Cultura e clima organizacional: por que precisamos compreendê-los?
Para compreendermos a cultura, o clima organizacional e a sua ligação com o comportamento organizacional e, é claro, com os resultados decorrentes disso para as empresas, temos que partir do princípio e, ao menos, buscar diferenciar o que é cultura e clima organizacional.
Johann (2013, p. 146) aponta:
“[...] se entende cultura organizacional como algo capaz de conferir uma identidade em comum a pessoas que pertencem ao quadro funcional de uma mesma empresa.”
Já Wagner e Hollenbeck (2020, p. 390) dizem que:
A cultura de uma organização, portanto, é um modo informal e compartilhado de perceber a vida e a participação na organização, que mantém seus membros unidos e influencia o que eles pensam sobre si mesmos e seu trabalho.
Parece que ficou compreendido que a cultura organizacional é o “jeito de ser” daquela companhia, porém o que é, exatamente, o clima organizacional?
Esta citação de Johann (2013, p. 184) nos ajuda a esclarecer essa questão:
“O clima organizacional retrata o grau de satisfação das pessoas no trabalho e é resultante tanto de questões materiais quanto de aspectos emocionais presentes no ambiente de trabalho”.
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Pois bem, resta, ainda, uma questão relevante. Como a cultura e o clima são impactados nas organizações, ou seja, o que podemos considerar como fatores que influenciam positiva ou negativamente esses itens e que geram efeitos nos resultados das organizações?
Fatores que impactam a cultura e o clima organizacional
Vamos iniciar a nossa breve análise por alguns dos fatores que impactam a cultura das organizações.
As teorias a respeito do tema apresentam algumas variações quanto a esses fatores — o que é natural —, e não é o nosso intuito fazer uma análise tão profunda deles; o que desejamos é que você compreenda o que, de forma geral, impacta a cultura de determinada empresa, por exemplo. Dessa forma, tal lista procura ser o suficiente para atingir nosso objetivo.
Cerimônias: eventos que ocorrem para celebrar algum acontecimento ou homenagear alguma pessoa da empresa.
Ritos: atividades organizadas que buscam comunicar ideias ou realizar propósitos específicos.
Histórias: relatos de eventos que transmitem normas e valores relevantes para a organização.
Heróis: pessoas de sucesso que personificam os valores da empresa: o fundador da empresa, por exemplo.
Símbolos: objetos e ações que têm significado relevante para as pessoas daquela empresa. Por exemplo: a maçã para a Apple.
Linguagem: conjunto de símbolos verbais que representa a forma particular como as pessoas de determinada organização se expressam.
Rumores de mudanças internas. Bastam as chamadas “fake news” para o clima organizacional ser impactado. Isso porque as pessoas costumam demonstrar ansiedade perante as mudanças, mesmo que sejam positivas.
Vamos, então, compreender o que impacta o clima organizacional. Sem o intuito de trazer todas as possibilidades, podemos considerar fatores como:
Cultura organizacional sendo posta à prova. Isso pode ocorrer, entre outras possibilidades, quando há um processo de fusão de duas empresas muito distintas.
Problemas no macroambiente. Nesse caso, pode ser que tenham surgido novos concorrentes ou quiçá uma crise econômica no país.
Troca de lideranças. Sabe-se que as pessoas que exercem a liderança acabam impactando o comportamento organizacional. Por consequência, isso se reflete também no clima de determinada empresa.
Pesquisa de clima organizacional, uma visão inicial
Partindo do pressuposto de que o clima organizacional, segundo Johann (2013), retrata o grau de satisfação das pessoas no trabalho, faz sentido termos um instrumento que possa medir tal grau de satisfação.
A esse instrumento damos o nome de pesquisa de clima organizacional. Aliás, tal pesquisa vai procurar investigar as questões materiais e os aspectos emocionais presentes no ambiente de trabalho. Isso porque, segundo Johann (2013), são os fatores que impactam a satisfação ou não das pessoas. Assim, pode-se dizer que a pesquisa de clima organizacional:
É o mapeamento da percepção das pessoas que atuam em uma mesma organização sobre a satisfação quanto ao ambiente interno – atmosfera psicológica decorrente de aspectos emocionais e fatores materiais – que predomina na organização. (JOHANN, 2013, p. 185-186)
Atualmente, com o avanço das TDICs (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação), a aplicação das pesquisas de clima organizacional é bastante facilitada, salvo em situações em que as pessoas se encontram sem acesso a determinadas tecnologias.
Aliás, não é a ideia, aqui, buscar compreender os detalhes de como essa pesquisa é ou era aplicada, porém queira fazer um exercício de imaginação e pense como um gestor do século XIX, por exemplo, fazia uma pesquisa nesse nível sem internet e sem os aplicativos a que temos acesso hoje.
É claro que os processos não eram fáceis; não à toa, até o início deste século, as empresas (aquelas mais organizadas, é claro) costumavam fazer uma única pesquisa de clima organizacional por ano, dado o trabalho monumental que ela gerava pelo grande volume de formulários em papel, que, após a pesquisa, precisavam ser recolhidos e ter suas informações tabuladas.
Frente a isso, certamente, você já deve ter compreendido o que é a pesquisa de clima organizacional e como ela é facilitada, hoje, pelo avanço da tecnologia da informação e da comunicação. Porém, resta uma questão importante: o que a motivação das pessoas e o seu impacto no comportamento organizacional têm a ver com a pesquisa de clima? Algo a ser avaliado com atenção.
É papel da pesquisa de clima criar programas motivacionais?
Antes de respondermos a tal pergunta, entenda o que vem a ser motivação humana:
“No ambiente organizacional, a motivação é o processo de estimular um empregado para que empreenda ações que irão preencher uma necessidade ou desejo individual, mas que estará́ sintonizada com um determinado comportamento ou meta almejada pela empresa” (JOHANN, 2013, p. 40).
Ao analisarmos com atenção essa citação percebemos que não é possível, por melhor que sejam as nossas intenções, motivarmos alguém. O que podemos é gerar estímulos para que a pessoa, por sua vontade própria e suas atitudes, sinta-se motivada.
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O papel da pesquisa de clima é compreender os fatores que estão impactando a motivação das pessoas e, então, criar programas que possam estimular mudanças.
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Aliás, pelo simples fato de se realizar uma pesquisa de clima organizacional, expectativas são geradas de que alguma ação vai ocorrer a partir daquele levantamento. Caso isso não ocorra, o nível de satisfação das pessoas vai ser seriamente impactado, o que, por consequência, vai resultar em mudanças negativas no comportamento organizacional e, por fim, nos resultados daquela empresa.
Formas de poder nas organizações e sua eficácia
Uma das questões relevantes ao se tratar de comportamento organizacional, de resultados e de técnicas de orientação de pessoas nas empresas passa pelo entendimento do poder e de suas formas.
Vejamos que interessante este conceito:
“No comportamento organizacional, poder, refere-se à capacidade que A tem de influenciar o comportamento de B para que B aja de acordo com a vontade de A.” (ROBBINS e JUDGE, 2020, p. 516)
Os jogos de poder nas organizações, aqui entendidos como a forma como o poder é exercido no meio corporativo, ocorrem de duas formas: pelo poder formal ou pelo poder pessoal.
O poder formal nada mais é do que aquele baseado na posição que determinada pessoa tem na organização. Dessa posição, pode-se resultar a capacidade de coagir ou de recompensa, conforme nos apresenta Robbins e Judge (2020).
Essa categoria de poder pode ser subdivida em três:
Poder coercitivo: aquela forma de poder em que determinada pessoa pode demitir, suspender ou rebaixar outrem.
Poder de recompensa: basicamente, é o oposto do poder coercitivo, ou seja, a ênfase está na recompensa que determinada pessoa pode alcançar a outrem.
Poder legítimo: representa o poder hierárquico de determinada pessoa na organização. Isso quer dizer que a cultura da organização apresenta como uma de suas normas essa hierarquia de comando e controle.
Por outro lado, o poder pessoal resulta das características únicas, exclusivas de determinada pessoa. Tal categoria de poder pode ser subdividida em duas:
Poder de especialista: é aquela influência exercida por meio de alguma especialidade (expertise) que, naturalmente, é valorizada na organização.
Poder de referência: é aquele associado à identificação com determinada pessoa que possui características ou recursos que são desejáveis para outrem. Por exemplo: um empresário bem-sucedido.
Então, você pode perguntar: mas qual é a forma de poder mais eficaz em se tratando do mundo corporativo?
Pesquisas sugerem que as fontes de poder pessoal são as mais eficazes. Tanto o poder de especialista quanto o de referência são positivamente relacionados à satisfação dos empregados com a gestão, com seu compromisso com a organização e com o seu desempenho, ao passo que o poder de recompensa e o poder legítimo não parecerem ser relacionados com esses resultados. (ROBBINS; JUDGE, 2020, p. 519)
Táticas de poder
Segundo Robbins e Judge (2020), pesquisas identificaram nove táticas de poder que são eficazes no meio corporativo.
Legitimidade: baseia uma solicitação na posição formal de determinada pessoa ou utiliza uma argumentação relevante para a outra parte.
Persuasão racional: baseia-se na argumentação lógica, em fatos que demonstram a relevância de determinado pedido.
Apelo inspiracional: envolve um compromisso emocional; recorre a valores, necessidades e esperanças, que são importantes para as pessoas da organização.
Consulta: envolve alguém após essa pessoa ter sido consultada para determinada solução.
Troca: nada mais é do que oferecer algum benefício para alguém em razão de algo recebido.
Apelo pessoal: o nome já denuncia que se recorre à amizade ou a outro valor pessoal.
Adulação: também fica evidente que se trata de elogio ou algo do gênero.
Pressão: trata-se de exercer alguma forma de coerção, como uma advertência.
Coalizões: ocorre quando se busca a união com outras pessoas para conquistar o apoio de outrem.
Você acabou de assumir a posição de CEO de uma empresa familiar do ramo de hotelaria. Tal empresa é constituída por uma rede de 25 hotéis espalhados pelo Brasil e focados, em grande medida, no turismo de negócios e no mercado de eventos corporativos.
Ocorre que você tem a missão de manter os valores organizacionais e o propósito com o qual a empresa foi fundada, bem como impactar a cultura organizacional para que esteja alinhada aos desafios do século XXI, especialmente porque a nova geração da família gestora que entrou no negócio percebeu tal necessidade de mudança para poder perpetuar tal empreendimento.
Dadas essas condições e considerando os conhecimentos adquiridos nesta aula, quais devem ser as suas primeiras providências e, em linhas gerais, qual deve ser o seu plano de ações?
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Pesquisa de Clima Organizacional
Para que possa avançar na sua missão e torná-la factível, há alguns caminhos a serem tomados.
Num primeiro momento, você pode encaminhar duas ações paralelas:
Solicitar que seja realizada uma pesquisa de clima organizacional que vise a analisar com profundidade a relação que as pessoas têm com a cultura organizacional instalada e quais são os principais problemas que elas enxergam na organização neste momento.
Visitar pessoalmente algumas das unidades-chave da rede de hotéis, especialmente aquelas que apresentam um nível maior de diversidade de pessoas e complexidade na sua estrutura organizacional.
Tais ações lhe darão bases relativamente seguras para compreender mais profundamente a cultura e o clima organizacional, além, é claro, dos jogos de poder existentes na organização e como lidar com eles.
A partir disso, você precisa estabelecer um plano de ações que fique explícito e evidente para todas as pessoas da organização, pois elas necessitam receber um feedback da pesquisa que participaram. Ou seja, as pessoas precisam ter claro que as suas questões levantadas foram, ao menos, analisadas e estão sendo respondidas em alguma medida.