O que é o comportamento organizacional?
Esteja você atuando na gestão de equipes ou, quem sabe, ainda buscando entrar no mundo corporativo, independentemente da sua posição, algo que é e será relevante durante toda a sua carreira é a compreensão das nuances do comportamento organizacional.
Naturalmente que, ao falarmos desse tipo de comportamento, estamos diferenciando-o do individual; isso, basicamente, para dizer que as pessoas quando reunidas em times tendem a ter um comportamento enquanto grupo que pode ser diferente do comportamento individual.
Para ir ficando mais claro, vamos iniciar com esta definição: “O comportamento organizacional é um campo de estudos voltado a entender, explicar, prever e modificar o comportamento humano que ocorre no contexto organizacional” (WAGNER; HOLLENBECK, 2020, p. 5).
Certamente, você já se deu conta de que entender, explicar, prever e modificar o comportamento humano não é algo tão simples. Por isso, Johann (2013, p. 2) diz que:
O comportamento organizacional é uma ciência interdisciplinar que estuda a dinâmica de como as pessoas e grupos se comportam e se relacionam no âmbito das organizações e, também, como os indivíduos e grupos interagem com a própria organização da qual fazem parte.
Pois bem, se é uma ciência interdisciplinar, ou seja, que envolve conhecimentos da psicologia, psiquiatria, economia, administração etc., como você vai conseguir compreender os seus principais aspectos e se beneficiar disso na sua carreira?
Essa é uma questão muito relevante e, por isso, vamos tentar focar alguns aspectos dos quais você, sem dúvidas, vai precisar na sua carreira profissional.
Aspectos práticos (observáveis) do comportamento organizacional
Para ajudar, vamos recorrer ao que Wagner e Hollenbeck (2020) trazem como aspectos práticos e relevantes.
Focar os comportamentos observáveis. Esses autores destacam algumas competências como: falar em público (especialmente em reuniões), participar de projetos e preparar relatórios. Basicamente, deve-se focar a forma como as pessoas pensam, percebem e decidem a partir das situações que se apresentam.
Envolver a análise do comportamento individual e em grupo. Já tratamos da diferença de comportamento organizacional e individual, porém, para compreender o comportamento de um grupo, muitas vezes, é necessário compreender o comportamento de cada pessoa que compõe o time, especialmente das pessoas que exercem a liderança.
Avaliar o “comportamento” dos grupos e das organizações em si. Você já avaliou a diferença entre comportamento individual e organizacional, contudo, é importante você compreender como certos eventos que ocorrem nas organizações impactam os resultados positivos ou negativos que algumas empresas atingem. A partir dessa compreensão, você tem condições de ser protagonista da(s) mudança(s) que, eventualmente, fazem-se necessárias na empresa.
Pois bem, agora, podemos nos questionar: mas o que são, na verdade, os comportamentos?
Uma resposta bem embasada é esta:
[...] podem ser definidos como as reações dos indivíduos e as respostas que estes apresentam a dado estímulo, sendo determinados pelo conjunto de características ambientais (adquiridas) e hereditárias (genéticas), com absorção das pressões exercidas pelo meio ambiente. (KANAANE, 2017, p. 73)
Essas características ambientais e hereditárias que Kanaane (2017) se refere são tratadas por Johann (2013) como:
Percepção e comunicação.
Motivação no trabalho.
Inteligência emocional.
Liderança de equipes.
Cultura e clima organizacional.
Ambiente político interno.
Poder nas organizações.
Competências e comportamento organizacional: há relação direta no dia a dia das organizações?
Caso você tenha tido acesso a qualquer material sobre gestão de pessoas, ou melhor, gestão por competências, sem dúvidas, entrou em contato com uma definição-chave do que é competência.
Não vamos entrar no mérito, aqui, se essa é a melhor definição para competência, pois a nossa ênfase está em tratar da relação entre as competências e o comportamento organizacional.
A primeira questão que pode vir a sua mente é: como há relação entre competências e comportamento organizacional se o comportamento nem é parte constituinte das competências?
Sem dúvida, essa é uma questão relevante, por isso, vamos buscar esclarecê-la começando por dizer que as competências podem ser individuais ou organizacionais, logo, essa já é uma semelhança com o comportamento.
Porém, de fato, as competências devem ser desenvolvidas por meio de um programa de educação corporativa, por exemplo, para que impactem o comportamento organizacional, que é responsável direto pelos resultados positivos ou negativos de determinada organização. Além do que, os conhecimentos, as habilidades e as atitudes das pessoas, individualmente e em grupo, estão presentes antes mesmo de determinado comportamento ser observável.
Práticas de gestão de pessoas, educação corporativa e o comportamento organizacional
Para que você possa dar mais um passo na compreensão da importância de analisarmos como as competências e o comportamento organizacional se relacionam na prática, no dia a dia das organizações, vamos avaliar o seguinte: “No dia a dia, os gestores são responsáveis, modernamente, pela ativação da atitude dos empregados, um atributo comportamental que compõe a competência dos empregados” (JOHANN, 2013, p. 3).
Fica cada vez mais evidente que os gestores devem trabalhar muito mais como treinadores (coaches) e mentores do seu time do que, necessariamente, como “chefes supremos”.
Por isso, Johann (2013) reforça que é importante que você, enquanto gestor, incentive seus funcionários, bem como a prática de novas ideias e atitudes por parte das pessoas.
Não quer dizer que os conhecimentos e as habilidades não sejam relevantes, muito pelo contrário, esses dois aspectos, em especial, são o foco dos programas de educação corporativa, estando sob a administração de uma universidade corporativa ou não.
Porém, em se tratando diretamente da relação de competências e comportamento organizacional, Johann (2013, p. 4) diz:
“O comportamento organizacional ocupa‐se da variável atitude, com o desafio de criar – e manter – uma atitude coletiva proativa em todo o quadro funcional da organização”.
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Assim, a questão que resta para você é: não há a necessidade de você ser um expert em gestão por competências, porém você nunca conseguirá ser um excelente profissional se não conseguir desenvolver as próprias competências. Além de conseguir avaliar a relação entre as competências do time e o comportamento organizacional.
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Fica evidente que você precisa, ao menos, identificar o que é necessário ser desenvolvido em você, em termos de conhecimentos, habilidades e atitudes. Bem como no restante do seu time, para que toda a organização tenha resultados positivos.
Não se trata de uma tarefa trivial, de fácil execução. Um autor que trabalha bem essa questão é KANAANE (2017, p. 115), que diz:
Os conjuntos de valores presentes em nossa sociedade impactam na postura do líder e, no caso específico, no perfil de liderança necessário para o desenvolvimento de pessoas, equipes e organizações nos seus diversos caracteres e comportamentos emergentes e necessários às situações.
Gestores e/ou líderes: impactos no comportamento das pessoas
Já falamos que a atuação da liderança impacta positiva ou negativamente o comportamento das pessoas, contudo, você pode questionar: por que considerar gestores e/ou líderes? Não se trata da mesma coisa?
Em muitos casos, sim! Tais papéis podem estar representados pela mesma pessoa. porém, em não raros casos, não é o que acontece na prática.
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Muitas pessoas que são alçadas a cargos de gestão não têm preparo prévio para assumir a liderança, assim sendo, há gestores que não são líderes.
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Porém, a liderança será exercida por outra pessoa, visto que o poder não deixa espaço para vácuos, ou seja, alguém sempre exercerá o poder, de fato, perante determinada equipe. Mesmo que não seja a pessoa que foi designada para a função.
Pois bem, as organizações, com fins lucrativos ou não, buscam a sua sustentabilidade, e isso nada mais é do que buscar sobreviver ao longo do tempo. Contudo, a sustentabilidade traz no seu âmago dois conceitos que são impactados diretamente pelo comportamento das pessoas: estamos nos referindo aos conceitos de eficácia e eficiência.
Sustentabilidade, eficiência e eficácia: como se relacionam com o comportamento organizacional e a liderança
Para que tenha um embasamento adequado, ainda que sem esgotar esses assuntos, veja alguns conceitos básicos.
Sustentabilidade
Pegando emprestada a visão de Johann (2013, p. 6), temos que esse tema já vem sendo discutido desde meados do século XX: “[...] recebeu atenção pioneira da Comissão Brundtland/WCED que, em 1987, definiu que o desenvolvimento sustentável deve satisfazer às necessidades da geração presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras.”
Aliás, a sigla WCED significa World Comission on Enviromental and Development, e, atualmente, você pode perceber que as empresas, de forma geral, independentemente do seu setor de atuação, estão dando bastante atenção a esse tema.
Eficiência
Para manter a nossa linha de raciocínio, vamos buscar, novamente, a ajuda de Johann (2013, p. 6), que diz: “A eficiência está focada na execução bem‐sucedida dos processos, operações, fluxo de trabalho, dando ênfase à forma como as atividades são realizadas”. Como já ficou evidente que o exercício da liderança impacta diretamente o comportamento organizacional, é natural pensarmos que impacta, por consequência, a eficiência de determinada equipe.
Eficácia
Por fim, com relação ao termo eficácia, temos:
“A eficácia, por sua vez, está centrada na obtenção de resultados organizacionais” (JOHANN, 2013, p. 6).
Para que você consiga conectar tais conceitos com o exercício da liderança no dia a dia das empresas e entender como isso impacta diretamente o comportamento das pessoas, analise a seguinte consideração:
“Trata‐se, na realidade, de encontrar pessoas capazes de dar respostas aos desafios da complexidade que caracteriza o macroambiente em que as organizações atuam” (JOHANN, 2013, p. 5).
O que isso quer nos dizer? A função das pessoas que exercem a liderança, na verdade, recai cada vez mais em conseguir engajar as pessoas do seu time para que trabalhem focadas nos objetivos organizacionais a serem atingidos.
Para atender a demanda que lhe foi apresentada, de capacitar as pessoas da empresa Nóis Fumo Bom! Vale considerar alguns conceitos-chave que não podem deixar de aparecer entre os tópicos da sua capacitação:
Comportamento humano e organizacional: o que é e como se forma.
Quais são as características ambientais da organização que impactam diretamente o comportamento das pessoas.
O que são as competências e como se relacionam (ou não) com o comportamento organizacional.
O papel dos líderes na formação das competências (aproveitando para dar uma visão inicial da demanda dos coaches e mentores dos seus times).
Sustentabilidade da empresa e como as pessoas podem auxiliar para que isso ocorra.
Vale propor às pessoas que participarão do seu processo de capacitação a criação de um vídeo curto sobre o que compreenderam do processo de transferência de conhecimento que você propôs e como pretendem colocar isso em prática.
Isso lhe dará bases para avaliar os resultados da aprendizagem daquelas pessoas, bem como se haverá a necessidade de um processo de capacitação mais aprofundado em determinados aspectos ou mesmo uma forma distinta de desenvolver as competências que eles necessitam a partir de agora.
Estudo de Caso
Vamos analisar uma questão na qual você, neste momento, de forma fictícia, está engajado na empresa em que atua.
Coloquemos sob a sua responsabilidade o departamento de Gestão de Pessoas da empresa Nóis Semo Bom!
A sua empresa está em fase de fusão com uma empresa até então concorrente direta: a Nóis Fumo Bom!
Diante disso, foi dado a você o desafio de capacitar os líderes da empresa que está sendo adquirida para que assumam a visão de coaches e mentores dos seus times. No entanto, no primeiro contato com tais líderes, você percebeu que haverá a necessidade de partir dos conceitos básicos de comportamento humano e organizacional, competências, papel dos líderes etc., caso contrário, não obterá sucesso.
Considerando o seu desafio com os líderes daquela empresa que está sendo fundida com a sua:
Quais são os conceitos-chave que devem ser abordados no processo de capacitação daqueles líderes?
Como você planejará o processo de capacitação para que haja um impacto real nas pessoas e que o seu comportamento seja afetado positivamente?
Não se esqueça de que é sempre relevante propor, em algum momento da sua capacitação, um instante vivencial, de experiência dos participantes. Isso porque, em se tratando de comportamento organizacional, não podemos ficar somente com dados teóricos, não acha?