ingestão de cereais, legumes, frutas, peixe e um consumo muito menor de batata, carne e laticínios, ovos e doces. A tradicional dieta mediterrânica de meados dos anos 1960 caracterizava-se pela presença constante de grandes quantidades de vegetais e elevado consumo de azeite como a principal fonte de gorduras mono-insaturadas (GRAÇA, 2014, p. 20).
É importante salientar que Ancel Keys não inventou a Dieta Mediterrânea, pois esse modelo cultural e alimentar já existia na região do Mar do Mediterrâneo há milhares de anos. Ele apenas limitou-se a estudar, utilizando a metodologia científica, o estilo de vida mediterrâneo tendo por base a conexão entre o consumo de alimentos e a doença/mortalidade. Entretanto é notório a ampliação da visibilidade da Dieta Mediterrânea após o destaque dado por Keys desencadeando posteriormente muitos outros estudos científicos efetuados em diferentes áreas do saber, sendo a área da saúde a que prevalece (REAL; GRAÇA, 2019).
A Dieta Mediterrânea é versátil, formada por alimentos simples e frescos que valorizam o papel da pequena agricultura. A principal característica desta alimentação é a abundância do consumo de alimentos vegetais, tendo como destaque os cereais e seus derivados, o azeite, o vinho, o peixe e a diminuição da ingestão de produtos de procedência animal. As hortaliças e verduras sazonais exercem uma função importante, sendo ricas em nutrientes antioxidantes e em flavonoides cuidadores da saúde. O consumo de frutos é abundante. Os peixes e as leguminosas são as fontes de proteína mais usadas. E as gorduras utilizadas na Dieta do Mediterrâneo são, sobretudo, o azeite e a banha de porco, ambos ricos em ácidos gordos monoinsaturados (VALAGÃO, 2010).
Em 1993, a World Health Organization (WHO) e a Oldways Preservation & Exchange Trust em parceria com pesquisadores do Centro de Epidemiologia Nutricional da Escola de Saúde Pública de Harvard desenvolveram guias alimentares piramidais dando origem ao primeiro modelo organizacional de pirâmide alimentar da Dieta Mediterrânea (Figura 1) baseado nos padrões de dieta da década de 1960 característicos da Ilha de Creta (WILLET et al., 1995).
Figura 1 - Pirâmide Alimentar Mediterrânea
Fonte: Willet et al. (1995).
Esse primeiro desenho estabeleceu que o alicerce da alimentação da Dieta Mediterrânea é formado por cereais integrais, arroz, pão, macarrão, polenta, cuscuz, amido, bulgur, batata (de carboidrato complexos) que podem ser consumidos todos os dias de forma moderada. No segundo nível da pirâmide localizam-se os grupos de alimentos das hortaliças, leguminosas, oleaginosas e frutas. O terceiro e quarto nível são compostos pelo azeite de oliva e leite/derivados. No centro da pirâmide, localizam-se os peixes, aves e ovos que precisam ser consumidos apenas alguns dias por semana. Enquanto a carne vermelha, no topo da pirâmide, deveria ser consumida no limite de uma vez mensalmente. As pessoas que seguem este estilo de vida possuem o costume de praticar exercício físico regularmente, assim como, o consumo de maneira moderada, de vinho tinto no período das refeições diárias (REZENDE, 2006).
No decurso dos anos, devido à evolução do cenário socioeconômico e cultural da região do Mediterrâneo, adaptações foram aplicadas nesta pirâmide alimentar. Em 2010, a Dieta Mediterrânea revisada (Figura 2) expõe um padrão alimentar sustentável em que a nutrição, a produção local, a sazonalidade, a biodiversidade, a atividade culinária e a cultura estão estreitamente interligadas, com um modesto impacto no meio ambiente. Os alimentos estão classificados por grupos e podem ser, conjuntamente, analisados ao nível da sua qualidade nutricional e seu respeito ao meio ambiente (FAO; CIHEAM, 2015).
Figura 1 - Pirâmide Alimentar Mediterrânea
Fonte: Willet et al. (1995).
A pirâmide da Dieta Mediterrânica assenta nos princípios de um estilo de vida saudável, em que se privilegiam a atividade física diária, a convivialidade, a utilização de alimentos tradicionais e da época, confeccionados pelas práticas culinárias simples e frugais, assentando, assim, numa base de sustentabilidade (ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DOS NUTRICIONISTAS, 2014, p. 13).
As orientações alimentares na pirâmide atual dividem-se conforme a frequência diária, semanal ou ocasional. A base da pirâmide é constituída pelo azeite de oliva e cereais integrais com consumo diário. Acima encontramos, o grupo alimentar das frutas e hortaliças. Em seguida, as leguminosas, as oleaginosas e os legumes cozidos. Mais perto do vértice ficam os ovos, peixes e frutos do mar, aves, leites e seus subprodutos que são consumidos poucas vezes na semana. No vértice da pirâmide alimentar estão as carnes vermelhas, açúcares simples e gorduras saturadas. Além disso, observa-se o hábito de exercício físico com regularidade, o consumo abundante de água e de vinho de maneira moderada (REZENDE, 2006).
Segundo Andrade (2017), a pirâmide da Dieta Mediterrânica funciona como um manual para promover o estilo de vida saudável privilegiando o consumo de alimentos de vários grupos, considerando as proporções e frequência de ingestão.
A história e as condições geoclimáticas da região do Mar Mediterrâneo desenvolveram o Padrão Alimentar Mediterrânico - PAM (BARROS et al., 2013). No PAM evidencia-se a ligação entre a maneira de armazenar, consumir e produzir os alimentos, desenvolvendo a cultura e o modo como as populações se conectam com a alimentação ou padrão alimentar (ANDRADE, 2017).
O autor acima mencionado evidencia ainda que a alimentação mediterrânica é caracterizada pelo predominante consumo dos produtos vegetais sendo o azeite a maior fonte de gordura. O consumo controlado e diário de vinho nas refeições. Peixes e laticínios são consumidos moderadamente. Nessa dieta, consomem-se, preferencialmente, carnes brancas (frango, coelho e peru), ovos. Esporadicamente, carne vermelha, charcutaria e produtos contendo grande concentração de açúcar (ANDRADE, 2017).
Os resultados de diversos estudos sugerem a elevação da proteção do organismo contra diabetes mellitus tipo 2, doenças neurodegenerativas, síndrome metabólica, obesidade, doenças cardiovasculares e neoplasias malignas para quem segue a Dieta do Mediterrâneo (KNIGHT et al., 2015). Conforme Barros et al. (2013), este padrão alimentar está relacionado à maior longevidade geral e prevenção contra enfermidades como o cancro, hipertensão arterial e doenças neurodegenerativas como Parkinson ou Alzheimer.
A dieta mediterrânica é uma das mais saudáveis do mundo com capacidade preventiva sobre o surgimento de doenças. Estudos analisaram a ligação entre fibra alimentar, macro e micronutrientes, variedade de vitaminas, e substâncias com características antioxidantes existentes nos vegetais (vitamina E e C, selênio, carotenóides, folatos, glucosinolatos e outros) com uma maior proteção do organismo contra alguns cânceres (SCHWINGSHACKL; HOFFMANN, 2015).
Huhn et al. (2015) afirma que existe associação entre o estilo de vida (período de repouso, tempo de sono, execução de exercícios físicos, tempo correto para as refeições, convívio social) e a interação nutricional, formando uma estrutura complexa que garante os efeitos benéficos da Dieta Mediterrânea.
Evidências científicas relacionam a complexidade e a diversidade do Padrão Alimentar Mediterrânico com os efeitos benéficos de certos alimentos ou grupos alimentares (hortofrutícolas, cereais integrais, azeite, frutos secos oleaginosos, ervas aromáticas, leguminosas, peixes, lácteos, vinho e água) (ANDRADE, 2017).
O Padrão Alimentar Mediterrânico é composto basicamente de grande quantia de alimentos vegetais sendo a gordura ingerida, apesar da alta quantidade, do tipo monoinsaturada e poli-insaturada proveniente principalmente do azeite de oliva e das nozes (ZELMANOWICZ, 2005).
Não encontramos alguns produtos da Dieta Mediterrânea na realidade alimentar regional brasileira. Entretanto, o Brasil é um dos maiores celeiros do mundo de alimentos nativos e/ou cultivados; e não consiste em nenhum desafio para adaptar uma dieta saudável e equilibrada aos alimentos brasileiros.
A pluralidade de legumes e verduras no Brasil é abundante, podendo citar: abóbora, abobrinha, acelga, agrião, aipo, alcachofra, alface, algaroba, alho, almeirão, batata, batata doce, berinjela, beterraba, brócolis, cará, catalonha, cebola, cenoura, chicória, chuchu, cogumelo, couve, couve-flor, ervilha, espinafre, feijão, grão-de-bico, gueroba, inhame, jiló, jurubeba, lentilha, mandioca, mandioquinha, maxixe, milho, mostarda, nabo, ora-pro-nóbis, pepino, pimentão, quiabo, rabanete, repolho, soja, tomate e outros. Legumes e verduras contêm alto teor de fibra alimentar bem como uma riqueza e pluralidade notável de vitaminas, minerais e outros compostos bioativos.
Há muitas variedades de feijão no Brasil: preto, branco, mulatinho, carioca, fradinho, feijão-fava, feijão-de-corda, entre muitos outros. Entre os alimentos que fazem parte do grupo das leguminosas e compartilham propriedades nutricionais e usos culinários com o feijão, os mais consumidos são as ervilhas, as lentilhas e o grão-de-bico (BRASIL, 2014, p. 66).
O grupo dos cereais abrange os grãos integrais, como o arroz integral, a aveia, a cevada, o milho, o sorgo, o trigo, além de outros cereais. Usa-se cereais integrais para substituir os carboidratos refinados. Alimentos integrais são fonte de fibras, vitaminas B e E e minerais que contribuem com a conservação da saúde.
As oleaginosas são sementes com alto valor nutricional, fontes de gorduras boas, minerais e vitaminas. O Brasil, apresenta boas alternativas para substituir as nozes e demais oleaginosas usadas na Dieta Mediterrânea, tais como: amendoim, castanha de baru, castanha de caju, castanha do Pará, castanha-sapucaia, gergelim, linhaça, sementes de girassol e de abóbora, amêndoa do chichá.
Em relação às outras nozes, o chichá, no que tange ao conteúdo de proteínas (21%) situa-se na mesma faixa de valores da castanha de caju (20%), amêndoa (20%), gergelim (20%), pistache (19-24%) e amendoim (25%). O teor de cálcio do chichá (30mg/100g) é inferior ao da macadâmia (53,4mg/100g) e fica muito abaixo da castanha do Pará (243mg/100g) e castanha de caju (165mg/100g). Por outro lado, o seu teor de fósforo - (670mg/100g) equivale ao da catanha do Pará (664mg/100g) e supera o da macadâmia (240,8mg/100g) e o da castanha de caju (490 mg/100g). O grande diferencial da noz de chichá em relação às suas congêneres é relativo ao seu baixo teor de gordura (30,2%) (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA, 1997, p. 4).
Em uma alimentação saudável torna-se ideal consumir porções de frutas por serem ricas em fibras e diversos nutrientes. A disponibilidade delas na natureza brasileira é enorme, indo das mais tradicionais às exóticas que apresentam sabor, formato e características incomuns. São opções de frutas vermelhas acessíveis no Brasil: a melancia, a maçã, a uva, a ameixa, a acerola e a goiaba.
Sendo os casos de frutas encontradas no Brasil: abacate, abacaxi, abiu, açaí, acerola, ameixa, amora, araçá, araticum, atemoia, bacuri, banana, banana de macaco, buriti, cacau, cagaita, cajá, caju, cambuci, camu-camu, caqui, carambola, coco, coquinho azedo, ciriguela, cupuaçu, figo, fisalis, fruta-pão, gabiroba, goiaba, graviola, grumixama, ingá-cipó, jabuticaba, jaca, jambo, jenipapo, jerivá, laranja, limão, maçã, macaúba, mamão, maná, mandacaru, manga, maracujá, melancia, melão, morango, murici, pequi, pêra, perinha-do-cerrado, pêssego, pitanga, pitomba, romã, tamarindo, tangerina, tarumã-do-cerrado, umbu, uva e uvaia.
Na Dieta Mediterrânea, ingere-se duas porções semanalmente de pescados e peixes, entre eles o salmão de água fria e a cavalinha. No Brasil, existe uma variedade imensa de espécies (anchova, badejo, bagre, corvina, dourado, dourado-do-mar, lambari, linguado, namorado, olho-de-cão, pacu, pampo, peixe-espada, pescada, pintado, pirarucu, robalo, sardinha, tainha, tambaqui, tarpon, tilápia, traíra, tucunaré, xaréu, outros). Especialistas recomendam substituir o salmão e a cavalinha pela sardinha, que é um peixe rico em ômega-3 e tem baixo custo.
Na última década, a produção brasileira de azeite de oliva de altíssima qualidade tem se desenvolvido expressivamente. Calcula-se mais de 70 marcas produzidas no Rio Grande do Sul, região da Serra da Mantiqueira, Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro; e muitos prêmios em competições internacionais.
Além do tradicional azeite de oliva, o Brasil produz um interessante substituto que é azeite de abacate, possuidor de propriedades físico-químicas semelhantes ao produto das oliveiras, principalmente pelo seu perfil de esteróides, por ser excelente fonte de compostos bioativos (tocoferóis, carotenóides e fitoesteróis) e seu alto teor de ácidos graxos monoinsaturados, em particular o ácido oleico.
A diversidade climática brasileira e a tradição trazida por milhares de imigrantes aliadas ao investimento em inovação levaram o país a alcançar uma produção vitivinícola completamente original e única. Cada uma das seis regiões produtoras desenvolveu sua especialidade com vinhos frutados, leves e com presença moderada de álcool. Na Dieta Mediterrânea, toma-se uma taça de vinho diariamente. No Brasil, considera-se o consumo dos vinhos nacionais ou a substituição do vinho por um copo de suco de uva sem açúcar que também possui substâncias que auxiliam a elevar o colesterol bom (HDL) e abaixam o colesterol ruim (LDL), mas tem como vantagem a inexistência de álcool.
Quando se iniciou o trabalho de pesquisa constatou-se que a Dieta Mediterrânea é vista como uma das dietas mais saudáveis, pois incentiva o consumo de alimentos com alto valor nutritivo. Por isso, torna-se importante estudar a possibilidade da sua adaptação aos alimentos disponíveis no Brasil.
Observou-se que o objetivo geral do estudo foi atendido porque conseguiu identificar que é possível aderir ao estilo de dieta mediterrânea substituindo alimentos genuinamente estrangeiros pela enorme variedade de alimentos do celeiro brasileiro. Assim, como os objetivos específicos que atingiram suas metas de analisar a dieta mediterrânea, verificar os ingredientes permitidos na dieta e fazer uma comparação entre os alimentos da dieta e os encontrados no Brasil.
Portanto, o problema do estudo que questionava se era possível a adesão à Dieta Mediterrânea utilizando alimentos encontrados no Brasil, assim como a hipótese da pesquisa foram confirmados devido a existência diversificada de opções alimentares com o mesmo valor nutricional da região do Mediterrâneo.
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