D21

Sem medo de errar e certo de apanhar, posso dizer que a música que um povo ouve diz muito sobre o mesmo. Em todos os sentidos. Como possuo gostos quase esquizofrênicos de tão ecléticos posso afirmar que cada estilo, cada artista me leva a um lugar diferente, me traz emoções diferentes. E cada momento único e diferente me suscitam emoções diferentes. Sim, acho que emoção é o que melhor define minha relação com a música ou a relação de qualquer um.


Mas aqui cabem ressalvas. Quando escuto uma bossa nova me conecto a algo superior que me eleva, uma estética da beleza do cotidiano misturado com a natureza- difícil de explicar mas intuitivo, quando aparece a alma pede. Quando escuto um blues sinto uma vontade de superar as mazelas do dia-a-dia, traz uma energia cumplicial de força. Quando quero refletir sobre o cotidiano Jim Morrison cai como uma luva. Chopin já ajuda a enxergar a necessidade de pausas entre felicidades no sentido de valorá-las ainda mais. E por aí vai...

 São energias, vibrações que agem no corpo e na alma.

E já repararam no que a juventude do nosso combalido patropi escuta?

Músicas que objetificam as mulheres, misóginas, que fazem apologia as drogas, a roubos, a violência, a favor da banalização do sexo, da promiscuidade, a tudo que é fútil e passível de ostentação. E tudo isso permeado por acordes eletrônicos sem vida alguma e batidas eletrônicas repetitivas- o famoso "bate-estaca". Que sentimentos, que energia isso trará para quem escuta? EM que isso poderá elevar as cabecinhas vazias de quem escuta? Isso sem contar no efeito hipnótico dessa combinação associada a falta de sono, bebidas alcoólicas, nicotina and illegal drugs. O que isso pode trazer de bom em uma "balada"?

Pois é. Absolutamente nada. A quem poderia interessar uma juventude idiotizada e hipnotizada eivada de sentimentos baixos, animalescos e mundanos? A quem poderia interessar uma juventude apática, previsível e fácil de manobrar?

Ficam as reflexões para você, etéreo leitor.

Sugiro o Jim para tal.


DeLemos