REBECA DORNELES DE MOURA
Ao lado vídeo mostrando o processo de escarificação mecânica para permitir a entrada da água e ácido giberélico até o endosperma e embrião da semente de pequi para acelerar a germinação e o tempo de produção de mudas.
RESUMO
A espécie Caryocar brasiliense apresenta grandes riscos de extinção, devido a expansão agrícola do cerrado, o extrativismo e a germinação baixa e irregular. Assim, este trabalho, teve como objetivo investigar metodologias de propagação seminífera quanto vegetativa para a espécie Caryocar brasiliense visando a produção de mudas em larga escala. Para tanto, este trabalho foi dividido em dois capítulos: O primeiro, refere-se à emergência de sementes de duas procedências. Na procedência do Tocantins, foi testada a presença e a ausência de GA3; com e sem escarificação mecânica do endocarpo e semeadura em condições de sombra e a pleno sol, sob esquema fatorial 2x2x2. A procedência de Minas Gerais foi tratada com e sem a escarificação mecânica e com e sem GA3, sob esquema fatorial 2x2. Ambas as procedências tiveram quatro repetições com 25 sementes por parcela. No segundo capítulo, foi avaliado o potencial de enraizamento via estaquia e miniestaquia, quanto ao efeito do AIB em material proveniente do minijardim clonal a partir de sementes utilizadas para a confecção das miniestacas e em estacas obtidas de plantas com seis anos de idade (adultas). O experimento com as estacas foi estabelecido em DIC, com 8 repetições de 10 estacas. Para a miniestaquia, foram utilizadas 15 miniestacas por tratamento. As estacas não enraizaram, possivelmente pela maior lignificação dos tecidos. As miniestacas apresentaram 27% e 52% de enraizamento, sem e com AIB, respectivamente. Os resultados sugerem que a juvenilidade do material e a aplicação de AIB favoreceram a formação de raízes adventícias em miniestacas. Foi avaliado, também na segunda parte, a eficiência de três bactérias promotoras de enraizamento e a rizobactéria Enterobacter em estacas e miniestacas de C. brasiliense. Os propágulos tiveram o terço inferior da base imersas por 10 segundos na solução bacteriana (1×108 UFC mL-1 ), foram estaqueados e mantidos na câmera de nebulização por 60 dias. A avaliação qualitativa das plântulas foi realizada em esquema fatorial 2x3, sendo dois tipos de propágulo (estaca e miniestaca), e quatro soluções de imersão com cinco repetições de uma planta por parcela. Não houve efeito das bactérias no enraizamento adventício de estacas e miniestacas. A propagação por miniestaquia é viável para a produção de mudas de C. brasiliense a partir de minicepas juvenis. Brotações de plantas adultas apresentaram potencial de enraizamento, entretanto, com baixo percentual.