Vamos abordar, refletir e buscar compreender um dos grandes aspectos que impactam direta e indiretamente o comportamento das pessoas nas organizações, ou seja, o exercício da liderança.
Nesta aula, você entrará em contato com o conceito de liderança, com sua evolução ao longo de períodos relevantes da história, como a Era Industrial e a Era do Conhecimento, e, por fim, vai percorrer um modelo contemporâneo de se exercer a liderança.
Pois bem, o assunto é altamente relevante e instigador; não temos a pretensão de esgotá-lo aqui, mas você terá bases para compreender alguns dos pontos estratégicos e seguir avançando para aprofundar seu conhecimento a respeito do tema.
Liderança no meio organizacional: mitos e verdades
Um assunto sobre o qual você vai encontrar uma vasta bibliografia é a liderança — algo que, de alguma forma, gera interesse ou fascínio em muitas pessoas.
Porém, há de se tomar cuidado com algumas definições de liderança, pois nem sempre estão calcadas em estudos científicos e, especialmente, focadas no mundo das organizações, que é a nossa área de interesse.
Por isso, vamos começar definindo, claramente, o que é a liderança no ambiente organizacional. Segundo Johann (2013, p. 106):
[...] uma definição apropriada para liderança, nos tempos atuais, é a capacidade de o indivíduo influenciar positivamente as circunstâncias e as pessoas – colegas, superiores e subordinados –, contribuindo para que sejam produzidos/alcançados resultados desejáveis pela organização.
Faz-se interessante considerar que o autor destaca que tal definição é apropriada para os tempos atuais, visto que contribui para que sejam alcançados os resultados desejáveis/necessários.
Você, então, pode questionar: mas não é assim em qualquer tempo a ação esperada pela liderança?
Pois bem, de certa forma, sim, porém estamos vivendo, especialmente desde os anos 1990, uma maior complexidade no mundo dos negócios, o que fez com que o papel da liderança necessitasse ser revisto.
Então, quer dizer que ser gestor e ser líder, simultaneamente, não é possível?
Para respondermos a esse importante questionamento, consideramos a definição de Brillo e Boonstra (2018, p. 80):
“Portanto, gestão e liderança são complementares entre si, e não se deve cair na armadilha de fazer com que uma pareça mais importante do que a outra.”
Com isso, você já deduziu que, de alguma forma, o líder, no ambiente organizacional, deve ter comportamentos complementares, ou seja:
Comportamento voltado às tarefas: isso quer dizer que o líder busca focar a orientação que dá às pessoas da equipe para a realização das atividades/tarefas, ou seja, a definição de quem vai fazer o que, quando e como.
Comportamento voltado ao relacionamento humano: nesse caso, a ênfase maior está nos relacionamentos pessoais entre o líder e o seu time. Estamos nos referindo, em especial, à criação de canais de comunicação adequados à cada realidade. De forma geral, passam pela delegação: amizade, envolvimento com os integrantes da equipe/time e suporte socioemocional às pessoas.
Aliás, algo que vale trazermos à tona é uma discussão que aconteceu no mundo acadêmico e corporativo tratando das seguintes questões: gestor e líder são sinônimos? Todo gestor deve ser um líder e vice-versa? Vamos analisar.
Diferenças entre gestor e líder
Para começarmos a tratar do assunto e não incorrermos no erro de permanecer na superficialidade, vamos analisar alguns conceitos-chave.
Segundo Johann (2013, p. 109):
“o gestor tem por encargo viabilizar os objetivos propostos para uma organização, uma equipe de trabalho ou um departamento de uma empresa. [...] O poder do gestor está́ na autoridade do cargo”.
Esse mesmo autor, ao tratar do papel da liderança, destaca que
“o líder, por sua vez, muito embora não deva descuidar das suas atribuições como gestor, tem como foco principal as pessoas sob sua coordenação” (JOHANN, 2013, p. 109).
Compreendidos esses conceitos, sugerimos que você analise este quadro, pois ele traz o conceito de dois dos maiores estudiosos do tema liderança organizacional a nível mundial.