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Recentemente reli uma cronica- “Baile de Máscaras”- do saudoso gênio das letras, Paulo Mendes Campos. Como continua atual, é impressionante! Na verdade, ainda embasbacado pela leitura, comecei a puxar pela memória, Machado de Assis, Lima Barreto, Ferreira Gullar, Nélson Rodrigues, Drummond, Rubem Braga,Luís Fernando Veríssimo e... toda crônica é anacrônica! O cerne da crítica social embutida nas crônicas é cíclico. Mudam os atores, mudam os cenários, mas as críticas motivadoras continuam atualíssimas. São de fato atemporais. E temos muito a aprender com elas.
Se são cíclicas significa que ocorrerão de tempos em tempos e de forma privilegiada podemos aprender com elas. Estudar o passado é entender o presente e se preparar para o futuro. De fato é o mais próximo de antever o futuro que chegaremos e está ótimo assim.

Infelizmente a sociedade em que vivemos se equilibra na gangorra do analfabetismo funcional e da idiotia, impedindo ou a leitura ou o entendimento dos grandes mestres do passado; estão inexoravelmente compelidas, tal como Sísifo, a repetir ações estúpidas ad aeternum.

E como chegamos a esse ponto de idiotização das massas, da idiotização como base de povos? Geralmente os pontos de inflexão do cognitivo coletivo se dão com grandes rupturas socioculturais, com rupturas de paradigmas e invariavelmente as rupturas concluem naturalmente em não-rupturas mas sim de transformações. As rupturas, embora por vezes necessárias, são em sua essência, burras pois rompem com o que não funciona e também com o que funciona; já as transformações adéquam apenas o que não funciona e aperfeiçoam o que já funciona, quando é possível. As rupturas fazem novos caminhos mas com os mesmos erros do passado.

E essas rupturas sociais não são estanques. A vida continua. Pessoas nascem, crescem, evoluem(?) e morrem. Imaginem as pessoas nascidas em meio a essas rupturas crescendo, obtendo sua formação moral e cognitiva na base de erro e acerto dos genitores? Essa formação será uma colcha de retalhos. E a formação profissional dos mesmos que formarão outros profissionais?

Historicamente, para termos outro ponto de inflexão é necessário uma transformação da ruptura se aproximando do ponto de inflexão inicial. E isso só acontecerá, quando as massas se perceberem idiotizadas, e isso só ocorrerá quando progressivamente alguns acordem da idiotia generalizada e comecem a acordar outros, pois idiotas não se percebem enquanto idiotas, devendo um fator externo a idiotia os acordarem.

Até lá, como diria o CEO da maior empresa do planeta: “Livrai-nos meu Deus de todo o mal”


Amém

DeLemos