D24 Mais um solstício que chegou. E com ele a soma de toda a hipocrisia da humanidade aflora novamente.
A comemoração das passagens de estações é feita há milhares de anos pela humanidade, desde os primeiros grupos de caçadores-coletores, originalmente como rituais de fertilidade, depois nos grupos de agricultores como celebração das colheitas e mais recentemente no Império Romano uma festa voltada para orgias em homenagem ao deus Saturno.
No processo de consolidação do Cristianismo, foi feito um sincretismo com a Saturnália, pois povo sem panis et circensis não adere a nada. Fazia-se mister manter uma comemoração consolidada entre o povo para arrebanhar fiéis para a nova prática e mesmo sem uma linha, no próprio documento oficial da nova religião, dizendo tratar-se do nascimento do Messias...voilá. Foi instituído que no solstício, celebração pagã da antiguidade era o nascimento do Messias. Ok, vá lá. Licença poética.
O incômodo é delegar a um único dia do ano a necessidade de praticar os preceitos religiosos expressos pela religião. Um ano quase inteiro de inveja, maledicência, fazendo mal ao próximo, não se importando com a família e muito menos com o próximo, roubando, furtando, praticando a corrupção, traindo, mentindo, matando e...como mágica, em um dia todos vestem as máscaras das virtudes e aplacam suas consciências com presentes caros e ofertando banquetes...
Das orgias da Saturnália ao século XXI só evoluímos na dissimulação e na narrativa, de resto ces´t tout la memme chose...